– Menina você sabe com quem está falando?

Uma velha que não sabe oque diz!Foi oque eu pensei em dizer,mas se eu dissesse isso estava pedindo para apanhar.Me levantei devagar,com ar de quem estava provocando.Olhei para ela.Por mais que eu estivesse mais baixa olhei com ar de superioridade e disse:

– Sei sim.Uma mulher que acusa um menino que nem mesmo pode se defender e contar sua parte da historia.

– Então deixe ele contar! – Disse a juíza.

O Rodrigo se levantou e voltou ao banco dos réus.Ao sentar-se a advogada dele olhou com um ar conte tudo que você me contou.E ele começou a dizer:

– A cerca de dois anos eu conheci uma menina chamada Daniely,no qual nos apaixonamos e ficamos juntos por um certo tempo.Nesse tempo eu tive que ir para o Acre,um dos estados que você disse que eu fui.Fui para o Acre,fiquei um tempo.Depois de um mês mais ou menos eu recebi uma ligação da minha mãe me mandando voltar na semana seguinte e nesse mesmo dia eu recebi outra ligação falando que a Daniely tinha se machucado.Eu implorei pra minha mãe me deixar voltar mais cedo,mas ela não deixou.Na semana a mais que eu fiquei teve um assassinato na cidade que eu tava.

Todos estavam ouvindo com muita atenção,até mesmo eu.Eu já conhecia aquela historia de cor,mas ouvir mais uma vez sempre tinha emoção.A juíza estava igual a todos,vidrada na historia dele.Minha mãe estava com cara de toda mãe na historia dos outros,com cara de deboche.Mesmo assim ele continuou:

– Na semana seguinte eu voltei e a Daniely ainda estava machucada.Fui até a casa dela,tentei falar com ela,eu fiz de tudo mas os pais dela não deixavam.Depois de três semanas tentando eu fui até a escola dela e lá estava ela saindo 12:20 do portão.Corri até ela,ela me deu as costas e saiu rindo com as amigas e logo sem seguida um cara veio por trás dela e a abraçou foi então que eu percebi que não tinha mais nada com ela e ela nada comigo.

Ouvi a porta abri e olhei para trás,era a Daniely.Ela estava tentando ser discreta para que o Rodrigo não a visse mas foi tarde demais.Ele já a avia visto.O Rodrigo parou de falar no mesmo instante e todos voltaram seus olhares para ela.Ela começou a ficar vermelha e disse:

– Eu só vim assistir.

Nesse momento o Rodrigo tornou a falar seriamente e olhou para mim algumas vezes,mas com toda a emoção e percebi que ele estava se segurando para não chorar.

– Eu percebi que ela estava vivendo sem mim então eu deveria viver sem ela.Escrevi vários poemas para ela pedindo perdão,um deles até a Abigail leu,foi assim que começamos a nos conhecer.Eu segui a minha vida.Comecei a estudar bastante,nem saia mais com os amigos.Comecei a achar que só existia a carreira financeira e não a social.Me fechei totalmente.Depois nas férias de final de ano eu fui para outro estado o Rio de Janeiro.Eu não gosto de dizer isso mas o Rio não tem muita segurança e todos os dias varias pessoas morrem lá.Por que quando eu fui para lá foi que contou os estupros,assassinatos e sequestros?

Nesse momento a Advogada contraditória se levantou e começou a dizer que aquilo não era argumento para o Rodrigo dizer e a juíza falou para ela se retirar porque não teve permissão para dizer nada.O Rodrigo tornou a falar:

– Pois bem,viajei para o Rio e sai de lá e fui para a Bahia ficar com alguns parentes que tinha por lá.Fiquei muito tempo e houve um sequestro perto de onde eu estava,mais uma vez vocês me culparam.Eu decidi que São Paulo era meu lugar e nada nenhum outro.Voltei para São Paulo e decide mudar de escola.Poucos dias antes das aulas começarem eu esbarrei com a Abigail na rua.Ela derrubou meus livros de estudos no chão. – Ele disse isso e deu risada,como se estivesse se lembrando daquele momento e oque aconteceu depois. – Depois disso eu nunca mais vi ela até nos encontrarmos na escola.Nunca imaginei que a Abigail estaria naquela escola,tinha feito novas amizades.Por mais que estivesse concentrado nos estudos achei que conversar,entrar um pouquinho na vida social não me faria mal.

– Tudo isso é oque você tem a dizer?

Essa voz eu já a havia escutado de algum lugar e não me lembrava de onde.Logo em seguida entrou um homem alto e muito bem vestido no tribunal.Ele começou a olhar o Rodrigo de cima a baixo e o Rodrigo fez um olhar meio que de medo.

– O que...O que...O que você quer dizer com isso? – Disse o Rodrigo meio que gaguejando.

– Nada,só lhe fiz uma pergunta.Por que você está gaguejando?Está devendo?

– Não! – Disse o Rodrigo levantando o tom de voz.

– Então,continue seus argumentos.

O Rodrigo continuou a contar,mas meio cismado.E eu me lembrei quem era aquele homem,no qual era me familiar.Era o pai do Rodrigo,um homem meio severo e foi por isso que a mãe do Rô tinha se separado dele.Porque quando o Rô tinha 5 anos ele ganhou um gatinho.Aquele homem jogou literalmente o gato no meio da rodovia com o Rodrigo dentro do carro.O Rodrigo viu aquela cena e ficou traumatizado,ele correu para mãe assim que chegou em casa e contou sobre o gatinho,ela na hora ligou para o advogado e pediu para fazer os papeis do divórcio.O Rodrigo nunca mais falou com o pai depois disso.Mas logo ele começou a contar fatos que eu nunca tinha pensado e disse:

– Eu entrei na vida social,voltei a ser um garoto extrovertido que eu era,até que eu me apaixonei loucamente pela Abigail.O sorriso dela,o jeito de falar,até mesmo o jeito que ela disfarçava quando eu a via na escola.Tudo isso era um pacote completo pra mim.Sabe quando você sonha com alguém que de repente está na sua frente? – Ele disse isso e olhou para o guarda que estava na porta. – Pois é,foi exatamente isso que precisa.Então eu fiz de tudo.Tentei conquista-la ,dei meias indiretas até mesmo olhava as vezes com um olhar diferente,mas mesmo assim ela não notava.Ela só me via como amigo e parecia que isso nunca mudaria.Mas um dia sem querer,estávamos na casa dela e eu deixei escapar,deixei a verdade sair.Ela não escutou e logo dei as costas.Dias depois ela tentou falar comigo,mas quem não queria falar era eu.Ela corri para perto de mim e eu corria para longe.

Neste momento eu já estava com lagrimas nos olhos.Ele realmente sentiu isso desde o inicio mas não queria admitir nem para si mesmo e muito menos para mim.Nesse momento eu voltei a prestar atenção nele.

– Depois de um tempo a amiga dela Ana Beatriz veio atrás de mim para conversarmos,porque a Abigail já não estava mais sendo a Abigail.Ela não sorria,as pessoas iam falar com ela,ela dava as costas e isso já estava ficando chato.

– Eu protesto! — Disse a Daniely,que estava na sala e também estava com lagrimas nos olhos. – Ele disse isso para mim e era mentira.

– Não era mentira. – O Rodrigo disse não muito alto.Ela ouviu e voltou a se sentar.

– Eu falei a verdade para ela,mas a verdade era que também estava difícil para mim.Eu também sentia falta dela.E nada iria mudar porque eu amava ela.Quer dizer,amava não eu amo.

Nesse momento nem mesmo a juíza aguentou.Ela começou a pegar um lenço dentro da bolsa.Quase não dava para perceber,mas ela estava com lagrimas nos olhos como quase todos que estava no tribunal.

– Eu me entendi,e a Abigail me explico que nunca tinha me visto daquele modo,porque ela nunca tinha parado para pensar se eu sentia algo mais,porque com certeza eu não sentia.Mas a verdade era que ela tinha esse sentimento adormecido e nunca tentou acorda-lo,mas quando acordou deu para perceber que foi para valer.Nós ficamos juntos,eu tive que ir para Minas Gerais de novo e eu fiquei sabendo que ela havia sofrido um acidente.Eu voltei correndo,dessa vez sem nem mesmo perguntar para minha mãe simplesmente vim e ela nem ficou sabendo.Nesse dia nunca mais nos separamos até o dia que brigamos e terminamos.Então ela passou a noite na minha casa e começaram a dizer que eu era um assassino,sequestrador e outras coisas.Há todos que estão presentes aqui,EU NÃO SOU NADA DO QUE DISSERAM.A Abigail é a única que esta do meu lado porque ela me conhece.Eu nunca fiz mal a ninguém e se fiz com certeza não foi porque.

Nesse momento ele meio que ficou de bruços no balcão em frente a cadeira dos réus com lagrimas nos olhos,como quem dissesse eu não fiz nada.

– Eu nunca faria mal para ela e para ninguém.

Nesse momento eu sai dos banco dos telespectadores e fui correndo até ele.Os seguranças tentaram me segurar mas eu fui mais rápida e lá dei o maior abraço nele que já havia dado.Todos fizeram “Ho que fofo” ou algo do tipo,mas eu não liguei a mínima.Oque importava era que o Rodrigo estava chateado e eu estava ali para ajudar!