Uma Arte Sem Quadro
3 Worst Day Of My Life
Notas iniciais
Escritores têm dias ruins; artistas têm dias ruins. Como pessoas que somos às vezes não queremos mais ser. Há dias que odeio as vozes, que odeio as pessoas que minha mente e que odeio PRECISAR escrever, porque não é como se eu pudesse ter uma escolha. É apenas como se eu fosse obrigada a estar ali, a escrever e a continuar teclando e sofrendo como se não houvesse amanhã. Arte é dor e escrever é sentir a dor muitas vezes, mas sempre pensar que dali pode sair alguma coisa que preste. É como vomitar e vomitar todos os dias, alguns médicos diriam, não é saudável. Você não parabeniza alguém por vomitar. Mas parabeniza um escritor por escrever. Mas não deixe que minhas palavras o seduzam, que o que eu digo o engane e o amedronte. Em 70% do tempo escrever é relaxar e contar histórias porque elas gritam que precisam ser contadas. E. TÁ. TUDO. BEM. Escrever é como ir a terapia, há dias que você se sente bem, que quase sai saltitando porque tudo o que tem são memórias felizes, sensações boas e o beijo do sol em sua pele… mas as vezes é como aqueles dias nublados que você se força a levantar da cama, que se esforça para respirar e que chora sentado na cadeira do psicólogo. Não é um processo linear, nunca foi e nunca será e quando menos se espera tudo o que você quer é TERMINAR DE UMA VEZ POR TODAS porque você ama a história, mas não aguenta mais as palavras; os sussurros; os sonhos. MAS há aquelas histórias que te dominam, aquelas que surgem em um momento de vulnerabilidade e te acompanham. Quando tentei morrer eu tinha uma dessas em mente e a Arabella continua comigo até hoje, porque não sei o quanto de mim nela há; não quero que ninguém veja essa parte de mim, porque alguns personagens — INFELIZMENTE — são parte de quem os autores são e às vezes essa parte é sombria e triste e eu não sei se alguém está pronto para mostrar essas partes. Arabella é linda. Tem uma família linda, mas perdeu um amigo importante e isso foi terrível para ela. Tudo decai dali e todos os meus medos estão intrínsecos nela. Seria a Arabella eu ou seria eu a Arabella?
Escrever é como botar o dedo na garganta e vomitar;
Às vezes outros vômitos terríveis vem em seguida, às vezes só o alívio é o que sobra.
Mas eu amo o que eu faço, porque a minha arte reflete quem sou e o que eu conto são histórias de pessoas e seres que vivem em um universo sempre em expansão em minha mente.
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