Uma Brincadeira de Verão...
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Os dois jovens corriam em direção a algo, esbarraram em várias pessoas e se desculpavam com as mesmas. Depois de alguns curtos minutos chegaram à entrada do bosque. O moreno passou correndo por entre as árvores e foi seguido pelo, agora, namorado, deram alguns esbarrões em algumas árvores, mas nada que os impedisse de prosseguir.
Os dois pararam perante o penhasco que os levaria até a represa.
– Como chegaremos lá embaixo? – o mais novo perguntou.
– Eu não tenho ideia.
– Vamos lá, pessoal... não desistam disso não. Vocês vão me encontrar, aí será minha vez de procurar vocês... – Ana observava tudo em pé atrás dos dois
– Eu vou até lá embaixo, você espera aqui.
– Por quê? O que vai fazer?
– Eu vou descer.
– Como pretende fazer isso?
– Você vai descobrir agora.
– André! – o loiro gritou quando viu o outro se jogar ladeira abaixo
O moreno se jogou e capotou vrias vezes até chegar onde queria, o loiro não ficou ali parado, pulou também, mas este conseguiu manter o equilíbrio e ficar sobre as duas pernas, mas ao parar não conseguiu “frear” e tropeçou se chocando com uma árvore.
– Hey, cabeção, não te falei pra esperar lá?
– Ficaremos juntos, lembra-se?
– Idi... – o moreno não concluiu a frase, ao olhar para o outro viu que a testa do mesmo estava sangrando – Sua testa!
– O que tem?
– Tá sangrando, ai meu pai!
– Relaxa, não é nada grave. – o loirinho passou a mão sobre a testa sujando-a um pouco de sangue
– Mas...
– Sem frescura, vamos adiante.
– Mas Carlos...
– Eu estou bem, muito bem... vamos logo.
– Tá bem...
Os dois começaram a caminhar em direção à água que estava um pouco distante da base do morro que acabaram de descer. Próximo às águas nem tão rasas os jovens procuravam por algo incerto, algo que eles nem sabiam se realmente estaria ali depois de tantos anos.
– Será que nos enganamos, André?
– Eu acho que sim... – o mais novo se abaixou, pegou uma pedra e jogou sobre a água. A mesma quicou por um tempo, mas ao parar ouviram um som oco.
– Você ouviu?
– Ouvi sim.
– Tem alguma coisa aqui sim.
– Topa nadar um pouco?
– Você já se jogou de um “penhasco”, deixa que eu entro na água.
– Tá bem.
– Hihi... – a menina encostada numa árvore apenas observava feliz.
O mais velho tirou os sapatos e a camiseta, mergulhando em seguida. Ficou submerso por alguns segundos e surgiu com um sorriso feliz no rosto.
– André...
– Que foi?
– Eu avisei vocês para deixarem a menina descansar, ela já cumpriu sua jornada! – a mulher de negro surgiu à margem do rio
– Ela é nossa amiga, nunca a deixaríamos para trás.
– O André está certo, amigos nunca ficam para trás.
– Vocês são realmente teimosos... – a figura sorriu – Eu os admiro pela coragem de desafiar a morte.
– Como é? – o mais velho disse incrédulo
– Vocês me convenceram, eu lhes mostrarei o que querem saber... assim poderão libertar essa amiga de vocês.
Carlos foi suspenso e flutuou sobre a água, André também flutuou até a mulher e uma intensa luz branca tomou todo o lugar,
Ao abrirem os olhos, os jovens notaram que estavam no bosque outra vez.
– Hey! Você está roubando, Andé! – a garotinha morena disse com uma cara de irritada
– Eu? Tô roubanonada, estou vencendo de forma justa! – o garotinho rebateu
– Mentiloso!
– Chata!
– Gente! Para... mas que coisa... vamobincarde outra coisa e plonto. – o loirinho disse já com as bochechas coradas de irritação.
– Vamo bincar de siconde-esconde! – a menina se levantou do chão, onde os três brincavam com bolinhas de gude – Eu me escondo, vocês contam até xeme vão me plucular!
– Mas como... isso é impossível. – Carlos não acreditava que estava se vendo ali
– Vamos, a menina vai se esconder.
Os dois obedeceram e seguiram a “coisa” prontamente. Viram a menina pôr a boneca encostada numa árvore.
– Fique aqui, Serafina, eles não vão encontrar a gente se a gente ficar separadas. (N/A: Tipo, só pra deixar as coisas mais melancólicas, quem quiser... ouça essa musica enquanto lê a parte seguinte: www.youtube.com/watch?v=sZ50D8khWb4)
A menina prosseguiu, se escondeu atrás de uma árvore, mas pensou estar muito obvio. Andou mais além até chegar à beirada do morro. Viu que não teria para onde ir, virou-se para sair dali, mas seus olhos se encontraram com os de um homem de blusa xadrez e calça jeans, este estava com uma maleta de couro sob o braço direito.
– Quem é você?
– Eu... não sou ninguém.
– Tá bincando de siconde-esconde também?
– Eu estou... posso te ajudar com um esconderijo.
O homem largou a balize no chão por alguns instantes e foi até a garota, tapou sua boca com uma das mãos e, com a outra lhe quebrou o pescoço.
– Ana! — o moreno gritou
– Não... pode ser... – mesmo tentando segurar, as lágrimas rolaram pela face do loiro.
– Maldito! Ela era uma criança inocente! – o outro também já chorava
Baltazar pegou Ana em seu colo e a jogou de cima daquele lugar, pegou a mala sorridente e seguiu seu caminho.
– Dois dias depois disso o comparsa o matou para ficar com todo o dinheiro desse assalto, ele matou essa garotinha sem motivo... e seu corpo jamais havia sido encontrado, até hoje. Peguem-na, tenho certeza que há coisas importantes que ela gostaria de lhes dizer.
Um novo brilho surgiu no local, os dois garotos voltaram para onde estavam, o loiro apenas mergulhou e nadou até o fundo daquele lago e localizou a amiga, estava pálida, com a pele totalmente enrugada. Mesmo sendo algo considerado nojento por muitos, ele não se importou. Pegou a garotinha no colo cuidadosamente e nadou de volta para a superfície. O moreno estava sentado no chão aguardando com uma expressão de dor que sumiu assim que viu o amigo novamente.
– Me ajude aqui...
– Tá.
Os dois retiraram o corpo da água e o deitaram no chão, o mais velho se sentou ao lado da menina e acariciou seu rosto com a ponta dos dedos.
– Chatonilda... – o garoto disse baixo
– André!
– Desculpe... não resisti.
– É... parece que vocês nunca vão mudar.
– Ana! – os jovens disseram em coro e olharam para a menina que surgiu com Serafina nno colo, com a barriga costurada.
– Depois de tantos anos, vocês finalmente me acharam.
– Eu disse que te encontraria. – o moreno disse convencido
– É, você continua bobo.
– Ana... me perdoa.
– Pelo que?
– Eu impliquei muito contigo, não queria ter feito aquilo tudo contigo.
– Você é mesmo bobo... você sabe que era nosso jeito de se gostar.
–Ana! Me perdoe, eu não quis demorar tanto pra te achar.
– Carlos, eu gostava de você... gostava de você para casar... mas eu já sei que você e o André se gostam.
– A gente se ama...
– Eu não queria, mas agora que vocês me acharam eu posso descansar e vai ser o adeus definitivo nosso...
– Não, Aninha! – o moreno disse
– Eu queria que você ficasse mais com a gente...
– Eu também queria, mas...
– Ana, eu te amo.
– Hã? – a morena arregalou os olhos, nunca esperava ouvir aquilo vindo daquele que tanto a “atentava”
– Eu também te amo, Ana!
– Vocês dois não podiam simplesmente dizer “adeus”? – os olhos da menina se encheram de água – A Ana também ama muito vocês, ela quer brincar mais... Eu vou encarnar em outra criança, nós três vamos brincar muito ainda... mas agora, por favor...
Os dois rapazes secaram as lágrimas e abriram sorrisos de alegria sincera.
– Digam... por favor... Carlos, André... digam agora. – uma iluminação nada normal surgiu no corpo da menina, no peito, junto ao coração, com isso o sol também ia se pondo.
– Ana... nós te achamos!
– É... me acharam...
A garota se iluminou mais e se transformou em algo que parecia uma estrela e entrou em seu corpo, o loiro colocou a boneca sobre o corpo da amiga. O moreno pegou o telefone e discou o telefone da emergência.
– Alô, emergência... preciso da policia e de bombeiros aqui... nós encontramos um corpo.
Após conversar com a moça e dar uma localização o jovem foi até o loiro e o abraçou.
– Carlos, te amo.
– Eu te amo mais, André. – o loiro beijou o namorado que retribuiu o beijo prontamente, mas com alguns segundos parou – André?
– Perdão... – o moreno desmaiou sobre o colega, os dois deslizaram até o chão
– André! – o mais velho olhou para as mãos e viu que estavam sujas de sangue e gritou desesperado pelo jovem – André!
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Já era noite, por volta das oito, André estava deitado sobre sua cama enquanto o loiro esperava que ele acordasse.
– Ele teve anemia.
– Anemia?
– Sim, porque ele se feriu e continuou fazendo esforços... perdeu sangue, mas já dei o remédio que ele precisava e estanquei o ferimento.
– Ele ficara bem, né?
– Sim, quando ele acordar vai precisar apenas tomar um comprimido e comer muitas frutas... ficará bem.
O loirinho lembrou-se da conversa que tivera com o médico horas antes.
– Olha se isso é o Paraíso eu já estou gostando. – o moreno disse baixo e abriu os olhos devagar
– Você me assustou muito, por que não me disse que tinha se machucado idiota?! – o mais velho encheu o mesmo de beijos
– Desculpa... não quis te preocupar.
– Me preocupou de todo jeito, idiota... se eu te perdesse... eu não sei o que faria.
– Você nunca vai me perder, meu amor.
– Promete?
– Prometo. – o loiro olhou para o teto – Droga! Temos que ir pra casa da Ana!
– Não podemos.
– Por quê?
– Os nossos pais e os pais dela estão limpando lá.
– Os pais dela?
– Sim, voltaram quando souberam que ela foi encontrada, o velório vai ser amanhã.
– Isso é cabuloso.
– Tome seu remédio e volte a dormir.
– Passa essa noite comigo?
– Claro... posso dormir aqui.
– Quem falou em dormir?
– André!
– Brincadeira...
– Bobo.
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A noite se passou rápido, próximo às nove horas os dois jovens já se arrumavam, o mais novo ainda sentia certa dor nas costas onde havia machucado, mas trocou os curativos e vestiu seu terno. Seu coração quase parou de bater quando viu o namorado com aquele terno negro, mesmo não sendo um tipo de roupa provocante ele pensou “Ficou sexy...”. o loiro notou o olhar do outro para si, mas ignorou.
O velório foi feito, um dos mais bonitos que a mãe deles já haviam visto. Após o acontecimento, os dois jovens reuniram seus pais na casa do moreno. O loiro corado começou a falar.
– Bem... eu e o André temos algo a dizer.
– O que foi? Não mataram ninguém, certo? – Beto(Pai de André) perguntou preocupado.
– Não pai, nada disso.
– E o que foi? Estou ficando preocupado já.
– Verdade, clima tenso. – a loira disse
– Bem é que eu e o André...
– Eu e o Carlos estamos namorando!
– Ah... é isso.
– Meu filho, todos nós já sabíamos disso. — Cácia disse
– Sabiam? – os dois perguntaram em coro.
– Sabíamos. – os pais responderam em coro
– E não vai ter problema?
– De modo algum, só cuide bem do meu campeão. – o pai do loiro disse
– Bom... aproveitando que todos estão aqui em casa, que tal um churrasco? – o pai do moreno sugeriu.
Naquela noite todos festejaram beberam, com toda aquela alegria até mesmo a mensageira da morte que observava de não muito longe sorria, dois seres vivos desafiaram a própria morte para salvar uma alma confinada há tempos, atrás da figura surgiu a menina sorridente.
– Eu vou voltar, meus amigos... brincaremos juntos por muitos e muitos verões.
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