Uma Doce História
46 Carga máxima

Lety queria muito aprofundar aquele beijo, pedir passagem e entrelaçar suas línguas, mas pensou que seria atrevimento demais, então apenas terminou o beijo, se afastando vagarosamente e abriu os olhos.
—- Ah... M-me desculpe Nath, acho que não devia ter feito isso – Disse Lety sem jeito.
—- Por que não? – Perguntou Nathaniel fitando-a.
—- Ah bem... Talvez você não quisesse... – Lety também não sabia o porquê.
—- Foi maravilhoso – Disse Nathaniel gentilmente – V-você não gostou?
—- Ah Nath! – Lety o abraçou – Eu esperava tanto por isso... Gosto tanto de você.
—- Eu também Lety – Nathaniel agia calmamente, o que era muito estranho.
—- Bem... Acho que agora eu realmente devo ir – Disse Lety se separando de Nathaniel.
—- Certo, até amanhã Lety – Nathaniel acenou.
—- Até – Lety fechou o portão e dobrou a esquina.
Claire ajudava o clube de teatro a fazer alguns ajustes na peça, queriam apresentar uma versão romântica de Frankenstein, apesar dos meninos terem votado por uma versão bem aterrorizante, mas como eram minoria acabaram perdendo. Mesmo assim houveram algumas adaptações para que todos ficassem satisfeitos, haveriam cenas de suspense, de luta e romance. Alexy e Rosalya discutiam sobre os figurinos enquanto Totó, o cãozinho da diretora, arrastava um pedaço de tecido, Armin estava sentado numa daquelas cadeiras parecidas com as dos diretores de cinema, observava Claire de longe, era incrível e assustador o jeito como falava, parecia que as ideias brotavam de sua mente instantaneamente, ela gesticulava e palpitava como uma verdadeira europeia.
—- Mas Claire, Frankenstein deve ser um mostro grande e feio – Dizia um garoto.
—- Sim e ele fica sozinho – Complementou outro garoto.
—- Por quê? Só porque Mary Shelley quis deixa-lo sozinho? – Perguntou Claire – Vamos fazer outra versão e não a original, então podemos mudar esses detalhes.
—- Mas não são detalhes – Disse Iris.
—- Tá eu sei, mas a diretora não permitiria isso – Argumentou Claire.
—- Uhm... Isso é verdade – Disse a professora de teatro, a Srta. Fiora -- Certo, mas agora precisamos decidir os papéis.
—- Eu serei Frankenstein! – Ditou um rapaz no fundo da sala.
—- Não querido, você é muito baixo – Disse Fiora.
—- Mas não temos alguém muito alto aqui – Disse Iris.
—- Uhm... Ei rapaz – Fiora chamou Armin.
—- Eu? – Perguntou Armin apontando para si mesmo.
—- Sim, venha aqui fazendo um favor – Pediu Fiora.
—- Claro – Armin se levantou e foi até o grupo – Como posso ajudar?
—- Uhm... – Fiora analisava Armin -- Será que você poderia interpretar o nosso grande Frankenstein?
—- Mas ele nem é do clube – Disse um garoto.
—- Estou falando com você?! – Lançou Fiora.
—- Não, mas... – O garoto tentou explicar.
—- Isso foi uma pergunta retórica, rapaz – Disse Fiora cortando-o – E então Armin?
—- Eu não sei... – Disse Armin.
—- Vamos, vamos – Pediu Claire dando pulinhos.
—- Certo, acho que vai ser divertido – Disse Armin aceitando o papel.
—- Uhul – Claire pulou no pescoço de Armin, abraçando-o.
—- Q-que bom que está feliz Claire – Gaguejou Armin, sem saber exatamente onde colocar suas mãos.
—- Então Armin e Claire faram o par romântico – Ditou Fiora.
Ouviram-se murmúrios de desaprovação, tanto pela parte das garotas quanto dos garotos.
—- Silêncio! – Ordenou Fiora – Não quero saber de picuinhas. Próximo papel...
Os papéis restantes foram distribuídos, Alexy e Rosalya pegaram as medidas de todos para o figurino, Violette e Iris cuidavam do cenário e Claire ensaiava suas falas com Armin.
Helena foi acompanhada por Jade até em casa, conversaram um pouco pelo caminho, mas Helena parecia distraída, havia acontecido muita coisa naquele dia.
—- Então, agora está segura – Disse Jade deixando Helena na porta de casa.
—- Obrigada Jade – Disse Helena -- Gostaria de entrar e beber algo?
—- Oh não obrigado, seria ousadia demais – Agradeceu Jade.
—- Imagina.
—- Bem... Acho que já vou indo, pense bem Helena – Disse Jade indo embora.
—- Pensar no que? – Helena já havia esquecido.
—- No pedido que lhe fiz – Disse Jade sorrindo.
—- Ah... C-claro – Disse Helena corando – Pensarei com carinho.
—- Esperarei com paciência – Jade voltou e beijo a mão de Helena, então foi embora.
Kentin estava no ginásio jogando basquete com alguns garotos, na arquibancada várias garotas assoviavam e gritavam seu nome, ele não dava muita bola, estava mais interessado no jogo, até ouvir uma voz conhecida.
—- Kentin gostoso! – Gritou Alexy da arquibancada, sentado entre Kim e Ryu.
—- Mas o que... – Kentin olhou para a arquibancada e não acreditou, Alexy foi quem gritara.
—- Hahaha Kentin chega a chamar a atenção dos gays – Comentou Dajan.
—- Deixe de besteira – Disse Kentin – É só o doido do Alexy.
—- Uhm... Será que há algo ai? – Perguntou outro rapaz.
—- Você vai perder essa bola se ficar falando asneiras – Kentin ficara furioso, no que Alexy estava pensando para gritar aquilo?! – Andem logo.
Na arquibancada Alexy continuava vibrando.
—- Mas o que foi isso? – Perguntou Kim.
—- Uhm? Vai dizer que você não o acha gostoso também? – Perguntou Alexy.
—- Não... – Respondeu Kim com sinceridade.
—- Hahaha Alexy está ficando ousado – Disse Ryu – Você está afim do Kentin é?
—- Uhm... Talvez, acho ele muito bonito e super gostoso – Respondeu Alexy.
—- Bem... Concordo de que não é de se jogar fora – Disse Ryu calculando.
—- De se jogar fora?! Pare com isso garota, olhe os músculos do bofe – Disse Alexy apontando para Kentin – Você já viu melhores que aqueles? Ah bem... Para quem esta afim do Nathaniel não é de se esperar muita coisa...
—- Ei! Ele tem o seu charme tá! – Disse Ryu revoltada.
—- Hahaha eu sei fofa, só estou brincando, quem resistiria àqueles olhos dourados e o sorriso sem jeito – Disse Alexy olhando para cima.
—- Brilho... Brilho... – Disse Kim juntando e separando a ponta dos dedos.
—- Olhe só o jogo acabou – Disse Ryu se levantando – Vamos lá cumprimentar os rapazes?
—- Claro! – Disse Alexy pulando de seu lugar.
—- Uhm... – Kim torceu o nariz.
—- Vamos lá Kim – Disse Ryu puxando a garota – Tenho impressão de que isso vai ser divertido.
—- Oi Kentin! – Disse Alexy se aproximando do rapaz – Jogou muito bem.
—- Ah obrigado, mas... – Kentin se afastou dos outros rapazes junto com Alexy – O que foi aquilo?
—- Aquilo o que? – Perguntou Alexy se fazendo.
—- Ora você sabe bem do que estou falando, quer me fazer passar vergonha?! – Kentin estava bravo.
—- Se ser elogiado para você é passar vergonha, então sim – Respondeu Alexy simplesmente.
—- Não é isso, mas é que ambos somos homens – Kentin meio que cochichava – O que acha que vão pensar?
—- Que você é gay? – Alexy estava implacável.
—- Exatamente! – Disse Kentin serrando os lábios.
—- E você não é?! – Alexy ergueu uma sobrancelha.
—- Claro que não! – Negou Kentin firmemente.
—- Uhum sei... – Alexy bocejou.
—- Alexy... Pelo o amor de deus, você sabe que não podem saber disso – Disse Kentin constrangido.
—- Não se preocupe Ken, você mesmo contará isso.
—- Eu sinceramente não estou entendendo mais nada, você não estava bravo comigo?
—- Sim, mas andei pensando e simplesmente vou recomeçar, vou fazer você assumir que é gay, ou melhor, assumir que me ama.
—- Que?!
—- Se prepare querido, estou com carga máxima.
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