Já passava do meio dia quando os dois deixaram o vilarejo e seguiam rumo ao leste por uma estrada na floresta. Lamp, junto a Zet, observava o que seu pai tinha deixado para ele.

­— Vamos primeiro olhar isto aqui! – disse Lamp, pegando o mapa.

O mapa abrangia todo o continente de Iorn e estava com seis marcações em lugares diferentes.

— O lugar mais próximo daqui fica depois de Creminin, num conjunto de montanhas, pelo visto – disse ele à Zet que segurava o caderno que seu pai também deixara – Vamos até lá e perguntamos se alguém conhece o lugar.

Zet concordou e eles seguiram rumo a cidade.

Quando estavam chegando em Creminin, – ela não era uma grande metrópole, tinha poucos prédios e as casas não era tão modernas. No geral, era pra onde as pessoas dos povoados vizinhos vinham para comprar o que não tinham em suas vilas. Era o centro comercial da região – ao cair da tarde, Zet hesitou em seguir em frente.

— O que houve, parceiro? – perguntou Lamp, virando-se para o amigo – Realmente tá frio, mas não dá pra ficar paralisado – disse rindo.

Foi então que ele percebeu como Zet realmente estava. A aura do Riolu geralmente era invisível, só ficava aparente em raras ocasiões, quando ele sentia fortes emoções como grande alegria ou raiva. Lamp sabia distinguir a aura do Riolu dependendo de como ele estava se sentindo, no entanto, dessa vez, ela estava de uma cor diferente e parecia agressiva, de uma forma que ele nunca tinha visto, parecia pressentir perigo.

— O que aconteceu, Zet? – perguntou novamente, preocupando-se ao ver seu estado, totalmente estático.

Lamp então começou a pensar olhando para a entrada da cidade:

— Tem algo muito estranho acontecendo aqui, Zet nunca ficou assim. Nós já viemos aqui várias vezes e isso nunca aconteceu antes. E sua aura está muito diferente de quando ela apareceu das outras vezes.

No começo Lamp nunca entendeu exatamente o que era a brisa mágica que rodeava Zet, embora sua mãe tenha explicado que isso era normal e se desenvolveria com o tempo por ele ser um Riolu. Após ver em algum livro sobre Pokémon que aquilo era algo que fazia parte dele, ele acabou se acostumando.

Então o garoto se aproximou da entrada da cidade e percebeu que muito barulho estava vindo de lá.

— Que agitação é essa na cidade? – disse Lamp.

De repente ouviu-se uma explosão. Lamp assustou-se com o forte ruído e logo percebeu que ele também vinha da cidade, ao avistar fumaça vindo de lá. Isso confirmou o que ele havia pensado. Alguma coisa de muito errado com certeza estava acontecendo ali.

O estrondo acabou ajudando Zet a recobrar a consciência. Ele correu até Lamp e o cutucou, e então o menino percebeu que ele tinha voltado ao normal.

— Você está bem, Zet? – perguntou Lamp, virando-se novamente para o Riolu e vendo que sua aura tinha se reestabelecido ao estado normal – Você ficou muito estranho agora a pouco, sentiu alguma coisa?

Então mais explosões ecoaram da cidade, Lamp voltou sua atenção novamente para o lugar.

— Esquece! Depois falamos sobre isso. – disse o garoto, agitado – Primeiro vamos ver o que tá acontecendo lá.

Zet assentiu com a cabeça e eles seguiram até chegar ao local. Chegando lá, o que os dois viram realmente os assustou. O lugar parecia o palco de uma guerra. Carros virados, postes de luz caídos com fios expostos nas calçadas, casas e prédios incendiando, pessoas corriam desesperadas, o caos tomava conta dali. Lamp estava perplexo com aquela visão e não demorou muito para perceber qual era a origem daquilo: Diversos Pokémon eram o motivo da destruição. Encontravam-se totalmente fora de controle, certamente fora de seu estado normal. Pareciam estar de certa forma possuídos e destruíam tudo que viam pela frente. Os policiais e bombeiros que ali estavam não conseguiam dar conta da situação. Eles precisavam salvar as pessoas que estavam em perigo e ainda tentar parar os Pokémon que estavam atacando. E, apesar de serem fortes, seus Pokémon eram treinados para ajudar pessoas e não exatamente para batalhar, ainda mais contra Pokémon que pareciam estar bem mais poderosos.

— Se pelo menos aqui em Creminin tivesse um Esquadrão Pokémon. Mas o mais perto daqui é na próxima cidade e ainda vai demorar pra chegarem aqui. – disse um bombeiro que apagava o fogo de uma casa que estava incendiando, junto do seu Buizel.

Lamp, observando toda aquela situação, avistou alguém correndo e o reconheceu imediatamente: era Kein, o amigo com quem ele conversara ainda pela manhã e que viria para a cidade com o pai.

— Kein!! – gritou Lamp, correndo em direção a ele.

O garoto parou, virando-se para Lamp. O desespero estava estampado em seu rosto.

— O que houve com a cidade? – perguntou Lamp, eufórico, após alcançar Kein – E onde estão o senhor Kitz e o Shroom?

Enquanto dizia isso, Lamp quase foi atingido nas costas pelo ataque de um Ursaring. Porém Zet estava atento e foi rápido o suficiente para contra ataca-lo.

— Caramba! Valeu Zet, essa foi por pouco – disse ele rapidamente, enquanto esperava a resposta de Kein.

— Lamp, você precisa me ajudar!! – exclamou o garoto. – Meu pai tá correndo perigo! No caminho eu te explico o que aconteceu, mas agora precisamos ir rápido.

Então os três seguiram correndo até onde Kein sinalizou.

— Eu não sei quem são esses Pokémon. – Kein começou a falar enquanto corria ao lado dos dois – Depois de falar com você, eu, Shroom e meu pai saímos para vir a Creminin. Seguimos viajem, e, quando chegamos aqui, fomos até a loja de materiais, como eu havia dito a você que faríamos. – Lamp e Zet continuavam correndo e atentos ao que Kein dizia – Fizemos as compras e então íamos sair da loja pra voltar pra casa ainda antes do anoitecer. Foi então que uma rajada de luz atingiu a vitrine da loja e subiu até a fachada. Nesse momento Shroom já estava fora da loja, mas eu e meu pai estávamos exatamente embaixo da fachada, e, foi quando ela estava caindo, que meu pai conseguiu me empurrar e se jogou pra dentro da loja. Eu percebi que o raio tinha origem em algum dos Pokémon que vinham pela entrada leste da cidade. Meu pai e o dono da loja ficaram presos pois a fachada caiu junto de escombros e tampou a entrada do lugar. A vitrine que poderia ser uma saída também foi barrada com a queda de parte do telhado e da parede.

A noite já se formava quando o trio se aproximou da esquina que dava para a loja.

— “Vá chamar ajuda, Kein.” – meu pai disse. “Não precisa se preocupar, vamos esperar aqui”. Então eu deixei o Shroom tomando conta do local e corri pra chamar ajuda, mas quando cheguei na polícia eles já tinham saído e os bombeiros também. Então avistei a loja pegando fogo de longe e vi que os Pokémon vinham de todas as entradas da cidade e estavam destruindo tudo. Eu sai correndo e então você me encontrou. – Kein terminou de falar, ele estava realmente muito preocupado.

— Caramba! Você já passou por muita coisa hoje. – Lamp falou – Mas fique calmo, tenho certeza de que o senhor Kitz e o Shroom estão bem, não é Zet?

Zet concordou.

— Espero que você esteja certo. – disse Kein, agora com uma voz triste.

— Vamos lá resgatá-los! – Lamp o encorajou.

No entanto, ao virar a esquina, eles viram que a situação não era boa. A loja incendiava e seu pai ainda estava lá dentro. Ela era um pequeno estabelecimento, colada a um outro comércio. Mas estava irreconhecível, tomada pelas chamas e bem deteriorada pela ação do fogo.

— Pai!! – gritou Kein, ao ver o lugar incendiando. – o senhor pode me ouvir? – as chamas queimavam o que restava da fachada na entrada da loja, agora coberta de escombros.

— Eu estou bem! Cof! Cof! – o pai de Kein tentou gritar, sufocando com a fumaça, pois ela estava concentrada no interior da loja e não tinha muitos lugares por onde pudesse escapar. – Você conseguiu ajuda?

— Eu encontrei o Lamp e o Zet. Eles vão me ajudar a tira-lo daí.

— Que coincidência! os garotos também estão aqui. Acho que nesta circunstância não vai dar pra gente brincar de pegue o Zet, afinal, é impossível quando ele sobe nas árvores. – disse, tentando rir, não perdia o bom humor nunca.

— Não se esforce, pai. Fique quieto, vamos te tirar daí. – Kein disse.

— Ajude o Shroom! ele defendeu esse lugar até o final! Você tem um parceiro incrível! – Kitz falava enquanto tossia.

Então Kein viu Shroom desmaiado e muito ferido. Provavelmente atacado por todos aqueles Pokémon.

— Ah não! – disse Kein, aproximando-se do Shroomish caído – como pude deixar você sozinho aqui? – ele colocou-o no colo e o abraçou.

Enquanto isso, Lamp viu que uma parte da parede lateral da loja ainda estava intacta. Ele pensou em algo que poderia ser arriscado, mas Zet e ele já tinham feito isso muitas vezes. Iria dar certo.

— Vocês precisam salvar o dono da loja primeiro. Ele acabou inalando muita fumaça e desmaiou. Não precisam se preocupar comigo. – o pai de kein tentava falar, mas sua voz já estava bem fraca, ele também inalou muita fumaça.

— Não, pai, vamos tirar os dois. – gritou Kein, ainda com Shroom no colo. – A gente consegue.

Lamp tirou a mochila das costas e chamou Zet:

— Zet, pegue aquele remédio que a mamãe colocou no bolso da mochila e coloque nas feridas do Shroom. – ele disse, e aproximou-se de Kein.

— Eu tenho uma ideia! – Lamp falou, colocando a mão no ombro direito do amigo – Vamos tira-los daí.

Após dar o remédio a Shroom – ele melhorou instantaneamente, sua mãe disse que aquele negócio fazia milagres. – Lamp foi até a parede da loja que ainda estava de pé e contou seu plano:

— Temos que ser calmos e rápidos ao mesmo tempo. – ele começou a falar. – Essa parede tá muito instável por ser a única quase inteira, mas nós vamos tentar abrir um pequeno buraco que dê pra eu passar. Isso seria arriscado, porém eu e o Zet sempre fizemos isso nas pedras do rio. Basta colocar só a força necessária.

— Certo, Lamp. Vamos fazer! Eu confio em você! – disse Kein, agora com Shroom ao seu lado.

O telhado que já estava bem destruído começou a desabar e uma pequena parte caiu dentro da loja.

— O que acha da ideia, senhor Kitz? – Lamp gritou, mas não se ouviu resposta vinda de dentro do lugar.

— Pai!! – Kein gritou, e também não foi respondido.

— Calma Kein, ele deve ter desmaiado por inalar fumaça. Vamos nos apressar!

Então Lamp pegou uma pedra e riscou a parede, desenhando um círculo, embora não fosse perfeito.

— Sua vez, Zet! – ele chamou o amigo – Apenas faça como nós fazíamos nas pedras.

As orelhas de Zet se ergueram enquanto a energia era focalizada no seu punho. Após um momento de concentração, ele golpeou o centro do círculo que Lamp havia feito. Kein e Shroom se assustaram com a rapidez com que Zet atingiu a parede, e Lamp, mesmo naquela situação sentiu uma pontada de orgulho ao ver que o treinamento dos dois trouxe resultados. A parede desmanchou. No entanto apenas onde estava circundado. Muita fumaça saiu pelo buraco recém feito.

— Vamos lá – disse Kein, que agora estava mais esperançoso.

— Eu tenho uma ideia – disse Lamp. – vou amarrar uma das vinhas do Shroom na minha mão, – ele sabia que o Shroom era muito forte, já tinha treinado com ele e o Kein. Mesmo sendo do tipo planta ele sabia que fogo não era problema para ele devido sua grande resistência, dificilmente sua vinhas queimariam. – então, quando entrar, amarrarei em um de cada vez e darei o sinal pra que vocês puxem.

Os três concordaram e Lamp entrou no buraco. Ele era largo o suficiente pra que o garoto passasse rastejando e dava direto para detrás do balcão, onde o comerciante estava desmaiado. Ainda deitado, Lamp disse:

— O primeiro homem está aqui! Vou amarrar a vinha nele!

— E o meu pai? – Kein perguntou rapidamente.

Após amarrar a vinha no homem, Lamp levantou-se para procurar o senhor Kitz. O lugar realmente ardia em chamas. Mas o que Lamp viu era pior do que aquele calor intenso.

— Não acredito nisso! – ele pensou.

A parte do telhado que eles tinham ouvido cair realmente não havia derrubado muita coisa, mas escombros que caíram estavam sobre a perna do segundo homem.