Uma Aventura Pokémon
11 Natureza
— Ei, Lamp, acorde. – Malie balançou o ombro do garoto levemente. Ela e Zet tinham acordado primeiro.
O garoto começou a despertar progressivamente. Percebeu que estava ensopado de suor, e sentia um calor intenso. Ao abrir os olhos, viu os dois de pé à sua frente. Ele moveu o olhar para a janela e teve a vista ofuscada pelos raios de sol que penetravam o lugar. No entanto, conseguiu observar o ambiente exterior, formado por árvores que ele nunca vira presencialmente.
— Já chegamos? – ele perguntou se espreguiçando no banco.
— Em uns dez minutos nós alcançaremos a estação. Venha, vamos comer o café da manhã.
Havia um leve desjejum posto sobre a pequena mesa de centro entre os bancos. Eles se serviram e rapidamente terminaram a refeição.
— Nossa, aqui é muito quente. – Lamp disse enquanto ele e Zet abanavam um ao outro.
— Claro! Você está em uma das maiores florestas tropicais do mundo, e Scranz fica dentro dela. – Malie falou com o seu folheto na mão.
O garoto então abriu a janela para tomar um pouco de ar fresco. Assim que pôs a sua cabeça para fora, um Aipom subitamente desceu do teto do trem e pulou pela janela, bem no rosto de Lamp, o que o fez acabar se desequilibrando e cair deitado no assento.
— O quê?! – o garoto exclamou quando conseguiu se erguer, e viu o Pokémon pulando nos bancos e indo ao próximo vagão.
— Ele deve ter saltado de alguma árvore e parado no topo do trem. – Malie disse o observando. – Bom, ele deve descer quando estacionarmos. – ela voltou sua atenção novamente à leitura.
Foi então que eles notaram o trem perder velocidade. Em seguida, a moça que lhes serviu a comida apareceu no corredor:
— Senhoras e senhores, chegamos à estação.
O trem parou e todos os passageiros se levantaram para arrumar e pegar suas coisas. Lamp e Malie puseram as mochilas e caminharam com Zet até a saída, porém, ao chegarem à porta, o Aipom, que tinha voltado para aquela parte e estava brincando e se pendurando ao teto do vagão, saltou na cabeça do garoto.
— Ah, não! Você de novo! – Lamp disse enquanto tentava tirá-lo de cima de si, mas sem sucesso, pois, quando levantava as mãos para pegá-lo, o Pokémon pulava ou se apoiava em apenas um dos dedos do membro da sua cauda.
— Parece que ele gostou de você. – Malie disse rindo junto ao Riolu.
— Não, ele gostou de me irritar. – o garoto retrucou. – Ei, Zet, até você? – disse quando viu que o seu amigo também se divertia com a situação.
Eles resolveram prosseguir saindo do vagão, mesmo com o Aipom aninhado na cabeça de Lamp. Perceberam que aquela estação era diferente da que havia em Creminin: a estrutura era aberta, e apenas a cabine dos bilhetes tinha paredes. O teto dali era função de várias árvores que estendiam suas largas e verdes folhas por cima do local. Após todo os passageiros deixarem o trem, a mesma funcionária surgiu e deu instruções:
— Esperamos que a viagem tenha sido confortável para todos. No entanto, devo dizer-lhes que aqui ainda não é Scranz. A estação fica um pouco afastada da cidade. Porém, não se preocupem, pois vocês serão levados até lá. Vejam, os guias estão chegando. – ela apontou para fora da estação, e todos puderam ver que alguns homens e mulheres vinham montados em grandes Torterra, por uma estrada natural, que na verdade era bem fechada pela vegetação.
Os passageiros saíram da estação ao encontro deles. Quando se aproximaram mais, Lamp pôde observar que os Pokémon tinham uma plataforma com assentos em suas costas. Subitamente, o Aipom desceu da cabeça do menino e correu em direção a um dos condutores que vinha mais à frente, pulando no Torterra e subindo no ombro do homem.
— Aí está você Mopi! Onde se meteu? – ele acariciou o Aipom, e Lamp percebeu que os dois eram companheiros.
Esse mesmo homem foi quem tomou a palavra e se dirigiu às pessoas recém-chegadas:
— Olá a todos! Me chamo Ruiz, e nós os levaremos até Scranz. Fiquem à vontade e escolham os seus assentos.
Ele então desceu uma escada ao chão, apoiada no Torterra. Os outros condutores fizeram o mesmo. As pessoas começaram a se distribuir e a decidirem em qual iriam. Os três exploradores acabaram subindo no de Ruiz. Em seguida, os Pokémon deram meia volta e passaram a seguir em meio a floresta, com os guias comentando sobre o lugar. Os Torterra abriam caminho controlando vinhas e plantas arbustivas. Lamp agora observava o bioma ao seu redor, e ficava admirado com a vasta biodiversidade ali presente. O Canto de vários Pokémon como Toucannon e Swellow se misturavam em um som que refletia o quanto a floresta era viva. Em algumas árvores, havia Sewaddle e Swadloon em seus galhos, enquanto pendurados em vinhas ficavam alguns Burmy e Wormadam. Muitas vezes Butterfree e Vivillon flutuavam perto dos passageiros, confundindo-os com plantas para polinizar.
— Aqui é muito bonito, não é? – alguns passageiros conversavam.
— Mesmo que eu more em Scranz, me surpreendo com a natureza que existe ao redor. – uma mulher disse.
No entanto, a floresta ainda continha seus perigos, o que inclusive influenciava cautela por parte dos habitantes da cidade com relação a adentrá-la profundamente. Mankey e Primeape atacariam qualquer um que julgassem estar invadindo seu território. Ariados e Venipede poderiam liberar doses de veneno letais para se defender, caso se sentissem ameaçados. Felizmente a viagem corria sem nenhum dos imprevistos citados, em grande parte por aquele se tratar de um trajeto percorrido com frequência. No entanto, quando alcançaram uma cachoeira que descia em um rio, Ruiz, que guiava na frente, falou:
— Por aqui há várias espécies de Pokémon de água. – Antes de chegarem ali, havia alguns Lotad na margem, que pularam na água ao notar a aproximação dos viajantes. Era possível ver as suas folhas na superfície descendo rio abaixo. – Alguns preferem as lagoas, que são paradas e calmas. Porém, em correntezas como esta, é característica a presença de certos Pokémon, entre eles os Carvanha. Eles mordem tudo que consideram comestível.
A maioria se assustou com aquela informação e um burburinho de conversas tomou lugar em seguida. Algumas pessoas não se incomodaram com o declarado, pois, por serem moradores de Scranz, já sabiam do que se tratava.
— Mas não se preocupem com isso. Disse apenas para que estejam cientes, caso saiam pela mata. Nós temos métodos para atravessar o rio em segurança. – Ruiz desceu do Torterra e caminhou até a beira do curso de água.
Os passageiros voltaram a sua atenção ao homem. Em seguida, uma das condutoras se juntou a ele na margem, e ambos tiraram uma Pokébola de suas mochilas. Elas eram azuis, e Lamp pensou que já fazia um certo tempo desde a última vez que vira uma. Os guias as lançaram para cima, e de cada uma saiu um Seismitoad, os quais imediatamente pularam na água.
— Podemos seguir sem medo, eles nos darão cobertura.
Ruiz voltou ao seu Torterra, e foi o primeiro a entrar no rio, para a aflição dos passageiros dele, inclusive os três aventureiros. Ele seguiu até o meio do rio antes que os outros pudessem acompanhá-lo. Por segurança, passariam no máximo dois por vez. Lamp olhou para baixo, mas a água, que já era um pouco turva, tornou-se ainda mais barrenta, porém ele ainda era capaz de perceber fortes movimentos na correnteza. Mergulhados, os Seismitoad utilizavam o fluxo da torrente a seu favor, para desviar os Carvanha das pernas dos Torterra, criando pulsações de água e lançando-as contra eles. Além disso, as rajadas de lama que produziam auxiliavam reduzindo a visão daqueles carnívoros vorazes.
— Ufa! – Malie suspirou quando o Torterra de Ruiz terminou a sua travessia.
— Vamos lá, pessoal! – o homem desceu do Pokémon e se pôs à beira do rio.
Os outros também estavam seguindo sem muitos problemas. No entanto, quando o último Torterra encontrava-se no meio do caminho, um Carvanha surgiu pulando de fora d’água, com sua boca aberta mostrando dentes bem afiados. Todos os presentes foram pegos de surpresa e se assustaram. Ele se direcionava à cabeça do Pokémon de grama, porém, antes que pudesse chegar muito perto, foi atingido por um forte soco que o lançou de volta ao rio: o Aipom de Ruiz tinha pulado para salvar o Torterra.
— Muito bem, Mopi! – o homem exclamou e os passageiros se sentiram mais aliviados depois disso, vendo que estavam realmente seguros, Lamp particularmente se admirou com o Aipom, ao ver que ele agiu rápido e era bem forte. – Venha, termine de atravessar. – Ruiz se direcionou para o condutor.
Apesar daquele susto, tudo correu bem e eles passaram a seguir pela floresta novamente. Em certo ponto, um forte vento balançou a copa das árvores, e, quando olharam para cima, perceberam que se tratava de alguns Tropius que passavam ali.
— Aqueles são outros guias. – Ruiz falou. – Devem estar indo levar pessoas à estação.
— Dá para ir voando?! – Lamp se direcionou a Ruiz e indagou entusiasmado.
— Sim. – o homem respondeu olhando-o de lado. – Os Tropius geralmente são usados para o transporte dos que estão saindo de Scranz, enquanto os Torterra oferecem um passeio mais lento para que os recém-chegados observem a floresta.
Não demorou muito para que os condutores dissessem que tinham chegado à cidade. E, se não fosse o aviso deles, os passageiros não moradores provavelmente não teriam notado que ali já era Scranz. O que viram foram casas de madeira construídas nas bases das árvores. As construções eram muito bem feitas e tinham uma ótima aparência, semelhantes a um delicado trabalho artesanal. No entanto, imaginaram que aquilo fosse apenas um tipo de acampamento, perguntando-se onde estavam os prédios, o asfalto, e tudo que caracteriza um centro urbano.
— Aqui é Scranz? – um passageiro perguntou.
— Sim, esta é a nossa amada cidade. – Ruiz como sempre tomou a palavra. – Todos que vêm aqui pela primeira vez se surpreendem. Mas não se deixem enganar pela aparência modesta: este lugar é mais avançado do que imaginam.
Houve então uma parada, para que aqueles já habitantes descessem dos Torterra a fossem para as suas casas. A excursão continuaria para os que visitavam a cidade pela primeira vez. Conforme prosseguiam, foram percebendo que tudo ali era bem projetado. Havia em certos pontos algumas casas nas árvores e pontes de madeira as ligando. Parecia que ali o principal meio de transporte era Pokémon, porque várias pessoas passavam por eles montados em Meganium ou sendo carregados por Yammega.
— A cidade é bem simples, não é? – Lamp disse observando as “ruas”, o chão era basicamente o solo natural da floresta. – Não há nem postes para levar eletricidade às residências.
— Há sim eletricidade, porém ela chega a nós de outra maneira. – Ruiz disse. – Há vários Eelektross e Eelektrik em alguns rios e lagos da floresta, e eles acabam liberando eletricidade espontaneamente na água. Então, em diversos pontos, foram colocados geradores para canalizar a energia. Essas máquinas são capazes de transmitir a eletricidade por meio de ondas eletromagnéticas, que são captadas por certos dispositivos em cada domicílio.
— E água? Há alguma encanação? – Lamp olhou para a mulher que fez essa pergunta, e lembrou-se de quando embarcaram no trem e ela estava falando a um amigo sobre comprar uma casa em Scranz.
— Em geral, a própria chuva supre a nossa necessidade, já que a pluviosidade aqui é alta o ano todo. Devem ter notado que a maioria das construções são arquitetadas ao redor do tronco das árvores, e isso é justamente a fim de que a água que escorre seja diretamente aproveitada pelos domicílios, que possuem um sistema de captação bastante eficiente. De qualquer forma, nós possuímos planejamentos para qualquer escassez do tipo.
Eles continuaram seguindo e Lamp passou a enxergar o lugar com outros olhos. A aparente simplicidade se devia ao fato de Scranz ter sido planejada para integrar a floresta naturalmente. Buscou-se afetar ao mínimo o ambiente nativo, aplicando-se práticas sustentáveis e avançadas tecnologias, que permitiam a harmonia entre humanos e o ecossistema ali presente. Era perceptível o quanto os moradores do lugar eram felizes com aquela vida. Várias crianças brincavam com Bellsprout e Pansage selvagens. Vinhas de Tangela eram usadas como apoio para redes armadas nos galhos das árvores, onde algumas pessoas se balançavam ou dormiam. Alguns Chatot entoavam algumas melodias características, e havia inclusive aqueles que chegavam a pronunciar palavras.
— Ruiz voltou, Ruiz voltou!! – o Pokémon falou com uma voz rouca.
— Está muito tagarela hoje, hein?! – Parece que ele resolveu ficar mesmo com você Trent. – Ruiz gritou para o homem que estava com um Chatot em uma das casas nas árvores, e ele acenou de volta. Lamp notou que o guia devia ser bastante conhecido pelas pessoas.
Eles permaneceram seguindo por um certo tempo, foram vendo mais coisas e constataram que a cidade era na verdade deveras extensa. Malie confirmou essa observação dizendo que havia visto em seu folheto uma informação sobre Scranz ser uma das maiores do continente. Após isso, eles viram uma edificação que se destacava das demais. Tratava-se dessa vez de uma relativamente grande, comparada às casas que tinham visto. Era perceptível que não apenas uma árvore saía pelo teto, mas no mínimo cinco. Portanto, ocupava um espaço relativamente longo ali.
— Este é o nosso centro Pokémon! – Ruiz falou, descendo do Torterra com um pulo junto ao seu Aipom, e apontando o local com uma das mãos. – O nosso passeio terminou. Aqui vocês terão auxílio e poderão tirar mais alguma dúvida. Esperamos que aproveitem Scranz.
Após isso, os passageiros começaram a pegar as suas coisas e a descer dos Pokémon com o auxílio dos condutores. A maioria foi logo entrando no prédio, porém alguns se direcionaram para falar com Ruiz. Entre eles, os nossos três aventureiros. Malie resolveu tentar obter informações com o homem, pois ele parecia ter bastante entendimento sobre a região, e eles talvez pudessem não encontrar facilmente outra pessoa que conhecesse a mata.
— Olá, Ruiz. – a mulher e os outros foram até ele, após o resto dos visitantes introduzirem-se no centro Pokémon. – Nós viemos até Scranz para ir até um ponto da floresta, e gostaríamos de saber se você poderia nos indicar o caminho. – Malie tinha lido, em um dos seus guias, que o santuário ficava no interior da selva, visto que o mapa de Lamp não dava maiores especificações além do nome e a localização geográfica crua.
— Um lugar na floresta? – Ruiz indagou curioso.
— Sim, nós queremos ir ao templo que há nela. – Lamp disse em seguida.
O homem se surpreendeu ao ouvir isso, e desviou o olhar para as árvores do ambiente por alguns instantes. Logo após isso, ele suspirou e disse compassivo:
— Infelizmente, não há ninguém aqui que saiba chegar a essa área. Nós só conhecemos o templo por histórias e nunca tentamos ir até lá, pois é muito embrenhado no interior da floresta.
Malie pensou que aquilo deveria ser verdade de fato, porque tudo que encontrou sobre aquele local foram menções vagas de ruínas antigas da floresta, sem nenhuma foto ou algo do tipo.
— Será que não há nenhum mapa antigo ou algo assim? – a mulher perguntou tentando manter a esperança.
Ruiz pareceu pensar um pouco. De repente, a sua expressão mudou, como se tivesse pensado em algo:
— Vocês encontrarão no máximo um mapa da cidade. Dificilmente haverá um de toda a floresta, já que é muito difícil se guiar por ela. Porém, eu acho que vocês ainda podem ser ajudados. – essas palavras reacenderam o ânimo dos aventureiros, que já imaginavam um árduo obstáculo pela frente. – Há uma tribo antiga na floresta, e eles conhecem muito bem a região. Uma garota de lá sempre aparece por aqui, vocês podem falar com ela.
— E onde ela está? – Lamp perguntou.
— Ah, sim… Ela esteve aqui ontem… então deve demorar um tempo para vir novamente. Talvez uma semana.
— Uma semana? – Malie exclamou.
Em seguida, um barulho acompanhado de vibrações ecoou da camisa de Ruiz. Ele tirou um tipo de aparelho do bolso e o observou.
— Bem, pessoal, agora nós precisamos nos preparar, pois parece que o próximo trem chegará mais cedo. Espero que tudo dê certo para vocês. – o homem subiu no Torterra e o Aipom pulou na cabeça de Lamp antes de segui-lo.
— Muito obrigado pela ajuda, Ruiz. – o menino disse enquanto tentava pela última vez pegar o Pokémon em seu cocuruto. – E tchau para você também, Mopi. – falou quando o Aipom enfim se juntou ao homem.
Os condutores então guiaram os Torterra e seguiram pela cidade. Os três aventureiros resolveram entrar no Centro Pokémon e pensar sobre o que fariam a partir de agora. O lugar era consideravelmente extenso. Ali no térreo encontravam-se algumas mesas e bancos para os visitantes, que se distribuíram se juntando às pessoas que já estavam ali. No centro do hall estava uma mulher responsável pelo atendimento, atrás de um balcão circular. Havia um segundo andar, sendo alcançado por duas fileiras de escadas nos recantos da parte de baixo. Lá ficava a seção hospitalar, bem como dormitórios e outros serviços.
— Vamos nos sentar próximo àquela janela. – Malie disse apontando o local, após terem cumprimentado a recepcionista.
Eles puseram as suas mochilas ao pé da mesa e de relance observaram as árvores do lado de fora. Em seguida, Lamp teve a ideia de pegar o caderno. Até ali só encontraram empecilhos ao prosseguimento da viagem, então o garoto depositava suas fichas na chance de haver alguma salvação naqueles registros.
— Nós não podemos ficar aqui por tanto tempo. – o garoto disse enquanto começava a ler um trecho. – A nossa esperança é que haja alguma coisa aqui explicando como chegar ao templo.
— Com certeza. – Malie disse afirmativa, ao passo que bebia um pouco de água de sua garrafa.
O garoto acenou com a cabeça permanecendo focado no que estava escrito. Ele passou a ler em voz relativamente alta, para que Malie pudesse acompanhar o conteúdo.
“ Essa floresta é a maior que eu já conheci. É um lugar magnífico, a natureza ao redor faz você se sentir parte dela. A mata é muito fechada, portanto há uma dificuldade considerável em se mover pela selva. Desse modo, pode parecer desanimador o que falarei agora: levou um mês inteiro para que eu chegasse lá. Devo dizer que é muito fácil se perder, e que esse foi um dos motivos de toda essa demora. Busque arranjar formas de se localizar, para que saiba se já passou ou não por certo ponto. Quanto ao templo, ele está profundo na floresta, e se camufla sob as árvores. Então é inútil tentar encontrá-lo por cima: eu tentei. É preciso explorar bastante e esperar a eventualidade de trombar com o lugar em algum momento. Boa sorte! ”
Os exploradores, que já aceitavam a desilusão quanto a uma possibilidade de sucesso rápida, apenas se tornaram mais convencidos de que aquilo tomaria mais tempo do que dispunham.
— Eu não acredito! Se o meu pai levou um mês para chegar ao templo, nós precisaremos de um ano todo. – Lamp disse indignado.
— Realmente a situação não é favorável. – Malie estava mais pensativa. – Não podemos esperar uma semana para receber ajuda da tribo. E, se o lugar é mesmo difícil de encontrar, talvez nem os nativos saibam onde ele fica. Mas veja pelo lado bom, pois como ele disse nós podemos ter sorte e isso pode acabar rápido. Além do mais, o nosso amigo fantasmagórico pode saber o que fazer para resolver o problema.
— Eu não queria depender da sorte… – o garoto disse com uma voz desanimada. – Porém você está certa! Nós temos que continuar, e, já que não temos escolha, vamos partir o quanto antes. – o garoto disse determinado, levantando do assento firmemente, e se envergonhado ao ver que as pessoas ao redor notaram a sua euforia.
— Isso! É assim que exploradores de verdade falam! – Malie exclamou.
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