Uma Doce História
19 Apenas amigos
Notas iniciais

Alexy passou mais alguns minutos revisando com Tora e depois obrigou Claire a assistir um yaoi com ele, os dois ficaram assistindo na sala e dormiram por ali mesmo. Tora foi tomar um banho, depois desceu com um cobertor e cobriu os dois que dormiam de um jeito muito engraçado. Alexy estava encolhido com as mãos em forma de concha enfiadas em baixo do rosto e tinha um leve sorriso nos lábios, Claire estava em forma de estrela com a perna direita sobre Alexy, ela roncava alto e tinha fiapos de tapete grudados no cabelo.
Tora foi até a cozinha e tomou um iogurte, subiu para seu quarto e arrumou a cama pra dormir, ela pegou um livro e começou a ler até que ouviu algo batendo na porta da sacada.
–- Mas que merda é essa? – Tora se levantou, foi até a sacada e abriu as portas, nesse momento foi atingida por uma pedra na testa, ela ficou tonta e caiu pra trás.
–- Tora? Tudo bem ai? – Perguntou Castiel da sacada de sua casa.
–- Ai! O que foi isso Castiel? Seu desgraçado! – Tora pegou a pedra a atirou em Castiel que desviou, fazendo com que quebrasse um dos vidrinhos da porta.
–- Ei! Você é louca? Pare com esse costume de atirar pedras nos outros! – Disse Castiel.
–- Eu?! Quem é que estava jogando pedras... – Tora tonteou e se segurou no guarda-corpo da sacada – Ai minha cabeça.
–- Ei Tora, ah cara sua testa esta sangrando, estou indo ai.
–- Não... Não se atreva, eu... – Tora tentou se levantar, mas estava tonta demais.
–- Fique quieta ai – Castiel pulou na árvore que ficava entre as duas casas, subiu pelos galhos e pulou pra dentro da sacada de Tora – Me deixe ver isso, não é tão grave assim, onde está o kit de primeiros socorros?
–- Deve ter algo na segunda gaveta – Respondeu Tora apontando para uma escrivaninha.
Castiel pegou algumas gases, água oxigenada e Band-Aid. Ele limpou o corte na testa de Tora e cobriu-o com um curativo, colocou ela sobre a cama e pôs o livro sobre o criado mudo.
–- Você está bem? – Perguntou Castiel sentando na beirada da cama.
–- Não seu tomate podre, minha cabeça está doendo! – Exclamou Tora com a mão sobre o ferimento -- O que você tem na cabeça pra ficar jogando pedra nos outros?
–- Eu não joguei a pedra em você, mas sim na porta. Não tenho culpa se você apareceu do nada.
–- Mas a intenção não era chamar minha atenção para que eu fosse até a sacada? -- Perguntou Tora levantando as sobrancelhas.
–- Sim, mas... A pedrada não estava nos planos.
–- E como você chegou aqui tão rápido?
–- Subi pela árvore.
–- Você podia ter caído e se machucado – Resmungou Tora.
–- O que? – Perguntou Castiel colocando a mão por trás da orelha.
–- Disse que devia ter caído!
–- Não foi isso que entendi – Insinuou Castiel
–- Se entendeu por que perguntou de novo?
–- Que seja... Melhor você ir dormir, tente descansar para acordar disposta.
–- Isso se não acordar com uma enxaqueca.
–- Deus me livre! Vai ficar mais insuportável do que já é.
–- Há!Há!Há! Mais que você impossível.
–- Hunf... – Castiel se levantou e foi em direção a sacada.
–- Por que se preocupa comigo Castiel?
–- Porque você é uma baixinha encrenqueira, desmiolada...
–- Ora seu... – Tora já fechava os punhos.
–- Bonita, talentosa e... – Castiel começou a corar – Uma ótima amiga.
–- Obrigada Castiel – Tora esperava mais do que uma ótima “amiga”, mas não se deixou abater – Você também é um ótimo amigo.
–- Boa noite baixinha.
–- Boa noite tomate podre.
A manhã seguinte começou com a gritaria de Claire e Tora na cozinha. Haviam três pedaços de bolo de cenoura com calda de chocolate e Tora tinha comido dois, estava prestes a comer o terceiro, Claire não permitiria aquilo, as duas começaram a correr em volta da mesa feito crianças de cinco anos, Tora provocava a irmã com o último pedaço, que ficava furiosa.
–- É sempre assim? – Perguntou Alexy com sua caneca de café.
–- Sim querido, essas duas vivem se matando, mas sempre na brincadeira, agora se mexerem com uma, a outra defende com unhas e dentes – Respondeu Alicia cortando um pão com queijo quente.
–- Entendo. Eu e Armin somos assim também, quer dizer, na verdade eu sinto mais ciúmes que ele.
–- Tora pare de provocar sua irmã e Claire – Disse Alicia pegando uma forma com bolo – Eu fiz mais bolo de cenoura.
–- Bolo de cenouraaaaaaa!!! – Claire voou sobre a forma, pegou dois pedaços e devorou-os.
–- Tora querida, o que é isso na sua testa? – Perguntou Alicia tirando os cabelos da testa de Tora.
–- Ah, isso foi um pequeno acidente, não se preocupe – Respondeu Tora arrumando o cabelo.
–- Aposto que tem algo haver com o Castiel – Disse Claire de boca cheia.
–- Fica na tua ai o embuchada – Ameaçou Tora.
–- Castiel é? – Insinuou Alexy.
–- Que foi Alexy? – Perguntou Tora estreitando os olhos.
–- Nada não, estou quieto na minha – Respondeu Alexy tomando o ultimo gole de café.
–- Bom, esta na hora de irmos – Disse Claire pegando sua mochila.
–- Tchau senhorita Le Blanc, foi um prazer lhe conhecer – Disse Alexy indo embora.
–- O prazer foi meu querido – Disse Alicia acenando – Venha mais vezes.
Chegando ao colégio as garotas foram para o pátio deixando Alexy sozinho, ele procurou por Armin, no jardim, nas salas, nos corredores e nada, talvez ainda não tivesse chegado. Ele então decidiu esperar na sala, guardou suas coisas no armário e foi andando até passar por alguém que lhe chamou a atenção.
Era um rapaz alto e forte, com músculos bem definidos, cabelos castanhos bagunçados e estreitos olhos verdes. Usava uma camisa branca aberta sobre uma regata preta justa, calça camuflada e coturnos pretos.
Alexy ficou deslumbrado com o que via, o rapaz era simplesmente magnifico, e quando passou por ele, sentiu uma fragrância irresistível. Ele teve vontade de chama-lo, mas não sabia o que diria, pois não o conhecia até que viu Armin chegando e cumprimentando o rapaz.
–- E ai Kentin, de boa? – Disse Armin.
Não podia ser, Alexy conhecia Kentin e aquele rapaz não se parecia com ele. Alexy reparou mais um pouco e não acreditou, aquele realmente poderia ser seu Ken.
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