Uma Doce História
13 Queda livre

—- Helena?
—- Helena Gregory.
—- Gregory, dos pintores Gregory’s?
—- Sim, mas diferente dos meus pais, eu prefiro folhas a telas.
—- Daí vem o dom, talentosos artistas.
—- Mas... E você?
—- Apenas canto e componho.
—- Posso ver suas músicas?
—- Sim, mas acontece que... Acho que deixei meu bloco no banco do pátio. Eu vou lá buscar, nos encontramos na sala.
—- Certo.
Helena pegou seu caderno e foi pra sala, quando chegou foi em direção ao fundo, mas foi puxada pelo braço antes de chegar a sua carteira.
—- Ei Helena, sente-se aqui – Disse Tora apontando a cadeira do lado.
—- Oi Tora, não tinha te visto, como você está? – Disse Helena abraçando a amiga.
—- Bem, e você? Nossa, que bonito ficou seu cabelo.
—- Estou bem. Ah sim, obrigada, me disseram pra mudar um pouco, foi meio difícil, mas eu gostei do resultado. E cadê a Claire? Ryu disse que estaria com ela.
—- Elas estão lá na frente, e parece que sua prima já mostrou as garras pra aquele loirinho lá.
—- O Nathaniel? Coitado.
—- Você o conhece?
—- Sim, sou vizinha dele, geralmente viemos juntos para o colégio, então acabamos virando amigos.
—- Amigos?
—- Mas é claro Tora! – Disse Helena corando – O que mais poderia ser.
—- “O que mais poderia ser”, ai Helena, você e sua ingenuidade.
—- Ai Tora, você e sua falta de sanidade, hahaha.
—- Bobona hahaha.
—- Tá, eu vou sentar lá atrás.
—- Antissocial.
—- Barraqueira.
A aula se passou e as garotas se separaram, Tora foi pra escadaria, Helena para o jardim, Ryu para a biblioteca e Claire para o teatro. Tora estava sentada no pé da escada faziam 15 minutos e já não aguentava esperar mais, quando se levantou pra ir embora Castiel a chamou.
—- Onde pensa que vai?
—- Embora, o que você estava fazendo? Não gosto de ficar esperando.
—- Blábláblá, tá já estou aqui agora, vamos?
—- Pra onde?
—- Surpresa.
Tora e Castiel subiram até o último andar, onde havia um pátio de concreto cercado por telas de arame. Dali dava pra ver a entrada do colégio e a avenida. Mais acima havia um tipo de sótão com uma escada na parede e uma janelinha redonda. Eles subiram e chegaram ao telhado, no centro havia uma pequena plataforma circular circundada por pequenas barras de ferro.
—- Certo – Disse Castiel chegando ao telhado – Vamos?
—- O que? Você está louco?! Eu não subo lá.
—- Como assim não? Vai dizer que tem medo de altura?
—- E se eu tiver? Qual o problema?
—- O problema é que vai estragar a surpresa.
—- Certo, vamos lá.
Tora subiu na frente e Castiel foi atrás caso ela escorregasse, ela entrou na plataforma e agarrou as barras, era muito alto, já estava ficando tonta, ela fechou os olhos e se agachou. Castiel pulou pra dentro da plataforma e se agachou ao lado dela.
—- Tudo bem com você?
—- Não, eu não gosto dessa altura.
—- Ah, vamos, eu te seguro, prometo que não vai se arrepender.
Tora se ergueu, mas manteve as mãos na barra, ela abriu os olhos e deparou-se com a paisagem. Dava pra ver tudo lá de cima, os estudantes no pátio, o centro da cidade, até a praia. Castiel a segurava pela cintura, mas ela não se incomodou com isso, estava se sentindo segura.
—- É lindo Castiel.
—- Falei que não se arrependeria.
—- Como descobriu esse lugar?
—- Eu estava meio zangado e procurava um lugar pra descansar, pensei em subir no telhado quando vi essa plataforma. Então eu sempre veio pra cá quando quero ficar sozinho.
—- Entendo. Realmente acho que ninguém vira te perturbar aqui. Mas agora vamos descer, a vista é linda, mas não me faz esquecer que estou muito acima do chão.
—- Hahaha, certo, eu te ajudo.
Tora foi na frente seguida por Castiel, as telhas tinham um pouco de limo, o que as deixavam escorregadias, quando estava quase chegando à beira do telhado, Tora escorregou e foi deslizando até a borda, Castiel correu e consegui segura-la a tempo, mas ela ficou pendurada.
—- Castiel! Não me solta!
—- Calma! Não se meche senão fica difícil te segurar!
—- Tá! Não precisa gritar!
—- Se acalma isso, agora eu vou te balançar e você tenta alcançar a escada, certo?
—- Ok.
Castiel balançou Tora de um lado para o outro até que pegasse impulso o suficiente – Agora!
—- Ah! – Tora tentou alcançar a escada, mas não conseguiu – Não dá, está muito longe.
—- Certo, então tente apoiar os pés na parede e subir, quando estiver bem perto você pula pra cima que eu vou te puxar.
—- Tá – Tora fez o que Castiel lhe instruiu, quando ela pulou, ele a puxou com força fazendo cair sobre ele no telhado.
—- Você está bem? Ai! – Perguntou Castiel franzindo a cara.
—- Sim, obrigado, mas e você? Deve ter machucado as costas.
—- Se você sair de cima de mim talvez eu possa ver isso.
—- Ah, me desculpe – Tora rolou para o lado, envergonhada, não havia notado que estava sobre Castiel – Deixe-me ver suas costas.
—- Tá – Castiel tirou a camisa e ficou de costas para Tora.
—- Nossa Castiel, você precisa ir à enfermaria.
—- Não deve ser pra tanto.
—- Claro que sim, vamos logo.
Eles desceram e foram até a enfermaria, que ficava no segundo andar. Não era uma sala muito grande, havia três macas no lado esquerdo, no lado direito uma bancada comprida e armários aéreos cheios de vidros e frascos. A enfermeira limpou as Costas de Castiel, passou uma pomada e fez alguns curativos. Mandou que ficasse ali um pouco e pediu para que Tora cuidasse dele, ela saiu e deixou os dois sozinhos.
—- Viu? Não foi tão grave assim – Disse Castiel deitando de lado na maca.
—- Mas poderia ter sido. Mesmo assim você vai ficar cheio de hematomas.
—- Mas valeu a pena – Castiel disse com um sorriso malicioso.
—- Cala a boca seu tomate podre – Tora corou e virou o rosto.
—- Obrigada Tora.
—- De nada boboca.
Nathaniel vasculhava os livros nas prateleiras da biblioteca, não procurava por algo especifico, pegaria aquele que lhe chamasse a atenção. O lugar estava silencioso, havia apenas três estudantes em uma mesa ao fundo, Nathaniel estava viajando entre os livros e não percebeu que mais alguém entrara na biblioteca, quando ele puxou um dos livros da prateleira, um rosto apareceu do nada.
—- Ahhh! -- Nathaniel se assustou e deu um passo pra trás, acabou esbarrando em uma mesa e caiu de costas no chão, levando consigo as pilhas de livros que haviam sobre ela.
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