Castiel vestiu-se e pegou a jaqueta de couro pendurada no cabideiro, desceu a escada e trancou a porta da frente. Saiu pelos fundos da casa, tirou uma grande chave do bolso e deu partida na moto, uma Harley Davidson XR1000, herança de seu avô. Com certeza não era uma moto nova, mas ele a adorava. O barulho, o estilo único, a voracidade combinavam perfeitamente com ele.

Pegou a estrada e seguiu o caminho até o hotel onde Debrah estava. Parou na frente do grande prédio e ligou para ela.

–- Estou aqui em baixo, vou esperar do lado de fora – Disse Castiel.

–- Ok, já estou descendo – Informou Debrah.

Cinco minutos depois lá estava ela, sensualizando com sua calça de couro colada, um decote ousado e botas de salto fino.

–- Oi gatinho – Debrah o cumprimentou com um demorado beijo no rosto – Ainda com esse troço barulhento?

–- Você que não conhece uma verdadeira moto – Explicou Castiel.

–- Que seja – Debrah deu de ombros.

–- Pega – Castiel deu-lhe um capacete.

–- Odeio isso, sempre estraga meu cabelo – Debrah ajeitava o cabelo para que não embaraçasse.

–- Melhor seu cabelo do que seus miolos.

–- Uhm – Debrah subiu na moto e abraçou com força a cintura de Castiel.

–- Debrah, assim eu não consigo pilotar – Disse Castiel tentando respirar.

–- Desculpe – Debrah afrouxou os braços.

Castiel deu partida e acelerou, andaram pela cidade cerca de 10 minutos até pararem na frente de um bar com música alta e o som de bolas de sinuca se chocando. O lugar de músicas, jogos e bebidas tinha uma grande clientela, havia inaugurado há pouco tempo, mas já era bem popular entre diversos públicos.

–- Vai beber o que? – Perguntou Castiel sentando em um banco alto à frente do balcão.

–- Estou com vontade de tomar Porta aberta – Respondeu Debrah.

–- Bebida de criança – Castiel tirou.

–- Desculpe-me senhor emancipado – Disse Debrah fazendo Castiel rir.

–- Ok, um Porta aberta para a senhorita aqui e um Campari Orange pra mim – Disse Castiel ao barman.

–- E eu sou a criança? – Perguntou Debrah se referindo à bebida de Castiel.

–- Estou de moto, não posso tomar nada muito forte – Explicou Castiel.

–- Não que vodka seja algo fraco – Disse Debrah.

–- Pois é, mas então... Sobre o que queria falar?

–- Só queria conversar um pouco, já que faz tempo que não nos falamos.

–- Uhm...

–- Lysandre falou que tinham um ensaio hoje, como foi?

–- Foi muito bom, as garotas criaram uma música incrível.

–- Garotas?

–- Sim, fazem parte do grupo.

–- Ah... Eu não sabia que os outros integrantes eram mulheres.

–- Pois é... Tocam e cantam muito bem – Castiel relembrou o momento, o que fez seus olhos brilharem por um instante – Tora me surpreendeu.

–- Tora é... – Debrah guardaria aquele nome.

–- Aqui estão seus drinks – Disse o barman entregando belas taças cheias de líquidos coloridos.

–- Obrigado – Castiel deu um gole em sua bebida – Mas e você? Parece que se deu bem na carreira solo.

–- Sim, a banda trabalha bem e o produtor é excelente, mas... Seria bem melhor se você pudesse estar conosco.

–- Uhm... Não tenha tanta certeza.

Debrah e Castiel conversaram por mais algum tempo, ora riam, ora flertavam. Palavras vinham, bebidas iam... Até Do I wanna know de Arctic Monkeys tocar.

Have you got colour in your cheeks?

Do you ever get that fear that you can't shift the type

That sticks around like something in your teeth

Are there some aces up your sleeve

Have you no idea that you're in deep?

I've dreamt about you nearly every night this week

How many secrets can you keep?

'Cause there's this tune I've found

That makes me think of you somehow

And I play it on repeat

Until I fall asleep

Spilling drinks on my settee

–- Wow eu adoro essa música – Disse Debrah se levantando – Dança comigo?

–- Não, hoje eu... – Castiel revirava o copo.

–- Claro que vem – Debrah o puxou para o meio do bar, não lhe dando escolha.

(Do I wanna know?)

If this feeling flows both ways

(Sad to see you go)

Sort of hoping that you'd stay

(Baby we both know)

That the nights were mainly made for saying things

That you can't say tomorrow day

Debrah balançava o corpo sinuosamente, o ritmo da música era envolvente e sedutor, perfeito para a ocasião. Os homens a cobiçavam com o olhar, mas ela fazia questão de dançar colada a Castiel.

Crawling back to you

Ever though of calling when you've had a few?

Cause I always do

Baby, I'm too

Busy being yours to fall for somebody new

Now I've thought it through

Crawling back to you

–- Castiel... Na verdade eu queria lhe fazer uma proposta – Disse Debrah.

–- Que proposta? – Castiel já ficava receoso.

–- Bem... O guitarrista de nossa banda teve alguns problemas então foi obrigado a abandonar a banda – Explicou Debrah – Eu falei com meu produtor e disse que conhecia alguém que toca super bem.

–- Então foi por isso que você me procurou.

–- Não só por isso gatinho, eu estava com muita saudade de você – Debrah deslizou a mão sobre o rosto de Castiel.

–- Sei – Castiel afastou a mão dela e deu um passo para trás.

–- Não entenda errado, por favor, eu só...

–- Só viu uma oportunidade, assim como da última vez.

So have you got the guts?

Been wondering if your heart's still open

And if so I wanna know what time it shuts

Simmer down and pucker up

I'm sorry to interrupt

It's just I'm constantly on the cusp of tryig

To kiss you

I don't know if you

Feel the same as I do

But we could be together

If you wanted to

–- Dessa vez é diferente, ficaremos juntos agora.

–- Até quando? Até uma nova proposta te aparecer e você me dar um pé na bunda?!

–- Eu não tive escolha gatinho...

–- Eu sei, foi o melhor pra você.

–- Sim, mas... Mas agora é sua chance também.

–- Não Debrah, eu já tenho minha banda e não tenho planos de deixa-la.

–- Mas...

–- Pra mim já chega – Castiel pegou algumas notas da carteira e entregou a Debrah – Pegue um táxi pra voltar, estou indo embora.

–- Não, espera – Debrah tentou impedi-lo, mas Castiel rapidamente deu as costas e saiu. Ela cambaleou entre as pessoas até chegar à saída, mas o ruivo já havia ido embora.

Castiel chegou em casa e entrou batendo a porta dos fundos, subiu a escada em passos pesados, pendurou a jaqueta no cabideiro e jogou-se de costas sobre a cama. Sua cabeça parecia estar pegando fogo. Pensou em ligar para Lysandre e desabafar, mas ao olhar o relógio viu que já eram 00h18m, o amigo o mataria se ligasse àquela hora.

De repente ouviu um som suave, o dedilhar calmo das cordas de um violão, o mesmo que o havia hipnotizado horas antes. Levantou e foi até a sacada, não poderia ter uma vista mais bela que aquela, os cabelos negros tinham um brilho misterioso a luz da lua, os olhos semifechados transmitiam tranquilidade e a face serena parecia a de um anjo. Sua baixinha encrenqueira estava tocando.

Notas finais
Nosso ruivo não é tão bobo assim ;p Eu adoro essa música, nunca resisto a me remexer quando a ouço. Beijão :*