Um Último Suspiro
1 O inicio do fim
Notas iniciais
Odeio tudo isso...sem saber mais em quem confiar, em quem acreditar, já nem sei mais se estou sonhando ou se esta é a vida real, ouço alguns sons no corredor na minha frente, mas acho que eles decidiram ir pro andar de cima, talvez eu tenha tempo de terminar de escrever essa droga de diário...se é qua vai existir alguma utilidade escrevê-lo, além de me distrair pelos poucos momentos que vou ter de vida...não acho que tenha mais alguém vivo no mundo...
Bem, uma semana antes de tudo isso começar eu tinha uma vida normal, era um adolescente rebelde normal, cabulava aulas normais de uma escola normal cheia de alunos e alunas e professores normais, alguns um pouco mais estranhos que outros, mas normais. e lá estava eu mais uma vez, cabulando a...acho que era a quarta ou quinta aula do dia, foda-se, quem liga pra essa merda? Eu estava deitado debaixo de uma árvore de um parque perto da escola, usando as roupas de sempre, um jeans preto e uma camisa regata preta, não consigo lembrar o nome da banda que estava escrita na camisa...depois de alguns minutos descansando ali, um dos meus amigos resolveu vir me acordar.
Tyler- Vamos cara, levanta logo dai, temos coisas mais importantes pra fazer.
Sei, até parece que fumar maconha enquanto se assiste bob esponja é mais importante do que descansar...
Eu- Cala boca e me deixa em paz man...to tentando descansar um pouco.
Tyler- Qual é maninho, uma ervinha vai te relaxar o suficiente.
ele estava sorrindo, sorrindo feito um idiota drogado, não duvido que ele já estava doidão naquela hora, não tinha mais nada pra fazer eu me levantei da grama confortável, peguei minha mochila com alguns cadernos, só pra minha mãe achar que eu frequentava a escola, e fomos para a casa de Tyler.
Quando chegamos lá, sua mãe estava fazendo uma de suas deliciosas tortas de maçã, eu não tenho certeza mas acho que ela sabia que ele era um drogado...foda-se, o Tyler não é meu filho mesmo.
Tyler- Hey mãe, vamos ficar no porão um pouco, hum, voltamos em algumas horas.
Dona Neusa — Tá bom filho, mas não faz tanta bagunça tá?
Ela dá um breve suspiro enquanto descemos as escadas, eu abri a janelinha do porão para não ter que aguentar o cheiro de maconha, eu odeio fumar isso, prefiro beber uma garrafa de vodka inteira do que fumar isso, mas enfim, enquanto eu assistia bob esponja(que não é nem um pouco engraçado se você não estiver bebâdo ou drogado) e via Tyler ficar chapado ouvi um barulho estranho vindo da cozinha, cutuquei o Tyler.
Eu- Hum, cara, acho que aconteceu alguma coisa na sua cozinha...
Ele me olhava com um olhar vazio e um sorriso bobo, suspirei e me levantei, aquilo indicava que ele estava vendo bob esponja em vários lugares ao mesmo tempo, subi até a cozinha e não havia nada, apenas algumas gotas de sangue na pia, próximas a uma torta de maçã que parecia deliciosa, fui pegar um pequeno pedaço com minha enorme mão e acabei queimando alguns dedos, levando-os a boca quase imediatamente, olhei pros lados, procurando a dona Neusa e não encontrei ninguém, dei de ombros e voltei pro porão, peguei minha mochila e fui embora pra casa, já deve ter dado o sinal da última aula, se bem que se eu chegar mais cedo só falar que fui liberado mais cedo, uma briga qualquer ai na escola, meus pais não ligam muito pra mim mesmo, então foda-se essa merda de escola...
Alguns dias depois fiquei sabendo que Tyler achou sua mãe deitada na cama dela, vomitando sangue, ele a levou para o hospital e ele faltou hoje, no único dia da semana que eu pretendia vir pra aula, talvez ele falte o resto da semana também...bem, vamos para a primeira aula, que é...nem sei, não presto atenção nessa merda...
O dia acaba, acho que hoje foi o primeiro dia em que passei a manhã inteira na escola, volto para casa e encontro meus pais conversando na mesa de jantar, assim que eu entro eles param subitamente, eu continuo meu caminho para meu quarto, até que...
Pai- Hum, Rafa, meu garoto, sente-se aqui por um instante
Ele havia puxado uma cadeira ao seu lado, eu me sento e minha mãe havia se sentado de frente para mim, eu coloca a mochila no chão, minha mãe segura minhas mãos e meu pai fica me encarando...isso tá muito estranho...
Eu- Que foi?
Pai- Bem, é que...como explicar isso...
Mãe- A mãe de seu amigo Tyler morreu filho.
Tá...e dai?
Eu- Sério?Mas...o que aconteceu com ela?
Eles se olham e depois olham de volta para mim.
Pai- Não se sabe ao certo, os medicos acham que foi um vírus e que Tyler e todos que estiveram na sua casa nos últimos dia possa estar infectado...então...
Mãe- Me diga que você não foi para lá...por favor, apenas diga que Tyler mentiu e você não foi para lá.
Ela estava com lágrimas nos olhos...odeio quando ela fica assim, eu não consigo mentir para ela assim, então eu viro a cabeça pro lado, mas acabo falando um pouco baixo.
Eu- Não mãe, eu não fui lá...
Ela olha para mim, ainda com lágrimas nos olhos, eu não consigo resistir...
Eu- Talvez...eu tenha dado uma passadinha lá antes de vir para casa...mas eu não fiquei tanto tempo assim(Duas horas não é tanto tempo...é?)
Ela solta minhas mãos e seca as lágrimas.
Mãe- Temos que ficar de olho *sniff* em você por *sniff* por enquanto...só para *sniff* para ter certeza que você não está infec *sniff* infectado...
Ela se levanta e sai da cozinha...se eu pudesse ver minha cara ela ia ser de alguém que não entendeu porra nenhuma do que ela falou, eu olhei por meu pai, com um riso de canto de boca.
Eu- Ela não ta falando sério né coroa?
Ele me olha de um jeito muito sério...dá até medo de ficar encarando ele...eu me levanto e coloca a mochila nas costas o mais rápido possível.
Eu- Hum, nesse caso vo pro meu quarto...sabe como é...estudar...
Sai correndo dali...vai saber se meu pai não quer colocar várias seringas em mim para ter certeza que eu estou bem...
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