Uma Doce História
12 Prateados como a lua
Notas iniciais

—- Aqui – Claire fez um sinal pra que Ryu sentasse perto dela – E ai como foi lá?
—- Tudo certo, só preciso falar com a Helena, ela se esqueceu de entregar algumas coisas – Disse Ryu vasculhando a sala com os olhos procurando pela prima.
—- Certo, e o que você achou do Nathaniel?
—- Ahhh! Ele é um fofo! Ficou todo vermelho quando eu o elogiei – Disse Ryu fazendo cara de fofinha – Mas ele também corou quando toquei no seu nome.
—- Uhm... Talvez ele tenha gostado um pouco de mim, mas não temos nada, e também agora estou interessada em outra pessoal, então não se preocupe.
—- Sério? Então tá ok, hehehe.
—- Olhe lá o que vai aprontar Ryu, ele é um garoto meio sério.
—- Não esquenta, não vou fazer nada, eu mudei sabia?
—- Aham, só acredito vendo.
—- Certo, e quem é aquele ruivinho conversando com a Tora?
—- Aquele é o Castiel, os dois andam meio esquisitos, ora estão se matando ora estão quase aos beijos, eu não entendo.
—- Uhm, ele parece ser bem o tipo da Tora, encrenqueiro.
—- Hahaha esse tipo mesmo.
—- E aquele lance do Viktor?
—- Águas passadas minha cara. Olha quem vem ai – Disse Claire indicando com a cabeça – Bom dia Nathaniel.
—- Bom dia Claire, oi Ryu – Disse Nathaniel se sentando na frente de Claire.
—- A Melody não vem hoje? – Perguntou Claire.
—- Não, ela pegou uma virose e esta de cama.
—- Quem é Melody? – Perguntou Ryu.
—- Melody é nossa colega e ela me ajuda no grêmio, uma garota legal – Respondeu Nathaniel.
—- Talvez ela seja sua futura rival, ela gosta de Nathaniel, mas ele parece não dar bola pra isso – Cochichou Claire no ouvido de Ryu.
—- Uhm... Entendo – Disse Ryu estreitando os olhos.
—- Bom dia turma, abram seus livros na página 34 e resolvam os exercícios, quero isto pronto em 20 minutos – Disse o professor entrando na sala.
—- Ahhh, mas... – Fez a turma.
—- Já estão perdendo tempo com esse ah, mas – Disse o professor ajeitando os óculos.
As primeiras aulas se passaram e se deu o intervalo, Claire foi jogar com Armin nas escadas e Tora foi ao pátio com Iris, elas sentaram em baixo de uma árvore de onde dava para ver Castiel conversando com Lysandre em um banco. De vez em quanto ele olhava pra Tora e dava um sorrisinho, ela levantava a sobrancelha e voltava a prestar atenção em Iris, que por ser distraída não percebeu a troca de olhares entre os dois.
—- Você esta em quais clubes Iris? – Perguntou Tora tentando puxar assunto.
—- No de jardinagem e de teatro – Respondeu Iris -- Eu vi sua irmã no teatro, acho que ela tem talento para atuar, mas ela gosta de palpitar bastante também.
—- A Claire é cheia de ideias, depois que começou a assistir animes então, ninguém aguenta aquela criatura falando.
—- E você está em quais?
—- Música e natação, eu toco violão e guitarra, já participei de algumas competições de natação, mas nada importante, agora faço mesmo só pra relaxar.
—- Legal. Você quer um rolinho primavera?
—- É de que?
—- Salmão com cream cheese.
—- Então eu quero.
Castiel estava lendo as letras que Lysandre havia composto, mas não prestava muita atenção, pois uma garota de lindos olhos azuis a roubava totalmente.
—- Vai lá Castiel – Disse Lysandre percebendo a desatenção do amigo.
—- O que? – Perguntou Castiel voltando a atenção à Lysandre.
—- Você, Tora, conversarem – Disse Lysandre pausadamente – Entendeu?
—- Não sei não, do jeito que aquela baixinha é doida, é capaz de me chutar quando chegar lá.
—- E pelo jeito que ela te olha isso talvez seja o pior que pode te acontecer.
—- Tá, você venceu, toma aqui seu bloco, depois eu olho direito.
—- Certo, estarei no clube de jardinagem se precisar.
Castiel foi andando devagar, ele viu Kim indo em direção as garotas quando ela pisca pra ele e então leva Iris embora, deixando Tora sozinha.
—- E ai baixinha? Fazendo fotossíntese?
—- O cara de pau aqui é você, tomate podre.
—- Ok, vamos tentar de novo.
—- Uhm... Você insistindo numa conversa?
—- O que foi? Não posso estar interessado em conversar?
—- Uhm... Acho que sim, quando está interessado na pessoa.
—- Mas você se acha né.
—- Não mais que você.
—- Eu não me acho, eu me auto afirmo.
—- Hahaha essa foi boa Hahaha.
—- Aff... Você e sua irmã moram com quem afinal?
—- Nossa tia. É a única parente que nos sobrou, bem... Temos outros, mas ela é a que sempre esteve mais presente, ela sabe como cuidar de nós. E você? Nunca vejo outras pessoas naquela casa.
—- Moro sozinho, meu pai é piloto de avião e minha mãe é comissária de bordo, então como estão sempre viajando e não podem vir até mim, eles me emanciparam.
—- Você sente falta deles?
—- Às vezes um pouco, não é legal sempre ficar sozinho.
—- Por isso vai até a sacada tocar?
—- Sim, eu sei que você sempre vai acabar indo tocar comigo -- Castiel levantou a cabeça com ar de superioridade.
—- Ah! Convencido – Tora dá um soco no braço dele.
—- Vai negar?
—- Hunf... Tanto faz.
—- Eu vou indo baixinha. Ah... Encontre-me nas escadas no fim da aula.
—- Vai me sequestrar é?
—- Não teria utilidade.
—- Certo, te encontro lá.
Lysandre andava calmamente pelo jardim, observando as flores que formavam desenhos nos canteiros e os pássaros que pousavam nos galhos das árvores, o ar parecia mais leve e fresco por ali, o som dos pássaros era a música daquele lugar, no centro uma pequenina fonte de mármore branco e de frente pra ela, num banco de madeira, havia uma garota.
Ela tinha cabelos brancos até o meio das costas, as pontas eram repicadas e pintadas de azul, os olhos eram prateados e os pequenos lábios intensamente rosados. Nos dedos finos e compridos haviam um caderno e um lápis, ela desenhava um pardal-francês que bebericava a água da fonte.
—- Belo desenho – Disse Lysandre se aproximando
—- Ah... Obrigada – Disse a garota olhando e retocando o desenho.
— Você deve ser perfeccionista.
—- Talvez um pouco...
—- O que acha que falta?
—- Não sei... Mas falta alguma coisa.
—- Para mim está perfeito. Posso me sentar aqui?
—- Pode... – Disse ela fechando o caderno.
—- Você pinta também?
—- Não. Prefiro os lápis.
—- Gosto de vir aqui, é um lugar tranquilo. E você?
—- Também.
—- Você não fala muito.
—- Ah me desculpe... Sou meio tímida, e também não te conheço.
—- Claro... Desculpe minha indelicadeza, sou Lysandre Vetti.
—- Prazer... Sou Helena.
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