Uma Caipira em Minha Vida
2 Capítulo 2
Notas iniciais
As últimas semanas passaram tão rápidas que mal me dei conta que já estávamos nos últimos preparativos para o nosso baile anual do Halloween. Como já é de costume em nossa escola, todos os anos fazemos um baile em comemoração ao dia trinta e um de outubro onde arrecadamos alimentos para doar ao orfanato da cidade. Esse ano fui escalado para ser um dos responsáveis para a organização e resolvi convidar a Elle para me ajudar nessa difícil tarefa, já que eu mesmo não sei nada sobre organização e decoração, a única coisa que sei é sobre as bebidas e as gatinhas, mas infelizmente não tive como escapar disso, e para ser menos entediante e poder me livrar um pouco da Stace, chamei ela para ser uma espécie de assistente e aproveitei para ceder a um pedido de minha mãe. E naquele momento, acabei me relembrando de seu pedido.
— Noah meu filho, seja mais gentil com Elle. – Minha mãe pede, observando-me pelo reflexo do espelho enquanto escovo meus dentes. – Ela acabou de perder o pai, é nova na cidade e não tem amigos. – Faz uma pausa e acaricia meu ombro. Antes de sair do meu campo de visão ela se vira em minha direção e completa. – Porque não aproveita e a convida para sair com você e seus amigos nesse fim de semana?
Minha mãe encheu tanto o meu saco com esse papo de ser gentil com Elle e que eu deveria cuidar dela como um irmão mais velho, que cheguei até convidá-la para uma festa na casa da Stace, mas o único problema que minha nobre mãe não mencionou nesse meu ato de bondade, foi que eu seria exposto ao ridículo ao chegar acompanhado da caipira, na festa da minha namorada. Não que eu tivesse algo contra a forma que ela se vestia, mas eu tinha uma reputação a zelar. Pelo menos foi o que pensei ao perceber os cochichos nada discretos e as risadas, além das piadas. Não demorou muito para me arrepender profundamente por pensar de tal forma por estar acompanhado da garota.
Depois daquela festa desastrosa onde o idiota do Matt humilhou a pobre garota com a ajuda da Stace, eu resolvi que seria bom ser um cara legal com ela, afinal não deve ser nada fácil perder o pai; eu nem me imagino perdendo o meu pai, ele é o meu melhor amigo e o melhor companheiro que eu poderia ter. Além disso, Elle se mostrou uma garota interessante e agradável de se conversar, tirando a parte que tenho que ficar chamando sua atenção quando ela se distrai secando meu abdômen quando estamos na piscina; mesmo eu já tão acostumado com aquele tipo de olhar por parte das garotas, não consegui segurar uma provocação de minha parte.
— Você não quer um balde, Elleonor Blan? – Pergunto-lhe, jogando uma toalha em seu rosto, a tirando do transe. – Sei que sou muito gostoso, mas esse corpinho aqui, sinto-lhe informar, já tem dona, baby. – Seu rosto fica vermelho e no instante seguinte a vejo desviar sua atenção, mal conseguindo me olhar nos olhos.
— Idiota. – Diz ao levantar e virar as costas me deixando falar sozinho. – Você realmente tem um ego do tamanho de uma bola de futebol, não é mesmo, seu cretino, filhinho de papai?
Se enrolou na toalha que eu havia lhe jogado a segundos atrás, se virando em minha direção e me lança um olhar furioso acompanhado de um dedo do meio. Eu apenas deixo uma risada escapar, por conta de seu comportamento infantil, enquanto a vejo adentrar a área de serviço. Eu realmente não imaginei que ela faria tal ação ou que falaria tal coisa. Ela me surpreendeu, e por esse motivo antes que ela desaparecesse pela porta, eu decidi gritar.
— Quem lhe viu e quem lhe vê, senhorita Blan. Onde ficou as suas boas maneiras da menina do campo?!
E então vejo ela me encarar feio e fazer menção em vir em minha direção, mas ao contrário do que imaginei, ela volta ao seu trajeto, me deixando sozinho, rindo da situação. Por alguns minutos, ali sozinho, deitado na espreguiçadeira, me relembro dos nossos últimos dias juntos e chego a conclusão que a muito tempo não me sentia eu mesmo. Era como se eu tivesse descido de um palco e deixado o personagem do lado de fora. Quando estou com ela eu consigo me sentir leve e vejo o verdadeiro Noah Centineo que existe aqui dentro. Eu sei que ela ainda me acha um idiota riquinho, mas Elle tem me feito mudar muita coisa desde que chegou por aqui; com ela eu realmente posso ser sincero, um novo Noah, um cara que se importa realmente com o bem estar do outro e não olha só pros peitos de uma garota, não quando estou em sua companhia, pelo menos.
— Ei, Noah, preciso da sua ajuda aqui. – Sou arrancado de meus devaneios.
— Claro! Do que precisa Elle? – Lhe pergunto já me aproximando da mesa onde tinha alguns objetos da decoração.
— Então, estou em dúvida se fazemos o túnel mal assombrado ou não. Minha opinião é que dará muito trabalho e nosso tempo está bem apertado.
— Seria algo diferente, Elle. E digamos que seria o destaque do baile, depois, claro, da coroação pela melhor fantasia..., mas podemos resolver isso depois? – Digo essas palavras
enquanto respondo uma mensagem no celular.
Ela concordou prontamente e então deposito um beijo em sua bochecha antes de soltar um animado "você é demais garota". Eu não esperei por sua resposta, apenas saí do cômodo apressado para me encontrar com Alice; garota na qual eu conheci pelo app de namoro. Antes de fechar a porta do ginásio atrás de mim, por algum motivo que eu não consegui descobrir, dei uma última olhada para a garota que estava me surpreendendo e de alguma forma, conquistando meu respeito. Ela levantou a mão direita, acenando para mim, retribuí o aceno de imediato e saí em direção ao estacionamento.
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