Um recomeço
3 Me leve de volta ao inicio.
Notas iniciais
Sasuke
Esperar ela acordar estava sendo uma tortura, depois de 103 anos longe dela, vendo ela apenas de longe nos últimos 20 anos, estar na mesma casa que a garota que tanto amo, a mulher que por 300 anos venho lutando, é surreal e sufocante ao mesmo tempo. É como se fosse um sonho ela passar dos 17 anos, mas tenho certeza que ela não deve estar gostando de mim nesse momento, não sei como agir, como chegar nela, tentar explicar as coisas.
Suspirei sentindo a frustação de ter mil perguntas e nenhuma resposta, a verdade que toda a dor que sinto me cega, eu apenas a queria comigo, entretanto não pensei nas consequências de como ganhar a confiança e o amor dela, Sasuke sempre amou a Sakura, agora essa Sakura nem sabe quem é Sasuke e muito menos sabe da nossa história.
— Droga o que eu faço? — chutei longe o banquinho que estava na minha frente, tentando tirar a raiva do meu corpo.
— Sasuke está tudo bem? — perguntou Hinata aparecendo na sala, como não me pronunciei ela continuou. — É a Sakura né? Está inseguro? — suspirei confirmando que ela havia chegado no x de toda a minha frustação. — Calma Sasuke! De espaço a ela, você a tirou da realidade dela, precisa ser paciente e mostrar que não quer fazer nenhum mal.
— Hinata ela deveria saber que não quero a machucar. — a raiva dominava meu corpo, como Sakura poderia achar que eu a quero machucar? Que seria um doido estuprador ou coisa pior?
— Sasuke, ela não lembra da história de vocês tenha paciência, entenda a situação, busque conhecer a nova Sakura e deixe que ela te conheça. — Hinata tinha razão, não podia cobrar algo de Sakura, ela não tinha culpa, mas o amor que sinto por ela é tão grande que implora para ser correspondido, estar com a Sakura como minha mulher, cicatrizar as feridas que a perca dela me causou, eu só desejava ser feliz ao lado da mulher que amo, igual Itachi e Naruto. — Vou buscar o macarrão, Itachi já acabou de fazer, aqui nessa sacola tem umas roupas. Naruto e Izumi foram na casa dela buscar o resto das coisas.
Alguns minutos depois eu já estava na porta do quarto dela, um lado meu ainda não estava pronto para encara-la, enquanto o outro suplicava para que ela estivesse acordada, e utopicamente calma com tudo que estava acontecendo.
— Quem eu estou tentando enganar, ela deve estar querendo tacar o livro que comprou na minha cabeça. — respirei e entrei no quarto, para minha surpresa ela estava começando a acordar, me olhou com uma expressão confusa, com um misto de medo no olhar. Tentei agir naturalmente, tentando não transparecer todo o meu nervosismo, comecei a falar do nosso amor, mas logo fui interrompido com a raiva que surgia dela.
— Nosso amor? Sua mulher? Você nem me conhece! — ela levantou da cama olhando ao redor com certeza procurando algo que pudesse usar para me atacar. — Você tem algum problema de cabeça? Seja sincero comigo, eu posso te ajudar a achar um especialista, basta você me deixar ir. Lá fora, podemos até ser amiguinhos.
— Eu não tenho problema de cabeça. — coloquei a bandeja na mesinha tentando me aproximar de onde ela estava. — Sei que é difícil acreditar, mas eu te amo, temos que ir aos poucos, tudo vai dar certo, uma hora você vai entender. — me sentei na cama a olhando calmamente.
— Você é doente sim! Para sua informação, eu já meio que tenho alguém. — senti aquelas palavras cortarem meu coração, o jogador ruivo que vivia perto dela, era de fato o que eu desconfiava, um caso dela. — Sério logo meus pais vão colocar a polícia atrás de mim. Acorda! Para com essa loucura, eu juro que se me soltar, ninguém fica sabendo disso.
— Saky...
— Como sabe meu apelido? — interrompeu ela me olhando assustada.
— Sei muitas coisas sobre você. — ela gritou psicopata e saiu correndo tentando abrir a porta, lágrimas escorriam dos seus olhos, molhando aquela linda pele de porcelana, o socorro que ecoava da garganta dela, com certeza, poderia ser escutado no andar de baixo. Ela estava em pânico, com medo, com medo de mim. — Calma Saky, eu não vou te machucar. Eu só quero te proteger e que você me conheça e me permita te conhecer. Não precisa chorar logo você vai ter suas coisas, a casa toda para andar, amigos novos, uma família a mais. Você tem todo o direito do que quiser aqui, ninguém vai te ferir. — tentei fazer um leve carinho em seu braço, mas ela recuou me olhando com ódio.
— Me proteger? Você me sequestrou no meu primeiro dia de férias, seu retardado. Eu odeio você, não quero te conhecer. Me deixa em paz. — cada palavra gritada que ela me dirigia, surgia uma pontada na minha cabeça, “ela sempre vai te odiar”, “ela nunca será capaz de te amar”, as frases daquela maldição ecoavam, facadas eram dadas em meu coração, eu queria perder a cabeça, meu corpo queria a ensinar de quem ela pertencia, meu coração queria sair do peito e implorar para que ela o cuidasse. Mas eu não podia piorar mais ainda as coisas, apenas me levantei peguei o prato de macarrão e sentei do lado dela lhe entregando. — Eu não quero!
— Saky você precisa se alimentar, já são 18 horas.
— Você é surdo? Eu não quero. — ela me olhou com raiva, mas logo um sorriso brotou em seus lábios. — Pensando bem, pode me dar esse prato? — lhe devolvi um sorriso de canto, entregando o prato prateado, com a especialidade de Itachi, macarrão com queijo.
Comecei a encarrar o chão, minha mãe, sempre me ensinou que não se encarra as pessoas comendo, isso as deixam constrangida. Mas para minha surpresa logo senti uma coisa grudenta e quente escorrendo pelo meu cabelo. — Eu não consigo comer perto de um louco que acabou de me sequestrar. — gritou ela se levantando e correndo para as janelas, para sua frustação a mesma tinha grade evitando sua fuga. — Pode acreditar, se me manter trancada aqui, eu posso até morrer, mas eu vou infernizar você até o ultimo dia da minha vida, você nunca vai receber nada bom de mim.
Levantei sentindo raiva me impulsionar, eu juro que queria pegar aquela coisa branca de cabelos rosados pelo braço e lhe dar umas belas palmadas, mas quando vi o olhar de raiva que ela me direcionou, meu corpo se sentiu fraco, eu não tinha forças para mais nada. Estava decidido, nessa nova vida ela já me odiava e me rejeitava, como sempre. Apenas me virei saindo do quarto, ela gritava e chorava de soluçar e tudo por minha culpa.
— Ah Sasuke, tenho um recado do Naruto, ele e minha mulher devem voltar só de madrugada, parece que a amiga dela está trepando no apartamento com o namorado, francamente os adolescentes de hoje não podem ver...- Itachi congelou ao ver minha real situação. — Meu Deus irmão! Ela acabou com meu melhor prato! — disse Itachi vendo minha condição.
— Ela já me odeia Ni-san. — me encostei na parede, escorrendo aos poucos até estar sentado no chão, desolado, olhando o nada. — Eu esperei essa maldita por 20 anos e em menos de 1hora de conversa, ela já me odeia.
— Ah Sasuke! — Itachi sentou do meu lado, puxando para um abraço. — Você precisa entender, tem a maldição e você meio que sequestrou ela, é impossível que ela queira conversar agora.
— Okay Itachi! Ela tem todo o direito de não querer conversar. Mas você ouviu as coisas que ela me disse? Me chamou de louco, retardado, doente e pior confirmou minhas suspeitas, aquele ruivo que sempre a abraçava pela cintura na faculdade, é um caso. — gritei deixando que toda a frustação do meu corpo saísse, estranhamente os gritos da minha rosada não podiam ser mais ouvidos aqui embaixo. — Minha mulher, deixou outro homem a toca-la, sabe como isso dói?
— Sasuke, não seja irracional, para Sakura ela é livre, ela não conhecia você, o rapaz se aproximou e eles se envolveram.
— Claro, um idiota que uma hora abraça ela e a noite está transando com uma amiga dela é o homem ideal para ela. — como Sakura podia gostar de alguém que a enganava, que parecia um cavaleiro, mas agia feito um bruto longe dela. — Itachi, me deixe ficar sozinho aqui!
— Sim meu irmão. Apenas não desista você já foi muito longe para desistir agora.
Concordei, me deitando em posição fetal, eu não me importava com o chão frio, nem com o macarrão escorrendo pelos meus fios negros, eu só queria lembrar do sorriso dela, do olhar de paixão que ela me direcionava, tentando assim esquecer as lágrimas que agora ela soltava. Eu não iria desistir, disso eu sabia, mas no momento eu só queria me apegar as lembranças boas que tivemos, quando nosso amor era puro, sem maldições, sem morte e sem ódio.
Diga-me que me ama, volte e me assombre
Oh, e eu corro para o começo
Correndo em círculos, como se perseguindo nossas caudas
Voltando a ser como éramos
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