Uma Doce História
99 Reconciliação
Notas iniciais

Mil coisas passaram pela cabeça de Tora quando analisou toda aquela cena, mas no momento apenas uma era possível de se realizar. Ela pegou a caneca de café das mãos de Debrah e jogou o líquido quente na cara de Castiel.
–- Que isso?! – Castiel acordou assustado, caindo do sofá.
–- Você é um verdadeiro cretino Castiel! – Tora berrou -- Você e a droga do seu irmão são dois cretinos nojentos!
Castiel levantou-se desorientado, não fazia ideia do que estava acontecendo.
–- E você é uma vadia! – Tora jogou a caneca em Debrah, acertando-lhe a cabeça.
–- Ai! – Debrah cambaleou para trás, com um galo nascendo na testa.
Tora bateu a porta com força e foi embora. Castiel olhou da porta para Debrah, depois para si mesmo.
–- Só pode ser brincadeira... – Castiel começou a se recordar do acontecido, na medida em que sua cabeça o castigava com fortes dores.
–- Gatinho, você está bem? – Perguntou Debrah aproximando-se do ruivo.
–- Saí daqui Debrah... Agora! – Castiel ordenou.
–- Ela quem te troca pelo irmão e é a mim quem você condena?! – Debrah começara com sua ceninha – Ela é uma cade-
Paf! Ouviu-se um estalo seco. Lágrimas começaram a inundar os olhos de Debrah, devido à dor e tristeza.
–- Nunca mais apareça na minha vida – Castiel nunca levantara a mão para uma mulher, mas Debrah mereceia aquele tapa – Caso contrário eu te mato e você sabe bem que sou capaz disso.
Debrah apenas concordou, pegou suas coisas e sumiu. Segundos depois a porta é aberta novamente.
–- Eu não te disse pra... – Castiel foi interrompido com um soco no nariz – Tá louca?!
–- Você ainda não me viu louca seu desgraçado! – Claire gritava, sacudindo a cabeleira loira.
–- Meu nariz tá sangrando! – Castiel tentava conter a hemorragia com as mãos.
–- Eu não ia muito com a sua cara Castiel, mas ainda tinha esperança – Claire andava de um lado para o outro – Só não imaginava que você pudesse ser tão canalha assim!
–- É um mal entendido porra! Foi armação da Debrah – Castiel tentava explicar – Acha mesmo que eu seria tão baixo assim?
Claire parou um pouco e pensou, Castiel realmente nunca havia feito nada tão baixo, diferente de Debrah...
–- Eu vou te dar cinco minutos pra você me explicar ou eu juro que quebro seu nariz de vez – Disse Claire sentando no sofá.
–- Não consigo, não para de sangrar – Castiel reclamou.
–- Ai senhor – Claire ajudou a estancar o sangramento e fez um curativo – Pronto, agora desembucha antes que eu perca a paciência.
Castiel começou a contar toda a história, desde o momento em que encontrou Debrah no caminho da boate até quando apagou no sofá de casa.
–- Acredita em mim agora? – Perguntou Castiel.
–- Sim, sim. – Claire revirou os olhos – A Debrah é realmente uma cadela.
–- E a história do Armin? – Perguntou Castiel, numa tentativa de amizade.
–- Aquele outro desgraçado, parece que foi um mal entendido também – Claire respondeu – Alexy me ligou dizendo que a garota que eu vi de toalha é a prima deles que veio passar uns dias por aqui.
–- Ah é? – Castiel estreitou os olhos.
–- Nem pense em dizer uma de suas abobrinhas – Claire o repreendeu – Mas enfim, não estamos aqui pra falar dos meus problemas. O que você vai fazer agora?
–- Não faço ideia, Tora é muito cabeça dura.
–- Acho que a tinta que você usa pra tingir esse seu cabelinho acabou afetando seus neurônios.
–- Isso, aproveita pra debochar...
–- Hunf! Ninguém mandou fazer burrada.
–- O que você me sugere então?
–- Eu acho que essa será sua cartada decisiva, então tem que ir com tudo.
–- E levar um pé na bunda?
–- Você acha que ela vai te ouvir se você chegar todo mansinho?
–- Não seria o mais aconselhável?
–- É... Seria, mas o caso pede medidas drásticas – Claire deu uma risadinha – Você precisa domar aquela fera.
–- Não a deixe te ouvir dizendo isso – Castiel aconselhou.
–- Nem fale hahaha – Claire caiu na gargalhada.
Castiel teria um ardo trabalho a cumprir, mas não desistiria, ele amava aquela garota.
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Quando a porta do sobrado laranja se abriu, Alicia pegou uma das almofadas do sofá e a colocou na frente do corpo encolhido.
–- O que está fazendo? – Perguntou Claire ao entrar e ver a reação da tia.
–- Estou me protegendo – Alicia respondeu.
–- Do quê?
–- De você.
–- Hã?
–- Saísse feito um furacão daqui, vai que voltas pior.
–- Não – Claire abanou as mãos – Já resolvi o problema.
–- O rapaz ainda está vivo? – Alicia abandonou sua forma defensiva.
–- Ah sim, bem... Pelo menos até agora.
–- Como assim?
–- Ele ainda tem que falar com a fera – Disse Claire sem pensar.
–- Eu ouvi isso! – Disse Tora do antar de cima.
–- Ferrou! – Claire ia correr, mas Alicia a chamou.
–- Querida! Aquele rapaz ligou novamente.
–- O Armin?
–- Sim – Alicia confirmou – Não acha que já esta na hora de falar com ele.
–- É bem...
–- CLAIRE! – Tora descia as escadas – O que diabos você foi fazer no canalha do nosso vizinho?!
–- Acho uma ótima ideia tia! – Claire se apreçou em sair dali – Tchau, eu ligo pra dar notícias – Claire voou novamente pra fora de casa.
–- Ué? Cadê aquele projeto de gente? – Perguntou Tora.
–- Foi falar com o namorado dela – Alicia respondeu bocejando – Vocês adolescentes são tão complicadas.
–- Aham, nós mesmas né tia – Tora ergueu a sobrancelha – Roberto é quem diga.
–- Oh sua pirralha! – Alicia saiu correndo atrás da sobrinha, mas Tora fugiu rindo.
Claire pegou a bicicleta caída no quintal, mas assim que a ergueu apenas o guidom ficou em suas mãos.
–- Droga – Claire largou a barra de ferro – Vou ter que pegar um ônibus.
Claire esperou cerca de quinze minutos no pondo de ônibus da esquina, a viajem foi rápida e logo chegou ao destino.
–- Bom... Lá vou eu – Claire respirou fundo e apertou a campainha da casa.
–- Olá – Novamente aquela cabeleira azul invejável.
–- Oi... – Claire cumprimentou sem vontade.
–- Ah! Você deve ser a Claire, namorada do meu primo Armin! – Disse a azulada toda eufórica – Me desculpe por aquele dia, eu tenho péssimos hábitos.
–- Tudo bem, Alexy já me explicou tudo – Disse Claire.
–- Que bom! Entre, entre – Arbel a convidou.
–- Com licença – Claire entrou.
–- Quem está ai Arbel? – Perguntou Armin vindo do corredor, logo vendo a namorada – Claire?
–- Oi Armin – Claire cumprimentou com um pequeno sorriso.
Arbel ficou parada olhando para os dois, sorrindo feito uma boba.
–- Ahm... Arbel? – Armin chamou.
–- Sim? – Os olhos negros da garota piscaram.
–- Será que você pode nos deixar a sós? – Armin pediu.
–- Ah claro! Desculpem-me – Arbel pediu licença e foi para o quarto.
–- Eu liguei pra você, mas... – Armin disse coçando a nuca.
–- É. Eu estava ocupada – Claire mentiu.
–- Então... – Armin não sabia o que dizer.
–- Você é um palerma mesmo – Claire foi até Armin e enlaçou seu pescoço, beijando-o com força nos lábios – Não precisa dizer nada.
Claire pegou Armin pela mão e o puxou até o quarto do rapaz, fechou a porta atrás de si e o empurrou sobre a cama.
–- O-o que está fazendo? – Armin perguntou, com as bochechas rosadas.
–- O que devia ter feito há muito tempo – Respondeu Claire livrando-se dos sapatos
–- Mas... – Armin não pode recusar, pois a loira lançou-se sobre ele, tirando a camisa sobre a cabeça.
–- Por favor, não fale – Claire enchia-lhe o pescoço de beijos.
Armin via que a garota estava determinada, mas também podia notar que seu corpo insistia em resistir.
–- Claire, para... – Armin pediu.
–- Shhh – Claire o calou.
–- Para! – Armin segurou a loira pelos pulsos – Não é bem assim garota!
Claire arregalou os olhos e depois baixou a cabeça, lagrimejando – Me desculpe.
–- Claire... – Armin ergueu o rosto dela e enxugou as pequenas lágrimas – Está tudo bem.
Claire apenas relaxou e começou a chorar, estava precisando daquilo, dos braços de Armin. Ele a confortou por longos minutos até que ela se acalmasse.
–- Posso passar a noite aqui? – Claire perguntou, com os olhos vermelhos.
–- Pode sim, mas a sua tia não vai achar ruim?
–- Não, eu vou ligar pra ela.
–- Ok. Vou ver a Arbel precisa de alguma coisa para o jantar.
–- Eu vou lá ajudar ela – Claire saltou da cama.
–- Mesmo? – Armin olhou receoso.
–- Ela é meio doidinha, mas parece ser legal, eu sei que ela não teve culpa de nada.
–- Está bem, eu vou chamar o Alexy então.
–- Ele está em casa? Achei que tivesse dormido fora com o... – Claire parou de falar, quando notou a carranca de Armin.
–- Alexy! – Armin saiu eriçado.
–- Ops.
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A noite chegou e Castiel decidiu agir, tomou um banho e colocou roupas limpas; respirou fundo e começou a escalar a árvore, se entrasse de supetão pela sacada Tora não teria como fugir. Ele saltou pra dentro do quarto e olhou ao redor, estava tudo muito quieto, de repente sente algo tocar suas costas e vira-se assustado.
–- É muito cara de pau mesmo – Disse Tora encostada nas cortinas.
–- Que cagaço! – Castiel colocou a mão no peito, sentindo o coração acelerar.
–- Devia ter infartado – Tora resmungou.
–- Você é do mal, sabia? – Castiel suspirou – Tora eu...
–- Não estou brava com você – Tora o cortou.
–- Como é? – Castiel ficou confuso.
–- Bem... Estou um pouco magoada sim, mas... – Tora sentou na beirada da cama – Eu sei que foi coisa da Debrah, Lysandre já me contou do que ela é capaz.
–- Santo Lysandre – Castiel agradeceu mentalmente por ter um amigo tão bom – Eu bebi demais, mal lembro do que aconteceu...
–- Por que vocês sempre bebem até ter só álcool correndo nas veias? Será que ainda não se deram conta de que coisas ruins acontecem depois que fazem isso?
–- Bem... Essa foi a primeira vez que fiz isso, então...
–- Ah... – Tora sentiu uma pitada de vergonha, não que ficar bêbado por uma garota fosse algo bom, mas ao menos podia significar que ela era especial de alguma forma.
–- Tora... Será que agora eu posso – Castiel tentou aproximar-se da garota, mas ela se afastou.
–- Isso não quer dizer que esteja tudo bem entre nós – Tora esclareceu.
–- Me dá mais uma chance – Nem parecia ser Castiel.
–- Não. Você já teve e a desperdiçou, eu quero um descanso agora.
–- Pra ficar com o Viktor?
–- Claro que não! – Tora ficou brava – Você acha que sou igual à piranha da tua ex?
–- Não Tora, desculpa, eu... – Castiel teu um tapa na própria testa.
–- Vai embora Castiel – Tora pediu.
–- Não vou – Castiel negou.
–- O quê?! – Tora se levantou.
–- Sabe, às vezes é bom deixar o orgulho de lado.
–- Ora seu – Tora estava pronta para enxota-lo a força, mas Castiel não deixou.
O ruivo a puxou pela cintura, colando seus corpos e selando os lábios com um beijo urgente. Tora não resistiu, há tempo ela queria aquilo. Depois de longos minutos eles se separam para respiram.
–- Tora... – Castiel disse em tom baixo – Eu sei que fui um idiota e que talvez seja tarde, mas...
–- Sim – Tora disse antes que Castiel perguntasse algo.
–- Mas eu ainda não perguntei.
–- Eu sei, apenas deixei o orgulho de lado – Tora sorriu docemente.
–- Como eu te amo baixinha – Castiel segurou o rosto da morena e a beijou novamente.
–- Mas há uma condição – Tora exigiu.
–- O que?
–- Vai ter que prometer que sempre entrará pela sacada – Tora sorriu maliciosamente.
–- Certo, mas eu também tenho uma condição – Disse Castiel, devolvendo o sorriso malicioso.
–- Ah é? E o que seria?
–- Vai ter que usar aquela sua camisola transparente.
Tora enrubesceu, mas logo lançou-se nos braços do ruivo e o devorou com beijos.
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