–- Oh meu deus! Você está bem Nathaniel? – Perguntou Ryu saindo de trás das prateleiras.

–- Sim, estou bem – Respondeu Nathaniel se levantando.

–- Me desculpe, não achei que fosse se assustar tanto – Ryu tirava os livros de cima dele.

–- Não se preocupe, só não faça isso novamente – Nathaniel batia a poeira da calça.

–- Certo – Ryu ajudava Nathaniel a empilhar os livros na mesa.

–- Você não tem cara de quem gosta de ler.

–- Nossa, que direto.

–- Ah me desculpe, é só que...

–- Estou brincando, não se preocupe... Não sou fanática por leitura, mas gosto de enfiar a cara num livro de vez em quando.

–- Qual gênero você gosta? – Perguntou Nathaniel se sentando.

–- Romance é o meu preferido.

–- Romance policial?

–- Eu não li nenhum ainda – Ryu inclinou-se sobre a mesa, apoiando-se sobre os braços, ela usava uma blusa justa de alcinhas, que além de marcar seu corpo deixava aparente seu farto busto – Você gosta?

–- Ah bem... Eu... – Nathaniel não conseguiu deixar de olhar para o decote da moça – Você é muito bonita e... E...

–- Ah! Hahaha eu falo dos livros seu bobinho – Disse Ryu se levantando.

–- Ah Claro! Os livros – Nathaniel corou violentamente e desviou o olhar – Gosto d-de romances po-policias, são os meus favoritos.

–- Você pode me indicar um então? – Ryu sentou ao lado de Nathaniel.

–- Sim, sim – Nathaniel levantou rapidamente e começou a vasculhar as prateleiras, puxou um livro e o entregou a Ryu – Esse é meu favorito.

–- Obrigada. Vou levar pra casa e lê-lo assim que chegar, tchau Nathaniel, bom fim de semana – Ryu estava indo até a porta, mas parou – Posso te chamar de Nath?

–- Bem eu... Eu não me sinto confortável...

–- Ah, por favor.

–- Ok, mas sem gracinhas.

–- Você é um fofo Nath! – Ryu o abraçou e lhe beijou a bochecha, vendo que o rapaz ficara sem jeito, deu um sorriso e foi embora.

Helena estava sentada no mesmo banco do jardim, com seu lápis e caderno nas mãos, mas não desenhava, apenas olhava pra frente, sem focar em nada até que Lysandre chega e quebra seu transe.

–- Olá?

–- O-oi... Você me assustou – Disse Helena com uma mão sobre o peito.

–- E você reage assim sempre que se assusta? – Perguntou Lysandre sentando ao seu lado.

–- Só não sou escandalosa.

–- Isso é bom, gosto desse seu ar misterioso.

–- Uhm.

–- Você é daqui?

–- Sim, sou natural da França.

–- E como conheceu Claire e Tora?

–- Bem... Eu morei em Le Havre até os nove anos, depois meus pais venderam a nossa casa e nós nos mudamos para Tóquio, porque meu tio estava passando por uma situação difícil, foi ai que conheci as duas. Fiquei cinco anos lá, até que as coisas finalmente se resolvessem, meus pais compraram uma casa aqui em Sweet Village, então nós voltamos.

–- E não foi ruim mudarem de lugar?

–- No começo sim, pois meus pais haviam construído aquela casa, então acho que foi meio triste vende-la, mas agora moramos bem perto da praia, e eu gosto de caminhar por lá. E você?

–- Eu morava no interior, numa grande fazenda, tinha coelhos de estimação. Meu irmão não se dava muito bem com nossos pais, então quando fez 18 anos ele se mudou pra cá e eu vim junto, ele queria seguir o sonho de estilista e acabou abrindo uma loja de roupas.

–- E você sente falta de lá?

–- Sinceramente não muita e agora que te conheci, vou sentir menos ainda.

–- Ah... – Helena sorriu com um leve rubor nas bochechas – Obrigada. Também gostei de te conhecer.

–- Ah! Lembrei, aqui está meu bloco com as músicas, Rosalya o encontrou.

–- Posso mesmo ver?

–- Sim, desde que não ria das letras.

–- Duvido de que terei motivos.

Helena ficou cerca de 20 minutos lendo as letras, estava maravilhada, Lysandre tinha uma excelente criatividade e noção de como rimar os versos. Enquanto isso ele a observava atentamente, tinha um rosto delicado e calmo, seus olhos eram incríveis, pareciam refletir qualquer feche de luz, a pele pálida lhe dava uma aparência frágil, o que fazia Lysandre sentir a necessidade de cuidar dela; ele aproximou os dedos do rosto de Helena e quando estava quase a tocando, ela termina de ler as letras e volta a falar com ele.

–- São lindas Lysandre, você cantaria uma pra mim?

–- Ah não, acho que não estou preparado.

–- Por favor, eu... Eu canto com você se quiser.

–- Sério?

–- M-mais ou menos. Comece logo antes que eu desista! – Helena serrou os punhos e falou mais alto que o necessário.

–- C-certo – Disse Lysandre surpreso com a reação da garota. Ele cantou até que Helena pegasse o ritmo, depois os dois começaram a cantar.

Claire e Armin jogavam nas escadas, eles revezavam o PSP a cada vez que um não consegui completar a faze. Estavam se divertindo, apesar de Claire rir a cada erro que Armin cometia no jogo, ele ficava irritado, mas via que ela só estava brincando então voltava a sorrir de novo.

–- Seria bom se tivesse um jogo pra dois – Disse Claire entregando o aparelho para Armin.

–- Mas não se jogo em dois num PSP.

–- Eu sei, só estava comentando.

–- Isso quer dizer que você gosta de jogar em dupla?

–- Não necessariamente, eu prefiro jogos de faze, mas gosto de dar uma surra nos outros.

–- Aha! Convencida, isso porque você não jogou contra mim ainda.

–- Duvido que isso vá fazer muita diferença.

–- Mas é claro que sim! Você esta pensando que sou que tipo de jogador?!

–- Calma Armin, só estava brincando, não precisa levar tão a sério.

–- Me desculpe, é que não gosto que duvidem de mim.

–- Não duvido de você, aliás, admiro essa sua confiança, você é tão certo do que diz, faz o que gosta se lixando para o que os outros pensem, isso é bacana. Acho que foi isso que me chamou a atenção em você, gosto de... De... Quer dizer...

–- Hahaha também gosto de você Claire, e apesar de me irritar com suas piadinhas eu sei que você só esta querendo ser divertida.

–- Certo... Mas eu ainda não sei se você realmente joga bem.

–- Então porque não vai lá pra minha casa descobrir?

–- Como assim sua casa?

–- Digo – Armin corou e deu uma tossida falsa – Ir à minha casa pra jogarmos um pouco, Alexy estará lá e se quiser pode convidar a Tora.

–- Certo, vou ligar pra ela.