Notas iniciais
Boo

Numa época de inverno em Fortaleza onde chovia bastante e a noite no pequeno bairro da cidade era deserto e afugentava qualquer alma viva com sua pouca iluminação, aconteceu um causo que você provavelmente já tenha ouvido falar – e não estou falando de simples contos de terror que você encontra na internet, embora casos reais tenham inspirado esses casos que você encontra na internet.

Aquela especifica noite convidava a todos uma tranqüila noite de sono pelo silêncio quase mórbido nas ruas do bairro. O Cabo era um homem solteiro e morava sozinho na casa herdada de sua família: uma pequena casa com muitos cômodos e muitas lembranças que se arrastavam pela casa de acordo com a mente do Cabo, um homem duro e energético, mas introvertido e ao mesmo tempo, inquieto.

Nas habituais noites de domingo, o Cabo poderia ser encontrado em casa assistindo televisão enquanto sua casa permanecia trancada, devido até o modus operandi da região onde morava. Gostava das reportagens jornalísticas dominicais e a chuva que caia estava no limiar entre uma atmosfera acolhedora – no sentido de se sentir protegido por estar naquele local fechado – e uma grande distração; mas foi com os raios que o Cabo desligou a televisão e foi para o quarto.

Seu quarto era tão comum quando o meu ou provavelmente o seu, caro leitor, com um pequeno quarto com uma cama, um guarda-roupa, um ventilador que movia lentamente e uma cômoda velha. Sua janela dava para a área da frente de sua casa, murada e as venezianas ficavam abertas. O quarto escuro era constantemente iluminado pelos relâmpagos e os únicos sons dominantes no quarto eram da chuva e dos trovões. Pela veneziana o Cabo conseguia acompanhar a freqüência da chuva e com um clarão, ele pôde ver uma velhinha em pé ao lado de fora de seu quarto. A batida forte em seu coração foi ensurdecido pelo som dos trovões, mas ele sentiu em todo o seu corpo.

Os grandes olhos da senhora olhando fixamente para o Cabo preencheu todo aquele quarto pequeno e escuro de invulnerabilidade; de tal modo que o Cabo parecia estar como um peixinho dentro de um saco plástico cheio d’água fora da loja. A voz da senhora foi ouvida com todo seu potencial lamurioso que ela poderia ter: “Deixe-me entrar, meu filho”.

Creio que apenas homens com nervos de aço teriam agido de acordo com o seu protocolo social após ouvir isso naquela particular circunstancias . Com os pêlos de seu corpo arrepiado, com um nervosismo e rispidez, tornando sem querer sua voz mais grave, o Cabo disse: “Nada posso fazer pela senhora, peço que vá embora!”.

Com os olhos tão enlouquecidos, a senhora se aproximou da janela e bateu três vezes pedindo para entrar. O Cabo nunca tinha ouvido tão mau agouro. “Me deixe em paz que eu quero dormir!”, conseguiu dizer com uma voz falsamente calma e ríspida. A chuva continuava a cair torrencialmente e o frio que ela trazia era opressor e até os trovões que serviam de pontos finais nesse dialogo indesejado havia se calado.

Deitou-se na cama, fora da visão que se poderia ter de fora vista pelas venezianas. Por horas a senhora não o mais importunou, por horas o Cabo não conseguiu dormir e por horas, ele soube que ela estava lá fora, na mesma posição. O Cabo sentiu o momento em que ela sumiu; ainda chovia, mas a chuva parecia voltar a acolhê-lo e o quarto parecia mais leve.

No outro dia o Cabo contou para seu colega de pelotão o ocorrido. Esse colega achou a historia muito estranha e então disse:

— Por que não acolheu a senhora desde o inicio? Achou que ela te faria algum mal? Pelo que você me contou ela era frágil.

O Cabo suspirou e com os olhos cansados disse: — Você não deve ter ouvido quando falei do muro que protegia minha casa. Acha que uma senhora poderia pular um muro ou arrombar meu portão? E se tem uma coisa que não te contei foi que essa senhora nos persegue há bastante tempo. Tenho fotos da crisma da minha falecida mãe onde essa senhora está no fundo do ambiente, do mesmo jeito que ela estava ontem na minha casa. Em todas as fotos de todos os momentos ela está sempre igual. Eu só acho que sou o primeiro a quem ela foi realmente visitar.

Notas finais
Haa!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!