Um presente para meu genro
1 O homem que tem tudo
Notas iniciais
Bom, nada mais que uma leve one-shot para o coração de vocês e o meu.
Obrigado por estar aqui, e boa leitura!
Hyuuga Hiashi era um homem sério, muito sério. O conhecido líder de um dos clãs mais poderosos de Konoha e sogro do Nanadaime Hokage, ou seja, além de sério, Hyuuga Hiashi era um homem muito importante. Com tamanha reputação nas costas, ele bem sabia, as pessoas não esperavam menos dele do que a excelência. Hinata dizia que ele devia descansar mais e se preocupar menos, Hanabi, bem, Hanabi falava algo sobre um tal de “Carpe diem”, não fazia a menor ideia do que diabos isso queria dizer, quanto a Naruto, ah! Naruto apenas lhe sorria e dizia para continuar sendo o grande homem que era. Provavelmente só admitiria no túmulo, mas gostava do genro mais do que supôs que o faria.
E falando no genro, era semana do aniversário dele. Hiashi bem sabia que a vila inteira fazia a maior algazarra para prestigiar o shinobi mais poderoso do mundo, e como o grande homem que era, queria presentear o marido de sua filha com um presente à altura de ambos, algo que representasse toda pompa que o sobrenome Hyuuga carregava e algo digno do grande shinobi e líder que Naruto era. Todavia, uma dúvida pairava em sua cabeça.
O que dar para um homem que já tem tudo?
Naquele momento, o chefe Hyuuga com certeza achava que este era um dos grandes mistérios da humanidade!
— Boruto. – O garoto se fartava do café da manhã pomposo da mesa, Hiashi pôde ver o olhar mortal de Hinata na direção dele. – O que dará de presente ao seu pai? – Esperou o menino enfim engolir a comida.
— Algo que ele jamais vai esquecer, com toda certeza! – O pequeno Uzumaki levantou de supetão e ergueu o braço, exibindo um sorriso exatamente como o do pai. – Mas não posso contar pra você, vovô, não é nada pessoal.
O velho Hyuuga exibiu um sorriso de canto.
— E você, minha pequena? – A pequena Himawari era uma das poucas coisas no mundo que fazia Hiashi perder a compostura. Provavelmente, qualquer um perderia ante aquela garotinha fofa. – O que vai dar de presente ao papai?
Himawari também exibiu um sorriso exatamente como o do pai, levantou de supetão e exibiu as mãozinhas sujas de tinta. Boruto e Hinata sorriram. Naruto guardava, com todo cuidado de um pai, cada desenho feito por Himawari, eram seu tesouro. Os olhos cansados do mais velho miraram a filha, esta sustentou o olhar e sorriu-lhe docemente. Mais uma coisa que ele não admitiria.
Os sorrisos de suas filhas eram perigosos demais para seu velho coração.
— E você, Hinata? O que dará de presente ao Naruto-san? – Ergueu uma sobrancelha quando Hinata desviou o olhar, para direita, para esquerda, as bochechas corando exageradamente.
Hiashi decidiu que era melhor não saber sobre o presente de Hinata.
Quando enfim estava só, o velho Hyuuga pôs-se a pensar. Naruto era um homem jovem, pai de duas crianças e marido de uma mulher meiga e carinhosa, ok! Seu temperamento impaciente e explosivo não refletia seu cargo e seu poder, tanto em combate como em outras questões, ok! Ele e Hinata moravam numa casa bem grande, os móveis eram todos bem cuidados, casa sempre em ordem, tinham um belo jardim, todos os utensílios de cozinha que ele conhecia e que não conhecia, pois Hinata amava cozinhar.
Suspirou, mas não deu-se por vencido. Vejamos, Naruto amava lutar, todavia, não era muito chegado a armas. Era um homem muito ocupado, mas bem, um relógio seria inútil, visto que seu assistente era o rapaz Nara genial. Suspirou mais uma vez. Pensou em livros, mas o homem já passava o dia inteiro lendo e assinando pilhas de documentos! Pensou em reservas de restaurantes ou hotéis caros, mas ele era o Hokage, e além do mais, era um homem simples demais, provavelmente não se sentiria à vontade com tais “regalias”.
— Quem diria, como tornou-se tão complicado presentear um homem tão simplório? – Os olhos claros varreram o céu, o horizonte. Teve uma ideia!
Levantou-se, avisou aos guardas que daria uma volta e rumou porta a fora do clã.
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Konohamaru preparava-se para ir ao prédio do Hokage, esperando que a missão do seu time aquele dia fosse algo simples, queria ter tempo para escolher um bom presente para Naruto. Tinha alguém contra qual não dava pra competir, alguém que todos os anos entregava ao Hokage os melhores presentes e isso o frustrava. Seu consolo era saber que ele não era o único, tinha certeza de que ninguém superaria aquela pessoa, jamais conseguiriam.
Foi então que sentiu um chakra conhecido. Estranhou um pouco, mas bem, o sogro de seu mestre era seu mestre também. Correu para atende-lo.
— Bom dia Hiashi-sama! – Fez uma reverência exagerada, era sempre assim. Engoliu seco ao lembrar do que fizera com Hanabi noite passada, corou rapidamente.
— Ora! Deixe disso Konohamaru-san, somos quase família! – O jovem sorriu sem graça.
— Quer entrar e tomar alguma coisa, Hiashi-sama? – Hiashi sorriu de canto.
— Muito obrigado, mas o que tenho para dizer-lhe é rápido. – Konohamaru gelou.
— Po-po-pois n-não?
— Não precisa ficar tão nervoso. Quero apenas lhe perguntar algo. – “Quando vai pedir minha filha em casamento, seu patife?!”, Konohamaru pensou.
— P-pode mandar!
— O que acha que seria um bom presente para o Naruto-san?
O jovem Konohamaru passou bons segundos encarando Hiashi enquanto este aguardava pacientemente uma resposta. Quase não conseguiu segurar um suspiro de alívio que seria longo demais para passar despercebido.
— Bom, não sei ao certo como lhe responder essa pergunta, Hiashi-sama.
— Hã?
— Quero dizer, um ótimo presente depende de vários fatores. – Coçou a nuca com um sorriso sem graça, exatamente como Naruto, Hiashi notou. – Sinceramente, não vejo alguém que não o senhor dando a ele o melhor presente de todos.
A resposta do Sarutobi surpreendeu Hiashi. Não entendeu bem o que o rapaz queria dizer, mas concordou com ele, aquele ano ninguém escolheria melhor que ele, com toda certeza do mundo!
— Obrigado, Konohamaru-san, desculpe tomar seu tempo, sei que precisa encontrar seu time.
— Que isso Hiashi-sama, foi um prazer, espero ter ajudado!
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Hiashi estava com os pensamentos a mil quando encontrou uma casa de chá. Ponderou sobre entrar lá um pouco e achou que seria uma boa ideia, poderia descansar um pouco antes de continuar sua pequena jornada. Empurrou a porta e gostou de ouvir um sino de som suave balançar, lugares como aquele sempre lembravam-lhe a esposa.
Qual não foi a surpresa ao encontrar Uchiha Sasuke apreciando um chá com toda tranquilidade do mundo! O rapaz mirou-o e levantou a xícara, convidando-o a fazer-lhe companhia. A mente do Hyuuga clareou, quanta sorte! Aquele homem era a pessoa que mais conhecia Naruto, claro, depois de Hinata. Se Uchiha Sasuke não pudesse lhe ajudar, ninguém mais poderia.
Sasuke e Hiashi se davam tão bem, que acabara esquecendo o que tinha a tratar com o jovem. Os dois apenas bebericavam suas xícaras de chá e acenavam minimamente um para o outro, apreciando o silêncio e a companhia pomposa.
Sasuke bem sabia que o sogro de Naruto não tinha nada em comum com ele, assim como o seu próprio. Não entendia como o dobe barulhento conseguia se dar tão bem como o homem à sua frente, o maldito vivia contando histórias das vezes que acompanhava o velho Hyuuga em passeios e refeições. Ao que parecia, Hiashi gostava de ouvir as histórias do grande Nanadaime, e aparentemente, o barulhento maldito Uzumaki gostava de ouvir as histórias do Hyuuga.
— ...
— ...
— ...
— ...
— ...
— ...
— Então, Uchiha-sama, como tem passado?
— Oh! Por favor, Hyuuga-sama, não precisamos ser formais aqui, sim?
— Claro! Perdoe-me.
— ...
— ...
— ...
— ...
— ...
— O aniversário do meu genro está chegando, não tenho ideia de como presenteá-lo. – Suspirou Hiashi. – Ao vê-lo, esperava que pudesse me ajudar.
— Oh! Acho que o melhor presente não é uma questão simples. – O Uchiha mirou a janela, vendo as pessoas na rua. – Existem diversos fatores...
— Konohamaru-san me disse a mesma coisa.
— Ora, Hyuuga-sama, então o senhor deve saber que ninguém terá um presente melhor que o seu.
Hiashi sorriu, mas dessa vez, realmente não entendeu o que aquilo queria dizer. Resolveu não mais incomodar o rapaz Uchiha com a questão, gostava do silêncio dele.
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A semana passou voando. O aniversário do Hokage elevou as vendas do comércio, encheu as ruas de aldeões loucos para presentear o Uzumaki. Comitivas das cinco grandes nações carregavam seus Kages para parabenizar o herói, o que, para Hiashi, apenas endossava que seu presente deveria ser o melhor de todos, afinal, ele representava o clã de Hinata!
Não tivera muito tempo para conversar com o genro, não enquanto ele precisava apertar as mãos de alguém a cada dois minutos. Sabia que, provavelmente, depois que todo aquele festejo terminasse, Naruto ia para casa ter uma merecida noite de sono. Todavia, quando a algazarra se amenizara, o Hokage convidou-o para beber.
Naruto sussurrou algo no ouvido de Hinata, bagunçou os cabelos dos filhos e caminhou em sua direção. Era tarde da noite, mas bem, era um momento raro entre eles. Caminharam em silêncio até o Ichiraku, era a cara do genro aquele lugar! Pediram o prato favorito dele, que segundo o dono do lugar, era por conta da casa, assim como as bebidas. Hiashi observou o brilho dos olhos do rapaz, sabia que ele gostava daquilo, não da algazarra em si, ele amava ser reconhecido. As pessoas não o respeitavam por ele ser o Hokage, ele era o Hokage por que as pessoas o respeitavam.
— Finalmente podemos conversar, sogro. – O Hyuuga riu, a informalidade do rapaz lhe agradava.
— Que raro, Naruto-kun.
— Ora, vamos, não seja um velho resmungão. – O Hyuuga gargalhou. O que com certeza não faria frente a mais ninguém. – Sabe que sempre aprecio uma boa conversa com o senhor.
— A Hinata que não veja você me chamando assim. – Naruto fez uma careta.
— Sua filha sabe ser assustadora quando precisa.
— Ela puxou ao pai.
— Sim, as vezes é tão boba quanto.
— O qu-
— Eu soube que o senhor esteve procurando meus amigos por aí, pedindo ideias para um presente. – O velho homem suspirou enquanto Naruto virava um copo de bebida duma vez só.
— Seus amigos são bem fofoqueiros.
— Ora, Hiashi, não seja um chato.
— Sim, sim! Todos me deram a mesma resposta.
— Hã?
— Que eu daria o melhor presente. – Naruto sorriu.
— E a que conclusão chegou? – Hiashi balançou o copo na mão, a bebida formando um pequeno redemoinho.
— Você é um homem que parece não precisar de nada, é difícil demais escolher algo digno de quem você é.
— Quem eu sou?
— Sim, seu nome carrega lendas demais. – Sorriu um pouco, encarou o genro. – Nada que eu possa lhe dar estará à altura.
Naruto mirou o homem, como alguém tão sábio podia ser tão ingênuo?
— Eles tinham razão, Hiashi.
— Tinham?
— Sim.
— Mas você nem sabe o que eu vou te dar.
— Eu não preciso, você já me deu.
— Dei?
— Sim.
Hiashi achou que o homem já estivesse bêbado, do que diabos ele estava falando? Naruto suspirou, com um sorriso carinhoso no rosto.
— Como pode ser tão lento, Hiashi? Já é a idade agindo?
— Não me faça mandar-lhe ir à merda.
Naruto ficou em silêncio por um tempo, os olhos ora em Hiashi, ora na bebida. Suspirou pela milésima vez do dia.
— Não precisa se preocupar em me dar presentes pomposos.
— Já não entendo mais nada.
— O melhor presente você já me deu, provavelmente o mais caro que você já deu a alguém em toda sua vida.
— Tá bêbado, Naruto?
— Cala a boda, deixa eu falar, porra. – Hiashi revirou os olhos. – Porra, se a Hinata me vê falando assim com você... – Naruto sentiu um frio na espinha e achou melhor não pensar muito naquilo. – Bom, como eu ia dizendo, seu presente foi o melhor que já recebi na vida. Minha vida inteira.
— Diga logo que presente é esse.
— Seu presente me fez um homem, me fez um marido, me fez um pai, me fez Hokage. – Os olhos de Naruto miravam a bebida, exatamente como fazia quando confessava algo a Hinata. – O seu presente me deu uma família, Hiashi. Seu presente preenche meus dias com amor, carinho e felicidade todos os dias, algo que nunca sonhei em ter.
Poucas coisas na vida deixavam Hyuuga Hiashi de olhos arregalados, aquele momento era uma delas.
— Seu presente faz o grande Uzumaki Naruto, ninja mais poderoso do mundo, Nanadaime Hokage, a lenda não sei do que e não sei das quantas se reduzir a um homem, simples, desarmado, vulnerável. Tudo isso com um único sorriso.
— Puta que pariu, Naruto.
— Veja só, se eu contasse pro seu presente que você falou palavrão, ela não acreditaria.
— Você quer fazer um Hyuuga chorar, seu moleque. – O velho Hiashi já tinha lágrimas brilhando nos olhos.
— Obrigado, Hiashi. Você me deu seu bem mais precioso, a coisa que você mais ama em sua vida. – As bochechas de Naruto coraram. – Não me imagino cedendo a Himawari a ninguém. Quem pedir a mão dela vai ter que me derrotar em uma luta séria!
— Quem diria, o grande Uzumaki Naruto se derretendo em declarações de amor pela esposa para o pai dela. – Os dois deram boas gargalhadas. – A Hinata não acreditaria se contássemos.
— Com certeza.
— É por isso que estou aqui. – Os dois arregalaram os olhos na direção da voz tão conhecida. – Yo, querido. – Beijou rapidamente os lábios do marido. – Yo, otou-san. – Beijou rapidamente a bochecha do pai.
— De-de-de-de-de-desde q-q-quando vo-você está aí? – Hinata deu um sorriso idêntico ao de Naruto, e este apenas corou, mais do que já estava.
— Desde que você chamou meu pai de velho resmungão. – O Uzumaki começou a suar frio.
— Se-sério?
— Sim. – A Uzumaki então olhou para o pai. – Não sabia que falava palavrão, otou-san. – Hiashi sentiu exatamente o mesmo frio na espinha que o genro.
— Parece que ela nos pegou, sogro.
— Sim, não há mais o que esconder.
— Você e o Naruto-kun são tão fofos, otou-san.
— Esqueci de te contar, Hiashi, sua filha tem o péssimo hábito de ser influenciada por mim.
— Tá me dizendo que ela não vai esquecer essa conversa?
— NUNCA!
Notas finais
Espero que tenham gostado, não deixem de dar um feedback.
Obrigado, até a próxima!
Um abraço!
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