—- Helena?

—- Helena Gregory.

—- Gregory, dos pintores Gregory’s?

—- Sim, mas diferente dos meus pais, eu prefiro folhas a telas.

—- Daí vem o dom, talentosos artistas.

—- Mas... E você?

—- Apenas canto e componho.

—- Posso ver suas músicas?

—- Sim, mas acontece que... Acho que deixei meu bloco no banco do pátio. Eu vou lá buscar, nos encontramos na sala.

—- Certo.

Helena pegou seu caderno e foi pra sala, quando chegou foi em direção ao fundo, mas foi puxada pelo braço antes de chegar a sua carteira.

—- Ei Helena, sente-se aqui – Disse Tora apontando a cadeira do lado.

—- Oi Tora, não tinha te visto, como você está? – Disse Helena abraçando a amiga.

—- Bem, e você? Nossa, que bonito ficou seu cabelo.

—- Estou bem. Ah sim, obrigada, me disseram pra mudar um pouco, foi meio difícil, mas eu gostei do resultado. E cadê a Claire? Ryu disse que estaria com ela.

—- Elas estão lá na frente, e parece que sua prima já mostrou as garras pra aquele loirinho lá.

—- O Nathaniel? Coitado.

—- Você o conhece?

—- Sim, sou vizinha dele, geralmente viemos juntos para o colégio, então acabamos virando amigos.

—- Amigos?

—- Mas é claro Tora! – Disse Helena corando – O que mais poderia ser.

—- “O que mais poderia ser”, ai Helena, você e sua ingenuidade.

—- Ai Tora, você e sua falta de sanidade, hahaha.

—- Bobona hahaha.

—- Tá, eu vou sentar lá atrás.

—- Antissocial.

—- Barraqueira.

A aula se passou e as garotas se separaram, Tora foi pra escadaria, Helena para o jardim, Ryu para a biblioteca e Claire para o teatro. Tora estava sentada no pé da escada faziam 15 minutos e já não aguentava esperar mais, quando se levantou pra ir embora Castiel a chamou.

—- Onde pensa que vai?

—- Embora, o que você estava fazendo? Não gosto de ficar esperando.

—- Blábláblá, tá já estou aqui agora, vamos?

—- Pra onde?

—- Surpresa.

Tora e Castiel subiram até o último andar, onde havia um pátio de concreto cercado por telas de arame. Dali dava pra ver a entrada do colégio e a avenida. Mais acima havia um tipo de sótão com uma escada na parede e uma janelinha redonda. Eles subiram e chegaram ao telhado, no centro havia uma pequena plataforma circular circundada por pequenas barras de ferro.

—- Certo – Disse Castiel chegando ao telhado – Vamos?

—- O que? Você está louco?! Eu não subo lá.

—- Como assim não? Vai dizer que tem medo de altura?

—- E se eu tiver? Qual o problema?

—- O problema é que vai estragar a surpresa.

—- Certo, vamos lá.

Tora subiu na frente e Castiel foi atrás caso ela escorregasse, ela entrou na plataforma e agarrou as barras, era muito alto, já estava ficando tonta, ela fechou os olhos e se agachou. Castiel pulou pra dentro da plataforma e se agachou ao lado dela.

—- Tudo bem com você?

—- Não, eu não gosto dessa altura.

—- Ah, vamos, eu te seguro, prometo que não vai se arrepender.

Tora se ergueu, mas manteve as mãos na barra, ela abriu os olhos e deparou-se com a paisagem. Dava pra ver tudo lá de cima, os estudantes no pátio, o centro da cidade, até a praia. Castiel a segurava pela cintura, mas ela não se incomodou com isso, estava se sentindo segura.

—- É lindo Castiel.

—- Falei que não se arrependeria.

—- Como descobriu esse lugar?

—- Eu estava meio zangado e procurava um lugar pra descansar, pensei em subir no telhado quando vi essa plataforma. Então eu sempre veio pra cá quando quero ficar sozinho.

—- Entendo. Realmente acho que ninguém vira te perturbar aqui. Mas agora vamos descer, a vista é linda, mas não me faz esquecer que estou muito acima do chão.

—- Hahaha, certo, eu te ajudo.

Tora foi na frente seguida por Castiel, as telhas tinham um pouco de limo, o que as deixavam escorregadias, quando estava quase chegando à beira do telhado, Tora escorregou e foi deslizando até a borda, Castiel correu e consegui segura-la a tempo, mas ela ficou pendurada.

—- Castiel! Não me solta!

—- Calma! Não se meche senão fica difícil te segurar!

—- Tá! Não precisa gritar!

—- Se acalma isso, agora eu vou te balançar e você tenta alcançar a escada, certo?

—- Ok.

Castiel balançou Tora de um lado para o outro até que pegasse impulso o suficiente – Agora!

—- Ah! – Tora tentou alcançar a escada, mas não conseguiu – Não dá, está muito longe.

—- Certo, então tente apoiar os pés na parede e subir, quando estiver bem perto você pula pra cima que eu vou te puxar.

—- Tá – Tora fez o que Castiel lhe instruiu, quando ela pulou, ele a puxou com força fazendo cair sobre ele no telhado.

—- Você está bem? Ai! – Perguntou Castiel franzindo a cara.

—- Sim, obrigado, mas e você? Deve ter machucado as costas.

—- Se você sair de cima de mim talvez eu possa ver isso.

—- Ah, me desculpe – Tora rolou para o lado, envergonhada, não havia notado que estava sobre Castiel – Deixe-me ver suas costas.

—- Tá – Castiel tirou a camisa e ficou de costas para Tora.

—- Nossa Castiel, você precisa ir à enfermaria.

—- Não deve ser pra tanto.

—- Claro que sim, vamos logo.

Eles desceram e foram até a enfermaria, que ficava no segundo andar. Não era uma sala muito grande, havia três macas no lado esquerdo, no lado direito uma bancada comprida e armários aéreos cheios de vidros e frascos. A enfermeira limpou as Costas de Castiel, passou uma pomada e fez alguns curativos. Mandou que ficasse ali um pouco e pediu para que Tora cuidasse dele, ela saiu e deixou os dois sozinhos.

—- Viu? Não foi tão grave assim – Disse Castiel deitando de lado na maca.

—- Mas poderia ter sido. Mesmo assim você vai ficar cheio de hematomas.

—- Mas valeu a pena – Castiel disse com um sorriso malicioso.

—- Cala a boca seu tomate podre – Tora corou e virou o rosto.

—- Obrigada Tora.

—- De nada boboca.

Nathaniel vasculhava os livros nas prateleiras da biblioteca, não procurava por algo especifico, pegaria aquele que lhe chamasse a atenção. O lugar estava silencioso, havia apenas três estudantes em uma mesa ao fundo, Nathaniel estava viajando entre os livros e não percebeu que mais alguém entrara na biblioteca, quando ele puxou um dos livros da prateleira, um rosto apareceu do nada.

—- Ahhh! -- Nathaniel se assustou e deu um passo pra trás, acabou esbarrando em uma mesa e caiu de costas no chão, levando consigo as pilhas de livros que haviam sobre ela.