Uma Doce História
77 Gatinho
Notas iniciais

Segunda feira – 9h50m – Corredor.
–- O QUÊ?! – Armin exaltou levemente a voz.
–- Ei! Ei! Calma – Pediu Kentin.
–- Calma?! Você acabou de dizer que dormiu com meu irmão e quer que eu tenha calma?! – Disse Armin, fingindo um pouco a indignação.
–- Não é bem assim – Kentin olhava para os lados esperando que ninguém tivesse ouvido.
–- Vou te partir a cara – Armin ergueu as mangas e serrou os punhos.
–- Armin... Não exagera – Disse Kentin já não mais convencido da fúria de Armin.
–- Ok – Disse Armin rindo – Devia ter visto sua cara hahaha.
–- Ah que graça – Kentin revirou os olhos.
–- Então... Deve ter sido por isso que ouvi alguns barulhos estranhos ontem à noite – Armin logo parou pra pensar e arrependeu-se – Eca!
–- Q-que barulhos? – As bochechas de Kentin esquentaram.
–- Ora, vocês dois – Disse Armin -- A Claire até tentou me convencer de que era nada.
–- Uhm... A Claire é? – Kentin deu uma rápida erguida de sobrancelha.
–- Não! – Armin fugiria daquele assunto – Nem vem.
09h57m – Estufa.
–- Certo, então ela teve que ficar na sua casa – Disse Lysandre não querendo imaginar o resto.
–- Sim, e cara – Disse Castiel com malicia – O nome dela não é Tora por acaso.
–- Você só pensa nisso Castiel – Lysandre suspirou.
–- Não exatamente – Negou Castiel – Mas e você e a...
–- Helena?
–- Isso.
–- Nada demais – Respondeu Lysandre calmamente.
–- Como nada de mais? – Castiel esperava algo.
–- Pra você nada demais, afinal não dormi com ela em um ménage – Disse Lysandre na lata.
–- Não seria má ideia – Castiel ponderou.
–- Faça-me um favor – Lysandre pôs a mão na testa.
–- Deram alguns amassos pelo menos? – Perguntou Castiel com sua cara de pau.
–- Se com isso você quer disser beijos, sim – Respondeu Lysandre.
–- Sem graça – Castiel fez cara de desgosto.
–- Depravado.
–- Wow, não é pra tanto – Castiel ergueu as mãos – Mas só isso mesmo?
–- Estamos namorando – Um discreto sorriso se formou nos lábios de Lysandre.
–- Ok, para o seu caso até que não é nada mal.
–- Mas e você... Em relação á Tora?
–- O quê?
–- Há algo?
–- Como assim algo?
–- Você sabe.
–- Não e nem quero saber – Castiel já se emburrava.
–- Você gosta dela? – Lysandre perguntou já sabendo a resposta.
–- Não! – Castiel respondeu rapidamente, mas sua expressão o denunciou.
–- Você gosta dela – Lysandre afirmou.
–- Tsc – Castiel era facilmente descoberto por Lysandre, nunca conseguiu enganar o amigo.
–- E se isso realmente é verdade, o que vai fazer a respeito da outra garota? – Perguntou Lysandre, surpreendendo o ruivo.
–- Está falando daquela... Daquela vaca? – As veias de Castiel começavam a saltar.
–- Não a chame assim, apesar de tudo, nenhuma mulher deve receber tal ofensa – Lysandre o repreendeu.
–- Ela merece sim, com certeza merece – Reforçou Castiel.
–- Que seja, mesmo assim, você ainda gosta dela.
–- Foda-se!
–- E ela está voltando, provavelmente vai te procurar.
–- Vai encher o saco de outro Lysandre – Castiel deu um soco na mesa em que ficavam os vasos, fazendo-os quicarem rapidamente, e saiu bufando da estufa.
10h05m – Grêmio.
–- Entre – Disse Nathaniel ao ouvir as batidas na porta.
–- Com licença – Melody entrou e fechou a porta atrás de si – Não vai comer alguma coisa?
–- Comi algumas barras de cereal – Respondeu Nathaniel olhando para uma folha com diversos números.
–- Tem que se alimentar melhor – Disse Melody sentando-se na beirada da mesa oval – Se quiser posso trazer algo pra você.
–- Não Melody, obrigado – Respondeu Nathaniel sem tirar os olhos do papel.
–- Mas...
–- Você precisa de alguma coisa?
–- Não... É só que... Você e a Ryu pareciam estar se dando muito bem hoje de manhã.
–- E o que tem isso?
–- Bem... Eu pensei que vocês estivessem de mal um com o outro.
–- Pensou errado Melody, eu e Ryu estamos muito bem.
–- Mas e a Lety?
–- Foi embora.
–- Então quer dizer que... Você está sozinho?
–- Não.
–- Como não? – Melody parou pra pensar – Não me diga que você esta com aquela...
–- Pense bem no que vai falar – Disse Nathaniel finalmente prestando atenção em Melody.
–- Aff – Melody revirou os olhos -- A Ryu?
–- Isso não te interessa.
–- O que?! – Melody esperneou – Você não pode fazer isso, ela não te merece! É uma vagabunda que fica exibindo o corpo por ai como se fosse um filé em uma bandeja!
–- Você é a pessoa menos indicada a dizer isso – Jogou Nathaniel.
–- Ah! – Melody pôs a mão sobre a boca – Aquilo foi diferente!
–- Tem certeza? Pra mim você foi a verdadeira meretriz.
–- Você não pode dizer isso!
–- Você não se cansa? Acha mesmo que algum dia vou te dar uma chance? Acha que vou deixar a garota que amo por uma oferecida e arrogante como você?
–- Ama?! Você não sabe o que está dizendo!
–- Sei exatamente, Melody, você que ainda não aceitou isso.
–- Você vai se arrepender Nath! – Os olhos de Melody lagrimejavam.
–- Se não veio fazer algo de útil, peço que se retire – Disse Nathaniel indicando a porta.
–- Eu ainda não terminei! – Melody teimou.
–- FORA! – Nathaniel berrou erguendo-se da cadeira.
–- O que está havendo aqui? – Perguntou a diretora ao entrar na sala.
–- Nada senhora Shermansky – Respondeu o representante.
Melody saiu aos prantos do Grêmio, Nathaniel respirou fundo e voltou à papelada.
11h38m – Aeroporto.
O avião chegou no horário certo, ainda não era temporada, então não havia atrasos nas linhas aéreas. Em poucos minutos já havia pousado, os passageiros desciam rapidamente com suas grandes e pesadas malas de rodinhas, mas nenhuma era tão chamativa quanto a daquela jovem, de couro preto e adereços rosa choque, chamava a atenção com o tilintar das correntes prateadas.
De calça jeans e corpete, caminhava em direção ao táxi com um constante “pok pok” feito pelos saltos finos de suas botas de cano alto; o taxista colocou a bagagem no porta mala e abriu a porta de trás, salivando pelos cantos da boca com a beleza da garota. Parou em um hotel apenas para deixar a mala, pedindo ao mensageiro que a deixasse no quarto em que hospedaria; retornou ao táxi e indicou seu destino final, o colégio Sweet Amoris.
Desceu em frente ao portão e pagou a corrida, era meio dia em ponto, término das aulas matutinas. Caminhou lentamente pelo caminho de concreto, chamando a atenção dos alunos que saiam dos prédios; sorria docemente fazendo com que os rapazes suspirarem e as garotas rosnassem, não todas, muitas delas a tinham como ídolo, referencia de moda e beleza.
A jovem balançava os cachos castanhos e pestanejava os longos cílios, olhando ao redor procurando por uma pessoa, até encontrá-la no primeiro prédio. Acelerou o passo e acenou.
–- Castiel – Ela chamou ao ver o ruivo.
Castiel parou e entrou em coque.
–- Gatinho – Disse a garota ao se aproximar.
Debrah havia voltado.
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