— Você já imaginou o que teria acontecido se eu não tivesse aceitado trabalhar com você na Pearson?

— Não! – afirmou ele ainda olhando para o pequeno ser dentro da incubadora. – Porque está pensando nisso agora? – a olhou finalmente.

— Não sei especificamente. – falou ela sincera enxugando uma lagrima que descia pelo seu rosto. – Apenas pensei em tudo. Foi como um filme em minha memória. – falou também vidrada na menina com aparelho por todos os lados.

Ele a abraçou beijando o topo da sua cabeça ruiva agora também imaginando aquele dia em que a pediu para ela esquecer a noite anterior, um pedido mudo para que ele também esquecesse.

— Eu já te amava. – afirmou atraindo finalmente o olhar dela.

— Eu sei. – sorriu beijando-o de leve nos lábios.

— Vamos para casa?

— Eu gostaria de ficar. Amanhã nos vemos. – falou

— Ok! – assentiu agora beijando-a demorado. – Se cuida! – falou antes de sair.

Donna o viu desaparecer no corredor a sua frente sentindo um aperto no coração anormal. Não saberia como viver se ele também estivesse partido, assim como sua mãe, seu pai e agora seus amigos. Sim Rachel e Mike tinham sofrido um grave acidente que os levará a óbito no inicio daquela semana difícil e agora ela estava ali no hospital com a pequena luz dos seus amigos. Sim, Rachel estava grávida de uma pequena luz como ela se referia ao bebe tão esperado pelos dois.

Havery saiu pela sétima vez do hospital no decorrer da semana e deixava um pedaço seu ali. Já não sabia na verdade se esse pedaço era só referente a Donna. Mesmo não a tendo a segurado nos braços ainda sentia uma ligação com sua afilhada profunda e não conseguia mais imaginar suas vidas sem ela, até mesmo porque não tinha mais Mike e Rachel com ele. E mais uma vez ele passava pela dor da perda fatal. Não bastava seus pais terem partido e em seguida seus sogros, agora seus melhores amigos. Mas a pequena era a luz no fim do túnel. A luz para ele e para Donna. Pensar nela o fez vacilar se queria ou não voltar para o hospital e ficar ao seu lado mais uma noite.

Ela passara todas as noites ali desde que o acidente acontecerá e ele não estava certo que ela conseguiria sair mesmo depois que a pequena tivesse alta. Sim, pois ela teria, caso contrario não conseguiria nem respirar ao pensar no pior.

Os médicos falavam sempre que ela estava bem, que se recuperava de acordo com o previsto e logo ela teria alta.

Donna chorava toda manhã quando saia para ir em casa tomar banho e se alimentar. Harvey já não sabia ao certo se ela suportaria um pouco mais. A ideia de perde-la o deixava sem fome e foi assim que seguiu para o escritório naquela manha chuvosa não antes de ligar para ela e saber que estava indo para casa, cumprindo seu ritual. Laura ficava com a neta durante o dia para assim possibilitar a ruiva um descanso.

Porém aquele dia reserva algumas surpresas...

— Robert o que faz aqui? – perguntou Harvey assim que entrou no escritório e viu o Zane sentado na cadeira a sua frente.

— Precisamos conversar. – falou o senhor visivelmente abatido pela partida da filha e do genro.

— Claro! – ele sentou a sua frente.

— Harvey precisamos voltar para Nova York ainda essa semana. Não sei se quero deixar Laura aqui, mesmo sabendo que nossa neta precisa dela.

— Entendo. Em que posso ajudar?

— Primeiro vamos abrir o testamento do Mike e da minha filha.

— Pensei que já o tivesse feito.

— Eles pediram para lermos juntos e não tinha encontrado a oportunidade para fazermos isso com Donna e Laura naquele hospital.

— Quer fazer isso sem elas? – perguntou mesmo sabendo da resposta. – Não sei se podemos...

— Harvey você acha que elas estão em condições de ter algum discernimento sobre os possíveis pedidos deles?

— E você esta? – o questionou vendo o experiente advogado levantar e olhar para alem da janela.

— Não sei, mas preciso tentar.

— Robert eu entendo você, mas precisamos fazer isso com elas. Sabe que é o certo. – afirmou Harvey atraindo a atenção dele.

— Ok. – deu-se por vencido. – À noite deixaremos Sheila no hospital.

— Sheila?

— Eles estão a caminho para ficarem esse final de semana aqui com você e Donna. Sheila ligou pedindo permissão para virem já que não conseguia falar com você ou ela.

— Ou você pediu ajuda do Louis para a leitura do testamento? – questionou Harvey sentindo que havia algo mais.

— Pode ser...Bem a noite na sua casa ou prefere no hotel que estamos...

— Claro que pode ser em casa. – afirmou o encarando. – Não quer me falar nada?

— Não. Até a noite. – estendeu a mão para Harvey antes de virar as costas e sair deixando-o incomodado.

Após o almoço ele pediu para sua secretaria cancelar seus compromissos e seguiu para casa onde Donna dormia tranquilamente. Olhou para a sua jovem esposa e antes de deitar ao seu lado tomou um banho e ficou ali apenas observando-a e pensando na pergunta dela na noite anterior. “O que teria acontecido se afinal ela não tivesse aceitado ir com ele?” A única certeza que surgia era que ele não teria sido feliz como foi ao longo de 12 anos como secretaria ou mesmo CEO e mais 3 ao seu lado como esposa. Pensando nisso adormeceu.

Donna despertou ao sentir braços a rodeando na cama. Ainda de olhos fechados ela se enroscou mais nele sentindo o sorriso maroto sobre seu pescoço.

— O que faz há essa hora em casa?

— Queria dormir com você! – falou antes de ser encarado serio por ela.

— Fala! – ordenou.

— Robert esta chegando em alguns minutos para a leitura do testamento. – falou finalmente.

— Ok! – falou após alguns instantes. – Mas preciso ir para o hospital.

— Não hoje! Sheila vai ficar com ela.

— Sheila? – questionou

— Louis vai fazer a leitura e ela vai ficar lá.

— O que esta acontecendo? – Donna sentou na cama sendo acompanhada por seu parceiro.

— Eu não sei. – afirmou ainda deitado agora olhando para o teto.

— Ei. – Donna o chamou. – Vai dar tudo certo!

— Não seria eu a estar falando isso para você? – sorriu de lado puxando-a para um abraço.

— Harvey não é porque ainda estou sem chão com a partida deles que não posso te apoiar. – sorriu recebendo outro em troca.

— Estou com saudades! – falou ele agora sentindo o famoso desejo de te-la por um momento.

— Está? – brincou sentindo o aroma do marido. – Também estou! Afirmou beijando-o com ardor e sendo correspondida na mesma intensidade.

Ele a tocou por debaixo da coberta antes fria.

— Você esta bem? – perguntou ele preocupado antes de intensificar as investidas.

Donna sorriu devorando-o com lábios.

— Ficarei se você terminar o que começou. – eles sorriram antes do advogado realizar o desejo da esposa.

Ainda deitados ela sorriu feliz. Enquanto ele estava perdido em pensamentos logo atraindo a atenção da esposa.

— Pode falar! – mandou fazendo-o encara-la.

— O que?

— Você foi...Podemos falar que...mais romântico que o normal.

— Está reclamando de algo especifico?

— Não! Pelo contrario. Foi maravilhoso. Não que as outras vezes não tenha sido. – apressou-se tirando um sorriso maroto do advogado. – Mas foi diferente.

Donna sentou na cama fazendo-o acompanha-la. Agora ambos olhavam-se nos olhos com intensidade e ela retirou o sorriso do rosto.

— Eu só estava pensando de fosse você naquele acidente. Não saberia viver mais. Só a ideia que você posso me deixar a qualquer momento tira meu ar. Não consigo respirar! – confessou serio.

Donna sabia que desde seu ataque de pânico eles não tinham esclarecido alguns pontos sobre o fato. Preferiu deixar como estava pois após a terapia com Paula ele estava melhor. Porém ouvir aquelas palavras após um momento tão critico que ambos estavam vivendo a fez perceber que o momento havia chegado. Com calma, mesmo que por dentro seu coração parecia que iria perfurar seu peito ela acariciou o rosto do seu amado fazendo-o fechar os olhos e sentir a caricia.

— Harvey eu não vou mentir para você. Sim poderia ter sido eu, poderia ter sido você, o que para mim da na mesma. – sorriu de lado ainda o vendo serio. – Não irei falar para você que precisa estar preparado caso isso venha a acontecer em breve, mas o que podemos fazer é viver o máximo que podemos cada instante que a vida nos possibilita. Sou tão feliz por ter você! Por estarmos aqui hoje, essa tarde. Por você me amar. Saibas que assim como falei nos nossos votos você me faz feliz e isso é o que importa. – falou antes de sentar no colo do esposo. – Vamos continuar vivendo cada dia. Ok?! Não quero que pense nisso. A filhinha dos nossos amigos está aqui para nos mostrar que cada minuto é válido e cheio de possibilidades. Ela é uma guerreira.

— Donna prometa que não vai me deixar. – ele pediu colocando o rosto dela entre suas mãos.

— Harvey o que posso prometer é nunca deixar de amar você. Seja aqui ou em qualquer outro lugar. – falou beijando-o em seguida com calma, mas ele intensificou deixando-a entregue novamente ao seu eterno amor.

— Quero um filho! – sorriu ele sobre ela.

— Pensei que nunca fosse pedir. – o acompanhou em uma gargalhada antes de se renderem ao prazer novamente.

Assim que Louis entrou na sala deles foi acolhido por um abraço extremamente caloroso e demorado da sua ex secretaria inesquecível. Sheila vinha em seguida sendo recepcionada pelo padrinho de casamento.

— Como vocês estão? – Louis perguntou ainda sobre o abraço.

— Estamos superando. – Donna respondeu emocionada. Era bom te-lo por perto depois do susto.

— Como vocês estão?

— Bem Harvey. Só não trouxemos sua afilhada porque ela teria um final de semana agitado com as colegas de escola.

— Ela só tem 4 anos! – afirmou ele assustado provocando gargalhadas das mulheres. – Com quem? – continuou encarando o amigo.

— Já falei que amigos da escola. – insistiu Sheila segurando o sorriso.

— Noite do pijama, mas me certifiquei que era somente entre garotas! – Louis falou sendo apoiado pelo amigo e sob as gargalhadas das duas mulheres no espaço.

Eles conversaram mais alguns minutos antes de Sheila seguir para o hospital possibilitando a Laura vir para a leitura do testamento, algo que aconteceu ao por do sol.

Assim que a ultima clausula foi lida eles apensas se olharam atônitos diante do desejo do casal. Tanto Harvey e Donna como Laura. Porém Robert mantinha-se tranquilo o que chamou a atenção da esposa.

— Por isso você estava tenso? – ela o questionou quebrando o silencio.

— Desculpe Laura. Não sabia como seria sua reação a esse pedido. – confessou ainda temeroso.

— Sim. – começou a jovem mulher. – Por mais difícil que seja a ideia de ver minha neta tão longe eu sabia de alguma forma que Rachel iria me surpreender de alguma forma. Ela sempre fez isso, afinal de contas. – sorriu para o esposo.

— Você esta bem com isso? – questionou Donna.

— Donna eu seria insensata se não percebe-se a ligação sua com minha neta desde o momento que tudo isso aconteceu. Rachel me ligou a nove meses atrás falando que estava feliz pela gravidez e por saber que você estaria por perto em um momento tão especial para ela e Mike. – aproximou-se pegando nas mãos da amiga da sua filha. – Minha neta está em boas mãos. Até porque nos não temos mais idade para correr atrás de uma criança no quintal de casa. – sorriu vendo uma lagrima escorrer pelo rosto da jovem mulher.

— Obrigada! – foi o que ela conseguiu falar diante da emoção. Elas se abraçaram por um longo tempo.

Zane e Specter também o fizeram enchendo o ambiente de uma emoção especial. Então Donna virou-se para o marido que a recebeu com carinho em um abraço cheio de felicidades.

— Como sempre você providencia meus pedidos com agilidade e perfeição. – sussurrou ao pé do ouvido da esposa que sorriu emocionada. – Mas ela não será a única. Estamos só começando. – afirmou para então beija-la com carinho nos lábios.

— Obrigada por ser esse homem tão incrível e esse marido especial. – agradeceu sincera.

Notas finais
Pode ser que não tenha sido o fim. Veremos a medida se ela for bem acolhida por cada leitor.
Agradeço desde já a cada um que passou e deu uma olhada!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!