Uma Doce História
80 Radioactive
Notas iniciais

Lysandre voltou do quarto com uma pilha de cadernos, partituras folhas e canetas sobre os braços.
–- Estão vivos? – Perguntou colocando os materiais sobre a mesinha de centro.
–- Por enquanto... – Claire respondeu, estava sentada no chão com o teclado a sua frente.
Tora e Castiel bufaram, cada um sentado em um canto do sofá.
–- Venham logo vocês dois – Disse Lysandre.
–- Ok... – Tora pegou a guitarra e ajeitou-se no chão.
–- Ah... – Castiel suspirou – Esqueci meu violão.
–- Só não esquece a cabeça porque está grudada – Disse Tora.
–- Pelo menos eu tenho uma – Retrucou Castiel.
–- Olha, estarem apaixonados um pelo outro já é sinal de não terem cérebro – Meteu-se Claire.
–- Quem disse isso?! – Castiel e Tora perguntaram.
–- Castiel fala de você o tempo todo Tora, até eu não aguento mais – Lysandre ajudou a por lenha na fogueira.
–- Então quer dizer que estou em seus sonhos Tomate? – Perguntou Tora convencida.
–- Sim baixinha... Nos mais pervertidos deles – Castiel sorriu maliciosamente.
–- Aff... – Tora corou e começou a dedilhar seu instrumento musical.
–- Castiel, acho que há um violão velho no quarto do Leigh, pode pegar – Disse Lysandre apontando uma porta.
Castiel pegou o violão e o afinou por alguns minutos. Tocaram alguns acordes e tentaram encaixar as letras, Lysandre era um ótimo compositor, mas todas as suas músicas eram incompletas; Castiel disse que se deve ao fato do amigo ser muito distraído, ele começa a escrever do nada, então esquece a letra e vai fazer outra coisa.
Claire ajudou Lysandre a terminar as letras enquanto Tora e Castiel ajustavam os acordes, até tudo ficar perfeito. Depois de um tempo tocando, as meninas decidem mostrar algo.
–- Então – Claire tirou um caderno de dentro da capa do teclado – Eu e Tora fizemos uma música há algum tempo e pensamos que talvez pudéssemos tocá-la, só pra ver o que acham.
–- Oh! Isso quer dizer que vocês já tocavam antes? – Perguntou Lysandre interessado.
–- Não, não. Isso é apenas um fruto, um resultado de nosso passa tempo – Explicou Tora – Empresta o violão Castiel.
Castiel se aproximou da morena fazendo biquinho.
–- Nem vem – Tora empurrou a cara do ruivo e pegou o violão.
–- Chata – Castiel cruzou os braços emburrado.
Claire começou a batida no teclado para que Tora acompanhasse, assim que pegaram o ritmo, começaram a cantar.
Just give me a reason
To keep my heart beating
Don’t worry it’s safe right here in my arms
As the world falls apart around us
All we can do is hold on, hold on
Take my hand
And bring me back
Tora:
I'll risk everything if it’s for you
A whisper into the night
Telling me it’s not my time and don’t give up
I’ve never stood up before this time
Demo yuzurenai mono nigitta kono te wo hanasanai
So stand up, stand up (just gotta keep it)
I wanna wake up, wake up (just tell me how I can)
Never give up
Kuruoshii hodo setsuna no enrei
Claire e Tora:
Just tell me why baby
They might call me crazy
For saying I’ll fight until there is no more
Urei wo fukunda senkou gankou wa kankakuteki shoudou
Blinded, I can’t see the end
So where do I begin?
Claire:
Say not a word, I can hear you
The silence between us
Nanimo nai youni utsuteru dake
I'll take this chance and I'll make it mine
Tada kakusenai mono kazatta you ni misekaketeru
So stand up, stand up (just gotta keep it)
I wanna wake up, wake up (just tell me how I can)
Never give up
Kanashimi to setsunasa no enrei
Claire e Tora:
Just give me a reason
To keep my heart beating
Don’t worry it’s safe right here in my arms
Kudakete naite saite chitta kono omoi wa
So blinded I can’t see the end
Look how far we've made it
The pain I can’t escape it
Kono mamajya mada owaraseru koto wa dekinai deshou
Nando kutabarisou demo kuchi hateyou tomo owariwa naisa
So where do I begin?
Castiel estava boquiaberto, já tinha ouvido Tora cantando, mas desta vez fora diferente. A emoção que ela transmitia nas palavras e feições tocava o coração de qualquer um. Mesmo depois de a música acabar, ele ainda olhava delirante para o rosto iluminado da morena.
–- Castiel, fecha a boca – Disse Tora erguendo o queixo do ruivo – Vai inundar a sala.
–- A-ah me desculpe – Castiel sacudiu levemente a cabeça, sentindo um queimar suave sobre as bochechas.
–- Há! Quem é que ficou impressionado agora? – Tora cutucou Castiel com o cotovelo.
–- É... Você canta bem – Castiel bagunçou o cabelo de Tora – Você também loirinha.
–- Obrigada – Claire sorriu – Mas então... O que acharam?
–- É perfeita Claire – Disse Lysandre -- É uma música muito bonita, mas...
–- Mas? – Claire ergueu as sobrancelhas.
–- Eu conheço um pouco o dialeto japonês, mas acho que Castiel não – Lysandre explicou.
–- Ah... – Claire pensou um pouco – Tora pode ensina-lo, ela é uma ótima professora.
–- O que?! – Tora deu um gritinho.
–- Então terei aulas particulares com a senhorinha Saito? – Castiel já se aproximava.
–- Não! – Respondeu Tora.
–- Vai sim – Disse Claire rindo da cara da irmã.
–- Pelo bem do grupo – Enfatizou Lysandre.
–- Vocês dois me pagam – Tora serrilhou os olhos.
–- Te garanto que vou me esforçar – Continuou Catiel.
–- Acho que nunca veremos o Castiel tão empenhado em aprender algo – Claire comentou.
Claire e Lysandre caíram na gargalhada enquanto Castiel tentava tirar uma casquinha de Tora.
Às 22h00m Leigh chegou em casa, Castiel e as meninas se despediram e foram embora juntos. Claire andava há alguns passos à frente e entrou primeiro em casa, deixando Tora e Castiel sozinhos.
–- Boa noite baixinha – Disse Castiel na frente do portão.
–- Uhm... Boa noite... – Tora disse – Tomate.
–- E o meu beijo?
Tora foi até o rapaz e o encarou, deslizando as mãos sobre sua nuca, puxou-o levemente para que suas faces se aproximassem. Lambeu o lábio superior do ruivo, depois o inferior e por fim deu uma mordidinha em sua língua levemente exposta.
–- Boa noite – Tora disse desvencilhando os braços.
Castiel não a deixou ir, puxou ela para perto novamente, esticando a língua por completo e invadindo a boca da morena. Sem pensar duas vezes Tora abriu a boca e atordoou-se com a habilidade do ruivo. Queria mais. Seu corpo clamava por mais. Porém já era tarde e sua tia estava em casa.
Assim que pararam para respirar, Tora se afastou devagar.
–- Boa noite – Disse Castiel, permitindo que a garota fosse pra casa.
Castiel entrou em casa e se jogou no sofá, pegou o celular para ver as horas. Ainda eram 22h30m, não estava afim de ir dormir. Ligou o rádio e foi tomar um banho, tocava Radioactive de Imagine Dragons.
I'm waking up to ash and dust
I wipe my brow and I sweat my rust
I'm breathing in the chemicals
I'm breaking in, and shaping up
Then checking out on the prison bus
This is it, the apocalypse, whoa
I'm waking up, I feel it in my bones
Enough to make my systems blow
Welcome to the new age, to the new age
Welcome to the new age, to the new age
Whoa, whoa, I'm radioactive, radioactive
Whoa, whoa, I'm radioactive, radioactive
Depois de um longo e relaxante banho, enrolou-se em uma toalha branca e pegou novamente o celular. Haviam 3 chamadas perdidas, o identificador não mostrava nenhum nome, mas Castiel conhecia aquele número. Pensou por alguns instantes e decidiu não retornar, não tinha motivo.
Abriu o guarda roupa e jogou algumas peças de roupa sobre a cama. O Celular tocou, era o mesmo número. Castiel relutou em atender a chamada, mas ao quinto toque resolveu atender.
–- Alô – Disse sem muito animo.
–- Oi gatinho – Debrah disse alegremente – Está ocupado?
–- Ahm... não.
–- Bem... Eu achei que ainda não fosse muito tarde, então talvez ainda pudéssemos sair, o que você acha?
–- Uhm... Eu não sei...
–- Por favor...
–- Ok... Tudo bem. Onde você está hospedada?
–- No Hotel Sweet Dream.
–- Passo ai pra te pegar então.
–- Certo, até daqui a pouco, beijo.
A chamada foi encerrada.
Por fim Castiel suspirou e perguntou-se o que estava fazendo, mas achou que deveria dar uma chance, seria apenas uma conversa de amigos, nada de mais. Era no que ele acreditava.
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