Uma Chance Para O Verdadeiro Amor
5 V – Memórias
V – Memórias
Pov Sakura:
Na medida em que nos aproximávamos de Konoha, o meu coração batia mais apressado. A expectativa de uma nova vida deixava-me bastante apreensiva. E, além disso, a possibilidade de encontrar Sasuke atormentava o meu espírito, porque fazia surgir em minha mente a dúvida se eu havia, de fato, superado os sentimentos que eu tinha por ele.
Aquela era a primeira vez que Naruto e eu viajávamos sozinhos. A sensação de estar acompanhada por ele era ao mesmo tempo reconfortante e estranha.
Com o clima agradável, devido ao início da primavera, nós andamos um bom trecho, durante o dia, percorrendo extensos descampados, que estavam cobertos, alegremente, por inúmeras espécies de flores e plantas. Ao passar por elas e notar a sua beleza estonteante, esqueci-me por alguns momentos dos sentimentos que me tolhiam a paz, ao sentir fluir delas uma energia tão cálida e revigorante.
Naruto seguia ao meu lado silencioso. Percebi que ele, algumas vezes diminuía a marcha. Parecia querer prolongar a nossa viagem. Seu rosto, embora alegre, demonstrava preocupação, a qual ele disfarçava com um sorriso, sempre que voltava seu olhar para mim.
Quando a noite chegou, nós tínhamos transposto uma boa parte do caminho. E, assim, em comum acordo, pois estávamos exaustos, paramos para descansar. Armamos, de imediato, um acampamento, embaixo de uma grande árvore.
A lua despontava, entre as montanhas, gigantesca. Sua luz iluminava a tudo, magnificamente prateada.
Enquanto eu arrumava nossos leitos, Naruto tentava fazer uma fogueira improvisada para que nós pudéssemos cozinhar e nos aquecer. Embora eu tivesse, mais de uma vez, oferecido ajuda, ele a repeliu, dizendo que era ele quem deveria fazer.
— Pode deixar, Sakura chan. Hoje eu serei responsável pelo nosso jantar.
Eu suspirei, e afastando-me dele, voltei ao nosso acampamento, sentando-me ao lado de uma árvore. Apesar de o seu silêncio me aborrecer, nada fiz para que ele fosse desfeito. Eu sabia que aquele ainda não era o momento certo para conversarmos.
Na minha cabeça, tão logo que me vi sozinha, vieram memórias que eu queria esquecer. E a voz cortante e fria de Sasuke ricocheteava em minha mente como se estivesse sido pronunciada naquele momento.
Sasuke nunca me amara de verdade. Eu é que fora uma imbecil em acreditar que algum dia ele pudesse sentir algo mais profundo por mim. Mas apesar disso, tola como fui e como sou, durante muito tempo, servi de um mero objeto para a sua manipulação.
Nós tivemos um curto relacionamento, o qual só me demonstrou o quanto Sasuke era um canalha, insensível e indigno dos sentimentos que lhe dedicava.
Apesar das inúmeras provas de afeto que eu demonstrava, pouco a pouco, foi-se apagando o riso de contentamento dos meus lábios. Sasuke se demonstrou um libertino completo, pois não levava em consideração os meus sentimentos. Ele queria apenas satisfazer os seus desejos sexuais e nada mais.
Embora eu o amasse, eu não quis me entregar a ele de forma alguma, sem que antes tivéssemos um compromisso mais sério. E assim, ele me traia diversas vezes com várias garotas de Konoha.
Um dia, suspeitando de suas traições, desesperada, fui ao apartamento de Naruto buscar consolo para minha aflição. Porém, ao invés de Naruto me aconselhar, com uma expressão embravecida em seus olhos me disse, pegando em minhas mãos:
— Sakura chan, estou cansado de vê-la atrás de alguém que não te dá valor, enquanto há pessoas que lhe dariam o céu, se tivessem a oportunidade. Mais uma vez te digo, meus sentimentos por você pouco mudaram. Eu ainda te amo, e sempre te amarei. Logo, por favor, Sakura, se pelo menos tem alguma consideração por mim, ou por si mesma, pare de aceitar migalhas de Sasuke!
Fiquei horrorizada frente à fala de Naruto, pois pensava que o amor que ele sentia por mim estivesse extinto, uma vez que ele estava em um compromisso sério com Hinata.
Então, alguns dias após esse acontecimento, decidi ir a casa de Sasuke para conversarmos. Embora me doesse, o meu objetivo era romper o nosso relacionamento.
Toquei a campainha e fiquei esperando durante algum tempo do lado de fora. Como ninguém apareceu para me atender, percebi que a porta estava entreaberta e entrei. De dentro da casa, comecei a ouvir vozes e risadas abafadas vindas do quarto. Um pouco nervosa, caminhei em sua direção, e ao chegar a porta do quarto que estava entreaberta, vi Sasuke na cama com outra pessoa.
As minhas suspeitas que até então eram simples dúvidas se confirmaram. Eu o havia surpreendido em ato. Sasuke realmente me traia.
Por um momento fiquei paralisada com a descoberta. Mas logo, tomada pela fúria, dei um forte soco na porta que caiu ao chão produzindo um grande barulho.
De frente aos amantes, dei-me conta que quem estava na cama de Sasuke era Hinata. Estupefata com minha descoberta encarei ambos com um olhar surpreso. Mas antes que eu lhes pudesse falar alguma coisa, Sasuke, sem misericórdia, disse-me, dando um sorriso sarcástico:
— Você não quis, então encontrei quem quisesse me satisfazer.
Ressentida com Naruto, pois havia escutado a nossa conversa, Hinata se entregara a Sasuke. Eu não acreditei na cena que vi. Fiquei em choque. Ela me olhava triunfante, vendo que em meus olhos além de demonstrar fúria e tristeza, despontavam lágrimas em torrente.
Não consegui permanecer ali. Saí em disparada, só me dando conta do lugar onde estava quando cheguei a porta de casa, e entrei silenciosa sem que meus pais percebessem o tamanho do meu desespero.
Como a melancolia me devorava consumindo as minhas forças, a única alternativa cabível fora partir. Mas eu me perguntava: “Será que em outro lugar eu encontrarei o repouso de que eu tanto necessito?”. Com o transcorrer do tempo pude perceber que a resposta para esse enigma era sim.
Assim, parti. Eu decidi que não daria a Sasuke o gosto de me ver infeliz. Aos poucos fui deixando de pensar, ao me envolver em minhas ocupações médicas e ao conhecer pessoas novas. Os dias transcorriam felizes e aos poucos fui deixando de pensar nele.
Naruto ressurgiu em minha vida nesse período. E fez nascer em mim a esperança de amar e de me sentir amada. Ele foi tão paciente e carinhoso que eu não tive como negar uma chance aos sentimentos que ele demonstrava. Assim, começou o nosso relacionamento. Ainda que houvesse uma mácula, advinda do passado, decidi que somente um amor como o de Naruto poderia salvar a mim de uma completa desolação como a que sentia. E, ensinar-me a amar verdadeiramente.
Despertando de minhas memórias, levantei-me, indo de encontro a Naruto. Encontrei-o adormecido ao lado da fogueira, com os braços entrelaçados. Antes que eu pudesse despertá-lo, nossos olhos se cruzaram. E ele me puxou de encontro a seu corpo, abraçando-me a seguir. Em um sussurro quase inaudível suplicou-me:
— Sakura chan, durma em meus braços essa noite.
Não tivemos jantar. Adormeci aninhada em seus braços sentindo o seu cheiro e calor reconfortantes.
Fale com o autor