Notas iniciais
É, ta chegando no fim. Dancan sabe disso também. Mas, nem sempre é o fim que ele quer. Olhos; vai mostrar isso. A um passo do conto terminar, muita coisa vai mudar e cabeças vão explodir. Espero que gostem do capítulo e da leitura. Obrigado por acompanharem até aqui, falta só mais um!

O governador provisório estava comandando Estherburg durante a semana seguinte ao confronto. Os nobres Esthers não foram encontrados, assim como seus filhos e filhas. Rastros, indicando fuga, restos mortais indicando a fatalidade, nada foi achado. A Décima Legião estava a cargo de descobrir qualquer pista, mas até aquele momento nada relevante havia sido apresentado ainda.

Laniz Durval era um Barão que vivia na capital de Dantália e já vinha pedindo uma oportunidade de mostrar seus serviços. A oportunidade foi perfeita e ele a abraçou. Era conhecido por sua mente aberta, mesmo com idade mais avançada, e por seu apetite por histórias incríveis. Descobri durante as preparações para a cerimónia que me tornaria cavaleiro que ele era um grande fã da história da família de Jhon Lander. Não conseguia criar uma opinião sobre isso.

Jhon lander, apesar de babaca, não era mais o mesmo comigo. Não o culpo, mas me sinto-me profundamente triste quando percebo o receio das suas ações quando estou por perto.

Quem falou que ser temido é melhor do que ser amado não sabia o que dizia.

Era difícil principalmente com Pharvra. Ela tentava disfarçar e ser a mesma de sempre, mas seu olhar mudou. E até aquele momento eu não sabia o que dizer, o que pensar ou o que fazer.

As cicatrizes estavam se curando lentamente, os estudiosos das ervas e do corpo humano diziam que o que me feriu não era natural, nem deste mundo. Eles refutavam a existência da magia por medo, como eu fazia há bastante tempo atrás.

Soldados me olhavam estranho, cochichavam. As histórias do conflito se espalharam rápido. Aquilo me feria, mas não podia negar a eles, nem a ninguém. Fiz o que fiz e carregarei esse peso para sempre.

O ritual aconteceu próximo ao por do sol, para os raios de fogo fundir em minha alma a honra de ser um Cavaleiro de Dantália. Ela também cravou meus erros.

Estavam todos lá, nobres, plebeus, clero, reis e rainhas. Mas só havia três pessoas que podiam dominar meu olhar.

Jhon Lander estava calado, quieto. Ele sabia de tudo, mas nunca falou nada. Chegou no salão quando tirei a espada do corpo de Arthúria. Seu sangue era negro como a noite. Ele também viu o que a Rosa Escarlate era capaz de fazer, não só comigo, mas como o ambiente.

A sala do trono já estava limpa, mas durante o combate final estava tomada por espinhos, rosas, que se moviam e feriam qualquer um ali.

Pharvra estava calada, quieta. Ela sabia de tudo, mas nunca falou nada. Tornou-se uma esfinge para mim desde a nossa despedida. Esteve de ambos os lados, feriu e foi ferida. O mais engraçado, foi que só depois daquele dia que notei o que ela representava para mim.

Na minha perna sempre levarei ela comigo, mesmo que minha memória um dia a apague.

Andal, Olhos Dourados, estava calada, quieta. Ela sabia de tudo, mas nunca falou nada. Nunca mais me olhou nos olhos. Nunca mais foi a mesma, tanto até aquele momento, quanto nos que viriam por anos. O que fez mudou tudo, sua vida, a de todo mundo, ou pelo menos, era isso que ela dizia.

Quando sua espada me furou de ponta a ponta e ela gritou o nome de Maurice, tudo fez sentido. Ela me fez entender o que Arthúria e sua feitiçaria faziam e como controlavam seus peões.

A cerimônia corria com o de costume. Trombetas, saudações, canções sobre o que era ser herói. Mas só me perguntava se eu podia ser considerado um herói.

Olhava para onde Houser prometeu que ficaria, bem atrás de Jhon Lander, fazendo piadas para me fazer rir e estragar tudo. Aquele idiota era o que eu tive mais próximo de família desde que cheguei a Estherburg.

A espada era a Flâmula do Sol Poente, empunhada com graça pelo próprio Rei de Dantália, Charles Nardal VIII. Interrompia o cântico tradicional a todo o tempo me parabenizando. Mas eu não podia prestar atenção.

Só tinha forças para me manter de pé e não desabar em lágrimas e raiva de mim mesmo.

Não queria ser cavaleiro, nem comandante, nem herói. Queria ser só um ninguém, para fugir dali. Podia ser um babaca, como Jhon Lander, mas não ter me deixado levar. Podia ser um homem morto, como Maurice, Houser, ou outro herói de verdade.

Demorei anos até me desligar desse pensamento. Mas naquele dia, quando ganhava o título, e me transformava em "Sor Dancan White".. era tudo o que eu queria.

Um por um, cada homem e mulher veio até mim, me parabenizavam. Curvavam-se aos meus pés, diziam palavras encorajadoras. Os soldados, sargentos, tenentes, capitães e Jhon Lander, fizeram o mesmo. O governador provisório e o próprio Rei.

Já haviam feito canções sobre meus atos e dos que, junto de mim, salvaram Estherburg. Mas toda vez que tocava o cabo de Chama Crua sentia uma pontada dentro de mim, como se tudo aquilo agora estivesse ali, com fácil acesso a superfície.

Passei o jantar subsequente mostrando a todos o que eles queriam ver, escondendo a dor, com sorrisos confiantes, mas poucas palavras. Não podia ir as sacadas, como via aquelas três pessoas fazendo frequentemente.

Aquilo era difícil, mas, o que não era difícil agora?

"Então... como foi mata-la?"— Um mercador, que eu via vez ou outra na cidade, falou. Aquilo me abateu de súbito, mas mantive as aparências e perguntei sobre o que ele falava. Sorridente, falou "Oras, jovem Dancan, Arthúria".

Arregalei os olhos me virando para vê-lo por completo. Era Perligan, mas com a face de outro homem.

Pergunto o que ele faz ali e sua resposta me deu um calafrio, disse que sempre esteve por perto. Sempre esteve por todo o lado.

"Não gosto de matar.."— Respondi a sua pergunta inicial, depois de suas palavras quase maquiavélicas.

O mercador, Perligan, vira-se visivelmente indignado. Mais que indignado, Furioso. E fala com uma voz diferente dessa vez.

"Mas você me matou e gostou, Sor... Dancan White.."

Seus olhos mudaram de cor, os castanhos do mercador, os verdes de Perligan, os dourados de lembranças obscuras e os negros de uma bruxa.

Engoli seco e segurei Chama Crua. Aquilo sorriu para mim e disse com calma, movendo seu dedo negativamente, enquanto partia um pedaço de faisão.

"Me enganei a seu respeito"— Ele, ou ela, comeu a ave muito bem temperada com um sorriso no rosto. Já não era capaz de disfarçar, mas por sorte, o vinho já havia afetado boa parte dos convidados. Ninguém notava a cena com a seriedade que ela tinha. Nem minha expressão de medo absoluto.

Notas finais
PAM PAM PAAAAAM Vocês suspeitavam disso? Por que se sim, é uma pena, achei que fosse conseguir pegar todo mundo de surpresa :c Se não, que bom HAHA Bem, torço para que tenham gostado. Esse é o 22 de 23 capítulos. Então, até a próxima!