Um tal Cavaleiro

6 A magia não é algo Incrível?


Notas iniciais
Calda de tartaruga, perna de minhoca, pinto de lagartixa, se você ler e gostar dessa história, você ganha uma birita! O Dancan ta ai pra vocês, aproveitem ele. É carnaval e ele não tem dono!

Maldito fedor. Essas duas palavras ecoavam em minha mente alguns dias depois da situação em Turd.

Desde o acontecido e meu novo apelido ter pegado com o pessoal do forte, eu não conseguia parar de pensar no ataque. Jhon Lander, sempre ele.. insistia em dizer que não poderia ser verdade, mas ignorar algo que foi visto por dezenas de plebeus, guardas, Pharvra e por mim, era algo que me tirava do sério.

Babaca.

Nesses dias me dediquei ao treinamento como poucos outros em um perídio de alguns anos. Venci Houser, nas práticas de luta corpo a corpo, venci Pharvra, no arco e flecha, venci até mesmo Sir Ludwing, o Regente da cidade, e reconhecidamente um dos maiores esgrimista de Dantália.

Mas eu não ligava. Minha raiva esta voltada para outra pessoa.

Em uma manhã de sol brilhante e ventos frios, contrariando o hábito dos demais oficiais, sai para correr no bosque perto do forte. Espinhos verdes era um bosque normal, exceto pela grande quantidade de roseiras espalhados por todos os lados e, por consequência, seus espinhos.

Pensava comigo sobre o que poderia levar um comandante tão importante se opor ao depoimento de dois oficiais. Mas logo cheguei a duas conclusões enquanto atravessava o ponto mais tomado pelas rosas vermelhas de Estherburg. O babaca sempre foi aficionado pela história de sua família, jamais acreditaria em algo que fosse de encontro ao legado dos Lander se não houvesse uma prova muito expositiva.

Como ele era um babaca.

Mas o segundo ponto me abalou. Notei como aquilo me incomodava, como meu ego estava tomando minhas ações. Seria eu tão leviano a esse ponto? Quando era um soldado jamais faria isso. O poder subiu a minha cabeça, pensei logo em seguida.

Parei para recuperar o fôlego. Encostei-me a uma árvore. Tinha ido bem longe, mais do que os soldados eram mandados para patrulhar. Não tinha com o que me preocupar, toda aquela região era segura. Em teoria.

Olhei a minha volta. Espinhos, rosas cor de sangue, e um mar verde por todos os lados. Era o 'Olho do Bosque', uma área aonde os antigos vinham adorar a Deusa das Rosas. Mas eu não recordava seu nome, nunca fui bom em gravar os nomes dos deuses antigos, ainda mais por existirem dezenas deles.

Deparei-me, mais a frente, com um altar e algumas colunas. O mundo é um lugar grande, concluí comigo mesmo, falando, quase como um sussurro enquanto apreciando o lugar.

"E nossas memórias são curtas, não é mesmo Capitão?"— A voz doce me pegou desprevenido. Virei-me. O robe das cores da família regente de Estherburg me chamou atenção antes que eu visse quem era. Lady Arthúria.

A mulher me fitou os olhos, encarando-me de forma curiosa. Suas mãos se juntavam a frente do corpo com graça, seu vestido cobria seus pés e tocava o chão coberto por folhas amareladas.

Se o lugar já era bonito, aquela mulher trajando um rubro derivado das próprias rosas tornou-o quase divino. Será que era assim que os antigos enxergavam esse lugar?

Eu não tinha palavras e, naquele momento, sequer cogitei o motivo dessa pessoa estar nesse local sem sua escolta pessoal.

Seus cabelos bailavam com a brisa, seus olhos brilhavam com os feixes de sol que transpassavam as copas das árvores, sua boca se movia e eu apenas a observava. Ela contava a história do local, dos antigos sacerdotes, chamados de Senhores das Rosas, que faziam as oferendas para a Deusa das Rosas, Murmoth. Explicou-me o motivo da sua casa, e por consequência a bandeira de Estherburg, ter a tais cores, originalmente os primeiros Esthers, eram camponeses que ascenderam por cultivarem aquelas mesmas rosas, cantou alguns cânticos ensinados por sua avó, sobre a Deusa, e que tinham como objetivo trazer a graça da divindade para a terra assim com punir aqueles que iam contra os seus ensinamentos.

Pelo menos eram o que os mitos, que sua avó a contava. Ela enfatizou isso duas vezes. E explicou, tinha medo de ser mal interpretada, quando trazia essas curiosidades antigas.

Eu adorava ouvi-la, as histórias, toda sua sabedoria. Compreendia que a cidade estava em boas mãos, a de seu pai, o Lord Duraval, que proporcionava sua filha e, herdeira, a ter tal conhecido e desenvoltura com as palavras. Sempre acreditei que a oratória era uma arte que os governantes precisavam ter.

Franzi meus olhos ao perceber que Lander era menos preparado do que eu supunha antes. A bela donzela logo notou e com doces palavras me questionou sobre isso, queria saber o que me afligia.

Eu, movido por minha ingenuidade e, com a comprovada idoneidade da questionadora, expus minhas dúvidas. Obviamente que não dei um pio sobre minhas desavenças com Jhon Lander, mas talvez isso possa ter transparecido, já que minhas palavras podem omitir, mas a minha cara de puto da vida não.

Ela reagia a cada frase minha, sua atenção era profunda, genuína. Sua boca me encantava. Uma fruta que clamava para ser beijada.

Fechei os olhos por um segundo. Tentando me convencer que não tinha dito aquelas palavras.

“Tudo bem com você, capitão White?”— Ela perguntou, sem compreender com estava acontecendo. Respirei fundo, aliviado. E respondi afirmativamente, disse a ela que eu apenas tinha compreendido algo que até então não tinha percebido.

A donzela curiosa me perguntou o que era e, eu respondi sem pensar duas vezes.

“As histórias diziam que os Homem Rato vieram para cá quando um feiticeiro louco usou de suas artimanhas para traze-los.”— Pareie olhando por um segundo para Arthúria e voltei a falar – “Uma passagem mágica!”. Exclamei, com a minha dedução, lenta, porém correta.

Ela me olhou, duvidando, mas diante das minhas afirmativas, ela concordou sorrindo. Naquele momento, vi seus olhos se encherem de uma chama ardente por um instante. A donzela se vira, e caminhando na direção da cidade, fala sem voltar-se para mim.

“A magia não é algo incrível?”

Fitei suas formas sinuosas se afastarem, em meio a as minhas considerações que deveriam ser feitas sobre tal dedução, dada a posição que ocupo e, o que aquilo poderia causar. Talvez por isso, não notei que a donzela desaparecia entre as árvores, me deixando só no Olho do Bosque.

Notas finais
Não sei o que escrever aqui. Mas como é carnaval, se for dar uma brincadinha, usem camisinha! Não saiam por ai reproduzindo indiscriminadamente como um Homem Rato.