"E ao anoitecer

Em vão eu tento encontrar

O que de mim você levou

Pra sempre"

Haviam se passado algumas semanas, já estavamos todos de ferias da escola, a famosa "ferias de inverno".

Nós todos, eu, Thomas, Nathy, Jhonny, Jess e seu novo namorado, Victor, resolvemos passar o fim de semana na casa de campo de Thomas, na serra de Santa Catarina.

Saímos na sexta feira as nove meia da manha de minha casa, estava bem frio, beirando os 5ºC.

Fomos no carro de Thomas. Rimos muito a viagem toda. Jess nunca teve os pensamentos mais normais do mundo, mas naquele carro tiramos a prova real disso.

Devia ser próximo do meio dia, já estava um pouco mais quente, mas ainda não havíamos parado para almoçar. Estávamos todos conversando sobre o local onde ficaríamos, até que Jess resolveu abrir a boca pra falar besteira.

— Lá vai ter aqueles animais de frio, tipo ursos polares e lobos? Eles são tão fofos. — Ela disse isso com os olhos brilhando de emoção, senti pena dela quando todos começamos a rir, mas antes das gargalhadas teve uma breve pausa dramática, até o carro ficou sem fazer barulho naquele instante.

Antes que eu conseguisse responder a ela, Thomas respondeu:

— Sim, e vai ter pinguins, esquimós, até o pé grande vai tá lá!

Todos demos muita risada da cara dela, mas Victor tentou reconforta-la de um modo bizarro.

— Calma amor, eu te dou um pinguim tá?!

A viagem foi toda nesse nível de frases históricas e imbecis. Quando começamos a subir a serra, começou a bater o frio, pegamos todos os cobertores que tínhamos.

Enfim, chegamos na casa da família de Thomas, era um local muito bonito, a casa toda feita de tijolinhos, com grade em todo o terreno, mas estava tudo branco, acho que havia nevado por ali, com varias arvores sem folhas e dava para ver só a ponta de um lago atras da casa, provavelmente ele iria congelar logo. Começamos a tirar as malas do carro e entrar na casa, era bela por dentro também, tinha uma lareira perto de dois sofá e um tapete bem felpudo no chão, uma televisão pequena, ao lado de um radio, a cima da lareira uma porta que não sei pra que que serve, e junto da sala a cozinha, com uma mesa de seis cadeiras, um fogão a gás com um a lenha ao lado e uma pia com armário em cima, era simples em comparação com a antiga casa e todo dinheiro que a família dele tinha. Nathy observou a casa olhando cada centímetro deslumbrada.

— A casa é muito bonita Thomas!

— Obrigado! Ela é bem simples, mas confortável, é ótima pra quem busca paz e sossego em um dia de frio. Ela tem somente dois quartos, mas tem colchão a mais, então vamos ter que ir na sorte pra ver quem vai ficar com o que!

Entreguei a tomas três gravetos pequenos, dois de tamanho igual e um menor que os outros, segurei os três deixando a mesma quantia aparecendo.

— Vamos tirar no palito!

Eles sorriram, mas aceitaram. Ficou assim:

Jonny — Quarto da frente

Thomas — Quarto dos fundos

Victor — Sala

Nathy adorou ter ficado com a sala, é o local mais quente da casa pois é onde fica a lareira.

Arrumamos nossas coisas e comemos o pouco de comida que levamos, só os cobertores e as roupas já encheram o carro. Resolvemos então afazer a lista de compras e mandar alguém ir comprar, brigamos muito até decidir quem iria até a cidade comprar as coisas, então Jess deu a ideia de quem fosse, não precisaria arrumar a casa, que estava muito suja. Entre ir a um mercado que não conheço e limpar a casa, preferi limpar, Thomas ficou comigo e todos os outros resolveram ir, ninguém queria enfrentar a casa.

Victor foi dirigindo o carro de Thomas, ele também já tinha carteira e Thomas confiava nele.

Começamos a arrumar tudo com muita agilidade, pouco antes de nós virmos para cá, uma amigo do pai de Thomas enviou seu caseiro para dar uma arrumada nas coisas e deixar alguns produtos de limpeza pesada aqui. Já estava arrumando a sala, aspirando o tapete que era a ultima coisa que faltava, e Thomas estava na cozinha lavando o resto de algumas louças.

Respirei o ar quente que exalava a lareira, com certeza estava muito frio na rua. Coloquei o tapete ao lado e Thomas se sentou ao meu lado com uma caneca de chocolate quente nas mãos, me entregou e eu só sorri agradecida.

— Que cheiro bom... Aprendeu a fazer com quem?

— Mike, um amigo meu dos Estados Unidos. Vamos, experimente! — Respondeu ele bebendo um pouco do dele.

Sorri acenando com a cabeça e bebi o meu. Ficamos em silencio, e eu fiquei encarando a lareira. Após mais ou menos um ou dois minutos, que pra eu foram infinitos, Thomas me abraçou e sussurrou em meu ouvido:

— Eu te amo muito!

Sorrio encabulada tocando-lhe os lábios, coloquei minha caneca vazia de lado e respondi baixo ainda lhe dando um selinho.

— I love you too!

— Muito!

Naquele instante não me senti mais dona de mim, sabia que meu coração pertencia somente a ele, e nunca mais iria te-lo de volta, me entreguei novamente a esse amor, de corpo e alma.

Thomas me puxou para seu colo e ficamos ali nos beijando apaixonadamente, não havia notado suas segundas intenções. Não pensava em mais nada a não ser em nós dois, eramos somente eu e ele e mais ninguém.

Tudo foi se tornando mais quente, o beijo, o ambiente, as caricias, quando dei por mim, já não pude mais evitar. Já estávamos em um segundo estagio de carinhos, e não ia poder mais evitar nada daquilo, realmente entreguei-me a ele de corpo e alma.

Acordei com Thomas me olhando sentado na minha frente somente de cueca, seu corpo estava mais definido, das poucas vezes que o vi sem camisa quando tínhamos quatorze/quinze anos, ele sempre teve um corpo de menino, mas agora havia mudado. Me lembrei então do que havia ocorrido a algumas horas atras, puxei o cobertor que me cobria até cobrir o rosto mantendo só os olhos de fora e corei, fiquei vermelha como um tomate, sentia meu rosto ferver. Thomas sorrio de me ver encabulada daquela forma.

— Você fica linda quando esta com vergonha. — Disse ele.

Corei mais ainda. Ouvi então barulho de pratos e panelas na cozinha, me lembrei que estávamos na sala a pouco tempo atras, e não me recordava de ter ido para o quarto. Thomas respondeu meus pensamentos sem nem mesmo eu ter feito som algum ligado a minha duvida.

— Eu trouxe você pro quarto anão se lembra? Quando estávamos... — Me encolhi com vergonha de ouvir o que ele iria falar, ele então notando que não queria escutar sorrio maliciosamente. — Bem, eles não chegaram a muito tempo, estão fazendo o jantar. Vá tomar banho e colocar uma roupa quente para irmos jantar, mais tarde vai ficar muito frio para você tomar banho.

Thomas sorrio e se levantou da cama, me deu um selinho dizendo "Vá se arrumar", pegou uma calça e uma camisa de manga comprida em sua mala e vestiu, quando ele ia sair me lembrei de perguntar:

— Você estava assim ali fora com eles?

Ele deu uma gargalhada gostosa pois falei isso em tom enciumada.

— Claro que não! Eu falei um pouco com eles, fui tomara banho e vim aqui para me arrumar, mas você estava tão linda ai dormindo que fiquei te olhando — Ele deu mais um sorriso e saiu do quarto.

Fiquei deitada lembrando de tudo que havia ocorrido nessa viagem até aquele instante, sacudi a cabeça pra esquecer as memorias de poucas horas atras. Resolvi então levantar e ir tomara banho, peguei minhas coisas e fui.

Quando abri o chuveiro a água estava muito gelada, dei um grito muito alto e sai de baixo do chuveiro pegando minha toalha para me cobrir, todos vieram correndo, as meninas entraram no banheiro, Victor e Jhonny ficaram no corredor e Thomas ficou na porta. Nathy ficou me olhando frustrada de ver meu rosto mais branco que o normal e os lábios roxos de frio.

— Que foi Ammy?- Disse Jess.

— Ge-gelada! — Respondi eu, mal conseguindo falar, estava congelada.

Thomas não se aguentou e começou a rir muito.

— I-i-idiota!

— O chuveiro é a gás amor, tem que acender aqui!- Disse ele pegando uma caixinha de fósforo e acendendo.

A água começou a esquentar e quando todos os três saíram do banheiro consegui finalmente tomar banho. Podia ouvir todos eles rindo e contando para Victor e Jhonny o motivo de meu grito.

Terminei o banho e fui até a cozinha já arrumada. Victor olhou para mim fraternalmente e disse:

— Você está bem Ammy?

— Sim! — sorri para ele. A expressão fraternal dele mudou para dele mudou para uma de zombaria.

— Sabe, podia ser pior... Podia ser comigo! — Ele sorrio.

Sempre odiei essa frase.

Fomos todos para a jantar e logo após isso Victor e Jess foram lavar a louça, já era bem tarde quando terminaram de arrumar tudo, mas felizmente estava absolutamente tudo limpo. Resolvemos ir dormir, descansar um pouco.

Os dias passaram frios e com muito gelo, mas divertidos. No ultimo dia que estávamos lá, comecei a me sentir mal, fiquei tonta e desmaiei no meio da cozinha, quando acordei já estava a caminho de um hospital, me levaram para tomar soro e voltamos para a casa de campo, ao chegar lá já estavam todos prontos para sair, olhei para todos eles desanimada.

— Desculpa ter estragado nosso ultimo dia aqui!

— Que nada amiga, isso acontece, vamos! — Disse Jess entrando no carro.

— O que eles falaram que você tem? — Disse Nathy preocupada.

— Me mandaram fazer vários exames, mas vou no medico da minha mãe para ver isso direito.

— Você tá se alimentando bem? Te vi comer pouco no fim de semana! — Disse Jhony.

— Não ando com muita fome não, fico até enjoada de comer!

— Deve ser por isso então, mas é melhor procurar um medico... — Thomas falou com voz preocupada.

Entramos no carro, tentei dormir durante a viagem como todos mas não consegui, a algum tempo já não conseguia dormir muito bem, mas nunca liguei muito para isso, até aquele dia.

Fui ao médico na mesma semana, por livre e espontânea obrigação. Foram marcados muitos exames, mas nenhum deu resultado que pudesse mostrar o que eu tinha. Então, deixamos passar.

Notas finais
"That you were Romeo You were throwing pebbles And my daddy said Stay away from Juliet And I was crying on the staircase" Love Story - Taylor Swift "Romeu me leve a algum lugar onde possamos ficar sozinhos Eu estarei esperando, tudo que faremos é correr Você será o príncipe e eu serei a princesa, Esta é uma história de amor, querido, apenas diga sim"