Uma Doce História

94 Um brinde a aventura


Notas iniciais
Esse capítulo é tipo aqueles filler de anime que você é obrigado a ver porque no final sempre tem algo relacionado a história principal... Não, mentira gente rsrs. Vou contar um pouquinho sobre a relação de Alexy e Pedro ~~ coitadinho levou a culpa sem ter feito nada rsrs.

–- Algum tempo atrás –

A noticia de que Kentin iria para um colégio militar foi perturbadora para Alexy, ele não conseguia imaginar ficar longe do seu pequeno nerd, mas infelizmente não havia nada que ele pudesse fazer. Depois de algumas semanas Alexy já estava insuportável, nem mesmo seu irmão o aguentava, Armin disse que fosse dar uma volta e esfriar a cabeça.

O azulado desculpou-se por sua infantilidade e aceitou o conselho do irmão, foi até a cafeteria do bairro e acomodou-se em uma mesa, pediu apenas um cappuccino a garçonete enquanto observava o ambiente. Muitos homens engravatados frequentavam aquele lugar, talvez por ser bem tranquilo e com um excelente atendimento; Alexy percorreu o balcão com os olhos que logo deram-se de encontro com um jovem homem, este olhou-lhe de volta e Alexy ruboresceu, desviando o olhar para as próprias mãos.

O homem terminou seu café e levantou-se, Alexy achou que estava indo em direção a saída, mas foi surpreendido quando ele se aproximou da mesa.

–- Está sozinho? – Perguntou o homem.

–- Sim – Respondeu Alexy.

–- Posso me sentar? – O homem puxou levemente a cadeira.

–- Claro, fique a vontade – Disse Alexy meio aturdido.

–- Prazer, me chamo Pedro – Apresentou-se o homem.

Ele aparentava estar na faixa dos 25 anos, estatura mediana, cabelos curtos cacheados e castanhos, olhos da mesma cor, de semblante simpático e bem vestido.

–- Sou Alexy – O Navon viu uma oportunidade.

Pedro parecia ser uma pessoa de boa índole, então Alexy pensou em se aventurar, nada de ruim poderia acontecer. O azulado mentiu sobre sua idade, disse ter 20 anos, para que Pedro não desconfiasse e que também se deixasse ser seduzido.

Cafés vinham e as horas iam. Foi quando a garçonete veio lhes avisar que o estabelecimento estava prestes a se fechar que os dois se deram conta do tempo que haviam passado ali. Agradeceram pelo atendimento e se retiraram do local.

–- Foi excelente nossa conversa Pedro – Disse Alexy – Foi um prazer te conhecer.

–- O prazer foi todo meu – Pedro sorriu levemente – Já está bem tarde.

–- Pois é – Alexy olhou para o céu, já era noite – Acho que vou indo.

–- Posso lhe acompanhar? – Perguntou Pedro, em um gesto de cavalheirismo.

–- Não imagina, não se incomode – Alexy se fez.

–- Faço questão – Pedro tocou gentilmente o ombro do azulado.

–- Então tudo bem – Alexy deu um sorriso inocente – Obrigado.

Começaram a conversar novamente, caminhando até a casa dos Navon, mas assim que chegaram, Alexy parou em frente ao portão e ficou mudo momentaneamente.

–- O que foi? Algum problema? – Pedro questionou.

–- Nada não – Alexy respondeu rapidamente – Bom, acho que agora não há mais desculpas.

–- Pois é, nesse caso seria ótimo se você morasse mais longe – Brincou Pedro – Boa noite Alexy.

–- Boa noite Pedro, muito obrigado pela companhia.

–- Igualmente.

–- Como posso lhe retribuir?

–- Uhm... Talvez aceitando sair comigo novamente?

–- Feito, mas...

–- Uhm?

–- Posso te dar um adiantamento? – Alexy andou até o homem.

–- Como assim? Não enten... – Pedro não pode terminar sua frase, Alexy o havia calado com os lábios, um toque suave que aos poucos foi se tornando mais profundo.

Pedro segurou Alexy pela cintura e este agarrou-lhe os cabelos curtos, tocaram as línguas de uma forma tímida e o beijo prolongou-se por alguns segundos. Alexy despediu-se e esperou que Pedro fosse embora, entrou em casa sorridente, o que chamou a atenção de Armin.

–- Qual o motivo do sorriso bobo? – Armin perguntou, ainda colado no vídeo game.

–- Digamos que foi uma tarde produtiva – Alexy respondeu, dirigindo-se ao quarto.

–- Não se mete em problemas em – O moreno advertiu.

–- Claro que não – Alexy deu uma risadinha – Está tudo sobre controle.

O próximo encontro foi marcado, e depois dele vieram vários outros. Porém, por mais que o tempo passasse e que Pedro fosse uma pessoa fascinante, Alexy ainda não se sentia satisfeito, ainda lhe faltava algo. Foi então que em uma noite, quando os dois finalmente uniriam seus corpos, que Alexy resolveu por um ponto final naquela aventura e retomar o eixo.

–- O que foi Alexy? – Perguntou Pedro acariciando a bochecha do menor.

–- Eu não posso fazer isso... – Respondeu Alexy, de joelhos sobre a cama.

–- Ah, bem... Eu não me importo de esperar mais um pouco – Disse Pedro gentilmente.

–- Não é por isso, é que... – Alexy queria dizer a verdade, mas sabia que aquilo arruinaria toda a amizade e o carinho que havia conquistado, Pedro não merecia aquilo – Eu vou me mudar.

–- Pra onde? – Perguntou Pedro com o semblante preocupado.

–- Vou para a Inglaterra – Mentiu Alexy – Meu pai está querendo se aposenta e quer que eu cuide dos negócios da família.

–- Entendo... – Pedro murmurou.

–- Eu sinto muito – Por mais que não o amasse, Alexy ainda se sentia mal por ver Pedro triste.

–- Não sinta. Infelizmente essas coisas acontecem, e bem... – Pedro levantou e abotoou a camisa – Talvez não fosse pra acontecer.

–- Como assim?

–- Afinal, somos dois homens, acho que nossa relação não seria muito bem aceita.

–- Você sabe que isso não é motivo e que nem ao menos faz sentido.

–- Eu sei... – Pedro suspirou – Só estou tentado me conformar.

–- Apenas siga em frente, foi uma ótima experiência – Alexy tentou conforta-lo.

–- Você tem razão, foram bons momentos – Pedro deu um beijo na testa de Alexy – Até algum dia. Quem sabe nos reencontramos?

–- Quem sabe... – Alexy desejava que aquilo não acontecesse.

Mas infelizmente seu desejo não se realizou.

–- Tempos atuais –

Dê todas as pessoas existentes no mundo, Alexy teve que justamente se encontrar com a menos indicada, ele tinha que resolver aquela situação rápido antes que tudo piorasse. Ele sabia que provavelmente Kentin estava a sua procura e encontra-lo ali com seu ex não seria nada interessante.

Quando sentiu seu queixo ser tocado pela mão morna de Pedro, já era tarde demais. Ele abriu a boca para falar algo, mas não foi o som de sua voz que se ouviu.

–- Alexy?! – Kentin trincava os dentes.

O azulado deu um tapa rápido na mão de Pedro e olhou para o namorado – Kentin, não é nada do que você está pensando.

–- Claro que não, pois eu não estou pensando! ESTOU VENDO! – Bradou Kentin.

–- Eu posso explicar – Alexy fazia gestos com as mãos, pedindo por calma.

–- Você o conhece Alexy? – Perguntou Pedro.

–- Sim... É meu namorado – Respondeu Alexy.

–- Seu “ex” namorado – Disse Kentin, logo dando as costas, andando até a saída da boate.

–- Kentin! Espera! – Alexy pediu – Droga!

–- Desculpe-me Alexy, eu não devia ter... – Pedro ficou constrangido.

–- Tudo bem Pedro, você não sabia de nada – Disse Alexy – A culpa é minha.

–- Se precisar de algo, já sabe – Ofereceu Pedro.

–- Obrigado – Alexy agradeceu – Eu tenho que ir. Até mais.

–- Ok. Boa sorte – Pedro ficou sozinho mais uma vez, com seu Whisky.

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Assim que as irmãs gêmeas chegaram à boate, Claire já começou a observar cada canto do lugar.

–- Se continuar procurando, vai achar – Disse Tora achando engraçado o jeito da irmã.

–- Não estou procurando algo – Mentiu Claire.

–- Não, está tentando evitar algo – Disse Tora – Ou melhor, está tentando evitar alguém.

–- Você é chata, sabia?

–- E você é tão adorável... – Tora fez cara de tédio.

–- Vou procurar a Helena.

–- Ah é?

–- É! Por quê? Quer vir junto?! – Claire daria um soco na irmã se ela não parasse.

–- Não. Pode ficar a vontade, vá com Deus.

Claire bufou e decidiu andar pelo salão, o lugar estava cheio e quente, então decidiu ir ao banheiro jogar um pouco de água no rosto, lá provavelmente não encontraria Armin. Assim que foi entrar no toalete alguém veio correndo em sua direção e a derrubou.

–- Ai ai ai – Claire passava a mão na bunda dolorida.

–- Me desculpe. Você está bem? – Perguntou quem lhe havia derrubado.

–- Não foi nada grave – Claire olhou para a pessoa – Helena?

–- Claire? Nossa senhora! – Helena estendeu a mão para ajudar Claire a se levantar.

–- Obrigada – Claire se levantou – Está fugindo de quem?

–- Não estou fugindo – Disse Helena.

–- Correndo desse jeito? Está traficando drogas então? – Claire brincou.

–- Hahaha claro que não – Helena riu.

–- Andou bebendo bastante – Disse Claire torcendo o nariz.

–- Nada que eu não suporte.

–- Aham, sei. Mas e a Ryu? Achei que estaria com ela.

–- Helena? – Ouviu-se a Kaneko chamar – Helena!

–- Falando no diabo – Helena pegou Claire pela mão – Vamos sair daqui.

Andaram alguns metros até perderem Ryu de vista.

–- Então? – Claire olhou confusa para a platinada.

–- Pois é, estou fugindo da própria prima, eu estava com ela e com as divas.

–- Kentin veio? Hahaha.

–- Pois é. Mas, eu achei que você estaria com Armin – Helena lançou um olhar de provação.

–- Bem, talvez eu também esteja fugindo... – Disse Claire lamuriante.

–- Que tal esquecer-se dos problemas e se divertir? – Sugeriu Helena.

–- E o que você sugere? – Perguntou Claire.

–- Primeiro você precisa beber algo alcóolico – Helena induziu.

–- Acho que estar bêbada não é o princípio de ser feliz – Concluiu Claire.

–- Mas para o que vamos fazer é necessário sim, você não poderá ter vergonha – Explicou Helena, logo pegando duas taças da bandeja de um garçom – Um brinde?

–- Ao que exatamente? – Perguntou Claire cheirando a bebida.

–- Aos tapados que nos perderam? – Disse Helena erguendo a taça.

–- Mas se eles são tapados, eles não merecem um brinde – Claire ergueu a sobrancelha esquerda.

–- Faz sentido – Ponderou Helena – Então brindemos a esta noite, que será inesquecível.

–- É, melhorou – Claire ergueu a taça.

Após o tilinta, ambas viraram a taça, ingerindo o drink em apenas um gole.

–- E agora? – Claire perguntou.

–- Agora nós dançamos.

Helena arrastou Claire até uma das alas da boate, parando no pé de um palco onde haviam três homens dançando.

–- Não, não! Eu não vou fazer isso – Negou Claire.

–- Ah pare, olhe só isso. Uhul – Helena celebrou quando os belos dançarinos tiraram as camisas.

Um deles se aproximou das garotas e estendeu a mão para Helena.

–- Você tem certeza de que não quer? – Perguntou a platinada mordendo o lábio inferior.

–- Não, isso é uma péssima ideia – Disse Claire, mantendo-se em uma distância segura.

–- Então tá – Helena se deixou ser levada pelo dançarino sarado – Amo péssimas ideias.

Oh baby dont you know I suffer?

Oh baby can you hear me moan?

You caught me under false pretenses

How long before you let me go?

You set my soul alight

You set my soul alight

Claire apenas observava a amiga totalmente entregue a batida da música, inebriando-se com a dança. A loira decidiu pegar seu celular pra gravar aquilo, queria ter como provar as travessuras da platinada, certamente ficaria marcado na história.

Assim que ativou a gravação, reparou em uma figura no canto da tela, era Armin.

Claire parou a gravação e pensou em ir falar com ele, mas assim que deu o primeiro passo viu outra pessoa, a dona dos longos cabelos azuis. A semelhança que ela tinha com Alexy era perturbadora, mas não mais do que a raiva que lhe causava ao se lembrar da cena na casa de Armin.

Logo a ideia de uma possível tentativa de reconciliação foi esquecida. Claire avançou na primeira bebida que viu e entornou o copo. O garçom olhou assustado pra ela, mas logo recobrou a atenção para pegar o copo, antes que a loira o deixa-se cair.

(You set my soul alight)

Glaciers melting in the dead of night

And the superstars sucked into the supermassive

(You set my soul)

Glaciers melting in the dead of night

And the superstars sucked into the 'supermassive'

[...]

–- Quer saber – Claire subiu no palco e desabotoou os primeiros botões da camisa – Acho que é uma ótima ideia.

Notas finais
Música: Supermassive Black Hole -- Muse Vou tentar deixar os próximos capítulos um pouquinho maiores, assim como esse, mas não pretendo passar das 2.000 palavras. Espero que tenham gostado :3 Beijocas :*