Notas iniciais
Espero que gostem e se animem.

Hermione quase podia sentir pena de si mesma enquanto esfregava todas aquelas roupas no rio junto com os outros serviçais. Ela as lavava com cuidado, escovando o linho e amaciando a seda, esfregando a bainha com cuidado e esmero. Suas mãos, feridas pelo frio e trabalho brutal, pareciam quase dormentes quando eram mergulhadas de volta na água gélida.

O suor pelo esforço corria por sua fronte até o pescoço e então caindo no vale dos seios.

— Parece tão macio – Luna, a outra serva disse ao seu lado, acariciando o tecido de um dos vestidos com um vermelho intenso – Sente, Hermione! Sente como é macio e ah... Tão delicado!

Hermione sorriu para a amiga, e então alisou o tecido.

— É cânhamo – Hermione disse e então pegou o vestido, o analisando com cuidado – É um dos preferidos de Milady Pansy.

Luna torceu o nariz ao ouvir a menção ao nome, mas a castanha nada disse. Aquela era uma das vezes em que ela apenas se calava, fazendo o que havia sido ensinada a fazer: respeitar seus senhores.

Recolhendo as últimas roupas, Hermione as torceu, pegando as outras que haviam ficado sob as pedras e as enfiando no cesto que levava consigo. Junto a Luna e as outras, elas voltaram para a propriedade dos seus senhores. As roupas foram estendidas no varal que ficava nos fundos da propriedade e Hermione as cheirou para ter certeza que estavam com o cheiro de lavanda, tal como Pansy havia solicitado. Ela havia aprendido um pouco de botânica com Neville, um dos servos que trabalhava junto com o boticário. Ele havia lhe ensinado a criar essências realmente divinas. Uma delas, um extrato de maça com canela era a preferida de Hermione. Ela sempre passava um pouco da mistura em seus cabelos durante o banho. O cheiro a acalmava e a lembrava de tempos difíceis, mas que tivera o amor e a proteção da mãe. Sabia que se fechasse os olhos e esvaziasse sua mente, ainda podia sentir os braços de sua mãe ao seu redor, a protegendo de todos. “Você é única, Mione. Não há nada no mundo como meu amor por você.” Seria o sussurro que o vento traria aos seus ouvidos, a lembrando de quantas vezes sua mãe lhe dissera aquilo

Logo que entrou a cozinha, Hermione e as outras foram surpreendidas pelo falatório.

Era o aniversário de Pansy. Ela estava comemorando o seu décimo sétimo aniversário. Estavam em polvorosa já que seus pais dariam um banquete para comemorar a data naquela noite.

Hermione começou a cortar os rabanetes logo que Miriam, a corcunda e mais velha empregada da casa lhe pediu. “Não esqueça de cortar bem fino, sim” ela orientou Hermione, enquanto mexia uma espécie de caldo que serviria junto ao pão que Luna sovava. Vez ou outra Hermione parava para ver a fermentação da cerveja que descansava nos barris e que serviria de entretenimento para os homens enquanto as mulheres se aglomeravam no canto da sala para reclamarem de seus casamentos.

Quando terminou seus afazeres, Hermione espiou pela janela da sala, vendo que uma pequena comitiva se aproximava. Ela a reconheceu de imediato quando notou o patriarca da família Lorde Lucius, no início do cortejo.

— Oh, veja! – Hermione se assustou vendo Pansy ao seu lado, saltitando animada – É um de meus pretendentes!

O tom de desdém na voz de Pansy fez Hermione olhar para ela. Trajava um vestido azul escuro, com o espartilho tão apertado que fazia os seios da jovem saltarem. Um belo colar com o medalhão de sua família estava sob os seios fartos. O par de brincos no mesmo tom de azul quase perdia sua qualidade chamativa quando os olhos eram chamados para o decote.

— Viktor está à frente da comitiva – Pansy continuou falando animada e analisando com cuidado as feições da castanha, que se iluminaram – Será que ele irá notá-la desta vez?

Hermione engoliu a seco, sentindo o estômago afundar. Lembrava-se de quando o havia visto meses antes, na feira da cidade e ele havia pegado um punhado de ervas que havia caído ao chão, quase aos seus pés.

“– Presumo que seja seu, milady”

Na ocasião Hermione corara desde a raiz dos cabelos, e agradecera com grande afinco, mas os olhos do jovem cavaleiro estavam em sua senhora, que jogara os longos cabelos escuros para trás ao retribuir o olhar imoral.

Ela olhou de soslaio para Pansy.

— Claro que não, milady. Os olhares serão todos para ti.

Hermione se afastou, votando para a cozinha e se sentando a mesa, tentando ocupar a mente com o que quer que fosse.

— Que há? – Miriam perguntou, notando a expressão de tristeza no rosto da jovem.

Hermione passou as mãos feridas e grossas pelo rosto, tentando secar algumas lágrimas que escaparam sem seu aceite.

— Não é nada – ela disse e então se levantou, passando uma das mãos pelo vestido surrado que usava, mas antes que pudesse dizer mais que isso, Luna se postou atrás dela, tocando seu ombro.

— Pode me ajudar com a casa de hospedes? Milorde disse que alguns dos convidados irão dormir lá e me pediu para certificar que estará tudo em ordem.

Hermione concordou, e então seguiu a loira saltitante para fora, andando até a casa de hospedes que ficava ao lado da propriedade principal. Não era tão suntuosa como esta, mas ainda sim tinha a grandeza e o charme que a família de Pansy era famosa por possuir.

Logo que entraram, Luna fechou a porta atrás de si, passando o trinco e então soltou o espartilho de Hermione que soltou um grito e se afastou, assustada.

— Que pensa estar fazendo, Luna?

A jovem revirou os olhos.

— Ande logo antes que nos procurem, Hermione – respondeu, avançando para a amiga e desta vez puxando a alças de seu vestido, mas sendo detida pelas mãos da castanha. Suspirando, Luna explicou: – Seu cavaleiro está aqui. Seu senhor procura por uma esposa e Pansy é uma das candidatas. Aproveite para se aproximar do cavaleiro que enche seus olhos.

Hermione arregalou os olhos, e então notou o vestido verde esmeralda que havia lavado com tanto esmero no rio.

— Ela vai me surrar quando me ver.

Luna revirou os olhos, finalmente conseguindo abaixar as alças do vestido da amiga e então o descendo, a deixando com as roupas de baixo.

— Ela não irá vê-la! – garantiu – Você ficará na cozinha e eu me certificarei de que o cavaleiro vá ao estábulo e lhe darei o sinal para que vá ter com ele.

— Mas se ela me ver... Se sonhar que estou...

— Ela não irá! – Luna garantiu, desta vez quase irritada, e Hermione olhou a amiga quase desolada.

Caminharam até um dos quartos onde Hermione entrou na tina de agua, onde se banhou com a ajuda de Luna após prender os cabelos trançados no topo da cabeça.

Hermione vestiu pela primeira vez a peça tão sofisticada que parecia acariciar sua pele castigada pelo clima da Inglaterra.

Quando terminou, Luna a levou até o espelho que ficava na penteadeira ao lado da cama.

— É um prazer servi-la, milady – Luna proferiu, fazendo uma breve reverencia.

Hermione sorriu. Parecia-se realmente como da nobreza. Os cabelos estavam soltos e ondulado das tranças de antes lhe davam uma aparência quase angelical. O rosto limpo e as maças do rosto coradas lhe davam um aspecto saudável. Hermione olhou para os pés, quando ergueu um pouco o vestido.

— Não tenho sapatos de uma senhora – observou.

Luna a segurou pelos ombros, se postando ao seu lado enquanto olhava o reflexo da jovem serva no espelho.

— Ele não irá notar seus pés, Hermione! – Luna ergueu o queixo de Hermione – ele estará mais preocupado em saber quem é essa formidável donzela que roubou seu coração

Engolindo em seco e sentindo as mãos tremerem, as duas seguiram para a propriedade principal dos Parkinson de Emory, onde o banquete já iniciava a ser servido. Luna deixou Hermione na cozinha, com uma velha túnica cobrindo o vestido elegante e fino. Ela ajudava entregando os pratos que deveriam ser servidos enquanto observava por uma pequena fresta o início das comemorações.

Pansy estava sentada e ria com deleite para os convidados. A sua esquerda estavam suas irmãs e a direita, o jovem lorde de Avondale, Draco. Ele frequentemente ia a propriedade junto com o seu pai nas épocas de caça. Estava mais alto e forte agora, Hermione notou, enquanto ele cortejava Pansy e parecia lhe segredar ao ouvido. Sentiu quase pena do rapaz, já que sempre que este olhava para longe, Pansy revirava os olhos em desdém e desconforto. Ele era realmente belo, com olhos claros e um cabelo que parecia causar inveja a lua. Mas Hermione conhecia Pansy e sabia que ele não era como ela desejava. Notou quando Draco se levantou, indo até seu pai e lhe dizendo algo. Este assentiu com a cabeça, dando um olhar de desagrado ao filho.

Mas aquele não era o foco de Hermione.

Com assombro, ela notou quando Luna se aproximou de Viktor. Ele estava sentado em outra mesa, com outros cavaleiros, e ela abaixou sua cabeça, antes de lhe dizer algo.

Viktor sorveu o restante do liquido em sua caneca, antes de bater o objeto com força sobre a mesa e madeira e então se levantou. Hermione colocou a mão sobre o peito que parecia pronto para saltar quando o observou caminhar para o hall de entrada.

Luna se apressou de volta a cozinha.

— Catarina – ela disse, entregando uma bandeja para outra serva que estava na cozinha – Vá e sirva mais desta carne. Todos devem estar bem servidos e satisfeito.

Logo que a serva saiu, Luna ergueu a túnica por cima da cabeça de Hermione, observando o vestido e satisfeita por este ainda estar intacto.

— Ouça! – Luna disse indo até a porta dos fundos enquanto puxava Hermione pela mão – Disse a ele que os cavalos estavam relinchando e que estava preocupada em ser algum animal. Ele está indo ao estábulo checar. Vá e se aproxime. Seja você e lhe deixe que ele lhe fale sobre si. Homens adoram isso – Com entusiasmo, Luna empurrou Hermione para fora – E não diga seu nome! Deixe que ele a procure ao final do banquete, quando você for servi-lo de mais uma caneca de cerveja.

Hermione já não tinha mais certeza se aquela havia sido uma boa ideia. Conversar com um homem? Não, péssima ideia. No entanto, logo que se viu lá fora, na completa escuridão, pingos grossos começaram a cair sob sua cabeça e ela olhou para o céu, piscando e sentindo um pingo gelado cair em sua testa.

Hermione secou a agua e então ergueu o vestido e caminhou para o estábulo. Não podia desistir naquele momento e tinha que falar com Viktor antes que a chuva lhe molhasse toda. Luna não a deixaria entrar novamente caso não concluísse com o plano que fora arquitetado.

E a cada passo que Hermione dava rumo ao estábulo, mais ela sentia o coração acelerado e ansiava por ver Viktor a sua frente e lhe poder falar.

Notas finais
Deixe seu comentário e suas expectativas para essa história srsr
Até a próxima ;*