Uma Doce História
84 O homem que amo
Notas iniciais

–- Helena... – Sussurrou Lysandre em meio aos beijos – Acho que não é uma boa ideia.
–- Shh – Helena fez sinal de silêncio, colocando o dedo indicador sobre os lábios de Lysandre – É uma excelente ideia.
Helena tirou a camiseta de Lysandre e admirou por um momento seu peitoral, ainda não o tinha visto assim, nem mesmo na praia ele havia ficado sem camisa; dizem que ele tem uma tatuagem de asas nas costas, mas ele nunca a deixou ver.
Lysandre suspirou com o toque dela, baforou em seu pescoço pálido fazendo os pelos de Helena arrepiarem; puxou-a para perto fazendo-a sentar sobre seu colo, sentiu os pequenos seios roçarem sobre o forro da blusa, ela não estava usando um soutien.
Helena fez menção em erguer a blusa, mas hesitou, queria que Lysandre fizesse aquilo. O platinado percebeu isso, mas entendeu errado, achou que Helena estivesse com medo e isso fez todo o plano dela ir por água à baixo.
–- Não precisa fazer isso Helena, não tenha pressa – Disse Lysandre segurando as mãos da garota – Eu vou te esperar o tempo que for necessário.
–- Não Lys, eu... – Helena tentava lhe dizer o contrário.
–- Helena... Eu sei que talvez você esteja nervosa e ansiosa com tudo que está acontecendo, com o fato de suas amigas estarem avançando e tudo mais, mas eu não me importo com isso, o importante é estar com você.
–- Mas eu quero isso Lysandre, eu... Eu quero avançar com você, mas...
–- Eu entendo, mas faça isso somente quando estiver realmente preparada, não quero que se arrependa de nada.
–- É o que estou tentando te explicar! – Helena se levantou.
–- Calma minha fofa, eu sei – Lysandre tentou puxá-la para si novamente, mas a garota se negou.
–- Estou cansada desse negócio de fofa! Até quando você vai achar que eu sou uma bonequinha de porcelana?! – Helena gritou – Será que não vê que amadureci?! Que já não sou uma menininha inocente, que agora sou uma mulher que quer saciar seus desejos e se entregar ao homem que tanto ama?!
–- Helena, me desculpe, eu... – Lysandre estava desorientado.
–- Pra mim já chega! – Helena andou pisando fundo até a porta e a abriu – Vá embora, por favor.
–- Espere Helena... – Lysandre se levantou e pôs as mãos sobre os ombros da platinada.
–- AGORA! – Helena gritou.
Lysandre franziu o cenho e saiu, desceu as escadas e bateu a porta da frente, não estava entendendo nada. Assim que virou a esquina, uma moto parou ao seu lado.
–- Ah se Helena sabe que você está há essa hora na rua – Disse Castiel tirando o capacete.
–- Ela sabe, foi ela mesma quem me botou na rua – Disse Lysandre andando com as mãos nos bolsos.
–- Espera aí – Castiel segurou seu braço fazendo-o parar de andar – Como assim?
–- Não estou afim de falar... – Lysandre olhou para baixo.
–- Tem cerveja gelada em casa.
–- Sabe que não bebo.
–- Boa hora pra começar – Castiel lhe deu um capacete.
Ao chegarem à casa de Castiel, Lysandre se jogou no sofá enquanto o ruivo pegava duas latinhas na geladeira e um pacotinho de amendoim salgado no armário.
–- E agora? Vamos assistir futebol também? – Perguntou Lysandre, devido à bebida e petisco.
–- Engraçadinho – Castiel se sentou no sofá e abriu sua cerveja – O que aconteceu entre você e Helena?
–- Ela me chamou pra assistir um filme na casa dela – Lysandre começou a contar.
–- Ah... Então você estava vindo de lá? – Perguntou Castiel.
–- Isso – Lysandre deu um gole do líquido amarelo e espumante – Algumas cenas quentes começaram a aparecer e eu pedi que parássemos o filme e fossemos fazer outra coisa.
–- O que?! Você é gay por acaso? – Perguntou Castiel quase se afogando com o amendoim, se fosse ele teria parado o filme pra dar um amassos.
–- Você vai me deixar terminar de contar ou não? – Lysandre olhou bravo para o amigo.
–- Ok. Desculpe-me – Castiel calou-se.
–- Claro que ela ficou aborrecida, mas por fim fomos pro quarto tomar um chá enquanto conversávamos – Continuou Lysandre.
–- Pfft – Castiel segurou a risada.
–- O que foi?
–- Nada não, pode continuar.
–- Aff... Então, ela estava tão linda e eu não resisti aquele charme todo, nos beijamos e começamos a trocar caricias, até que...
–- Quê?
–- Ahm...
–- Fala!
–- Eu não gosto de falar dessas coisas, assuntos particulares. E porque tenho que contar isso a você?!
–- Porque sou seu melhorar amigo oras! E é melhor contar as coisas às vezes do que ficar remoendo.
–- Não sou exatamente eu quem faz isso...
–- Cale a boca!
–- Hahaha – Lysandre riu do ruivo – Ok... Ela hesitou em erguer a blusa, eu percebi isso e disse que não precisava ter pressa, tentei conforta-la.
–- Hmm – Castiel já começava a entender.
–- Foi então que ela brigou comigo falando algo sobre ser uma mulher e então me botou pra fora.
–- Você é um tapado – Castiel começou a rir exageradamente enquanto colocava a mão sobre a barriga que doía.
–- Castiel se não parar eu vou dar um murro nessa sua cara – Lysandre não gostou do deboche do amigo.
–- Ok, Ok. Hahaha, me desculpe – Castiel recompôs-se – Cara, você realmente não entendeu nada?
–- E era pra ter entendido o que exatamente?
–- Ela quer seu corpinho nu meu amigo.
Lysandre franziu o cenho.
–- Ora, não me olhe com essa cara, você sabe muito bem do que estou falando.
–- Eu sei, mas não tenho certeza de que seja isso...
–- Claro que é! Porém, ela quer que você dê o primeiro passo.
Lysandre ficou pensando sobre aquilo enquanto bebericava sua cerveja e Castiel controlava o riso.
Segunda feira -- 12h15m – Ginásio.
Dajan tomava uma chuveirada assim como os outros jogadores, as partidas de treino haviam sido estendidas a mando da diretora; desligou a ducha e enrolou uma toalha em torno da cintura, com outra enxugava os cabelos negros e cacheados. No caminho do vestiário parou de repente ao ouvir o nome de Alexy, haviam dois rapazes conversando na frente dos armários: o que ouvia era o atacante e o que falava era o capitão do time, aquele que iniciara a briga com Kentin.
Dajan se encostou na parece para que não o percebessem e ficou ouvindo a conversa.
–- Soube que vai ao cinema hoje, deve voltar à noite – Dizia o capitão – Horário perfeito.
–- Mas você sabe onde ele mora? – Perguntou o outro rapaz.
–- Não exatamente, mas podemos segui-lo a partir do shopping.
–- Quer alguma arma?
–- Não, não. Não quero deixa-lo paralitico, só me vingar daquele casal de maricas, por causa daqueles idiotas não pudemos participar do jogo – Ao dizer isso deu um murro no armário.
–- Ei esse é meu armário! – O atacante reclamou.
–- Desculpe – O capitão tirou o cabelo da testa – Você vem?
–- Claro, vou chamar o Renato.
–- Ok. Espero vocês as 18h00m.
Dajan lembrou que por não terem participado, o time rival havia ganhado a competição e agora caçoavam com eles; suavizou a expressão como se não tivesse ouvido absolutamente nada e adentrou o vestiário. Logo em seguida os dois rapazes saíram às gargalhadas. Vestiu-se rapidamente e pegou o celular, desligado e sem bateria.
Pegou a mochila e correu até o prédio do colégio, mas já não havia ninguém ali, não sabia onde os gêmeos moravam e nem o numero de telefone; por fim decidiu ir pra casa e pensar em algo. Depois de algumas horas o celular finalmente volta à vida, Dajan olhava numero por numero na agende do aparelho até o nome Helena aparecer.
Os dois haviam se tornado grandes amigos depois do desaparecimento de Jade, Helena o havia contado sobre todo o ocorrido e o jogador de basquete ficou perplexo, nunca tinha ido com a cara daquele jardineiro mesmo.
Dajan discou o numero enquanto andava em círculos dentro do quarto, no quinto toque Helena atende o celular.
–- Oi Dajan – Helena disse com a respiração entrecortada – Me desculpe a demora, o celular estava longe.
–- Tudo bem Heleninha, mas preciso da sua ajuda – Disse Dajan.
–- Pode falar.
Dajan lhe contou toda a história enquanto Helena dizia “Ai meu Deus” sem parar.
–- Eu achei que eles tivessem se entendido – Disse a platinada.
–- Que nada, apenas se fizeram de bons samaritanos por causa da diretora, aposto que estiveram atrás do Alexy a semana toda só planejando isso.
–- Que gente sem caráter e escrúpulos, temos que fazer alguma coisa.
–- Sim, por isso preciso saber o numero de telefone do Armin ou do Kentin, apesar de achar que ele não vai muito com a minha cara.
–- Entendi, só um minutinho – Helena ficou em silencio por alguns instantes – Vou ditar o numero.
Dajan pegou um pedaço de papel e uma caneta, anotou o numero e agradeceu. Assim que desligou a chamada com Helena, ligou para Armin, mas o telefone estava desligado. O que havia com esses aparelhos hoje em dia?
Tentou mais algumas vezes, mas nada, restou-lhe Kentin que surpreendentemente atendeu de primeira.
–- Alô? – Disse Kentin na linha.
–- Oi Kentin aqui é o Dajan.
–- Dajan? Como você tem meu numero?
–- Peguei com Helena, mas...
–- Como assim?
–- Cala a boca e escuta Kentin! É sério!
–- Ora – Assim que Kentin foi protestar, Dajan o cortou.
–- É sobre Alexy.
–- O que tem ele? – Kentin ficou tenso.
Dajan contou novamente toda a história enquanto ouvia a respiração acelerada de Kentin.
–- Kentin? – Dajan perguntou ao não ouvi-lo mais.
–- Dajan... Encontre-me na frente do colégio em meia hora, vou avisar o Armin.
–- Entendido.
A ligação foi encerrada. Kentin estava furioso, seus olhos saltariam do crânio se não parasse pra respirar direito; avisou sua mãe que sairia e voltaria tarde, pegou a bicicleta e pedalou velozmente até a casa de Armin, que apesar de irritado teve uma reação rápida. Ambos seguiram até o colégio onde encontrariam Dajan.
Kentin fervilhou seus neurônios pensando na raiva que os três imbecis lhe davam. Aquele capitãozinho de merda estava ferrado, definitivamente ferrado.
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