Uma Dose de Clichê

7 ♡ 7 "Sobre inseguranças e o amigo bobo"


Notas iniciais
Meio século depois! Desculpem o atraso, mas pensem em um ser humano com bloqueio... Pois é! Infelizmente sou eu D: Mas, consegui fazer até um capítulo maiorzinho e todo fofo ♥ Espero que gostem! Obrigada a todos que acompanham, favoritam e comentam: Bluet, Babissf, Nate Rivers, My Mochi, Sora Kin, GabiSan, Deby Costa, Cintia Yuli, luanfelix, Miau e Yaoi ♥ 'Cêis são demais! Espero que curtam o capítulo! Boa leitura!

Capítulo 7 — Sobre inseguranças e o amigo bobo

— Eu já vou descer!

Era um tanto assombroso o modo como Bruce Riley conseguia ser extremamente pontual quando o assunto era Kyle Ogawa. O carro preto havia estacionado há pouco em frente a casa do asiático, pronto para, acreditasse quem quiser, ir para o colégio.

O fato é que se o loiro era pontual, Kyle era uma confusão de roupas e não estava nada satisfeito com o que via no espelho.

Céus! Estava uma verdadeira baleia! Faltava pouco para que não coubesse mais no uniforme. E culpava a pizza, o macarrão com queijo, as batatas fritas e a vontade reduzida a zero de caminhar no parque ou ir em alguma academia.

Ele tinha pavor de qualquer esporte que precisasse usar o corpo e não a mente. Bicicleta não era uma opção, afinal, preferia se afogar em sorvete e qualquer outro doce do que ir ver o sol lá fora ou sair com os amigos. As séries eram as melhores companheiras para o dia cheio depois das aulas. Já havia aceitado que era um velho em um corpo de um adolescente, não havia muito o que fazer.

Mas então, por que diabos preocupava-se com as gorduras a mais?

Talvez a resposta estivesse lá embaixo, batucando os dedos no volante ao som de um rock antigo qualquer.

Os casacos, suéteres e blusas de frio estavam espalhados pela cama e tapete. Logo ele que abominava desordem, havia criado uma verdadeira bagunça.

O espelho do armário mostrava um garoto baixinho, não, baixinho era de longe um apelido, era minúsculo! Não, talvez Bruce é quem fosse alto demais. É, era isso. Mas enquanto o loiro tinha um corpo bonito e poderia se exibir sem camiseta por aí, ele jamais poderia pensar nessa possibilidade…

No fim, a frustração o levou a pegar um suéter com a estampa da Tardis que não usava há algum tempo.

Havia sim um motivo para que pensasse em mudar alguns hábitos e em todo o descontentamento com a aparência, mas se pensasse, provavelmente cabeças iam rolar naquela manhã.

A mochila de personagem foi jogada nas costas e ele desceu as escadas correndo. Chegariam atrasados e ele era o líder de turma. Não podia deixar os problemas pessoais prejudicarem os estudos.

E o que dizer sobre Bruce ser mais pontual e comprometido que ele próprio? Lastimoso.

O loiro desviou os olhos da tela do celular e o guardou no bolso ao ver o pequeno furacão que corria em direção do carro. O colégio não era tão longe quanto faziam parecer.

Kyle se jogou no banco do passageiro quando Bruce abriu a porta. Mostrou-se desconfortável com o cinto e apertou a mochila nos braços, contrariado.

— Bom dia pra você também... — Bruce resmungou ao virar a chave na ignição. Não reclamaria sobre a falta de contato, era bem comum, mas se o Ogawa se aproximasse por vontade própria, seria muito bem-vindo.

— Acelera porque eu preciso ir ao banheiro. — Kyle demandou. — E você vai comigo.

Os olhos castanhos se desviaram da rua assim que o carro se colocou em movimento. Tinha ouvido direito? Kyle simplesmente não podia dizer aquelas coisas assim ou ele poderia bater o carro em algum poste. E nem estava exagerando.

— Banheiro? Nós dois? — Estava mais que surpreso.

— Mas não pra isso aí que você está pensando. — Porque era óbvio que Bruce pensaria besteira. E foi como jogar um balde de água fria sobre o loiro, pois ele logo estalou a língua e fez aquela cara de “nunca é o que eu penso que é.” — Eu quero perguntar uma coisa. — E tinha que perguntar para ele, já que o Riley era o mais próximo que tinha de um amigo.

— Posso te fazer mudar ideia. — Bruce cantarolou com um sorriso sacana, mas tudo o que recebeu foi o olhar repreensivo dos olhos puxados.

— Só dirige, Bruce. Estamos atrasados.

Bruce teria retrucado, pois o motivo de estarem atrasados se devia ao fato de Kyle ter demorado horrores para descer, mas era sensato evitar brigas logo pela manhã.

— Ela é bonita.

A voz baixa, levemente receosa soou ao lado, chamando a atenção de quem havia se perdido entre um olhar e outro. Talvez um sorriso e um aceno de mão.

Chegavam cedo ao colégio e iam sempre para a quadra. Naquela manhã, as líderes de torcida treinavam para a próxima apresentação e faziam passos complicados, e Sam até os achava arriscados. O fato é que ele havia notado algo. Algo que era inevitável de não acontecer, afinal, andava com o atleta do colégio. O garoto que além de ser um aluno aplicado, era também um dos mais bonitos. Não, Edward era mesmo o mais bonito.

— Ah, é? — Os olhos azuis seguiram os movimentos de acrobacias das garotas e seguiram para o ruivo ao lado. — Eu nem notei. — Deu de ombros e apoiou os cotovelos na arquibancada de cima.

Sam deixou um suspiro escapar, mas sorriu da tentativa de disfarce do melhor amigo. Edward era realmente desligado para certos assuntos pessoais, mas estava tão óbvio, e ele era o único que não percebia, ou melhor, fingia não perceber.

— Minha irmã vai chegar hoje à noite. — O moreno comentou, não tão contente quanto gostaria. — Vai trazer o meu sobrinho e o marido. — Os olhos rolaram nas órbitas ao mencionar o cunhado. Cunhado. No fim, os Riley meio que se tornaram parte da família, embora Bruce e ele não se dessem bem, eram tios do mesmo garoto. E viviam em uma eterna disputa sobre quem era o melhor tio. E não precisavam competir para saber quem realmente ganharia.

— Isso é ótimo. — Samuel abriu um sorriso brilhante. Adorava Emília e a família dela, e nunca se esqueceria do dia em que ela os ajudou e impediu que apanhassem de David. Seria eternamente grato a eles. — Vai tirar você desse mau humor. — Acotovelou o amigo, sentindo-se mais leve pela mudança de assunto. Edward era mesmo tão bobo e lento. Era uma graça, além de muitos outros adjetivos. Até entendia a implicância entre Bruce e Edward, mas não tinha nada contra o loiro, inclusive, era fã da banda de garagem dele.

— E você vai ficar lá comigo. — Os olhos azuis se estreitaram ante o deboche. Oras, quem ali era mal humorado? — Inventa alguma coisa pro seu pai não pegar no seu pé. Vão fazer um jantar todo cheio de frescuras e a família problema vai estar lá. — Suspirou, perdendo o momento em que uma das líderes alcançava o chão com delicadeza e buscava seu olhar.

— É a sua família também, bobão. — Sam argumentou, ainda sorrindo. Quem era mesmo o mais bobo por ali? — Vê se não vai arranjar confusão. Sabe, a sua mãe ficaria péssima e a Emi também. E eu nem vou comentar sobre o Charlie. — Fechou o cenho, como se realmente pudesse ficar bravo.

— Charlie… — Edward acabou com um discreto sorriso ao pensar no sobrinho. — Mas diz isso pro seu amigo, Bruce. Ele é sempre o problema. — Pareceu que estava alfinetando o ruivo, mas nem se tocou do tom levemente ciumento. Ou talvez tenha se tocado quando Sam exibiu um sorriso onde podia se ver toda a arcada dentária. O aparelho da vez era laranja e combinava com as sardas e os cabelos. — Não começa, Mackenzie. — Deixou o aviso escapar por entredentes e pegou a mochila ao ouvir o sinal.

— Mas eu nem fiz— Sam bem que tentou completar a frase, na eterna euforia das bochechas coradas que surgiam quando Edward soava ciumento e tentava disfarçar, mas tropeçou nos cadarços desamarrados e rolou três bancos até tocar o chão. Foi pouco para que explodissem em risos e apontassem para o desastre ambulante.

E não os culparia, afinal, era o motivo de riso naquele colégio.

Edward, antes que seguisse em auxílio do melhor amigo e brigasse com o bando de hienas que nada mais eram que uns desocupados, foi surpreendido por algo inédito até o momento.

Uma das garotas que treinavam a coreografia no meio da quadra, se abaixou ao lado do ruivo e o ajudou.

A surpresa foi geral e Edward só desceu os degraus quando o segundo sinal soou, ainda mais estridente que o primeiro.

— Não liga pra eles, não. — A moça sorriu de maneira terna e até levou as mãos aos cabelos rebeldes e cor laranja, ajeitando-os no lugar. — Eu também vivo tropeçando, nem sei como entrei pro grupo.

— 'Tá tudo bem, Sam? — Edward se enfiou entre os dois ao perguntar, quase derrubando a garota. Estava preocupado com o ruivo desajeitado.

— Ah… — Os olhos negros se desviaram dos verdes da garota e encontraram os azuis tão conhecidos. — Eu… Foi só um tombinho de nada. — Sorriu sem graça e coçou a nuca. — A Geovanna, ela—

— Seus cadarços não gostam de você. — Novamente, uma interrupção, mas dessa vez não foi por uma queda e sim porque Edward simplesmente havia ignorado a presença da líder de torcida.

— Eu… Então, Samuel, nos vemos no intervalo. — Geovanna abanou a mão e exibiu um sorriso sem sal, seguindo para fora da quadra onde as amigas a esperavam. Era evidente que havia se decepcionado.

— Isso foi rude, sabia? — Sam comentou após se despedir. — Aposto que ela queria conversar com você.

— A aula já começou. — Edward se ergueu, sem o mínimo de vontade de falar sobre a tal garota e seguiu para a sala de aula.

Edward e seus modos cavalheirescos. Era assim que ele conquistava aquele bando de fãs?

Pois era assim que o fazia se apaixonar a cada dia mais.

— Espero que ao menos você se comporte. — Kyle torceu os lábios ao ver o revirar de olhos que recebeu em resposta, já que Bruce pensava que ele não estava vendo.

— Diz isso pro seu amigo. — Bruce resmungou, insatisfeito com a acusação do japonês. Ele era o comportamento em pessoa, apenas. — É sempre ele quem começa. Aliás, não diz nada. Isso não é problema seu.

— Obrigado por me excluir. Vou lembrar dessa frase e até mesmo irei usá-la. — A ameaça veio em tom neutro, já que ele estava mais preocupado com outro assunto. Um realmente importante. Mais importante do que dois garotos bonitos brigando por estupidez. Certo, dois bonitões que se resumiam a rosnar e soltar ofensas infantis um ao outro. É, era até interessante.

Bruce coçou os cabelos e reprimiu a vontade de fumar. Quando Kyle começava com aquele assunto, quem se ferrava era sempre ele.

— Vai me dizer o que a gente veio fazer aqui ou não? — Enfiou as mãos nos bolsos dos jeans e esperou por uma resposta.

— Eu quero… Como você me vê? — Kyle abriu os braços e encarou o loiro de maneira incisiva, no entanto…

— Como assim? — Bruce realmente não estava entendendo. — Com os olhos. — Balançou os ombros e fez a melhor cara de pastel. Aquele garoto sabia ser esquisito. Não que fosse algo ruim.

— Sério, Einstein? — Foi a vez de Kyle revirar os olhos para a resposta óbvia.

— E você queria ouvir o quê? Olha, fala logo o que a gente veio fazer aqui?

Kyle se aprumou e se mostrou um tanto receoso, mas levou as mãos à barra do suéter e ergueu a peça, exibindo a pele.

— É sério isso? — Bruce se espantou e até olhou para a entrada. Só estavam eles por ali. — No banheiro? Que ousado, Ogawa. — O tom malicioso fez par com o sorriso que se ergueu nos cantos dos lábios.

— Não é isso! — Kyle bufou. Bruce só parecia entender o que queria e era conveniente. Imagine só, ele, em um banheiro de escola, agarrando-se com outro garoto! No banheiro do quarto, tudo bem, mas ali beirava o abominável e nem conseguia imaginar. Ou bem… — Presta atenção, Riley!

— Se não me trouxe até aqui pra fazer uma dancinha sexy e tirar essa roupa toda, fica bem complicado de entender. — Sua lógica era crível.

— Olha só pra isso! — As mãos soltaram o suéter e apertaram a barriga, exibindo as gorduras a mais. — Eu pareço um porco… — Dramatizou.

Porco? Porcos eram animais fofos, embora sujos, mas não entendeu a comparação.

— 'Tá falando do quê? — Ele ainda não havia entendido.

— Fiquei ansioso e comi tudo o que não devia. Estou gordo, se não deu pra perceber. — Soou culpado e mordeu o lábio inferior, achando-se um idiota por estar ali. — Mas… Esquece. — Por que mesmo se importava? Tentou passar pelo loiro, mas foi trazido de volta ao ter o pulso segurado.

— Por isso demorou tanto pra descer? — Bruce perguntou ao puxá-lo para perto. — É sério que isso 'tá te preocupando?

— Eu também sou humano, mesmo que não demonstre muito. — Kyle deixou os ombros caírem, mas se afastou do toque do loiro. — De qualquer forma, é bobagem e eu preciso mesmo ir pra aula. — Tentou sair uma segunda vez e foi novamente impedido quando os braços de Bruce o cercaram na cintura. Sentiu os lábios frios roçarem por sua nuca e suspirou. — Talvez se eu parar de comer tanto e fizer uma dieta...

— Você não é gordo, Kyle, é gostoso, é diferente. — Os lábios percorreram o pescoço pálido e arrepiado e o contorno do ombro, à mostra no suéter largo. E para enfatizar as palavras, subiu as mãos por baixo da roupa quentinha e apertou as gordurinhas do abdômen. Se Kyle enfiasse aquela ideia de dieta na cabeça, ele também sofreria ao ser impedido de comer porcarias. — Gostoso. — Cantarolou ao pé do ouvido do menor. Se não parasse…

— Tenta me ajudar com a autoestima e acaba se aproveitando. — Kyle acusou e conseguiu se desvencilhar do abraço do mais velho antes que ficasse excitado com aquele papinho sem vergonha que conhecia bem. E era um tolo por colocar aquelas coisas na cabeça. Não queria sair por aí rolando, mas era só ser menos ansioso, embora fosse realmente difícil de conseguir controlar. — Estamos atrasados. Então corre. — Demandou ao escapulir para o corredor vazio. Ainda era o líder de turma.

— Charlie!

Um garotinho saiu correndo assim que foi colocado no chão. Todo atrapalhado, ele seguiu pela grama até alcançar a porta da casa, ficando na ponta dos pés para tocar a campainha, e obviamente não obtendo sucesso algum e frustrando-se com o fato de ser pequeno.

A porta se abriu antes que ele mudasse e fosse para a janela, tentar saltar por ela. Quem surgiu foi um ruivo magricela que o garoto conhecia bem.

— Sam! — Charlie puxou as calças de Samuel em empolgação, mas logo passou por baixo das pernas longas do ruivo, correndo para dentro da casa feito um desvairado.

— Oi pra você também… — Sam bem queria ser contagiado com a energia daquela criança, mas só de olhar como ele corria e trombava em tudo pela frente, já era suficiente para que ficasse cansado. — Oi, Emi! — Cumprimentou a mulher bonita e sorridente com um abraço. Lembrava-se de quando era muito menor do que ela, mas agora era tão mais alto que era quase vergonhoso que Emília fosse tão baixinha e adulta.

— Eu trouxe o seu doce favorito. — Emília apertou as bochechas sardentas de Sam antes de entrar.

— Na verdade, ela me obrigou a fazer. — Jon rolou os olhos, estafado, mas sorriu ao cumprimentar o ruivo. Ele era um bom garoto no fim das contas.

Enquanto os cumprimentos eram feitos, Sam que ia fechar a porta, esperou até que três figuras avançassem. Os Riley estavam ali também, mas faltava Bruce. E o loiro vinha acompanhado de um moreno tatuado e de um garotinho que parecia a miniatura de algum personagem dos anos oitenta.

— Chegaram bem na hora. — Deu espaço para eles entrarem e só então fechou a porta. Precisava estar ali para acalmar os ânimos entre certo loiro e certo moreno.

A casa dos Logan estava cheia e seria uma noite produtiva. Rachel, a mãe de Emília e Edward, não escondia a felicidade por ter toda a família reunida. Ser vó trouxera tantas surpresas, que já não via a hora de Emília ter mais filhos, mesmo que houvesse entrado em conflito com a garota quando descobriram a gravidez.

Martha, a mãe de Jon e Bruce, ajudava na cozinha, mas logo Emília juntou-se a elas, enquanto os homens ficaram na sala.

— Olha só pra você! — Bruce se abaixou e bagunçou os cabelos castanhos do sobrinho. Achava o garoto uma cópia, ou melhor, uma perfeita junção entre o pai e a mãe. Felizmente ele era bonito.

— Olha o que o tio Eddie me deu! — Charlie mostrou o dinossauro de brinquedo com empolgação, exibindo um sorriso banguelo. — Vai me dar o quê?

— Credo, como você é interesseiro. — Bruce se fez de ofendido e apertou o nariz do pequeno, fazendo-o reclamar. — Tem uma coisa especial pra você lá em casa. Bem grande e muito melhor que esse Rex de plástico.

— Bem grande? — Charlie ficou ainda mais animado e os olhos castanhos brilharam. Adorava ganhar brinquedos, mas gostava especialmente da atenção que recebia dos tios. Eles simplesmente o mimavam e deixavam fazer tudo o que queria. — Me dá! — Esticou as mãos.

— Quando você for lá pra casa. Por enquanto, finge que gostou dessa porcaria de plástico. — Piscou para o garoto que riu e repetiu a palavra porcaria, mesmo que ofendido. — Agora eu vou te apresentar um amigo.

Charlie escondeu o brinquedo atrás das costas ao ouvir aquela palavra. Oras, que amigo? Ele já conhecia o rapaz tatuado e com cabelo estranho, então…

— Esse aqui é o Dominic. — Bruce segurou um garotinho pelos ombros e o colocou a frente, incentivando-o a cumprimentar o sobrinho.

— Oi! — Mesmo que tímido, Dominic sorriu para o recém-conhecido. Ele era muito parecido com Dante, mas os olhos eram azuis e bem redondos.

Que garoto engraçado aquele. Todo esquisito. E…

— Dominic é nome de menina! — Charlie comentou ao analisar a figura menor e que parecia usar um macacão que… Também era de menina.

— Charlie… — Bruce voltou a bagunçar os cabelos do pequeno. — Dominic é o irmão do Dante. Vocês podem ser amigos e—

— Meu nome não é de menina! — Dom emburrou, cruzando os braços e fazendo bico. Não queria ser amigo daquele garoto. E estava com a roupa de um dos personagens favoritos dos filmes de terror. Só faltava ser ruivo igual ao Sam para ficar idêntico ao Chucky.

— Acho que vão se dar bem. — Dante comentou ao suspirar. Estava ali pela comida e para rever Jonatan, mas como estava sozinho em casa, acabou tendo que levar o caçula. Crianças entendiam umas as outras. Ficariam bem sem que precisasse atacar de babá.

— Vê se não maltrata a visita. — Bruce avisou ao sobrinho antes de se erguer e recebeu um revirar de olhos. O garoto tinha a quem puxar. — Eu já comentei que você 'tá ridículo com esse cachecol? — Implicou com Dante, não sem antes passar por Edward e trombar no moreno, convidando-o a reclamar. Qual é? O cara nem sequer podia ser chamado de charmoso. Era só um boyzinho exibido que nem sequer percebia o amor que o amigo sentia. Um babaca.

— Enquanto eu não encontrar o dono dessa echarpe, eu vou exibir ela por aí. — Dante não seria o melhor amigo daquele loiro folgado se desse importância às provocações. — Incomodado?

— É só que o seu senso de moda fica pior a cada dia. — Bruce não era a melhor pessoa para entender sobre tendências da moda, mas nem precisava ser um perito no assunto para ver claramente que aquele item horrendo não combinava com a mistura de couro, jeans e flanela que Dante usava.

— Mas você tinha que ver! — Dante se empolgou feito uma criança e não como o garoto de dezessete anos que era. — Ele é lindo e é cheiroso. Sério, era quase um anjo.

— Credo, que coisa mais gay. — Logo ele, falando sobre algo ser gay. Hipocrisia mandava lembranças. — Deixa de sonhar com essa Cinderella e—

— E as namoradinhas? — Jon passou os braços pelos ombros de ambos, estreitando-os em um abraço um tanto estranho.

— Ainda nessa ilusão com o seu irmão caçula? — Dante fez questão de dar o troco nos deboches do amigo.

— Que papo de tia velha, eu ein. — Bruce se desvencilhou do loiro mais velho e seguiu para mesa, deixando os dois para trás. — Namoradinhas… Vê se cresce. — E saiu resmungando.

— Um dia ele assume o meio metro. — Dante cochichou com Jon, afinal, Bruce o enterraria vivo se o ouvisse falando assim do japonês.

— O meu pai vai pirar. Quando isso acontecer, me avisa que eu venho voando pra impedir um pai de matar o filho. — Embora estivesse caçoando, havia ali um tom de verdade. — Agora vamos comer. Belo cachecol, aliás.

— Ah! Ao menos alguém tem bom gosto por aqui. — Dante foi tagarelando até a mesa, acompanhado por Jon.

— Que bonitinho. Se comportando.

Edward franziu a testa para a provocação de Sam, mas chegou até a sorrir.

— A culpa é sua, Sam. — Segurou discretamente os dedos de Samuel por baixo da mesa, mas foi um toque fugaz e ele logo os afastou, tendo a atenção tomada pelo sobrinho e o irmão de Dante, que pareciam discutir sobre algo que ele queria entender.

Sam encolheu os dedos e sentiu as bochechas corarem.

Edward sequer percebia como um simples toque o desestabilizava a ponto de se esquecer de tudo ao redor.

Seu melhor amigo era mesmo um bobo.

Notas finais
Por que tão fofos?! Sério, que nenéns ♥ Morro com eles! Eddie e Bruce não são os melhores amigos, mas têm o mesmo sobrinho XD E crianças, nunca pode faltar essas fofuras. E o que falar do Sam com a Geovanna que mal apareceu e já vai causar? Poisé... Espero que tenham curtido! Bjuss e eu ainda vou chegar em vocês pra responder! Não desistam dessa autora enrolada! E perdoem os erros, revisei rapidinho *3*