**Noah Centineo**

— Noah…

Ao ouvir aquela voz pronunciar meu nome, me viro instantaneamente, olhando-a de cima a baixo e meus olhos se enchem luxúria quando a vejo; não consigo conter esse olhar. Não sei se ela percebeu, mas já não me importo mais também. Ela estava nervosa, pela forma que passava a mão no vestido. Quando me volto para seu rosto com marcas de sangue falso em um dos lados. Estava séria, apesar de sua voz estar calma, e eu me perguntei por um momento, se ela continuava com raiva de mim.

— Acho que estou pronta – Diz olhando a si mesma, com um sorriso inocente nos lábios.

Elleonor estava trajada de sua fantasia de chapeuzinho vermelho; parecia uma criança grande, era uma mistura de inocência com uma dose de sensualidade. Mas ela parecia um pouco desconfortável com a roupa, digamos que estava mostrando um pouco demais para uma jovem tão simples e comportada como Elle, mas nada que a deixa-se vulgar; a saia do vestido estava um palmo a acima de seu joelho e o decote deixou exposto um pouco do seu colo dando um leve destaque nos seios, sua capa era de um vermelho escarlate em veludo, uma maquiagem mais pesada que era de costume, mas que destacava o mar azul de seus olhos, algumas manchas de sangue falso se fazia presente por toda a fantasia. Fiquei extasiado com tal beleza, a jovem nem de longe lembrava a desajeitada que eu estava acostumado a ver nesses últimos tempos.

— Uau, baby! – É tudo que consigo dizer depois de alguns segundos contemplando sua beleza. – Mil vezes Uau – A vejo corar e no instante seguinte, eu me aproximo pegando em sua mão, conduzindo-a à saída. – Fazemos o par perfeito. – Falo baixinho, fazendo-a corar outra vez, e eu acho graça em sua maneira envergonhada. – Acredito que estou perdoado depois dessa demonstração de rubor – Brinco com a situação e ela abaixa a cabeça, por isso resolvo não estragar o momento com essa conversa.

— Acho que sim. – Diz meio sem jeito, enrolando uma mecha do cabelo nos dedos.

Quando paramos ao lado do meu carro que nos esperava à beira do asfalto, abro a porta para que ela adentre e a fecho em seguida, correndo para o outro lado, entrando e sentando-se atrás daquele volante. Respiro fundo, ao perceber que me sinto nervoso, como nunca aconteceu antes, principalmente por causa de alguma garota, e me viro para ela antes de ligar o automóvel.

— Você está adoravelmente linda essa noite, srta. Elleonor Blan. – A elogio e posso ver o rubor tomar conta de sua face, essa reação se tornou rotineira essa noite.

— Você também est-está muito bem apresentável. – Diz um pouco envergonhada, antes de quebra o nosso contato visual, olhando pela janela, encontrando nossas mães. Ela dá um sorriso e acena para elas que nos observava do lado de fora, e com um aceno de mãos da minha parte também nos despedimos, antes de seguir nosso destino. E seja o que Deus quiser, digo para mim mesmo.

Narrador

Realmente o belo casal foi o destaque daquele baile. Cada um dos presentes se surpreenderam ao perceber que Noah e Elle chegavam juntos; após aquela manhã onde Elleonor havia tido suas fotos de lingeries exposta por Stace Black, o casal de amigos não foi mais visto juntos e rolava pelos corredores que havia sido ele o responsável por entregar o celular a Stace. Mesmo ele repetindo o mesmo discurso por semanas que jamais faria tal coisa com Elle, ninguém acreditava, já que o mesmo não tinha uma boa fama.

Ambos tomaram seus postos e sorriam para todos que adentravam as portas do grande ginásio. Noah estava sendo simpático e gentil até com os derrotados da escola, e nada daquilo era forçado, o garoto havia mesmo mudado e a responsável por aquela mudança estava bem ao seu lado. Ele a olhava com ternura, o que o fez perceber que algo dentro dele havia mudado em relação a garota, e não era apenas admiração que ele tinha por ela, era algo mais profundo, algo que ele não havia sentido por mais ninguém em toda a sua vida, nem mesmo por Stace. Todos pareciam estar mesmo se divertindo e volta e meia o casal era parado por seus colegas, professores e diretor, que os elogiava pelo belo trabalho.

— Pessoal! Ei, pessoal, preciso da atenção de vocês por um minuto.

Gritava o moreno na tentativa falha de chamar a atenção dos demais, mas era em vão pois todos riam e o ignoravam, talvez por conta da música um pouco alta. Então um assobio alto chamou a atenção dos colegas mais próximos que assim gradativamente fez chamar a atenção dos demais. Havia sido Elleonor a protagonista do jeito gentil de chamar a atenção de toda aquela gente. E ele se surpreendeu por tal ação, principalmente por ela não gostar de chamar atenção.

— Obrigado! – Noah diz rindo para a mesma, que abaixa o olhar envergonhada.

– Bom, pessoal, quero agradecer a presença de todos aqui. Eu e Elle estamos muito felizes que estejam gostando da festa, quero também agradecer ao meus colegas do time que ajudaram na decoração e principalmente no nosso túnel mal assombrado. Lá dentro tem algumas surpresas e esperamos que todos morram de medo. – O término de sua fala arranca risadas de todos os presentes. Noah pega na mão de Elle e a mesma sente seu coração saltar tão forte que uma dor lhe atinge o peito, sentia seu rosto quente e ria timidamente.

– Tudo isso aqui dentro... – aponta para o portão velho que dava entrada ao túnel. – Tudo isso foi possível por causa dessa garota incrível que foi a mentora dessa idéia brilhante.

Quanto mais ele a elogiava, mais suas mãos suavam, ambos estavam sentindo borboletas no estômago e tudo que Noah queria era ter um momento a sós com Elle. O túnel havia sido inaugurado, e já era notório seu sucesso; os gritos dos casais que adentravam era ouvido por todo o ginásio. Quando tudo parecia ter se acalmado e todos seguiam suas atividades pelo ambiente tranquilamente; uns se amassavam em um canto, outros dançavam ao som de uma música lenta dos anos sessenta; Elle e Noah apenas observavam de longe a movimentação tranqüila.

— Venha, quero te levar a um lugar especial. – Noah pega em sua mão e ambos caminham em direção ao campo de futebol, que era iluminado pelos grandes refletores.

A noite estava linda, a lua estava cheia e dava a impressão que poderia ser tocada com a ponta dos dedos, o céu negro parecia uma tela onde o pintor respingou tinta enchendo de pontinhos brilhantes; nem com todos os anos que ainda tinham, eram capazes de contar as estrelas acima de suas cabeças. O clima era agradável, a brisa fresca batia contra a pele ainda quente de Elle fazendo seus pelo eriçarem. Eles caminham de mãos dadas até a arquibancada e com a ajuda de Noah ela sobe no ponto mais alto.

— É tão lindo. – Fala ao olhar para o céu.

— Esse lugar me traz paz. Lembro-me de vir aqui sempre que preciso pensar. – Agora seu tom de voz se torna baixo e melancólico. – Elleonor, acho que precisamos conversar. – Diz, olhando nos olhos da garota, que o encara nervosa.

Ela sabia que ele iria querer expor sua versão dos fatos e mesmo ela tendo o perdoado pelo que o garoto por quem era apaixonada supostamente fez, aquilo ainda a feria, era o seu ego que foi jogado na lata de lixo, sua autoestima que foi esmagada e lançada ao porcos, o seu orgulho tentou falar mais alto a noite toda e ela o engoliu, mas não saberia como reagiria se Noah tocasse naquela ferida outra vez.

— Noah eu já o perdoei, foi difícil, mais eu o perdoei. – Ela o interrompe. – Por favor, esqueça esse assunto, não quero relembrar isso, não hoje pelo menos.

Mesmo contrariado o garoto se cala, tudo que ele menos queria era trazer a tona toda a vergonha que a garota sentia e a dor que ainda rasgava em sua carne. Ele se lembrou do conselho que seu pai o dera, que um homem sábio sabe o momento que deve falar e o momento que deve se manter calado e aquele era o momento de se manter calado.

— Daqui dá para ouvir o som das ondas. – Ela comenta o trazendo de volta a realidade. – Eu nunca imaginei que um dia poderia me apaixonar por esse som, pelo som das ondas quebrando na costa.

Realmente dali dava pra ouvir o som violento das ondas batendo nas rochas, a escola ficava a pouco mais de quinhentos metros de distância da beira mar, e com o silêncio da noite dava para ouvir o som vindo das águas e era como calmante para a alma. Ele sempre fora apaixonado pelo mar, não sabia como seria sua vida se morasse longe daquele que é a sua outra metade.

— O mar é apaixonante, basta você molhar seus pés em suas águas, para sentir suas energias sendo recarregadas. Ele é o grande Hermano, ele bate e te abraça ao mesmo tempo, te manda pra longe e te puxa pra perto, ele é teu amigo e teu inimigo, mas tudo nele depende de como você o trata. Eu o vejo como minha outra metade, sempre que estou mal eu venho e dou um mergulho e sento na beira da areia e fico olhando as ondas vir e ir, é como se ele falasse comigo, sabe? Não sei explicar, só sei que me sinto acolhido quando estou em contato com ele.

A garota o vê falar de seus sentimentos pela natureza como uma criança empolgada contando a mãe sobre o novo coleguinha de turma; Noah parecia uma criança, ele ria e articulava com as mãos e falava e falava e Elle nem via o tempo passar ao lado dele. O casal de amigos havia perdido a noção do tempo; ele contou a ela de todas as vezes que o pai o levou para navegar em alto mar, contou- lhe da primeira vez que conseguiu se equilibrar na prancha e que se sentiu tão orgulhoso dele mesmo, mas que no segundo seguinte uma onda traiçoeira o jogou e o afundou e ele achou que ali era o seu fim, eles riram descontroladamente da fatalidade que lhe acontecerá anos atrás.

— Você fica ainda mais linda quando sorri. – O Garoto comenta enquanto coloca uma mecha do seu cabelo atrás de sua orelha.

Ela sorri timidamente para ele, Noah sente seu coração acelerar nesse momento, e tudo que ele desejou ali foi selar os seus lábios nos de Elle e a tomar para si. O garoto já estava ciente de seus sentimentos pela mais nova, ele tentou renegar essa atração por ela, tentou se convencer que era puro fruto de sua imaginação, tentou de todas as formas, não acreditar que estava realmente sentindo-se daquela forma por Elle, mas de nada adiantou, quando mais ele tinha seu desprezo, mais ele a queria; ele sabia que já a amava, só demorou em admitir isso a si mesmo.

— Você é linda. – Não consegue conter o elogio para si mesmo, e ela sustenta seu olhar fixo no dele. – A mais linda que já conheci em toda a minha vida.

E antes que a garota pudesse esboçar qualquer palavra, Noah quebrou a distância que havia entre eles, quase que colando seus corpos, olhou mais uma vez naquele mar azul e desceu com seu olhar para os lábios tingidos de vermelho da garota, e sem pensar direito ele os selou, pegando a mesma em total surpresa. A primeiro momento ela tentou recuar, mas ele entrelaçou sua cintura com seus braços fortes e a trouxe para si. Elleonor esperou tanto por esse momento, mesmo com todo o ódio que sentiu por ele, mesmo Emmy dizendo que ela deveria tirar aquela paixonite boba de sua cabeça por que Noah não valia nada, que ele era um babaca convencido, mesmo o mundo mostrando que ela iria quebrar a cara se continuasse a nutrir sentimentos por ele, mesmo assim ela ainda desejou sentir o gosto do seus lábios, e por isso resolveu ceder pelo menos uma vez na vida o desejo de ser apenas uma adolescente boba e apaixonada pelo boy errado.

Noah havia realmente mudado e isso era nítido; a forma como ele tratava as pessoas, principalmente seus colegas na escola, a forma como ele se abria com ela, ele até confessou suas traições a Stace e pediu perdão, claro que ela não aceitou o que ouviu de bom grado e distribuiu boas bofetadas em seu rosto, e ele as aceitou pois achava que merecia; ele fora um canalha com a garota por quem tinha um relacionamento, claro que a loira não deixou por isso mesmo e espalhou boatos comprometedores sobre o garoto por toda a escola, mas Noah apenas os ignorou, não se importava mais com sua reputação intocável. Tudo que o importava era se acertar com Elleonor e lhe pedir perdão por ter a feito sofrer.

Enquanto eles se beijavam, um filme dos melhores momentos deles juntos passou pelos pensamentos do garoto, e por isso ele aprofundou o beijo, sentindo a respiração ofegante de Elle bater contra seu rosto e contrastar com a brisa gélida da noite, suas delicadas mãos agora tocavam sua nuca e seus dedos finos e longos entrelaçam em seus cabelos os puxando levemente, ele estava completamente entregue àquela garota, ele tinha a certeza que a amava e já não havia mais medo em esconder seus sentimentos por ela. Quando o ar faltou, o casal terminou o beijo; o primeiro beijo de amor que ele deu em alguém em sua vida, o gosto de maça verde dos lábios de Elle se espalhou por toda a extensão de sua boca o fazendo desejar ainda mais os seus beijos.

— Elle…

Ele se levanta e a olha fixamente, e então, sem pensar muito ele, se declara a ela. A garota sorri do modo engraçado como Noah se embola em suas próprias palavras; ela amava aquele jeito criança que ele tinha quando ficava nervoso, ele estava ruborizado e os fios que escaparam de seu pentiado agora cobriam um de seus olhos dando um certo charme ao garoto. Elle se levantou e selou outra vez os lábios de ambos, e sobre o luar daquele sábado a noite, Noah declarou seu amor puro e verdadeiro a Elle e a pediu em namoro; a noite não poderia ter sido mais perfeita para ambos.

**Noah Centineo**

Ela foi meu primeiro amor. Sabe, aquele amor verdadeiro, que você sente que ao abrir a boca um turbilhão de borboletas saem voando por ela? Era essa a sensação que eu sentia quando estava com Elleonor, em todas as vezes que nossos lábios se tocavam eu me sentia como um menino, ela me fazia me sentir leve, me sentir eu mesmo, juntos fizemos juras de amor eterno. A primeira vez que fizemos amor; ainda sinto o seu cheiro, era um aroma de flores do campo, ela estava tão nervosa e eu não ficava atrás, mas no fim foi a melhor noite de minha vida e também foi a última, pois na manhã seguinte eu embarquei no meu voo para Boston e sem ao menos me despedir dela, eu parti, deixando com ela o meu coração e todo o amor que eu fui capaz de sentir por uma garota. Na época achei que estava fazendo o certo, mas no segundo seguinte que embarquei, me dei conta da burrada que havia feito, só que já era tarde demais; foi naquele momento que eu percebi que perdi o amor da minha vida. Eu liguei algumas vezes, mas em todas elas Elleonor se negou a falar comigo. Com o tempo eu desiste, e já não ligava mais, nem mesmo para ouvir sua voz. Agora, quatro anos depois, Deus, cá estou eu de volta a minha casa. Olho para a porta da entrada, criando coragem para tocar a campainha.

— Meu filho que bom lhe ver. – Meu pai me diz me abraçando, ao abrir a porta.

Pego minha bagagem quando ele se afasta e entro na casa que vivi toda minha adolescência; nada mudou por aqui, mas algo ali estava faltando, alguém faltava e era Elleonor. Meus pais me colocaram apar de tudo; ela havia ido embora na semana seguinte da minha partida para a faculdade. Me disseram que ela estava devastada, a vida da pobre garota não melhorou depois que a deixei, sua mãe faleceu no ano seguinte. Hoje Elle se tornou uma grande empresária na cidade na área da estética e se casou a poucos meses com um dos nossos ex-colegas da escola, segundo minha mãe, foi com Scott. Eu me lembro muito bem dele, era um dos garotos que eu implicava no primeiro anos, ele era um nerd da computação, um tanto esquisito; não entendo como ela fora capaz de se apaixonar por ele.

Aquelas novidades não me fizeram bem e eu resolvi dar uma volta para espairecer os meus pensamentos. Caminhei até o parque onde sempre ia com ela, me sentei embaixo da nossa árvore favorita, lembrei do nosso piquenique, nossas iniciais ainda estavam ali; havíamos jurado amor eterno e selado nosso pacto de sempre ser verdadeiros um com o outro sobre nossos sentimentos. Fiquei ali por muito tempo, não via muitas pessoas passar, afinal era uma terça-feira a tarde, mas algo me chamou a atenção. À alguns metros de onde estava, vi aquela figura femininas que andava de mãos dadas com um jovem rapaz de óculos e barba por fazer, meu coração saltou no peito e uma dor forte o atingiu, senti como se minha carne se rasgasse em meu peito. Era ela, estava um pouco diferente; os cabelos estavam curtos na altura do pescoço e agora tinham um tom negro, ela havia os tingido, seu sorriso continuava o mesmo, estava em um vestido florido e sandálias baixas; nem de longe parecia com a jovem caipira brega que havia me apaixonado a anos atrás, e por um momento eu o invejei; ela parecia tão feliz ao lado de Scott. De repente ele a puxa e sela os lábios da mulher por quem ainda amava, e eu assisto de camarote o amor deles. Ela o beija com paixão, é um beijo demorado, suas mãos acariciavam sua nuca e as dele seguravam delicadamente sua cintura, e eu sinto uma lágrima atingir minha pele quente pelo sol da tarde; ela havia se esquecido de mim, o amor que me jurou agora era de outro e o culpado de tudo era somente eu.

Eu e só eu.

Aquela cena havia acabado comigo, com os olhos cheio de lágrimas me levantei e sai pelo lado contrário deles, não queria ter o desprazer de ter que os cumprimentar, eu ainda a amava e a ver nos braços de outro me machucava, não saberia se um dia seria capaz de tirar esse amor de dentro de mim. O medo me fez fugir pra longe, quando meu coração pedia para eu ficar, eu escolhi meu futuro e fui inconsciente achando que ela iria me esperar, eu a perdi naquele segundo seguinte do nosso último beijo e esse seria meu castigo por tudo que fiz aquela linda, tímida e perfeita garota do campo.

Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com frequência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar. – William Shakespeare
Notas finais
Obrigado por quem leu.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!