Uma Dose de Clichê

19 ♡ 19 "Sobre sensações não compreendidas"


Notas iniciais
Boa noite, galera! Tudo bem com vocês? Espero muito que sim! Até que eu não demorei dessa vez XD Bem, vamos aos agradecimentos! Agradeço a todos que favoritaram a história, que colocaram nos acompanhamentos e que comentaram no capítulo passado: Lotthy Logan, Deby Costa, Monna, Yaoi, Katherine sousuke, Mr Reisen, Nilla e Cintia Yuli ♥ Cêis são demais! Agradecimentos especiais as lindas da Babs e Sabrina que me motivam muito a história e sempre me apoiam ♥ Espero muito que vocês gostem desse capítulo! Boa leitura!

Capítulo 19 — Sobre sensações não compreendidas

— O seu nome…?

Ele não fazia questão de lembrar o nome da garota de fios castanhos e rosto bonito, sabia apenas que ela era uma das líderes de torcida e, talvez, a mais atraente de todas as garotas do colégio. De fato, ele também não se importava muito com esse detalhe.

E a garota não se importou de ele nem ao menos saber seu nome, ela sorriu ao unir as mãos frente ao corpo e se aproximou, parando a poucos centímetros do capitão do time de futebol para segredar-lhe o nome:

— É Sarah. — O sorriso se desfez quando uma pincelada de nervosismo fez as bochechas dela ganharem tons quentes de rosa.

Edward percebeu a súbita mudança, já que Sarah pareceu tomar um fôlego de coragem antes de qualquer outro movimento.

Certo… O que raios a garota queria com aquela tal "conversa séria" marcada no bilhete que deixou em seu armário? Ele precisava voltar e esperar o Sam, não tinha tempo para ficar ali encarando e sendo encarado. Tinha coisas mais importantes para fazer.

— Disse que é algo sério. — Resolveu lembrá-la do motivo de estarem ali. — Então…?

Sarah mordeu o lábio inferior e olhou para os lados antes de iniciar o real propósito daquele encontro. Ela encarou com certa apreensão os olhos azuis do moreno, sentindo-se mais impulsionada ao novamente constatar o quanto ele era bonito, mas tão sério. Havia uma ruga entre as sobrancelhas negras, deixando-o tão, tão atraente, que ela logo fechou os olhos ao segurá-lo pela jaqueta de moletom e findar a distância entre seus rostos, desejando com todas as forças que ele não se afastasse ou ela não saberia como reagir. Tinha em mente que correria o mais rápido que as pernas aguentassem, caso fosse rejeitada, mas não era a melhor das opções.

Sentiu que o corpo de Edward se tensionou e o segurou mais forte por sobre a jaqueta, antes de envolver os braços no pescoço dele.

Ele não podia se afastar.

Edward estava mesmo tenso com o repentino acontecimento, que demorou alguns segundos até que saísse do transe e se permitisse beijar e abraçar a garota.

As mãos tomaram posse da cintura estreita e então ele deslizou a língua contra a dela. Sarah tinha os lábios macios e a boca estava com um gosto fresco de menta, deixando o beijo ainda mais convidativo. Não quis pensar que ela tinha inventado sobre ser um assunto importante simplesmente para conseguir beijá-lo, ele apenas se entregou ao momento, permitindo-se às sensações agradáveis que a boca e o corpo de Sarah traziam e espalhavam por sua pele.

Chegou até mesmo a apertá-la onde as mãos se abrigavam, quando quis dispensar com urgência um pensamento estranho onde não era Sarah ali, mas sim…

— Sam…?

Os olhos se abriram em surpresa e assombro quando aquele nome chegou aos seus ouvidos. O rosto virou na direção a qual duas figuras se prostravam e o coração falhou o compasso ao ver um ruivo atrapalhado correr para longe da quadra.

— Edward? — Sarah chamou, apreensiva e expectante.

— Eu tenho que ir.

O garoto segurou a mochila e disparou por onde o amigo havia corrido, quase trombando em Geovanna e importando-se somente com o que o Mackenzie estava sentindo.

Quer dizer, Sam estava sentindo alguma coisa, certo? Algo como o coração apertado e os olhos ardendo.

Correu tão rápido que sentiu como se estivesse em um dos treinos do senhor Rodriguez, sem perder de vista as costas do garoto alto e ruivo que, ele não imaginava que corresse tão veloz.

— Samuel! — Chamou-o pelo nome completo quando alcançaram a saída, tendo o efeito desejado ao vê-lo parar de correr. Porém, não era como se ele próprio não estivesse tenso com a situação.

O que diria ao amigo? O que se dizia em uma situação assim? De repente, desejou não tê-lo impedido de continuar a fuga. Talvez, Sam não quisesse ser visto assim e seu desejo de confortá-lo acabasse piorando toda a situação. Os punhos se apertaram, mas decidiu não recuar.

— Sam… — Quis morder a língua e se impedir de falar qualquer bobagem. Não era a melhor pessoa do mundo para se desculpar e deixar transparecer um bando de sentimentos melosos e cheios de preocupação.

E o quê realmente ele deveria dizer?

Oh, desculpe, Mackenzie. Me desculpe por eu ter beijado uma garota, isso não vai mais se repetir. Franziu o cenho com tamanha bobagem e suspirou audivelmente, entrando em alerta quando o corpo do ruivo se virou.

— Eu sou... Patético… — Os olhos escuros brilhavam ainda mais com o cintilar das lágrimas que ele tanto quis esconder. Mesmo que a manga da blusa tivesse passado pelo rosto, as bochechas estavam úmidas e ainda mais avermelhadas. — Desculpe por isso.

Edward ficou parado, sentindo-se a pessoa mais miserável por fazer o melhor amigo chorar. Odiava quando o Mackenzie ficava triste por qualquer motivo e sempre o confortava e buscava fazê-lo sorrir, mas ao ter noção que ele chorava por sua causa, ficou sem saber como agir e ainda sem saber o que dizer.

Sam estava se desculpando por chorar. Ele realmente não era desse mundo. Internamente, preferia que ele agisse de maneira fria em vez de mostrar-se tão abalado.

— Eu só… — Ele continuou. Os dedos apertando as alças da mochila e o nervosismo o corroendo a ponto de não encará-lo nos olhos. Sentia vergonha, pois certamente havia constrangido o melhor amigo. — Você sabe. Eu sou um bobo. — Fungou, sorrindo como se pudesse mascarar o que sentia de verdade.

Patético. Bobo. Sam não era nada disso, era muito pelo contrário. O ruivo era a mais perfeita combinação de todas as coisas boas, unidas em um garoto alto, magrelo e de cabelos vermelhos, mas antes que o fôlego de coragem o fizesse dizer o que sempre achara do Mackenzie, uma terceira presença o fez apertar os punhos.

O que raios aquele garoto estava fazendo ali?

— Sam?! — O rosto de Miles entrou no campo de visão do ruivo antes que a voz surgisse. — O que aconteceu? — Os olhos se desviaram para o moreno, aparentemente raivosos. — O que você fez?

— Ah… Miles… — Samuel recuou alguns passos, desejando sumir dali para que ninguém mais o visse naquele estado deplorável. — O Eddie…

— E o que você tem a ver com isso? — Edward rosnou, sustentando o embate visual. Estranhamente, uma sensação desconhecida o tomou ao encarar os olhos azuis-esverdeados. Raiva. Devia ser apenas isso.

E parecendo compartilhar da mesma estranha sensação, Miles titubeou antes de estalar a língua e virar o rosto para o lado.

— Você é um idiota. — Soprou a fala em tom de desprezo, como se o conhecesse suficiente para supor qualquer coisa a respeito do Logan.

— É melhor você—

— Fazer um garoto como o Samuel chorar, é muito coisa de alguém idiota. — Volveu novamente os olhos para o moreno, dispondo-se do sarcasmo. Oras, podia sim estar se intrometendo em um assunto que não era seu, mas se alguém como o ruivo gostasse dele, ele faria de tudo para não magoá-lo. Seria apenas agradecido pelo sentimento especial.

— E o que é que você sabe? — Edward deu dois passos em direção ao outro. O riquinho intrometido e de arzinho soberbo. — Conheceu o Sam ontem e acha que sabe alguma coisa sobre ele?

— Parece que eu sei mais que certo alguém que o conhece há anos. — Rebateu ao empinar o nariz. — Sabe, você ficaria uma graça como a pivotante [1] lá de casa.

Pi-vo-tan-te…! O rosto do moreno se avermelhou com aquela comparação ridícula. Se pensasse bem, seria fácil quebrar aquele nariz estupidamente empinado, mas o mauricinho não se mostrava preocupado com esse fato e o encarava com os olhos desafiadores.

Samuel então resolveu interferir. Os olhos já não estavam mais embaçados, embora o peito doesse e ele só quisesse sair dali. Alguém precisava ser sensato.

— Miles… — Segurou o garoto de fios longos e lisos na altura do cotovelo, temendo que o colega se envolvesse em alguma briga. Não suportaria que brigassem por sua causa. — Tudo bem. O Eddie não fez nada, eu é que sou sensível e acabei me sentindo mal, mas agora 'tá tudo bem.

Céus! Ele era tão precioso! Foi o que Miles pensou ao rolar os olhos. Ele nem mesmo sabia que existiam pessoas assim; educadas, companheiras, tímidas, sensíveis e que fingiam estar bem para não preocuparem quem estivesse ao redor. Suas convivências eram bem distintas daquela nova realidade, com gente que não se importava e nem demonstrava os sentimentos. Samuel Mackenzie era um achado em meio a todas as pessoas que já havia conhecido e desde o primeiro momento quis tê-lo por perto. Chegou a cogitar que, tão logo sentiu-se bem ao lado dele, que eram almas gêmeas se reencontrando depois de muito tempo. E não tinha nada a ver com romance, mas certamente se deixara levar pelos mangás que lia.

O fato é que se o pivotante não percebia que também correspondia aos sentimentos do ruivo, que ao menos não o fizesse sofrer.

— Sam. — Edward chamou, sem a mínima paciência para aturar a criatura de risinho debochado.

Os olhos escuros ganharam um brilho vacilante, alternando entre os dois garotos. Os dedos apertaram o braço de Miles e o ouviu bufar, recebendo em seguida um peteleco na orelha que o fez novamente compará-lo com o Edward.

— Você é muito previsível. — Um sorriso surgiu, mas o olhar desconfiado voltou ao Logan. — Se o seu amigo te fizer chorar mais uma vez, dá um socão na cara dele, você vai se sentir bem melhor. Ou pode me chamar. Eu tenho uma ótima direita.

Edward soltou um riso descrente e foi ele a rolar os olhos dessa vez. O garoto era intrometido e folgado, tocando o Sam e falando com ele como se fossem conhecidos de longa data. Tudo isso, somado a ansiedade e o nervosismo com a situação, o deixaram extremamente desconfortável.

Os dedos de Sam suavizaram o aperto no braço no braço de Miles. Estava agradecido por tê-lo ali. Parecia que agora, um pouco da confiança do garoto bonito havia passado para ele e conseguiria acompanhar o amigo sem maiores constrangimentos.

— Se cuida. — Miles bagunçou os cabelos acobreados como faria com um irmão. Talvez fosse isso, toda aquela vontade de ter alguém para cuidar e defender, havia inconscientemente direcionado esse afeto a um recém-conhecido.

Um sorriso menos contido desenhou os lábios do ruivo antes que ele se afastasse. Os olhos azuis-esverdeados seguiram a dupla até pouco antes de eles dobrarem a esquina. Pensou no sentimento estranho de momentos antes enquanto ajeitava os fios com um elástico, ponderando sobre o fato de Edward lembrá-lo de alguém, mas claramente não estava com os pensamentos em ordem. E qualquer outra coisa na qual resolvesse focar foi esquecida quando o olhar encontrou um garoto tatuado e excêntrico com um péssimo penteado e senso de moda estacionar uma moto negra bem ao seu lado.

— Tem habilitação pra isso? — Questionou ao encará-lo com desconfiança.

Dante estava repentinamente agradecido por não ter reparado direito em como aquele garoto estava ainda mais bonito com os cabelos amarrados, ou provavelmente teria batido com a moto nos cestos coloridos de lixo reciclável. Mas agora ele podia reparar e estava babando um pouquinho além da conta.

— Quer comprovar? — A pergunta veio com um ar de desafio e um capacete vermelho.

Uma das sobrancelhas de Miles se arqueou com o pseudo convite. Bem, não parecia nada muito convidativo aquele tipinho assanhado o tentando a subir em uma moto, mas não negava a curiosidade que sentiu ou a vontade de aceitar o capacete. A mãe poderia entrar em colapso caso dispensasse a volta segura com o motorista da família e desse preferência a um lunático em um veículo perigoso.

— Anda, menino bonito. Vai ser divertido. — Dante o puxou para perto e colocou o capacete em um Miles cheio de ponderações.

— É o que dizem sobre as drogas também. — Ele achou por bem lembrar.

— Mas nesse caso, não tem problema se você viciar. — Um sorrisinho torto surgiu quando terminou de ajeitar o item de segurança. Tinha combinado que poderia levá-lo ao shopping e ajudá-lo a escolher os presentes dos aniversariantes, mas não havia dito nada sobre a moto. Quem sabe ele não…

— Eu não vou abraçar a sua cintura. — Outro ponto que decidiu esclarecer antes de subir no veículo e ouvir o moreno suspirar em frustração.

— Não faço ideia do motivo de ter idealizado todo o seu charme coladinho ao meu enquanto eu pego o caminho mais longo até o shopping. — Dante comentou enquanto colocava o capacete, falando de um jeitinho dramático e chateado. Oh, céus! Quando seria agraciado com algo mais que palavras vazias e irritadas?

— Porque você gosta de se iludir. — Miles comentou maldoso, embora estivesse somente implicando. Mas certo, não era como se de repente fosse grudar feito carrapato em um garoto.

— Se segura, menino bonito. — Dante avisou antes de acelerar. — Mas sempre vai ter a opção de me abraçar.

— Claro. Nos seus sonhos. — As mãos seguraram as laterais do banco e, antes que se arrependesse, a moto seguiu pela rua íngreme do colégio.

— Vocês dois… Você e a Sarah vão namorar?

Os olhos de Edward sequer se ergueram ante a pergunta do ruivo. Sam era mesmo inocente a ponto de cogitar um namoro pelo simples fato de ter visto um beijo. Esse detalhe fez com que um sorriso quase impossível de notar, se desenhasse em seus lábios. Gostava, particularmente, daquele jeitinho puro que ele tinha de ver o mundo, embora tal jeito fosse preocupante quando parava para pensar. E sequer se surpreendeu ao saber que o amigo tinha conhecimento do nome da garota, já que ele era o único realmente péssimo com nomes e Sarah era popular no colégio.

Enquanto caminhavam, mais lentos que nos outros dias, cada passo era ouvido por ambos na calçada do bairro de Sam que parecia nunca ter fim. O brilho do sol infiltrava por entre as folhas remanescentes das árvores do outro lado do muro na ostensiva casa de Miles Turner e os dois não deixaram de pensar no garoto de olhos distintos e longos cabelos. Por motivos diferentes, é claro.

— Foi só um beijo, Sam.

Ouviu o amigo resmungar e o observou com o canto dos olhos, sentindo o rosto esquentar. Havia sido tolo por chegar ao ponto de chorar por algo que seria banal na vida de Edward. Era banal. É que ele apenas não imaginava pegá-lo em um momento assim, mas guardaria qualquer sentimento bem escondido e longe do amigo para não incomodá-lo.

— Claro, só um beijo. — Repetiu ao erguer o rosto e admirar a brisa nas folhas verdes. Podia ter ficado quieto sobre aquele assunto.

— É, Sam. As pessoas se beijam. — Edward deu de ombros e coçou a nuca. Estavam mesmo falando sobre aquele assunto? — É normal.

Normal… O desconforto assolou as faces avermelhadas do mais alto que, no momento, pedia aos céus para que os batimentos acelerados não fossem ouvidos pelo amigo, mas estava bem óbvio que não conseguia guardar muito bem as sensações. Ser transparente era um problema que queria mudar.

Só pôde suspirar e morder os lábios em apreensão quando Edward o tocou no braço e o fez parar de caminhar, buscando seus olhos e alguma confirmação para um confuso pensamento acerca de seu jeito acanhado em relação a última fala.

— Sam, você…

— Talvez eu não seja normal. — Respondeu ao interromper a pergunta que o moreno não sabia como fazer. Era uma frase que o pai usava contra ele, dizendo que ele devia ser normal e não ser um garotinho frágil e chorão. Não era para ele ser como uma menininha. Mas se ser duro e inflexível e gostar de garotas fosse o normal, ele jamais conseguiria ser assim.

Por que mesmo nunca havia imaginado que Samuel Mackenzie nunca havia beijado alguém? Edward afastou os dedos do braço do ruivo e deu um sorriso amarelo e constrangido. Talvez fosse mesmo um pivotante, como o tal do Miles havia jogado em sua cara, já que não percebia as coisas tão simples, mesmo que estivessem óbvias para todos.

— Ou talvez eu só vou beijar a pessoa que eu gosto.

De repente, qualquer pensamento referente ao primeiro beijo de Sam, fez o rosto esquentar e uma vermelhidão se alastrar pelas maçãs, fazendo-o se sobressaltar com a fala que soou tão próxima e tão insinuante. Não, é claro que não! Sam não era assim, ele quem estava imaginando coisas.

— Quer dizer, eu não estou falando de você. — Sam encolheu os ombros, lançando um olhar culpado ao moreno. — Quando eu gostar de outra pessoa. É isso. — Soprou o ar. Estava falando bobagens, mas Edward ficava ainda mais bonito quando envergonhado. Queria eternizar aquela imagem.

— Outra pessoa… Claro. — Edward se recompôs, sentindo-se ainda mais idiota que nos momentos anteriores. É claro que o Mackenzie beijaria outra pessoa. Um dia. Mas pareceu preocupante aquele tipo de pensamento. Pensou no que Sam teria sentido quando o viu com Sarah e acabou comparando as sensações. Sam podia beijar quem ele bem quisesse, mas será que estaria tudo bem se visse ou soubesse desses detalhes?

O que raios estava pensando?

— Mas eu não fico pensando nessas coisas. — Sam voltou a falar, incomodado com o repentino silêncio entre eles.

— Você beijaria o Miles?

Antes que Samuel retomasse os passos, estancou de vez no lugar, tratando de olhar para o amigo com os olhos arregalados e esperar por algo que indicasse que ele estava brincando. Como nada assim partiu do Logan, ele balançou a cabeça e sorriu com incredulidade. Quem sabe se desenhasse o moreno não acabaria entendendo como seus sentimentos funcionavam.

— Você é muito bobo, Eddie. — Colocou as mãos para trás e pendeu a cabeça para o lado.

Os olhos azuis encararam o brilho dos olhos negros por alguns momentos, mais que o apropriado para quem estava se sentindo estranho com aquilo tudo. Quer dizer, eles eram melhores amigos desde sempre, mas de repente descobria que Sam nutria sentimentos que iam além do fraternal e não sabia mesmo como se portar sem parecer um idiota.

— Foi mal. — Havia sido péssimo. — Me desculpa. Eu não sei como agir… Com isso. — Gesticulou de maneira nervosa, mas não desviou os olhos. — Eu me sinto mal por não... Você sabe.

Sam deixou o sorriso desvanecer e novamente a sensação preocupante de incomodar o melhor amigo o assaltou. Não queria que fosse assim entre eles. Era melhor que tivesse se mantido calado e tudo seria como antes. Estava tão arrependido que desejou voltar no tempo e se impedir de falar. Podia muito bem ter inventado que gostava de qualquer garoto do colégio e evitado maiores desconfortos.

— Não se sinta mal por não corresponder. — Falou depois de algum tempo. — Você é meu melhor amigo e não tem culpa se eu fui gostar justamente de você. Eu só não quero perder a sua amizade. — Prensou o lábio inferior com os dentes. — Eu não suportaria.

Se o coração já estava esquisito e barulhento antes, agora havia uma verdadeira sinfonia ali dentro do peito. Aqueles olhos escuros e de brilho tão puro, assim como o sorriso que encobria parte do que ele estava sentindo. Novamente, pensou no que irritante garoto de olhos esverdeados havia falado; como ele podia fazer alguém como Sam chorar?

— Chega de sentimentalismo, Mackenzie. — Decidiu colocar um fim naquela conversa cheia de melancolia e o puxou para retomaram a caminhada. — A minha amizade você sempre vai ter.

Embora fosse algo reconfortante, não deixava de ser triste.

Somente a amizade…

— O nome dele é Dominic.

Os olhos grandes e redondos do garotinho nos braços do irmão, encaravam curiosos a visita, com o rosto parcialmente escondido no ombro do mais velho e os dedinhos apertando a jaqueta de couro.

Miles estava realmente encantado com a figura pequenina e que, ele logo percebeu, parecia uma miniatura de Dante Morgan. O fato é que queria apertar a versão criança do colega e não pestanejou ao erguer a mão e tocar a bochecha quentinha e gorducha da criança.

Que droga! Todos tinham irmãos. Todos menos ele, é claro.

— Olá, Dominic. — Cumprimentou, sorrindo quando o rosto do menino se desviou do toque. Ele se mostrava bem receoso com sua presença.

Não era como se quisesse ter parado na casa de Dante, mas quando soube que ele tinha um irmão, acabou fugindo do motorista da família e voltando para a moto do moreno em vez de ir para casa com os presentes que tinha comprado. Não se surpreendeu com a casa enorme que encontrou, pelo que sabia dos Morgan, eles eram uma família de posses, mas não esperava que eles tivessem um gosto para decoração parecido com o de sua mãe.

— Diz oi, Dom. — Dante incentivou o pequeno irmão intimidado por toda a beleza que via agora diante dos olhos. Certo, quem ficava intimidado era ele e não Dominic.

— Oi. — A vozinha abafada soou e os olhos se fecharam quando recebeu um cafuné nos cabelos lisos e escuros.

Que cena estranhamente bonitinha, Miles pensou. Não deixou de prestar atenção em como Dante parecia um bom irmão, alguém mais responsável e carinhoso com a versão mirim. E bem, crianças eram tão sinceras, assim como gatos. Se Dominic mostrava apego pelo irmão mais velho, é porque realmente se davam bem.

Um tanto singular aquela descoberta, mas estava de peito aquecido com a ternura da cena. E por mais que não quisesse um sentimento como a inveja, acabou sendo atingido por ele também.

— Eu sou o Miles. — Se apresentou, mas não tentou uma nova aproximação. Estava de olho em um quadro que era uma verdadeira obra de arte na parede da lareira, quando ouviu a voz infantil novamente.

— O Dan tem uma foto sua no celular. — Comentou inocente, fazendo malabarismos para pegar o aparelho no bolso do irmão.

— Dominic é pior que eu, não sabe guardar segredo. — Dante replicou, embora ele devesse sentir vergonha por isso, já que o irmão tinha apenas cinco anos e ele dezessete.

— E qual foto é? — Miles se atreveu a pegar o celular do anfitrião e se deparou com seu rosto como plano de fundo. — Essa nem é a minha melhor foto! — Indignou-se com a escolha de papel de parede e então rolou os olhos. Aquele não devia ser o ponto discutido. — Isso é coisa de pervertido. — Aquele era o ponto.

— Perver... Per... — Dominic tentou a palavra, mas franziu o cenho e buscou pelos olhos do irmão para ter alguma compreensão do significado da palavra estranha.

— Esse moço bonito só 'tá implicando com o seu irmão, Dom, só isso. — Colocou o menor sobre o sofá e recuperou o celular das mãos de Miles. — É que você é o garoto que eu tô afim, mas eu só posso me contentar com as fotos mesmo.

Ele nem fazia esforço para ser sincero com algo tão constrangedor. Que garoto dizia que estava afim de outro garoto assim, tão facilmente e sem ao menos ficar vermelho? Não que nunca tivesse escutado aquele tipo de coisa antes, mas geralmente partia das garotas. E ele não se dava muito bem com garotos engraçadinhos. Com o canto do olho, viu quando Dominic correu em disparada para fora da sala e notou uma certa aproximação por parte do garoto de cabelos raspados na lateral.

Acabou dando um passo para trás e tropeçando no tapete quando a mão tatuada se esticou e tentou tocá-lo nos cabelos, disparando um gatilho em sua mente. Oras! Quando foi que havia dado qualquer ousadia para aquele abusado?

Tão rápido quanto a cor vermelha que tomou parte do rosto, foi a torção que deu no braço de Dante. Segurou-o no pulso, impedindo que ele o tocasse, apertando o braço do moreno às costas e guiando-o até a parede com um forte empurrão, pouco se importando com a exclamação de dor e surpresa que deixou os lábios do colega.

— Eu disse pra não tentar nenhuma gracinha. — Apertou mais o braço dele, forçando-o na parede.

— Eu só... Tem uma coisa no seu cabelo! — Dante resmungou. O garoto era doido. Doido! O que ele tinha de bonito, ele tinha de doido!

— Uma coisa...? — A frase fez Miles se afastar, ainda que desconfiado e soltar um Dante dolorido e que o encarou com certo receio. Os dedos tocaram os fios e encontraram uma pétala delicada de uma das árvores do shopping. — Ah... Desculpe. É que eu pensei que—

— Eu posso ser meio assim, atirado, mas eu não vou te agarrar nem nada parecido. — Sentia horror só de pensar naquele tipo de cena e, enquanto alisava o braço dolorido, encarava o colega de maneira avaliativa. — Você ficou bem incomodado. — Tentou não ser tão invasivo, mas ele também se sentiu incomodado com aquele detalhe.

— É melhor eu ir embora. — Miles suspirou. — Não pode me culpar por pensar que você tentaria alguma coisa. — Estreitou os olhos claros, mas em seguida acabou sorrindo. — Você ficou com medo. — Acusou, cheio de deboche.

O abusado ali era Miles Turner, claramente. Quem é que havia ficado com medo?

— É a sua beleza. Ela me deixa assim, assustado. — Rebateu com o mesmo arzinho de sempre, recuperado do ataque. O garoto sabia como intimidar.

Céus! Ele era perfeito.

— É, eu preciso mesmo ir embora. — Miles reforçou. — Diz pro Dominic que eu adorei o nosso encontro e e que eu volto pra gente conversar.

— Volta pelo Dom, mas não por mim? — Dante se mostrou ofendido com aquele detalhe. — Que decepção.

— A vida não é um mar de rosas, mesmo. — Cantarolou ao passar pela porta. Havia enviado uma mensagem para o motorista e ele acabava de estacionar frente a casa dos Morgan, mas antes que descesse os degraus para os jardins, sentiu um toque envolver os dedos e ergueu os olhos do enlace para o olhar de Dante. Acabou mordendo o lábio e afastando os dedos com uma velocidade quase ríspida.

— Se quiser conversar sobre isso. — Dante falou, tomando cuidado para não soar como um intrometido e passar novamente uma imagem errada. — Pode contar comigo. Eu posso só ouvir.

Argh! Desde quando aquele garoto conseguia ser fofo e tão solícito? Miles quis empurrá-lo para dentro e fechar a porta, somente para não encará-lo com toda a sinceridade e preocupação que ele demonstrava com o olhar. Que irritante!

— Tchau, seu pervertido. — Embora a frase não fosse das melhores, ele não estava irritado ou tentando passar algum alerta ao colega, tanto que até mesmo sorriu ao alcançar o último degrau, virando-se para olhá-lo novamente. — Obrigado.

Dante o observou enquanto ele corria até o portão, pensativo sobre a maneira como ele havia reagido quando tentou tocá-lo nos cabelos.

Aquele menino bonito ainda o deixaria maluco com tantos pensamentos, mas agora estava preocupado.

Notas finais
[1] Pivotante nada mais é que aquelas portas maravilhosas de gente ryca. A sabrinavilanova chamou o Eddie assim em um comentário e eu acabei roubando pra usar com o Miles, já que isso é a cara dele. E então, pessoal? Curtiram? O que acharam do Edward com a menina Sarah e depois indo no desespero atrás do Sam? O menino porta não sabe mesmo como agir, mas ele tenta ne... E opa, Miles surgiu pra defender o migo ruivo ♥ Eu acho esses dois uns nenês! Fofos demais. E olha só, parece que rolou uma coisinha ali entre o Miles e o Eddie... hohoho Sobre a conversa do Sam e do Eddie, como eu disse e como vocês viram, a porta não sabe se expressar muito bem, acabou falando até sobre beijar ser normal e nem havia passado pela cabeça dele que o Sam nunca beijou ninguém ¬¬ Mas no fim, as coisas "melhoraram", embora nosso ruivinho sofra com a impossibilidade de ter um romance com o melhor amigo, ele sofreria ainda mais se o Eddie desistisse da amizade deles. E como não somos nem um pouco portas, a gente sabe que o que o Edward tá sentindo é um misto de medo e ciúmes devido aos sentimentos que só mesmo ele não percebe ainda. E por fim, mas não menos importante, olha só! Miles e Dante. O menino bonito foi dar um passeio de moto com o Dante, opa ♥ Eu amo esses dois. E tivemos um momento fofo com o Dominic e em seguida um momento tenso com o Miles imobilizando o colega. Eita que ele ficou nervoso D: E agora temos Dante preocupado com o boy ♥ Morro com eles. Espero muito que tenham gostado! Bjuss, galera e até os próximos capítulos!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.