Notas iniciais
Bom, geralmente faço coisas sem pensar. Muitas vezes penso em uma cena que nem sempre tem pé nem cabeça. Peço desculpas por isso...

Daquele incidente, passaram-se um ano.

Na escola de musica Levitti, o recesso se foi.

Dorivalda fica ao mesmo tempo ansiosa e feliz por finalmente aperfeiçoar seus estudos, onde decidiu cursar piano.

Do rival da nunca havia estudado piano antes, somente teclado; a familia dela havia planejado a compra de um, mas não havia pianos em sua região natal, logo não sabe o diferencial entre pedaleira de prolongar o som e que as teclas do piano são mais pesadas...Pobre Goiabinha...

No corredor da escola, Dorivalda ouve uma voz feminina e logo se encantou, e ficou na porta. Mas ela não percebeu que tinha um fio a sua frente e acabou tropeçando adentrando a sala, interrompendo o ensaio e quase dá as caras ao piano. Dorivalda ficou enlouquecida e tímida, mas ao olhar a beleza da cantora, seus olhos brilharam:

– Bom dia, desculpem atrapalhar, eu estava de olho por aqui, é meu primeiro dia, mas muito prazer, sou Dorivalda. — E estende a mão cortejando a cantora.

– Que bonitinha! Muito prazer, o meu nome é Sônia — Ela estende a mão igualmente.

– Seu sotaque é de algum lugar, eu sou do Sergipe — Dorivalda.

– Eu sou de Pernambuco, bem vinda! — Sonia complementa com um sorriso, mas acaba perguntando em seguida:

– Você sabe tocar piano?

Dori não pensou duas vezes e disse sonoramente sim!

Ao lado de Sônia, estava Sérgio que é produtor musical:

– Pode tocar moça — diz Sérgio sem nem perguntar a procedência dos conhecimentos da garota.

Quando foi convocada para acompanhar uma cantora em um piano de cauda, ela fica toda saltitante e feliz... E conseguiu conquistar a simpatia de todos como pessoa.

Mas na hora de apresentar ...

Dorivalda ficou toda desajeitada com o piano, pois nunca havia lidado com ele até então e sentiu que atrapalhou tudo.

Sérgio pediu para que ela parasse: — Moça, está tudo bem? Desculpe acho que nunca viu um piano?

Dorivalda: Peço que me desculpem, se fosse eletrônico, acho que daria mais conta. Dorivalda se frustrou, pois tinha chance de mostrar seu potencial, mas achou que fracassou ali. Ela se esqueceu da existencia dos pedais.

Chamaram outra pianista para executar em seu lugar. E quem passa pela porta para se colocar diante do piano é Eliza.

Quando viu seu jeito elegante de tocar, e arrancando sorrisos até mesmo da própria cantora, lágrimas de Dorivalda caíram pois pensou que sua história tinha acabado ali e pensou em sua família, no que poderia render de vergonha.

Ao sair da sala, repentinamente:

Eliza: Onde pensas que vai? Não se lembra de mim?

Dorivalda assusta-se como criança e diz:

Acho que lhe reconheço, mas não lembro de seu nome.

Eliza: Sou eu, a Eliza, dos meus pais que tocaram juntos e deu casamento.

Dorivalda: Ah, do piano cegonha... Digo, do piano de gerações de familia!!! Parabéns por me dizer que sou fuleira!

E Dorivalda derrama lágrimas.

Eliza: Fuleira? Acalme-se! Você só não conhecia o piano.

Dorivalda: Acabou! Voltarei para minha terra...

Eliza: Não, de jeito nenhum. É seu primeiro dia e vai querer desistir? Vem comigo!

Eliza leva Dorivalda de volta ao piano.

Eliza: Sente-se!

Dorivalda um pouco amedrontada se senta.

Eliza: O piano tem intensidades diferentes e isto é regulado pelo pedal.

Você pode não saber duração, mas sabe fazer acorde, não é?

Dorivalda: Primeiras coisas que aprendi na vida, não é?

Eliza: Então, vamos executar aquela música Daisy Bell aqui, é fácil, tá?

Tocando de maneira tradicional ainda, Dorivalda diz:

– Achei aquela cantora bonita!

Eliza coloca sua mão acima da mão de Dorivalda e faz com que ela pressione as teclas mais fundo e diz

–Não vê o "forte" na partitura?

Dorivalda se espanta tornando a respiração ofegante não acreditando que estava passando por isso. Agora ela sabe que piano tem intensidades nas teclas...

Eliza pediu para que ela parasse.

–Toca o acorde de C.

Dorivalda tocou o acorde de C.

Eliza diz: Pise naquele pedal à direita

Dorivalda pisou no pedal de sustain sentindo algo que acelerava o coração e suspirou fundo querendo memorizar o resultado disto.

Eliza: Dorivalda, está bem? Já pode soltar o pedal.

Dorivalda não a ouvia. Ela estava em transe.

Eliza resolveu pegou un copo de agua fria e jogou em sua perna.

Dorivalda arrepiou-se e despertou imediatamente e indaga:

Não acredito que fez isto comigo. Molhou minha perna...Mas tenho que agradecer pelos toques que eu precisava.

Eliza: Isso é pra você parar de falar que vai desistir. Você é do Nordeste, e pra mim, Nordestinos tem fama de persistência e força!

Dorivalda se sensibiliza e diz:

Verdade, agradeço mais uma vez, mas sem água no estúdio , por favor!

Eliza: Tudo bem e não fuja senão vou descobrir!

Dorivalda anda um pouco lento pela calça molhada e olha para sua mão e suspira pelo fato de Eliza tê-la pressionado e deixado dolorido e Eliza sorri descontroladamente!

Notas finais
Trilha Sonora: Detalhes - Roberto Carlos "Não adianta nem tentar me esquecer..."
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.