Uma Doce História
31 Você é importante pra mim
Notas iniciais

Castiel subiu as escadas e foi até o último quarto a direita, onde havia deixado Tora descansando, depois de atingi-la com a bola fazendo-a desmaiar. Ela ainda dormia, mas estava encolhida e arrepiada, Castiel pegou uma coberta fina e a cobriu gentilmente, sentou-se na beira da cama e começou a acariciar seus cabelos.
–- Dormindo parece um anjo... – Falou Castiel pra si mesmo.
–- E você um boboca – Disse Tora acordando – Ai minha cabeça...
–- Calma Tora, não se esforce – Disse Castiel – Você tem poucos neurônios.
–- Ah que sem graça – Tora fez uma careta – E o que foi aquele corte? Tinha a intenção de me matar?
–- Não – Respondeu Castiel -- Assim ficaria sem alguém pra importunar.
–- Isso quer dizer que sou importante – Jogou Tora.
–- Não é pra tanto – Esnobou Castiel.
–- Sei – Tora estreitou os olhos.
–- Bem... Me desculpe por aquilo, eu exagerei – Desculpou-se Castiel meio constrangido.
–- Uhm – Tora pensou em tirar uma com a cara de Castiel por estar envergonhado, mas acabou não fazendo -- Tudo bem, eu não devia ter provocado também.
–- E você está bem? A cabeça dói muito?
–- Um pouco, mas logo estarei melhor, você que me trouxe aqui?
–- Sim... – Respondeu Castiel ainda envergonhado – E vim lhe cobrir agora, parecia estar com frio.
–- Ah sim! O-obrigada... – Disse Tora ruborescendo.
–- Esta com fome?
–- Morrendo.
–- Uhm... Então teremos que abrir o estoque.
–- Ah palhaço! Eu não como tanto assim!
–- Hahaha certo, vamos até a cozinha, acho que sobrou algo do almoço.
–- Certo – Tora se levantou e foi em direção à escada.
–- Espere, deixe-me ir na frente – Castiel se pôs na frente de Tora – Você deve estar tonta, pode acabar caindo.
–- Estou um pouco sim, mas não é pra tanto, a escada tem corrimão – Tora apontou para o lado.
–- Mas é melhor prevenir – Insistiu Castiel.
–- Você está com febre é? Por que toda essa preocupação Castiel? – Perguntou Tora estranhando a atitude do rapaz.
–- Só não quero que você estrague o piso com essa cabeça dura, Helena ficaria brava – Respondeu Castiel implicando.
–- Duro é o meu punho, quer sentir?! – Tora foi na direção de Castiel e acabou pisando errado no degrau da escada, mas Castiel foi rápido e segurou-a pelas costas antes que caísse, apoiando-se com a outra mão no corrimão.
–- Idiota! Podia ter se machucado! – Brigou Castiel.
–- M-me desculpe – Gaguejou Tora assustada – Achei que ia bater com a cabeça no degrau.
–- Se eu não estive aqui teria mesmo!
–- Ok... Obrigada... Você poderia me soltar agora? – Pediu Tora com o rosto aquecido.
–- Só se você me prometer que não vai mais se machucar – Disse Castiel ainda segurando Tora.
–- Não tem como eu prometer uma coisa dessas, seu tomate podre idiota.
–- Por favor... – Castiel olhava para Tora com preocupação – Não quero que aconteça algo de ruim com você.
–- C-castiel... O que você está falando, isso... – Tora sentiu as bochechas queimarem.
–- Eu me preocupo com você – Disse Castiel aproximando seu rosto do de Tora – Você é importante pra mim.
–- Ah claro – Tora se soltou de Castiel – Não foi isso que você disse alguns minutos atrás.
–- Espera Tora...
–- Não Castiel – Tora desceu as escadas correndo e escorregou novamente, caindo de cara no chão.
–- Aff... Eu te disse pra tomar cuidado – Castiel passou pela morena sem ajudá-la.
–- Tá sabichão – Tora se levantou e limpou os joelhos – Agora eu quero comer.
–- Olha só – Castiel tirou alguns potes da geladeira – Tem coração de galinha assado, maionese e de sobremesa... Pudim de coco.
–- Não gosto de pudim de coco – Disse Tora pegando um prato e talheres – Passa o coração e a maionese pra cá.
–- Certo – Castiel entregou a comida a Tora e sentou-se de frente pra ela.
–- Você e Lysandre já se apresentaram em público? – Perguntou Tora servindo-se.
–- Não... Bem, não juntos pelo menos.
–- Como assim?
–- Acho que Lysandre já cantou e eu era guitarrista de uma banda.
–- Oh sério? E não deu certo?
–- Sim... Mas a vocalista quis seguir carreira solo, então acabamos nos separando.
–- Entendo, mas você não pensa em montar uma banda de novo?
–- Não sei... Por acaso você quer participar?
–- Uhm... Talvez... Acho que Claire também toparia, mas pensando bem... Não quero ter que passar mais tempo com você.
–- Claro, pois já esta difícil de resistir né? – Disse Castiel sorrindo.
–- Ah convencido – Tora colocou a louça na pia e guardou a comida na geladeira – Vamos fazer o que agora?
–- Nada de vôlei, certo?
–- Aff... Vamos dar um mergulho então.
–- Bora lá.
–- “Bora lá”? – Perguntou Tora curvando as sobrancelhas.
–- O que foi?
–- Hahaha deixa quieto.
Castiel saiu correndo e mergulhou com tudo na água, emergindo pouco tempo depois, com os cabelos molhados e o corpo brilhando com a água. Tora não havia entrado ainda, pois a água estava meio fria, então ela ficou até onde as ondas molhavam seus pés, observando Castiel que parecia um golfinho feliz na água.
–- Não vai entrar? – Perguntou Castiel.
–- Não – Respondeu Tora – A água está fria.
–- Ah deixa de frescura – Castiel saiu da água e foi até Tora que saiu correndo, pois ele queria joga-la no mar.
–- Para Castiel! – Tora gritava enquanto tentava fugir – Nem pense nisso!
–- Já era – Castiel pegou Tora no colo, que se chacoalhava como um peixe, e jogou-a na água.
–- Ahhhh! Sua praga! – Tora levantou e foi até Castiel, mas uma onda veio e a derrubou novamente.
–- Hahaha tomou um caldo hahaha.
–- E você vai levar uma bolacha! Ai... O que é isso?
–- Sangue... Seu nariz começou a sangrar de novo.
–- Isso é obra sua né?
–- Bem... Acho que sim.
–- Certo, eu vou sentar um pouco lá na toalha.
–- Vou pegar um sorvete italiano, você quer?
–- Uhm quanta gentileza.
–- Vai querer ou não baixinha.
–- Acabou a gentileza... Quero um misto.
–- Tá, já volto.
Tora sentou-se na toalha e ergueu a cabeça até o sangramento parar, ela pensava sobre o que estava acontecendo, sobre a gentileza de Castiel, sobre a preocupação dele, “Você é importante pra mim”, será que ele realmente se importava ou estava apenas se divertindo. Ela parou de pensar naquilo e pegou o protetor solar antes que ficasse queimada.
–- Olá, está sozinha? – Perguntou um rapaz que se aproximara sem Tora perceber.
–- Que susto! – Disse Tora com a mão no peito – De onde você surgiu?
–- Hahaha me desculpe, eu estava surfando. Mas então, está sozinha?
–- Estou esperando um amigo.
–- E como você se chama?
–- Tora...
–- Prazer Tora, eu sou Dakota, mas pode me chamar de Dake – Disse o rapaz colocando a prancha na areia.
–- Ah certo... – Disse Tora sem entusiasmo.
–- Quer dar uma volta?
–- Não obrigada.
–- Ah vamos lá garota – Disse Dake puxando Tora pelo pulso.
–- Ei me solta!
–- Tá... Você quer ajuda com o protetor? Eu passo pra você.
–- Pare! Não me toque!
–- Ei cara! – Castiel chegou com os sorvetes — Fique longe dela!
Fale com o autor