Uma Canadense em Nova York

4 4. Almoço que não tem almoço.


Notas iniciais
:) :) :)

P.O.V – Annabeth

Depois do nosso encontro inesperado com os meninos, já era de se esperar que chegássemos tarde em casa. Logo após eu pedir sorvete ao Percy, fomos para a praça de alimentação acompanhados pelo casal maravilha, que pareciam chiclete, ficamos conversando, tipo eu e o Percy, porque Piper e Jason, ah vou nem falar nada. Percy é um cara muito legal, e devo admitir que diversas vezes pensei em beija-lo, mas como sou o tipo de garota que pensa MUITO antes de agir, não o fiz.

Quando cheguei em casa, estava tão cansada que não tinha forças nem para brigar com a Piper, por ter me deixado semi nua na frente de quatro homens, sendo um deles o seu namorado e o outro, meu crush. Apenas dormi.

Quando acordei, Piper estava pintando as unhas, ela se virou pra mim e disse.

— Bom dia Margarida!

Cara, eu fico impressionada com a habilidade dela de acordar cedo e ficar de bom humor. Arqueei uma sobrancelha e perguntei.

— Porque desse bom humor todo?

— Ai credo sua azeda. – Fez uma cara de dramática e continuou. – Jason me chamou pra almoçar. – Disse ela hiper mega ultra power empolgada.

Quando ela disse isso, tive uma vontade de rir, rir muito. Gente, ela não tinha jantado com ele ontem, mesmo que fosse no Burger King, o que tem de mais em almoçar. Eu iria dizer ‘’e daí’’, mais ai me ocorreu que ela iria sozinha para o tal almoço, então comecei a incentiva-la.

— Sério Pips. – Fingi uma falsa empolgação. – Que maravilha, vocês vão se divertir muito.

Dei uma certa ênfase no vocês. Ela me olhou e baixou a cabeça e disse.

— Mais eu não queria deixar você sozinha. – Ela fez uma cara de tristonha. – Minha mãe vai almoçar com as quarentonas dela.

— Oh não se preocupe. – Disse gargalhando por dentro. – A gente faz um sacrifício pelo bem estar da prima.

Ela assentiu, depois fez uma cara de pensativa e disse as piores palavras do mundo.

— Hey, tive uma ideia!

Suspirei e perguntei.

— E qual seria?

— O almoço é de família. – Disse ela animada. – O seja, vai ser na casa do Jason e logo depois nos vamos fazer um piquenique, só nos dois.

— E...?

— E que lá mora a Thalia também né. – Disse e depois complementou. – Acho que Percy vai estar lá também, já que eles são primos. – Ela me deu um sorriso sapeca. – Acha que eu não reparei como vocês estavam se olhando ontem.

Corei. ‘Você reparou em alguma coisa que não fosse a boca do Jason’ pensei.

— Olha, não sei de nada, e não quero ir. – Cruzei os braços. – Eu nem sou nada da família, pra brotar lá e almoçar.

— Ain Annie, deixa de ser boba. – Depois ela deu um risinho. – Você ainda não faz parte da família.

Fechei a cara.

— Ai ta bem. – Ela suspirou e pegou o celular. – Então vou ligar pro Jason e dizer que vou te fazer companhia, afinal nos ainda nem fomos ao salão mexer nesse cabelo.

O desespero tomou conta de mim e me exaltei.

— Não, Pips. – Disse pegando o celular da mão dela. – Vamos pra esse almoço é agora mesmo.

Ela sorriu satisfeita como se dissesse ‘’sabia que ia ganhar’’.

— Então vai tomar banho. – Disse mexendo em seus cabelos. – Ainda tenho que te maquiar.

Vocês devem estar pensando que cedi muito fácil não é? Mais não, se tem uma coisa que detesto e ela sabe, é que mexam no meu cabelo.

Depois de muito tempo se arrumando, muito tempo mesmo pra Piper conseguir fazer um look sem rosa, estávamos indo para a casa do Jason. Paramos em frente a uma bela casa de dois andares, branca, era linda. Descemos do carro e tocamos a campainha.

— Oi amor! – Disse Jason abrindo a porta de dando um selinho na Piper. – Annabeth. – Me cumprimentou.

— Oi. – Respondi.

— Vamos entrando então. – Ele abriu espaço pra gente entrar.

Assim que entrei na sala meu sangue gelou. Haviam quatro adultos nela, sendo duas mulheres e dois homens, aqueles que estavam na loja de lingeries.

— Gente essa é a Annabeth. – Jason apontou pra mim. – E a Pips minha namorada, como já sabem. – Disse como se estivesse reafirmando alguma coisa.

Eles nos cumprimentaram e eu juro que Poseidon me deu um mega sorriso. Sorri em resposta. Jason puxou Piper pelo braço para subir as escadas e eu os segui.

— O quarto da Thalia é ali! – Apontou Piper pra uma porta cheia de adesivos.

Assenti e fui, bati na porta e escutei uma voz gritar.

— Não to com fome.

— É a Annabeth. – Gritei.

— Ah se é assim sim. – Disse ela abrindo a porta. – Entre, eu poderia dizer não repare a bagunça, mais eu não ligo.

Olhei em volta, não reparando na decoração, mais sim procurando Percy.

— Er... O que foi? – Perguntou Thalia.

— Ah nada. – Suspirei ao ver que ele não estava ali. – Bonito quarto. – Digo sentando na cama.

— Sei... – Ela fez uma cara desconfiada.

— Então quem são aqueles dois lá em baixo? – Perguntei, tentando disfarçar meu claro interesse.

— Que dois? – Ela pensou um pouco. – Ah, Sally e Poseidon Jackson, os pais do Percy.

— Humm, e cadê ele? – Saiu, eu juro que não queria perguntar isso, me entreguei de bandeja.

Ela sorriu maliciosamente.

— Você ta afim dele?

Não respondi, comecei a encarar a parede cheia de pôsteres. De repente aquela parede era tão legal, sabe.

— Ai meus deuses! – Ela gritou. – Você não pode estar afim dele, ele é um galinha. – Ela ficou pensativa e suspirou. – Olha sei que te conheço a pouco tempo, mais já te considero pakas, e gostei de você, não quero que se magoe.

— Eu não vou. – Afirmei.

— Ótimo, já está com fome? Porque eu sempre estou.

— Ah, eu também estou, mais você ainda não me disse onde o Percy está.

— Ele estava aqui, mais ai recebeu uma mensagem, e disse que precisava sair. – Deu de ombros. – Você quer ir comer em que lugar, eu conheço um ótimo lugar com hambúrgueres. – Disse colocando as mãos na barriga.

— Ahm, eu achei que no almoço de família, vocês comiam em casa.

Então ela começou a rir feito uma louca, chegou até a cair no chão.

— Você é mesmo uma piada. – Disse se recuperando e ficando séria novamente. – Hera, não sabe nem ferver água, quem dirá cozinhar.

— Ah, não deve ser tão ruim assim. – Disse esperançosa afinal a casa estava com visitas, ela não iria passar vergonha assim diante da família.

Ela estava prestes a discordar, mais um semblante de ideia passou por seu rosto, tipo quando uma lâmpada surge na cabeça de um personagem de desenho animado, então isso ai, ela puxou meu braço e me levou até a cozinha gritando animadamente.

— Almoço na mesa gente.

Por incrível que pareça ninguém mexeu um músculo sequer. Hera começou a empurrar Sally em direção á mesa, fazendo com que o resto se direcionasse á mesma. Jurei ter visto um olhar desolador de Sally á mesa.

Olhei em volta, Piper e Jason não estavam ali, estando somente eu, na ponta da mesa, não sei porque mais Thalia disse que aquele era o melhor lugar, Thalia e os quatro adultos.

Logo após uma mulher, acho que a faxineira, foi colocando os pratos na mesa, já preenchidos com a comida, começando por mim.

Olhei meu prato, que estava cheirando muito bem por acaso, e vi que era sopa de frango com leite de côco. ‘Que delícia’ pensei. Olhei para Thalia como se fizesse um sinal de posso comer, ela assentiu sorrindo. Comi.

—Ecaaa... – Falei um pouco alto demais e comecei a tossir falsamente no guardanapo, Hera me olhou feio. – Ecaaantadore, que delícia! – Ela franziu o cenho. – E que lá no Canadá dizemos isso, quando gostamos de algo.

Olhei para a mesa, Thalia, Poseidon, Sally, Zeus e a própria faxineira, estavam tentando evitar não rir. O quão acostumados eles estavam com aquilo. Sally fez sinal, discretamente, para o copo de água que estava ao meu lado, bebi imediatamente. Todos voltaram seus olhos para seus pratos e apenas beliscaram, Poseidon e Zeus saíram da mesa, com a intenção de falar de negócios, Sally disse que iria ao banheiro e Hera saiu da mesa furiosa, me fuzilando com o olhar. Thalia me olhou sorrindo sarcasticamente e perguntou.

— Então hambúrguer?

— Claro. – Disse erguendo as mãos, em sinal de rendição.

Ela riu.

— Então espera aqui, só vou buscar minha bolsa.

Assenti e fui para a sala, me sentei no sofá, logo após, Thalia desce as escadas e vamos para a porta, quando ela abre, me deparo com Percy Jackson segurando a mão da menina ruiva, aquela da festa que puxou ele da rodinha, prestes a tocar a campainha, que agora não era mais necessária. Suspirei, eu já estava magoada.