Uma Estranha No Meu Quarto

14 Capítulo 14 - A mansão no fim da rua


Notas iniciais
Gente, depois de muito tempo, muitas provas na faculdade e muita falta de inspiração saiu mais um capítulo. Dessa vez tentei descrever mais os cenários pois acho que estava faltando isso espero que gostem..

Quando Kristen apareceu para me ver de novo, eu não tinha nenhum plano, tudo que eu queria era segui-la e ver logo quem era o seu Mestre e saber suas intenções. Por que ele matou o fantasma estúpido que me deixou em coma? Por que Kristen sempre retorna pra ele apesar de não parecer mais tão maligna como eu achava? E se ela não consegue realmente se controlar as vezes como deu a entender? Quantas pessoas esse cara machucou? Por que?

Esses pensamentos me assolaram grande parte do tempo em que estou no hospital, mas a maior parte de mim a que me motivava a seguir em frente com essa idéia, temia que Jaynet estivesse presa com ele, já que ela estava sumida. Se ela estivesse precisando de mim enquanto eu estou brincando de fantasma na segurança do hospital eu jamais me perdoaria.

A outra parte de mim e que eu ignorava me dizia que ela simplesmente não queria mais me ver. E eu prefiro encarar mil fantasmas a encarar essa possibilidade.

Me agarrei a primeira opção e vi Kristen se despedir de Kevin e de mim. Estranhamente Kevin ainda nos ouvia, embora não pudesse nos ver e os dois tinham desenvolvido algum tipo de relacionamento três meses em que estou hospitalizado, ele a adorava mesmo sem nunca ter visto e ela tentava ser uma boa amiga. Ele deu um caloroso sorriso a ela como de costume e logo que teve certeza de que ela foi embora sua expressão fechou. Ele não ia me deixar sair tão facilmente.

— Eu não acho uma boa ideia o que você quer fazer. — Ele apontou pro meu corpo — Acho que você já está muito prejudicado, no fundo do poço se você quer saber. Você não precisa fazer essas coisas sozinho, tem de haver por aí outras pessoas capazes de enxergar espíritos como você, nós podemos formar uma equipe.. Michael e Nick podem ajudar também, eu posso contar a eles o que está acontecendo, e outro dia vamos todos juntos.

— Como os vingadores? ­— Eu ri —Kevin.. Eu já te disse, se você contar a Nick e Michael que você me ouve eles vão te internar num hospício, nem você acreditou por um tempo.. — Ele se virou pra mim seguindo o som da minha voz, com o cenho franzido. Suspirei — Eu realmente não tenho tempo pra discutir agora, se eu demorar vou perder ela de vista.

Ele balançou a cabeça em uma negação frustrada.

— Me deixe ir com você então.

— Não tem como você me seguir sem ouvir minha voz, e se eu falar ela vai nos perceber — Olhei pra parede apressado — Alguém tem que ficar aqui tomando conta do meu corpo, vigiando essas maquinas todas.. E se eu morrer nas próximas horas esse cara é mais perigoso do que imaginávamos, você vai ter que procurar um outro mediador pra detê-lo.

— Christian!!!

— Adeus Kevin — Eu o cortei — Se eu não voltar saiba que vocês foram os melhores amigos que eu já tive..

Sem esperar a resposta ou olhar pra trás eu cruzei a mesma parede que ela havia saído e segui pelo corredor branco do décimo andar repleto de médicos, enfermeiros e pacientes, ignorando a estranha sensação de vazio quando eles me ultrapassavam apressados. Não era tão difícil saber onde ir depois de três meses perambulando sem rumo, embora as alas fossem muito parecidas, e depois de virar alguns corredores avistei Kristen andando calmamente entre os vivos. Ela seguia uns enfermeiros que levavam um paciente ao elevador e entrou de costas com eles, se virando abruptamente. Eu me escondi atrás da parede e fiquei esperando a porta se fechar, então flutuei até as escadas de emergência, onde corri facilmente dez lances escada abaixo, sem sequer me cansar. Cheguei a tempo de ver ela passar pela recepção e sair para a rua.

Ela seguiu a pé pela calçada do lado direito ao hospital, observando vitrines, vez ou outra parando. Eu me aproximei mais aproveitando a escuridão que a noite proporcionava, temendo perde-la no meio de tantas pessoas que seguiam seu destino alheios a nossa presença e também de outros fantasmas que seguiam suas vidas, se é que se pode chamar assim. Quanto mais ela se afastava mais sua expressão se contorcia e mais diminuía os passos, como se não quisesse ir embora.

Então chegamos ao bairro onde ficava a escola e ela entrou numa rua quatro quadras antes, que por mais que eu percorresse todo o bairro com frequência, eu nunca havia reparado antes. Era uma rua sem saída, com alguns prédios antigos e casas. Poucas pessoas conversavam sob a iluminação dos poucos postes e nas partes mais escuras dormiam alguns moradores de rua. O fim possuía uma casa grande, velha cor de ferrugem, de aspecto vitoriano e um tanto luxuosa porém abandonada, aparentando algum dia ter sido uma mansão de alguém bem rico. As arvores em frente a ela eram tão antigas que suas raízes emergiam da calçada. As trepadeiras que um dia deveriam ter dado um ar decorativo a frente hoje cobriam todo o muro, e chegavam a parte do segundo andar, invadindo as janelas de vidros empoeirados e madeiras pregadas que não permitiam ver o interior. E o portão de ferro com grades bem esculpidas revelava o mato alto no quintal, indicando que ninguém estivera ali há muito tempo. Ela ultrapassou o portão sem olhar e subiu uma das duas escadas da entrada que circulavam o hall principal e sumiu sem abrir a porta.

Eu me escondi e esperei um tempo até ter certeza que ninguém havia me visto e me preparei para pular o muro e arrombar a janela, me sentindo um idiota logo em seguida.

Fantasmas não pulam muros Christian seu imbecil.

Segui com cautela por onde ela havia ido e dei de cara com um enorme Hall de entrada, com uma larga escada no final que pendia pra ambos os lados e levava ao andar de cima. Do alto do segundo andar um lustre iluminava todo o cômodo abaixo, perfeitamente centralizado no ambiente e coberto pela poeira. Cada lado do ambiente possuíam 3 grandes portas e diversos quadros pendurados na parede. Por um momento imaginei Jaynet num vestido rodado do século passado e eu rodando pelo salão sob os olhos de todos que nos apreciavam, ao som do piano branco que se encontrava no canto.

Meu pensamento se desfez ao ouvir um som de algo caindo do lado esquerdo, acompanhei o barulho evitando ser notado e entrei em uma das portas, revelando uma cozinha luxuosa e igualmente empoeirada. Fiquei escorado na parede enquanto observava Kristen, parada em frente a uma cristaleira dourada, quebrando alguns copos de Crystal, seu semblante entediado. Eu sai antes que ela pudesse me notar e voltei pro salão principal, subindo a escada e resolvendo ir pela direita dessa vez, acompanhei o corredor circulando o andar de baixo, decidindo em qual porta entrar. Me escondi atrás de uma cortina e esperei outros dois fantasmas passarem por mim. Segui os dois homens vestidos com roupas antigas refinadas e cheguei em outro grande corredor, dessa vez com uma porta diferente dupla e bem esculpida. Eles entraram e eu também, me assustando com a quantidade de fantasmas lá dentro, um número maior que vinte. Tentei não ser notado e ultrapassei uma outra porta no centro dessa sala. Do lado de dentro haviam algumas estantes de livros e na frente de uma grande janela havia uma mesa de madeira e uma cadeira antiga. Eu me escorei entre uma das estantes e uma mesinha de centro e fiquei ouvindo uma mulher ruiva com uma voz musical, que conversava com um homem sentado atrás da mesa. Me estiquei para tentar vê-los melhor, não obtendo sucesso.

— Acho que ela vai ver ele com frequência, se nós a seguirmos podemos descobrir em qual hospital ele está e por um fim nele agora.

— O mediador não é mais um problema. — A voz do homem soou tranquila — Entretanto nós precisamos da garota.. — Seu tom mudou pra um repreensível. — Como está sua influencia sobre ela?

— Eu a controlo as vezes, as vezes consigo usá-la, mas ela é muito forte Mestre, escapa com certa frequência..

— Isso é ruim, nós já não sabemos o paradeiro da outra... A Jovem loira morreu antes de ser uma mediadora, o garoto quase morreu nas mãos daquele idiota que eu matei... Não podemos perder a Kristen, faça tudo que tiver de fazer para que ela fique sob suas ordens

— Sim Mestre... — Um silencio encheu a sala por um momento — Mas eu não entendo muito a importância dela

— Existem duas formas de se voltar à vida, nenhuma muito fácil. A primeira você já conhece e é mais comum, porém como você sabe é impossível para nós — Ambos deram uma risadinha — A segunda, é semelhante a primeira; precisamos matar 500 pessoas com as próprias mãos, uma a cada mês, e depois usar os mediadores para seguir a linha entre a morte e a vida procurar o momento exato de reocupar nossos corpos. Não pode ser qualquer mediador, na verdade são dois iguais — Ele fez uma pausa como se estivesse lendo algo. — Aqueles capazes de destruir também são capazes de impedir. A Kristen não é só importante, ela é essencial.

— Sim, perdoe-me querido..

— Nunca mais vamos ficar séculos vagando sem rumo, vai ser um nova era na Terra, onde eu vou decidir quem vive e quem morre. Não quero mais só voltar a viver, eu quero a Imortalidade.

Quanto mais eles falavam mais eu me encolhia.

Como assim voltar a viver? Decidir quem vive e quem morre.. Esse cara é completamente louco!!

Eu dei um passo pra trás tentando assimilar tudo que eles disseram, e acabei atraindo a atenção do homem para minha direção. Sem poder me esconder mais fui pro centro da sala olhando direto pra mente perturbada que achava que podia controlar tudo e fiquei esperando que ele falasse algo. Ele me lançou um sorriso de canto e ficou me encarando com olhos tão escuros quanto a noite lá fora. Era mais novo que eu esperava, quase da minha idade e parecia ter morrido há muitos anos.

— Ora ora, o que o vento me trouxe.

A moça ruiva se virou acompanhando seu olhar, e não disfarçou seu choque ao me ver por trás de seus olhos azuis. Era quase tão linda e pálida como Jaynet, o que me lembrou que eu tinha vindo procura-la. Eu corri os olhos pelo lugar esperando encontrar uma Jaynet desacordada ou sob o comando da mulher ruiva, pois ao que parece ela tem poderes estranhos.

— Procurando alguma coisa? — A mulher ruiva tentou disfarçar um sorriso — Você é meio doido não? — Ela deu um passo pra frente e eu dei outro passo pra trás tentando manter uma distancia razoável — Estava com saudades de mim?

— O que? Eu te conheço? Estou procurando a Jaynet.

— Ah claro, sempre ela. — A ruiva pareceu decepcionada. — Gostei tanto do nosso beijo.

— O que? — Repeti debilmente.

A mulher gargalhou e o homem se juntou de pé ao lado dela. Ela revirou os olhos e continuou rindo.

— Por favor, você acha mesmo que foi a Kristen que te beijou aquele dia, ela tem o que uns 7 anos? — Ele se irritou ao ver minha que eu continuava confuso — Foi eu!! Ela estava sob meu controle, embora ela continue de certa forma consciente. Ela é o meu fantoche.

— Ah.

Eu dei outro passo em direção a saída. Loucos.

— A moça que você procura não está aqui, nem era pra você estar aqui realmente — O homem deu de ombros — Perdão pela nossa falta de educação, meu nome é Roosevelt, esta é minha esposa Alana. Mas não foi muito educado de sua parte ficar escutando nossa conversa.

Eles se mantinham calmos e educados, até demais. Algo dentro de mim me dizia que eu tinha que ir embora, talvez seus sorrisos debochados.

— Hum.... er... Prazer, eu sou Christian.

— Conhecemos você.

— Sim, humm, desculpa incomodar, como eu disse eu estava procurando uma pessoa mas ela não está aqui — Lancei as palavras rápido. — Vou embora então.

Roosevelt franziu o cenho, ele esticou a mão na minha direção e eu fiquei paralisado, logo Alana estava entre mim e a saída e eu comecei a me sentir tonto. Tudo aconteceu rápido demais e eu não pude reagir. Ele se aproximou de mim com elegância e alisou minha blusa, suspirando.

— Christian, Christian... Eu tentei tanto te deixar vivo mas parece que você procura encrenca, sempre no lugar errado, atrapalhando meus planos. Já não foi suficiente você ter ficado de coma? E eu nem mandei o Marcus fazer nada a você, só que agora você ouviu demais.

— Sim, ouvi dois loucos falando que vão reviver por algum ritual maluco que certamente não existe. Vocês estão matando pessoas atoa pois os mortos não podem voltar a viver. E eu vou impedir vocês

— Sério mesmo, que você toca fantasmas, vive com eles, os exorciza e depois de tudo isso não acredita que possamos reviver? Achei que você era mais inteligente. Em meus quinhentos anos de pós morte eu nunca tinha visto um mediador como você, tão miserável e pobre de conhecimento. E você acha que vai nos impedir? Seu corpo está fraco, sua alma também, você não vai sai dessa casa hoje. Alana cuide dele.

Ele se retirou me deixando à sós com a mulher, que agora tinha uma expressão sombria. Ela ficou me encarando e aos poucos fui me sentindo fraco, como se ela estivesse na minha cabeça. Eu tentei com todas minhas forças resistir mas estava sendo arrastado para uma espécie escuridão profunda.

Então uma outra mulher apareceu na sala, um pouco mais velha que Alana, vestia um vestido amarelo rodado e possuía cabelos cacheados como a da mulher ruiva porém pretos. Do lado dela apareceu Kristen, com um lindo vestido azul e os cabelos repartidos em duas tranças, ela sorriu pra mim e acenou de forma agitada e feliz. Seja o que for que Alana estava fazendo comigo no mesmo instante ela parou, seus olhos fitavam Kristen como se não a visse há muitos anos. Ela permaneceu imóvel e aos poucos eu consegui me mover, indo pra longe delas.

— Você..... — A ruiva sussurrou.

— Venha conosco Christian — A mulher do vestido amarelo se pôs entre Kristen e Alana, a protegendo — Pegue minha mão.

Eu relutei um pouco e Alana gritou por reforço, enquanto avançava na direção de Kristen que não parecia obedecê-la e a enfrentava com seus próprios poderes a deixando mais lenta. A Mulher do vestido amarelo chegou mais perto, insistindo para que eu a tocasse.

— Por favor não temos mais tempo!!

No momento em que Roosevelt voltou a sala com outros fantasmas eu toquei a mão dela e nós três começamos a desaparecer. Ele olhou para Kristen com o mesmo espanto que Alana olhara e correu furioso, mas era tarde demais pra nos impedir.

Notas finais
Bom gente é isso chegamos ao fim de mais um capítulo, espero que vocês tenham gostado do Roosevelt e da Alana.. Se tudo correr bem, semana que vem tem o próximo, mil beijos e obrigada por acompanharem até aqui!