Uma Doce História
52 Anjo de cristal
Notas iniciais

Castiel tinha entrado pela sacada, acabou tropicando no piso elevado do quarto e se desequilibrou, tentou se apoiar na prateleira da parede, mas acabou forçando-a e quebrando-a, derrubando um anjo de cristal que havia sobre ela.
–- Eu posso explicar -- Castiel estava no chão, de joelhos, a prateleira quebrada na mão, e no chão o bibelô de cristal partido em três pedaços.
–- Que merda está fazendo afinal? – Tora pegou os cacos do chão – Não...
–- É só um bibelô idiota – Disse Castiel se levantando.
–- Foi minha mãe quem me deu... – Tora segurava os pedaços entre as mãos, a cabeça baixa e os olhos começavam a ficar úmidos demais.
–- Tora... – Pela primeira vez Castiel viu Tora tão séria, ele não sabia bem como era uma relação entre pais e filhos, pois os seus não eram muito presentes, mas em uma conversa, Tora havia lhe contado sobre seus pais, sobre como eram uma família unida e feliz, e como os havia perdido no acidente – Me desculpe, eu não fiz por querer, eu...
–- Tudo bem Castiel, apenas saia daqui... – Disse Tora ainda de cabeça baixa.
–- Mas... Eu vim devolver sua bolsa – Disse Castiel mostrando a bolsa numa das mãos.
–- Certo... – Tora suspirou, colocou o bibelô em pedaços em cima do criado mudo e pegou a bolsa da mão de Castiel – Obrigada por devolver.
–- Hum... – Castiel queria dizer alguma coisa, mas não sabia exatamente o que, Tora estava calma e isso não era um bom sinal, ela poderia explodir a qualquer momento – Tora, eu posso arrumar...
–- Apenas vá embora Castiel, antes que você quebre mais alguma coisa – Disse Tora finalmente erguendo a cabeça.
–- Mas eu não fiz por querer, só vim devolver a maldita bolsa! – Castiel irritou-se.
–- Então porque não fez como uma pessoa civilizada e bateu na porta? – Perguntou Tora alterando o tom de voz.
–- Porque você provavelmente bateria ela na minha cara! – Respondeu Castiel.
–- Seria bem feito!
–- Porque você é tão irritante?!
–- Porque você se acha no direito de ficar invadindo o quarto dos outros pela sacada?! Não te deram educação não?!
–- Meus pais são bem ausentes se você não sabe!
–- E os meus morreram e nem por isso sou uma vândala!
–- Agora está me chamando de vândalo?!
–- Acho que a carapuça serve perfeitamente!
–- Ora sua... Arg! Eu não te suporto!
–- Então o que ainda está fazendo aqui?
–- Eu queria conversar com você sua idiota!
–- E este é seu jeito de conversar?
–- Não! Arg... Tora, me escuta...
–- Acho que acabamos por aqui Dorigan, peço que se retire.
–- Tudo bem – Castiel deu as costas, pegou o bibelô quebrado sem que Tora percebesse.
–- Mas uma coisa, nunca mais entre nesta sacada – Disse Tora secamente.
–- Sim, senhorita Saito – Castiel pulou a sacada e sumiu.
–- Mas o que aconteceu aqui? – Perguntou Claire entrando no quarto.
–- O idiota do nosso vizinho – Respondeu Tora.
–- Quem? O Castiel? – Perguntou Claire olhando a bagunça.
–- Não Claire, o pica-pau. É obvio que é o Castiel – Respondeu Tora.
–- E o que ele queria?
–- Devolver a bolsa, e por incrível que pareça, está tudo aqui dentro.
–- Mas eu ouvi vocês brigando.
–- Ah eu não estou nem ai.
–- E o que vai fazer com a prateleira quebrada?
–- Sei lá, amanhã eu resolvo, preciso de um banho agora.
–- Certo, vou voltar para a sala.
Tora colocou a banheira para encher, pegou uma toalha de banho e um pijama, foi até a sacada e olhou para a do vizinho, ficou ali por alguns instantes, até que Castiel aparece, ela cora e sai em disparada para o banheiro, esticou-se dentro da banheira cheia e quentinha, encostou a cabeça no apoio e fechou os olhos.
“Devo ter algum problema” Pensou “Quem se apaixonaria por aquele tomate podre idiota, com toda a certeza ele riria da minha cara”.
Na manhã seguinte Tora acordou cedo, quieta, mal humorada e pensativa, desceu as escadas ainda de pijama e foi até a cozinha, sentindo cheiro de café fresco.
–- Bom dia tia – Disse Tora se sentando.
–- Caiu da cama querida? – Perguntou Alicia preparando o café da manhã.
–- Se é que ela foi para a cama – Disse Claire sentada ao lado de Tora, com seu pijama de presidiário – Ficou a noite toda resmungando: Castiel seu idiota! Tomate podre! Arg!
–- Mas quando foi que você foi parar ai? – Perguntou Tora se assustando com a irmã ao seu lado.
–- Desatenta... – Disse Claire vagarosamente.
–- E se eu estava resmungando, como foi que você ouviu? – Perguntou Tora erguendo uma sobrancelha.
–- Ah sabe como é, eu estava sem sono e achei que você e Castiel fossem aprontar algo de novo – Respondeu Claire dando de ombros.
–- Você gosta é de cuidar da vida dos outros.
–- Dá sua em particular.
–- Aff...
–- O café está pronto e fiz biscoitos de chocolate – Disse Alicia colocando uma forma sobre a mesa, com deliciosos cookies recém assados.
O colégio não estava mais tão agitado, as preparações estavam quase finalizadas, a festa ia ser realmente grande, os alunos se perguntavam de onde a direção tinha tirado tanto dinheiro.
–- Bom dia baixinha – Disse Castiel vindo do fim do corredor.
–- Bom dia Castiel – Disse Tora friamente.
–- Credo como esfriou agora – Disse Castiel cruzando os braços e fingindo tremer – Não me chama mais de tomate podre agora?
–- Não estou disposta.
–- Uhm... E esse mau humor todo é por causa de ontem?
–- Quer realmente saber?
–- Sim.
–- Não, não é.
–- Certo, isso realmente me surpreendeu, mas mesmo assim... Me desculpe novamente, eu realmente não quis quebrar nada.
–- Tudo bem Castiel, eu te desculpo, não precisa ficar se martirizando.
–- Arg! Por que você esta agindo assim? Me perdoando facilmente, o que há com você?
–- Uhm? Prefere que eu brigue com você?
–- Geralmente é mais divertido.
–- Hahaha Certo seu tomate podre, o que quer fazer então?
–- Uhm lembra que eu disse que queria conversar com você?
–- Sim.
–- Bem, o que eu queria dizer... – Castiel se aproximou de Tora, tocou seu rosto com a mão direita e a olhou fundo nos olhos. Um olhar único, brilhante, apaixonado.
–- Não me olhe assim – Pediu Tora corando – Isso não me trás boas lembranças.
–- Tem haver com algum rapaz?
–- Ah bem, sim, mas isso não importa...
–- Olha Tora, eu sei que geralmente sou sarcástico e maldoso, mas... Depois que te conheci, eu realmente pensei melhor sobre isso e percebi que não vou ganhar nada sendo assim.
–- Hahaha com ganhar alguma coisa, você quis dizer me ganhar?
–- Ah você entendeu – Disse Castiel corando.
–- Que fofo – Tora agiu sem pensar, ficou na ponta dos pés e passou os braços por cima dos ombros de Castiel, abraçando-o firmemente.
–- Mas o que está fazendo? – Castiel ficou sem reação, não esperava aquilo da baixinha encrenqueira.
–- Eu não sei, mas... Obrigada por me aturar Castiel – Sussurrou Tora.
–- Ah bem, você me atura bastante também – Disse Castiel envergonhado, ele passou os braços em torno da cintura de Tora, retribuindo o abraço.
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