Uma Última Chance

3 Conhecendo sua Nova Família


Notas iniciais
Agora só semana que vem!!!

Enquanto Nara Shikaku saia da sala do Hokage. Sarutobi nada fez, a não ser observar de longe, o menino que prometeu cuidar como se fosse seu filho se distanciar. Levando com ele, todos os recentes acontecimentos envolvendo a aldeia.

Sua semelhança com Minato, e os poucos traços herdados de Kushina, fizeram com que o velho Hokage sentisse em seu coração, o peso das recentes perdas. Dentre elas, estava a da sua amada mulher Biwako, que havia falecido logo após fazer o parto de Naruto.

Se o que nos motivasse depois de um período de dor fosse a vingança, o Sandaime poderia disser com absoluta certeza que ele seria o primeiro a buscar justiça com as próprias mãos. Afinal, no mesmo dia que perdeu seus filhos de consideração, também acabou por perder seu anjo, que o acompanhou em seus momentos de alegria e tristeza, sempre o apoiando e o repreendendo quando fazia algo inapropriado.

Mas agora vendo o rostinho doce e inocente de Naruto-kun, enquanto se afastava nos braços do líder jonin. O velho senhor percebia que a vingança de nada valeria, a não ser corromper ainda mais uma alma que já se encontrava fragilizada.

O Sandaime não pode deixar de levar um sorriso aos lábios, quando percebeu o pequeno menino o fitar antes de sair pela porta. Com toda a força de vontade que ainda lhe restava, reuniu o máximo de sentimento que conseguiu expressar em seu sorriso. Um sorriso verdadeiro, que não importa as dificuldades, não importa as desavenças que viram, sempre que ele precisasse o velho estaria lá por ele.

Quando jonin e criança deixaram a sala do Hokage, o Terceiro pela primeira vez em anos não soube o que fazer. Em apenas algumas horas, perdera o Quarto e vários bons shinobis, junto com sua amada esposa e amigos queridos.

A sala que se encontrava e que agora novamente passara a ser dele, mostrava-se mais solitária do que nunca. Na mesa de madeira, os pertences do Yondaime ainda permaneciam lá, como se esperassem pela volta do seu dono. Um porta-retratos com uma foto de Kushina gravida, se destacava em meio ao montante de papeis que aguardavam para receber a assinatura do líder.

Sarutobe pela primeira vez deixou que sua angustia tomasse conta de seu ser, e não demorou para que longínquas lagrimas escorressem pelo seu rosto. Mesmo sendo líder de uma das aldeias ninja mais poderosas do mundo, não o deixava de ser menos humano.

Passados alguns instantes o atual Hokage, voltou a tomar conta de suas emoções, ao mesmo tempo que um baixo barulho, quase que imperceptível surgisse do outro lado da janela.

— Boa noite, Jiraiya. Vejo que já está instruído da situação.

O homem de cabeleira branca e colete vermelho, apenas assentiu com a cabeça, abrindo a porta de vidro que separava a sacada molhado do ambiente seco. Ao entrar na sala, retirou um grande pergaminho de suas costas e o depositou no sofá que havia ali. As marcas pintadas de vermelho, encontravam-se um pouco borradas devido à chuva que aparentemente tomara.

— Vejo que arranjou um lugar para o moleque, sensei. — Falou o homem, olhando para o berço, mas sem criança alguma.

— De todas as decisões que já tomei em minha vida, deixar o Naruto-kun na casa dos Nara e não em um orfanato foi sem dúvida a mais sabia delas. — Falou o Sandaime se dirigindo para a janela, parando para observar o monte com as cabeças esculpidas dos líderes que já passaram por ali. Mas fitando uma em especial, a última estatua da direita para a esquerda.

— Entendo. Creio que o conselho não tenha aprovado a sua conduta eu suponho? — Perguntou o aluno do Terceiro Hokage se sentando no sofá, ao lado de seu pergaminho.

— Hunf. Quase matei Homura pelo seu comentário atrevido. Só não fiz por estarmos reunidos com todos os líderes dos clãs.

— Acredite... — Começou Jiraiya. — Não seria uma grande perda. Essas múmias do conselho a muito deveriam ter sido substituídas.

— Todos deveríamos ter sido substituídos, mas veja eu aqui, novamente Hokage. —Respondeu o velho com ironia. — As novas gerações devem tomar lugar dos velhos e não ao contrário.

— Ele fez a escolha dele. Realizou seu sonho e tornou-se um Hokage exemplar, e como um verdadeiro líder protegeu seu povo mesmo que isso levasse sua própria vida.

Os dois homens mais do que ninguém, sentiram o peso daquelas palavras. O Sandaime calmamente foi até a mesa no centro da sala e da terceira gaveta de cima para baixo, escondido por um fundo falso, retirou uma garrafa de sakê e dois copos. Encheu um deles e entregou a Jiraiya, com o seu na mão, aluno e sensei brindavam silenciosamente ao maior de todos os heróis que Konohagakure no Sato teve o prazer de possuir.

A Kyuubi se mexia desconfortavelmente sobre os braços do patriarca Nara. Tentava a todo custo rugir, fazer suas presas e unhas crescerem ou até mesmo usar seu chakra, mas não conseguia. Algo impedia dele acessar seu poder e a raposa não tinha dúvidas que era por causa de Minato. ‘Maldito humano enxerido’ Rugiu o demônio.

Para o homem que o carregava, o bebê apenas remexia os bracinhos e fazia sons sem que palavras sequer fossem proferidas. Os dois já haviam saído do prédio do fogo e partiram para as dependências do clã Nara.

Conforme andavam, raposa e Shikaku viam a grande movimentação pelas ruas de Konora. Civis e shinobis trabalhavam juntos para limpar os destroços das muitas construções que vieram abaixo por causa da besta. Ninjas médicos e equipes de shinobis especializados continuavam a patrulhar e socorrer feridos, mesmo depois de horas do acidente. Macas e mais macas de pessoas incapacitadas passavam pelo homem e bebe rumo ao hospital. Enquanto um via a situação em que se encontrava sua aldeia com tristeza e pesar, o outro não podia esconder seu contentamento. Se possuísse controle sobre seu novo corpo, um sorriso teria surgido nos lábios do demônio que via tudo com demasiada satisfação. ‘Isso ainda é pouco por tudo que me fizeram passar.’

Não demorou muito e Nara Shikaku chegou as dependências do clã Nara. Uma área muito bem arborizada e que Graças a Kami não havia sido afetada pela raposa, pelo menos por parte do Nara. Já a Kyuubi olhava a região enojada por pensar que ali seria sua nova casa.

Mal haviam adentrado poucos metros dentro do clã, quando muitas pessoas começaram a se aproximar dos visitantes. A raposa claramente reconhecera os parentes de Shikaku na multidão. Todos queriam saber sobre a reunião realizada pelos líderes dos clãs e como tal fora o motivo que levou o homem estar lá. Mas o que eles não contavam era que seu líder quando chegassem, viesse trazendo com sigo um lindo bebe loire de olhos azuis.

— Shikaku-sama, porque está trazendo com você este bebê? — Perguntou um dos moradores do clã, sendo a única pergunta que o líder conseguira escutar devido ao grande mar de vozes, que a cada instante parecia crescer ainda mais.

— Este bebe se tornou órfão devido ao ataque. — Falou o Nara, conseguindo a atenção de parte da multidão que acabou por começarem a fazer silencio. — Eu aceitei em adota-lo, caso contrário ele iria ser levado para um orfanato.

Devido a sua resposta, muitas mulheres olharam compadecidas com o homem e o bebe. Os homens na multidão não foram diferentes, mas diferente das garotas, não deixaram que seus sentimentos se mostrassem tão expostos, mas todos tinham um único pensamento. Todos olhavam com orgulho para seu líder que cada dia que passava, sempre mostrava algo novo a que se admirar.

— Qual o nome dele Shikaku-sama? — Perguntou uma das mulheres mais próximas ao líder.

— O nome dele é Naruto.

— Que KAWAI! — Gritaram três jovens garotas ao lado da que havia feito a pergunta.

‘SE EU AINDA POSSUÍSSE MINHAS GARRAS TERIA ARRANCADO SUAS LÍNGUAS PARA APREENDEREM A NUNCA MAIS GRITAR’ Berrou a Kyuubi, mas de sua boca só saiu barulhos sem sentidos e um filete de baba.

— Ensui e Daen. — Chamou Shikaku depois do comentário das meninas.

Ao ouvirem seus nomes pelo líder do clã, dois jovens chunins se apresentam. Ambos com fortes características pertencentes do clã Nara, em destaque seus cabelos negros espetados.

— Quero que montem uma equipe e vão ajudar a aldeia no que for preciso, principalmente nas regiões mais afetadas pela Kyuubi.

— Hai. — Disseram os dois shinobis antes de sumirem em um shunshin no jutsu.

Os demais habitantes do clã continuaram a conversar até que um choro agudo pode ser escutado acima das vozes da multidão. Quando encontram o responsável pelo barulho, observam um pequeno menino nos braços do líder se contorcer de forma que nunca havia feito antes. As mulheres mais velhas não precisaram olhar duas vezes para saber o que o menino queria, coisa que os homens no grupo levarem muito tempo ou ainda tentavam entender o que era, algo irônico vindo do clã que era considerado o mais inteligente de Konoha.

Mas o que ninguém podia ver era a humilhação que uma certa raposa estava sentindo por algo que aos olhos dela era lastimável. Nunca em sua existência ela chegara a sentir algo tão carnal como fome. Como uma massa de chakra ela não precisa necessariamente comer, e quando fazia era por simplesmente vontade de sentir a sensação que os outros seres sentiam. ‘Maldito corpo fraco, maldito Minato. Espero que apodreça dentro da barriga do Shinigami, e que sua alma sofra pelo resto da eternidade.’ Amaldiçoou a besta das nove caudas.

Vendo o que seu filho queria. Shikaku despediu-se de seus parentes e passou a caminhar em direção a sua casa. Uma residência de madeira erguia junto a uma das ruas secundarias do clã, simples, mas de aparência muito confortável, possuía várias arvores ao seu redor além de uma área aberta para possíveis treinamentos.

Shikaku chegou a porta de sua casa, mas algo o impediu de continuar. Só agora ele havia parado para pensar o que realmente havia feito. O líder do clã Nara, sem avisar a esposa havia adotado uma criança e estava parado com ela na porta de sua casa. A Kyuubi teria rido da situação que o Nara se encontrava se não estivesse sofrendo com a dor da fome. Ao que se mostrou a prova, quando ela inconscientemente começou a chorar mais alto.

Passos foram escutados de dentro da casa, e antes que o Nara pudesse fazer alguma coisa a porta se abriu revelando uma jovem mulher de cabelos castanhos lisos, portando um avental branco pendurado pelo pescoço. Muitos foram as possíveis reações que o líder do clã imaginou de como sua mulher reagiria quando visse o bebe em seus braços, mas mesmo assim ele não estava preparado para o que viria.

— Shikaku? Como? Porque? — Falou a mulher não desviando os olhos da criança nos braços do marido.

— Oi meu amor.

— Para você não tem oi amor, é Yoshino. — Respondeu secamente a mulher, ainda sem tirar os olhos da criança. — O que você está fazendo com um bebê SHIKAKU?

— Yoshino precisamos conversar, mas acho que aqui não é o melhor lugar para isso. — Falou o Nara indicando o lado de fora.

A mulher nada disse, deu meia volta e adentrou a residência sendo seguida pelo marido junto com o novo bebe. O homem foi até a sala onde sua mulher esperava junto com Shikamaru sentado no seu colo. Este último quase dormindo, mas que é brutalmente despertado pelo choro do novo bebe que nunca havia visto antes.

— Agora me explique porque você sai para uma reunião convocada pelo Sandaime Hokage e acaba voltando com uma criança.

O Nara pensava nas palavras que usaria, mas antes que pudesse responder, a mulher acaba por colocar o filho que estava no seu colo sobre uma almofada e vai em direção ao marido que com receio espera que o pior acontecesse, mas para sua surpresa sua jovem esposa retira Naruto de seus braços e o balança na tentativa de fazê-lo parar de chorar.

A raposa que nunca havia tido tanto contato com os seres humanos além dos que teve com suas duas últimas jinchuurikis, estranhou ser balançado de um lado para o outro pela mulher que o carregava. ‘Humanos são retardados’ Chegou em uma conclusão a besta.

Visto que o problema não era este, mas sim outro. Yoshino retira uma mamadeira intocada pelo seu filho e entrega para Naruto. A raposa que desconhecia o que era aquilo não fazia a menor ideia par que servia.

— Vamos, abra a boquinha. — Pediu delicadamente a mulher para uma Kyuubi faminta.

‘Abra você a sua, sua IRRITANTE.’ Mas como de costume, novamente apenas sons sem sentido foram expelidos pelo demônio. Mas a Nara aproveitou a oportunidade e conseguiu colocar o bico da mamadeira na boca da besta. Quando a mesma sentiu o sabor do alimento, não pode deixar de sentir seu estomago se retorcer. Com uma fúria digna de um demônio, começou a tomar o leite que havia na mamadeira.

— Agora Shikaku, vai me contar o porquê de aparecer com um bebê na porta de casa?

Com uma soltada de ar, o Nara mais velho calmamente começou a contar o que aconteceu na reunião, falando para a mulher sobre a verdadeira descendência do menino e sua importância de permanecer escondido, omitindo a parte que seu novo filho era na verdade o novo jinchuuriki da Kyuubi. Fato que enquanto comia a raposa ria internamente, pois nenhum ninja daquela aldeia suspeitava de que ele era a própria Kyuubi no Youko.

Ao termino do relato do marido, Yoshino não pode deixar de se surpreender olhando para o bebê em seus braços. Quando se mostrou satisfeito, a raposa parou de tomar o leite empurrando o recipiente para o mais longe que conseguia. Percebendo isso, a mulher retirou a mamadeira de perto do menino, e como um coração de mãe mole que possuía, não pode deixar de dar um grande sorriso para o pequeno loiro que a encarava. ‘Por acaso perdeu alguma coisa na minha cara’ Perguntou a raposa, mesmo sabendo que ninguém ali a entenderia.

O sorriso que a mulher possuía aos poucos se modificava, mesmo que para ela fosse imperceptível. Mas a besta conseguiu sentir a diferença, mesmo que pouca, era palpável a diferença de sentimentos expressa naquele simples colar de lábios. ‘O sorriso dela é igual ao do velhote. Porque é igual ao do velhote?

Mesmo tendo vivido duas vidas preso a suas antigas jinchuurikis, Kyuubi nunca tinha se interessado pelo mundo dos humanos, passava a maior parte do tempo dormindo dentro do selo para querer ficar observando como a vida mortal funcionava. Mas uma coisa o intrigou, e eram raras as vezes que algo chamava a atenção do maior e mais poderoso ser entre as nove bestas de calda.

‘O que significava aquele sorriso?’