Um pouco de Minhas Lagrimas
7 Eu estou bem, juro!
"Viver sem você,
Sem você,
Viver sem você..."
Naquela manhã, sabia que ao pisar na escola Thomas viria falar comigo, precisava contar toda a minha força de vontade e atuação e mentir para ele. Contei para minha mãe que ele iria me forçar a falar para ele e ela deu de ombros, resmungou somente um "conte." e voltou a tomar seu café.
Como sempre me deixou na escola, entrei cabisbaixa e quando vi, Thomas estava junto com as meninas me esperando. Tentei fingir que não os vi fui indo ao banheiro, mas o sinal soou e eu tive de subir.
Como sempre fomos para a sala de presença e tivemos aulas chatas. No intervalo Thomas tentou falar comigo, mas eu fingi que tinha de resolver algo na secretaria do colégio, e passei lá o intervalo todo conversando com a Dona Ana, a Bibliotecária do colégio.
Fiquei torcendo para passar mau novamente e poder ir embora antes do fim da aula, mas isso não aconteceu. Quando estava indo para minha casa, Thomas me chamou, fingi que não escutei e continuei a andar, mas ele correu e parou na minha frente serio.
— Meninas, sem querer ser chato ou grosso, mas vocês podem nos dar licença? — Disse ele forçando um sorriso.
Jess me olhou preocupada, mas puxou Nathy e elas foram ficar com seus respectivos namorados enquanto eu e ele conversávamos.
— O que você quer Thomas? Já disse que não o amo mais, por que ainda insiste?
— Não é sobre isso, mas quanto a isso, lutarei até a morte para ter você ao meu lado novamente, isso é uma promessa. O que quero saber é o motivo desses seus desmaios. Você terminou comigo logo depois disso começar, e já fazem mais ou menos dois meses, o que você tem Ammy?
— Eu estou bem, juro!
— Não Ammy, você não esta bem. Esta visivelmente doente. Me fale, o que você tem...
— Vou descobrir hoje, se eu chegar a tempo para pegar meus exames, mas você esta me segurando aqui...
— Então vou com você!
Nesse momento virei uma fera que tenta proteger um segredo milenar, não sei como consegui mentir tão bem.
— Não Thomas, você não vai! Você não tem mais nada a ver com minha vida, se eu estiver doente, o problema é meu que não me cuidei, pode ter certeza que se eu estiver doente vou fazer questão de lhe contar pessoalmente pra ver sua cara de desolado. Agora me deixe em paz...
Ele ficou com uma cara péssima, partiu meu coração, mas eu não podia fazer nada. Não queria contar a ele que estava a beira da morte, por que se não ele iria sofrer mais que eu.
Jess e Nathy logo se juntaram a mim quando ele saiu. Fomos até a minha casa sem dar uma unica palavra, quando entramos, minha mãe já havia pego meus exames, só precisávamos marcar o retorno do medico. Como era sexta feira, eles não marcavam consultas, então deixamos para ligar segunda.
As meninas passaram o fim de semana todo comigo. Fomos ao shopping naquela noite, e sábado fomos dormir na casa de Nathy, pois tinha piscina e era muito quente.
Na noite de sábado não conseguíamos nem nos encostar de tão ardidas.
— Nathy. Minha mãe vai me matar por isso. — Disse eu sorrindo.
— Que isso amiga, você está até com uma aparência mais... Saudável. — Ela deu uma bela gargalhada e Jess completou o que ela não conseguia dizer.
— Deixou de ser até tão pálida, e nem vomitou hoje, veja que avanço.
Passamos a noite acordadas por vontade própria, era melhor que deitar e sentir que estava sendo assada viva. Em compensação, domingo a tarde dormimos o dia todo. Nunca mais havia dormido tão bem, era como se nem estivesse mais doente.
Naquela noite fomos para um show de uma banda de garotas que fazia cover do Sex Pistols aqui na nossa cidade. Me sentia tão bem, que até havia esquecido Thomas naquele fim de semana, mas na noite me lembrei dele novamente.
Ele estava naquele show, e os namorados das meninas também, então ficamos todos juntos.
Quando o show começou ele até me puxou para dançar, a cada passo que fazíamos sentia uma vontade imensa de beijar-lhe os lábios, mas não fazia isso é claro, queria apenas me divertir, e fingir que eramos somente amigos e nada mais.
Bebemos, cantamos, dançamos. Tudo o que eu fazia quando ainda tinha saúde, e foi ótimo.
Após o show saímos para jantar em algum lugar, mas como já passava das 02 horas da manhã não tinha nada aberto, a não ser as barracas de cachorro-quente no meio da rua, e foi em uma dessas que paramos.
— Essa é a noite mais divertida que tenho desde que... Desde sempre. — Falei eu sorrindo.
— Com certeza Ammy, essa foi a melhor. — Disse Jess sorrindo feliz.- Hey tio, cadê nosso cachorro quente? Estamos morrendo de fome!
Sorri com ela. O senhor que fazia nossos lanches os trouxe e começamos a comer. Nathy lembrou-se de que foi um fim de semana que não passei mau, mas que amanhã teríamos aula, e precisávamos dormir.
— Meninas... Amanhã nós conseguiremos levantar pra ir pra aula?
— Não sei! — Respondi sorridente. — Qualquer coisa, ligo pra vocês e resmungo um "não vou para a aula."!
— Você esta dormindo bastante né Ammy? — Disse Jess entre mordidas do seu cachorro quente.
— As vezes. Tem dias que não durmo nem meia hora, mas tem dias que durmo quase doze horas.
— Nossa! — Resmungou Thomas. — Queria que minha mãe me deixasse dormir doze horas...
— A mãe de Ammy tem seus motivos para deixar... — Disse Nathy.
— Sua mãe está morando aqui novamente Thomas? — Falei fugindo do assunto.
— Sim! Separou de meu pai... Muitas brigas.
— Sinto muito. — Baixei a cabeça olhando para meu lanche. — Sei bem como é... Só que você já é mais velho e entende, eu tinha somente seis anos...
— Mas agora está tudo bem... — Respondeu ele. — Vamos embora, já é tarde. Querem carona meninas?
— Pode ser. Estou morta de cansada. — Disse Jess.
— Realmente... — respondi.
Quando cheguei em minha casa, fui direto para minha cama. Fiquei até as 05Horas da manhã pensando em como aquela noite com Thomas havia sido boa e feliz, se eu não amasse tanto ele, aquelas noites poderiam ser perfeitas. Viver sem ele era algo horrível.
Enfim, peguei no sono e nem consegui acordar de manhã para ir a escola. Acordei eras 16:00 horas com minha mãe ligando pra marcar minha consulta.
Finalmente iria começar minha quimioterapia.
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