O leão de Lannister fulgurava acima de sua cabeça, mas o veado coroado Baratheon pairava sobre sua alma. Estavam todos de pé quando Robert entrou no pequeno conselho, trajando um gibão amarelo ouro e calça marrom, um broche em formato de cabeça de veado talhado em ouro prendia a veste, segurava a espada que nunca usava, o cheiro de vinho e prostituta invadiu a sala, mas ninguém ousaria falar nada ao rei beberrão.

A voz do homem saiu como um trovão.

— Deveríamos fazer um torneio, aqui na capital, ou em algum lugar, quem sabe o Rochedo ou na Campina para comemorar o meu dia.

— Vossa Graça, seria perfeito um torneio em Porto Real, ou quem sabe na Árvore, para que todos pudessem desfrutar do doce vinho. — Varys falava mansamente perante a todos, mas com especial cautela perto do rei.

Renly Baratheon palpitou um torneio em Jardim de Cima, haveria fartura para todos, e seriam muito bem recebidos por Lorde Mace Tyrell, mas Robert não pareceu gostar da ideia, em especial quando Stannis rangeu os dentes ao ouvir a sugestão do caçula dos Baratheon.

Na rebelião de Robert, os senhores Tyrell e Redwyne haviam se banqueteado no cerco a Ponta Tempestade, enquanto Stannis era obrigado a comer cavalos e ratazanas.

Era um homem teimoso, mas a teimosia tinha feito um bom serviço ao rei, apesar deste não se importar tanto.

— Jardins de Cima é demasiado longe para o povo de Tridente e também do Leste e do Norte.

Renly soltou uma gargalhada.

— O velho amigo de Robert não viria ao torneio, prefere ficar entocado no seu país gélido cumprindo seu dever a mil milhas de distância. — este lançou um olhar para Stannis — Talvez um dia queira morar no Norte meu irmão, combina com você, e mil milhas de distância faria muito bem entre nós.

Stannis rangeu os dentes que pareciam trincar, todos ficaram em silêncio, até que o Senhor de Pedra do Dragão quebrou o silêncio novamente.

— A mão está em visita ao Leste, seria bom que vários senhores viessem ao torneio, e gerassem lucro pra a cidade, um Torneio em Porto Real seria mais adequado. A questão seria, o tesouro pode arcar com o gasto?

Petyr Baelish notou os olhos furiosos de Stannis em cima de si, pigarreou e falou com eloquência.

— Sim. O tesouro pode arcar, e concordo, um torneio em Porto Real poderia ser bom para a cidade. Os mercados gerariam mais e lucrariam também. Os bordéis ficariam cheios, assim como as estalagens.

Mas claro que algum empréstimo para as bolsas dos campeões, seria viável para a Coroa, quanto mais investirmos nas bolsas, mais competidores virão.

Stannis se ajeitou na cadeira, e Robert achou a ideia plausível, então naquela tarde seria organizado um torneio no dia do nome do Rei Robert.

— Deixarei a tarefa para Petyr e Renly. Stannis poderia conversar com Paxter Redwyne e encomendar novas galés para a coroa. Queria uma para Joffrey, e Tommen. Resolva isso.

— Como ordena, Vossa Graça.

Robert ia para os aposentos aquela tarde, chamaria as três melhores putas do bordel de Mindinho, e fornicaria até adormecer e acordar para o jantar.

Veja como elas me adoram, Regicida.

As prostitutas tiravam as roupas do rei, risonhas e alegres, moças novas, com sedas grudando em suas tetas, deixando o rei cada vez mais feliz.

Deixou Sor Meryn Trant com a árdua função de ouvir os gemidos das prostitutas, e risos do rei. Aquela tarde ele encontraria Cersei, e amaria sua pele nua.

Sua irmã gêmea estava penteando os belos cachos de Myrcella, Tommen observava ambas, um garotinho roliço e amável, Myrcella tão bela quanto a mãe sorriu-lhe com uma ternura esplêndida.

— Tio!

— Tio Jaime! — Tommen correra para abraçá-lo fortemente, Robert não era um pai atencioso, e ao menos amoroso. Podia abraçar seu garotinho para sempre, queria ensiná-lo a lutar e manejar bem uma espada. Mas Cersei limitava sua aproximação.

— Crianças, vão à biblioteca, o grande meistre Pycelle poderia entretê-los.

Ambos saíram correndo do quarto, risonhos, com os cabelos esvoaçando.

Se encaram por um tempo, até que ela caiu em seus braços, ávida, e macia. Quase rasgou-lhe o vestido, os seios saltaram em suas mãos enluvadas, saiu de dentro da armadura com uma certa dificuldade, estava com saudades de sua amada irmã, de sentir seus caracóis macios roçando seu rosto, enquanto ambos explodiam de amor.

Cersei caía macia ao seu lado, tocava seus lábios com dedos finos, e sorria tão bela, que o mundo parecia se iluminar, ele tinha a mulher mais bela do mundo ao seu lado.

— Robert fará um torneio em comemoração ao dia do nome dele. Pretendo vencer dessa vez contra Sor Loras Tyrell, e lhe dar a coroá-la Rainha do amor e da beleza. Gostaria disso? — deu um sorriso zombeteiro a sua doce irmã, mas viu escárnio no rosto dela.

— Da última vez que um homem coroou a mulher errada, uma dinastia inteira acabou. Não seja tolo de fazer isso.

Jaime deu de ombros, não se importava mais, o Rei não amava sua irmã, ninguém amaria uma mulher como ele a amava de todo o coração.

— Estou brincando, mas poderia ser algo intrigante, como Robert reagiria a isso? Talvez ele lhe amasse como ele amou Lyanna, e faria uma guerra pela sua boceta.

Cersei o esbofeteou.

— Pare de zombar de mim desta maneira.

Jaime a prendeu em seus braços, beijou seu pescoço e viu Cersei se afastar do seu abraço e beijos suaves.

— Melhor que vá embora, e chame a criada. Quero um banho e vinho.

Demorou um tempo, e Jaime prendeu seu manto branco, deu um último relance a sua irmã e saiu do quarto.

Sor Meryn Trant estava perdido em seus pensamentos que não notou Jaime se aproximar. Parecia meio sonolento, imaginava que algumas horas do bom serviço prestado a Robert o entendiava.

— Está dispensado Sor. — Meryn lançou um olhar desigual e saiu. As risonhas prostitutas saíram correndo do quarto. Uma loira parou à sua frente, e o olhou com malícia.

"Talvez queira que eu quebre meus votos novamente. Todas querem foder com o perjuro".

Encarou-a até que Cersei apareceu no fim do corredor, e a moça tornou-se um tufo de cabelo loiro esvoaçante descendo escada abaixo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.