- Vamos logo, Ay! – eu gritei, esperando a atrasada descer.



-Por isso mesmo que eu disse pra você me acordar! – ela gritou – E NÃO GRITA QUE EU TÔ DE RESSACA!



-MAS OLHA QUEM TÁ GRITANDO!!- retruquei, brava. Isso era apenas porque nós tínhamos ido numa Pub no dia anterior. E, é claro, beijado muuuuito. E bebido muuuuuito, também. O duro é que eu estava tão bêbada, mesmo antes de ir, que eu tinha me esqueci do por que tinha ido lá.



-Ai, ai – disse Negumi, a empregada da casa, olhando-nos – Vocês são mesmo boas amigas...



Nós nos encaramos e desatamos a rir. Que besteira pra gente brigar. A gente tinha coisas mais importantes para conversar...



-Olha que uniforme brega! – eu disse, puxando o laço rosa do vestido – Isso não cai nada bem em mim.



-E em mim, então! Essa saia (ou vestido, vai saber que diabos é isso) é pior que roupa de freira! – exclamou Ay, já dentro da limusine – Quer champagne? – perguntou ela, já pronta para apertar o botão.



-Não tem whisky, não?



-Claro que tem! – disse ela, apertando o outro botão.



-Então me dê um copo! – eu disse – Ou melhor, me dê a garrafa!



Jarbas nos olhou pelo retrovisor, semicerrando os olhos.



-Então vamos... 1, 2, 3... – e viramos os copos de whisky na nossa boca, sentindo o álcool em nossa garganta.



-É isso aí, garota – eu disse, batendo na mão dela.



-E nós vamos ter a melhor chegada que o Ouran já viu! – ela disse, rindo quem nem uma bêbada (tá, ela estava bêbada, mas isso não vem ao caso, não é mesmo).



-Aí, você tem uma tesoura aí? — eu perguntei, me abanando – Tô ficando com um calor danado!



-HAHA! – ela riu – Nem sei se tenho! Pede pro Jarbas gatão!



Ele ouviu e ficou envergonhado, vermelho como um pimentão.



-Ah! – eu quase gritei – Jarbas, você tem tesoura aí?!



-Não... Er... Senhorita – disse ele, ainda vermelho.



-Pode me chamar de Ky! – eu gritei – Você já é da família, gato!


-Depois a gente corta! – ela disse – Será que seu irmão não tem, Ky?



-Uia! Verdade! Meu maninho nerd deve ter! Vamos pegar a tesoura dele!



-Chegamos, senhoritas – disse Jarba, abrindo a porta para nós.



-Ué, o carro parou quando?



-Deixa quieto! Vamos logo!



O colégio Ouran... ERA ROSA! Ele era tão lindo e perfeito e magnífico!



- Eu quero entrar pra ver o Mit-baka-kun! – gritou Ay, me puxando pelo braço enquanto corria em direção da entrada da escola.



O único problema era que o vestido era grande demais. E, sim, a gente tropeçou...



E rimos que nem loucas!



-Tropeçou bonito, hein, Ay?



-E você que caiu de dura! – ela exclamou.



-Tá se esquecendo que me puxou?!



-Que seja! – ela gritou – EU QUERO ENCONTRAR O MIT-BAKA-KUN! E AGORA MESMO!



-EU TAMBÉM! – eu berrei, praticamente – Vamos lá!



-De que sala ele é mesmo?!



-Não é do segundo ano primário?



-Deve ser, vamos lá!



Nós fomos cantando funk, sertanejo, RAP e tudo que é possível no corredor da escola. E finalmente chegamos no primário (depois de pedir ajuda para uns 50 alunos e uns 2 professores gatinhos). E, é claro, chegamos cantando “We are the champions” com a língua enrolada.



-MIT-BAKA-KUN! – gritamos as duas, depois do “Grand Finale” da nossa linda música – Cadê você?! Eu vim aqui só pra te ver!!



Um garotinho nos olhos assustado, uma outra garota deixou o material cair e saiu gritando “MAMÃE!!” por todo o colégio.



-Espera aí, me irmão não tá no mesmo ano que o seu? – eu perguntei para Ay, que se distraía tentando roubar um chiclete de um garotinho que chorava desesperado.



-Ah... É, né? – ela concordou – Eu namorei com um cara quantos anos mais novo que eu?! – ela começou a se desesperar, batendo a cabeça na parede – Eu sou pedófila?!



-É claro que meu maninho não tá no segundo ano primário, né?! Ou será que tá?! – logo nós duas começamos a bater a cabeça na parede, desconformadas – Eu não vi meu irmão crescer! Ç_Ç



-Nem eu Ç_Ç – Ay dizia – Talvez porque isso nunca tenha acontecido... Ele é tão baixinho...



Logo vi várias pessoas nos encarando, paradas. Então ouvi apenas alguns passos apressados e fortes. Encarei a única pessoa que tinha nos ignorado. Mas Ay foi mais rápida, pulando no pescoço dele.



-Mori-gatão! – ela disse, apertando o pescoço dele.



-KYAH! – eu berrei – ONII-SAMA! Quanto tempo! Onde tá o Mit-baka-kun?!



-...Ali... – ele disse, apontando o banheiro.



-Mas por que ele ta no banheiro primário? – perguntou Ay, curiosa.



-Deve ser porque o assento do outro é muito alto pra ele – eu disse, com os olhos brilhando. Onii-chin concordou com a cabeça – Vamos lá!



-...No banheiro masculino...? – perguntou onii-chin com uma cara meio do mal.



-É isso aí! – dissemos as duas juntas.



Ele nem tentou nos impedir, simplesmente porque ele sabia que a gente iria fazer aquilo de qualquer jeito...



-MIT-BAKA-KUN! – gritamos as duas quando entramos no banheiro. Vários garotinhos se assustaram, mas a gente nem tava prestando atenção neles (bem, se a gente estivesse também, ia ser bastante pedofilia, já que era o banheiro do primário...). Mas a gente não tava! Foi daí que meus olhos encontraram os da coisa mais fofa que eu já tinha visto. Ele estava fingindo lavar as mãos do seu coelhinho preferido e seus olhos brilhavam enquanto ele dizia: “Você não pode ficar com as mãos sujinhas”.



-KYAH! – eu gritei, me aproximando dele, saltitando – Honey-chan! – e apertei as bochechas dele com força.



Sim, eu era apaixonada por aquele jeito fofo dele. Claro que não era como eu era apaixonada pelo cara loiro da Pub (de repente, deu um calor danado), mas era como meu irmãozinho.



-Tira as mãos dele! – gritou Ay, me afastando dele.



-Ah, vai lá abraçar meu irmão, Ay! – eu disse – Ele é meu agora!



-O que vocês estão fazendo aqui? – perguntou o “Bad Honey”.



-Nós estudamos aqui! – dissemos, sorrindo.



-Bem, se vocês puderem me dar licença – exclamou ele, sorrindo, o que me fazia imaginá-lo num fundo cor de rosa (efeitos do ácool?!) – Eu tenho que ir ao meu clube de atividades!



-Podemos te seguir? – perguntei, com os olhos brilhando.



-Mas eu não quero... – começou Ay, mastigando o chiclete roubado.



-Você quer! – eu disse, com os olhos demoníacos.



-Tá bem...



Enquanto o Honey saltitava alegre à minha frente, onii-san carregava a bolsa dos dois, sério.



-E então, Ky, por que você só gosta de loiros? – começou Ay.



-Não é que eu só gosto de loiros, Ay – eu respondi – É que eu amo caras com cabelos negros, mas eu nunca acho um bonito o bastante, sabe? O único tipo que eu detesto são ruivos... Todos os ruivos são chatos...



-Ai que dó! – exclamou Ay – Mas eu também nunca encontrei um ruivo bonito... Tirando aquele gatinho da Irlanda... Mas eu tava sóbria naquele dia, então nem pude falar com ele...



-Lembra aquele cara em Paris?



-Nossa, aquele lá?



-Sim! Muito gatinho, né?



-Nossa,muito lindo... Só perde pro cara de Barcelona...



-E o da Grécia então...



De repente, Onii-chi nos olhou com uma cara do tipo: “Vou matar vocês se não calarem a boca” ou ainda “Morram” ou ainda “Quero comer peixe no jantar”. Então calamosboca, porque eles não deviam estar entendendo nada da conversa...



-Que cantar alguma coisa? – Ay sussurrou – Eu tô inspirada ultimamente!



-Percebi – cochichei – Quer cantar o quê?



-Quando ela me vê, ela mexe... – ela começou.



-Piri-Pi-Piri-Pi-Piri-Piriguete! – continuei.



-Rebola devagar, depois desce!



-Piri-pi-piri-pi-piri-Piriguete!



-O que é piriguete? – perguntou Mit-Baka-kun, com cara de cachorrinho pidão.



-KYAH! – berrei – É uma coisa que a gente não pode falar pra não estragar sua mente de anjinho! Você é tão puro! A gente não pode, não pode mesmo, falar isso!



-É prostituta, Mit-baka-kun – disse Ay, me ignorando.



- Olha as coisas que você fala pro seu irmão! – eu exclamei, dando um tapa de leve nela – Isso é coisa pra se falar a uma criança?



-Ele tem que aprender as coisas da vida – filosofou Ay – Para crescer como um homem!



-Vocês podem até não saber – começou Honey-chan, sorrindo – Mas eu tenho 17 anos! ^^



-É verdade – as duas concordaram, assustadas.



-Por que o destino é tão cruel? – eu reclamei, já batendo na parede.



-Por que você tá chorando aí, Ky? – Ay me perguntou – Quer quebrar a parede?



-Ele é loiro, fofo, incrivelmente doce... Por que ele tem que ser meu primo?!



-Qual o problema dele ser seu primo? o_O



-Eu queria que ele fosse meu bichinho de pelúcia – eu disse com os olhos brilhando e já agarrando o Honey – Kyah! Você é tão fofo!



-Ky, solta meu irmão! – disse Ay, me puxando pelo braço.



-Ah! Não consigo! Ele é tão fofo!



-Ky... Solte-o... – disse meu irmão, frio.



-Tá bem Ç_Ç – eu respondi, com um pouco de medo.



Eu me levantei e voltei a andar normalmente.



-Ei, Ky, você não acha que a gente tá demorando muito pra chegar naquela sala? o_O



-No problems, Ay – eu disse, com minha mania de falar em inglês – Eu andava até 30 quilômetros a pé e de salto alto pra chegar a esse clube *-*



-Por quê? – perguntou Ay, curiosa.



-Porque se meu maninho e o lindo, perfeito, gracio... – foi quando eu parei por ela ter me dado uma cotovelada para eu parar – Tá... e o seu irmão estão. Ou seja, dois lindos num clube. Deve ter mais, pelo menos, cinco garotos gostosos!



-Tá ficando boa de conta, garota!



-Do que elas estão falando, Takashi? – perguntou Honey-chan, todo com olhos brilhando.



-Hmm – fez meu irmão, que poderia significar: “é melhor você não saber”.



-Continue a andar, continue a andar, continue a andar, andar – começamos a cantar, as duas juntas, no melhor ritmo do “Procurando Nemo” – Para achar garotos gostosos, andar! *-*



Já que nós duas estávamos cantando a nossa versão um tanto melhorada de Procurando Nemo, nós chegamos rapidinho no clube que, segundo minhas contas, devia ter mais 5 caras gostosos!



A porta foi aberta por meu nii-san, que ficou encostado na mesma. Aquilo não combinava com ele... Pra que tanto cavalheirismo com sua própria irmãzinha, pra quem ele contava tudo (ignorem isso)? Ele estava me deixando passar na frente dele! Ai que fofo! Por que será?



Ay deve ter pensado a mesma coisa, porque nós duas corremos tanto para entrar primeiro na sala que só faltava se bater para virar competição...



O que eu pensei naquele momento? Apenas uma coisa: KYAAAH!



-Sejam bem vindas, princesas! – disse um garoto loiro, estendendo a mão.



Loiro: Meu! Totalmente o meu tipo! E ele ainda estava me convidando para me aproximar! Eu... EU TENHO QUE IR LÁ!



Acalme-se, Ky, tente se controlar. Ele pode ser lindo e tal, mas... Mas... Estou sem argumentos! Eu tenho que beijá-lo! Eu tenho, eu tenho! Apesar de estar um pouco bêbada, estou meio lúcida, vou lembrar disso. E se me perguntarem, efeitos colaterais da bebida!



Mas, meu irmão tem que ter o senso perceptivo dele. Apenas disse:



-Não faça nenhuma besteira, Ky... – nossa, frase grande para ele. Ele estava mesmo sério sobre aquilo.



-Ei, por que tem uma garota vestida de homem aqui? – perguntou Ay, super animada, se aproximando do dito cujo.



Me aproximei com ela.



-Olha, é verdade! – eu concordei, sorrindo – Ela é bem bonita!



-Mas...Mas...Mas a Haruhi é um homem! – gritou o loiro lindo que, ah, eu juro que tenho que tirar uma lasquinha!



-Qual o seu nome? – Ay perguntou, sorrindo. Ei, Ay, para de lançar esse charme para cima do MEU príncipe! Fique com os seus outros seis! Vi primeiro!



-Suou Tamaki – ele disse, passando as mãos nos cabelos loiros. Ah, que charme, que classe. Ele era... Tudo! Tudinho de bom!



-Bem, Tama-chan – ela disse, como se o conhecesse há séculos – A gente já morou em Nova York e nós tínhamos muitos amigos travestis lá! Você quer dizer que eu não sei diferenciar quem é mulher de quem é homem?



-Mas... Mas... Ç_Ç – começou o loiro lindo, mas se recolheu rapidamente num canto. Que cara mais EMO! Mas um EMO muito lindo e gostoso! Será que nossa música tinha funcionado?



-John, Gary, Gerald, Bob... Que saudades Ç_Ç – eu quase berrei, sendo possuída pelo efeito do álcool novamente e indo me juntar ao loiro lindo no canto.



-Muito bom dia, Morinozuka Kyoko-san e Haninozuka Ayame-san – disse outro gostoso. Ele usava óculos e sorria simpaticamente. Um moreno lindo. Ai! Como ele era lindo! Fez eu me recuperar rapidinho!



-E... quem é você? – perguntou Ay, com muita cara de pau.



-Kyouia-san! – eu berrei, indo ao encontro dele – Quanto tempo! Se tornou um gato, hein?



-E você continua a mesma – disse ele, arrumando os óculos, inconformado.



-Espera aí... Espera aí! – berrou Ay – Você é o Kyo-chan?! Aquele pirralho... Você... Você... Você ficou tão lindo! – continuou ela, agarrando também Kyouia-san. Sim, ele era o único que nós conhecíamos ali, tirando nossos irmãos... Quando a gente tinha estudado no Ouran, nós o conhecemos numa aula extra qualquer. Ainda penso que ele só se aproximou por saber o nome das nossas famílias... Mas que seja! Ele era tão educado! É tão educado! E se tornou um gato! Ui!



-Deixa eu ver como você fica sem esses óculos! Você não tira eles nunca! – eu comecei – Deixa eu ver! Deixa eu ver! – continuei, com os olhos brilhando.



-Espera aí, vocês tem o mesmo sobrenome do Mori-senpai e do Honey-senpai... O que vocês são deles? – disseram, juntos, dois ruivos, gêmeos.



Já comentei que não gosto de ruivos? Já, não? Sim, não sei por que, mas nunca encontrei um ruivo bonito. Eles podiam ter um rosto maravilhoso, mas a cor do cabelo era tão... artificial. Não que fosse, mas já não gostei deles desde agora.



-Nós somos as irmãs deles – respondeu Ay, sorrindo.



-IRMÃS?! COMO ASSIM?! – perguntaram todos juntos, menos Kyouia-san, que ficou anotando coisas em seu bloco. E, é claro, nossos irmãos...