Um pedido, um tempo e um casamento

10 Primeiro dia na praia com a família


Notas iniciais
Deuses, preciso postar mais vezes, mas com a escola complica um pouco a situação... *Divirtam-se*

[Dia doze de janeiro. Apartamento de Percy e Annie.]

Acordei bem cedo. Mas bem cedo mesmo, ás cinco da manhã. Balancei Percy.

– Percy, acorda amor.

– Que horas são?

– São cinco da manhã.

– E por que você me acordou agora?

– Porque nós duas precisamos tomar esse sol fraquinho da manhã. Zoe não pode receber aquele sol forte.

– Deuses ... – ele suspirou e voltou a se deitar. Então se sentou. – Ok. Se a Zoe precisa realmente disso, nós vamos.

Olhei com as sobrancelhas erguidas pra ele.

– Que foi?

– Nada. É só que, você tá saindo melhor que a encomenda.

– O que isso quer dizer?

– Que você é um ótimo pai, sabia?

Ele beijou minha testa e se levantou.

– Pode ir tomando banho enquanto eu faço o café.

– Tá bom.

Me levantei e fui até o banheiro. Tomei um banho rápido e me troquei. Coloquei um biquíni (óbvio) e um vestido branco meio transparente por cima. Ele era solto, então deixava minha barriga bem à mostra.

Fui até a cozinha, onde vi Percy no fogão fazendo panquecas, sua especialidade.

– Hum, que cheiro bom.

– Quantas panquecas vocês vão querer?

– Não sei – olhei para minha barriga. – Então Zoe, quantas panquecas você quer?

– Três, mamãe. Não peça muitas para não dar trabalho para o papai – Percy disse com uma voz fininha.

– Nesse caso, eu quero três panquecas, Cabeça de Alga.

Ele colocou as panquecas na minha frente.

– Aqui estão, milady. Mais alguma coisa?

– Café, se não for dar muito trabalho.

– É claro que não.

Ele colocou o café na mesa e se sentou ao eu lado.

– Não vai comer não?

– Eu já bebi uma xícara de café, Annie.

– Mas isso não vai te sustentar, Percy – olhei para o lado. – Ainda mais se você for surfar.

– Mas eu não tô com fome agora ...

– Sem desculpas, Jackson, é melhor você comer algumas panquecas e uma fruta agora.

– Sim, senhora.

Ele comeu as panquecas e foi por as coisas no carro. Peguei uma maça e, quando ele estava indo buscar sua prancha, joguei pra ele.

– Coma.

– Jogar uma maça pra uma pessoa na Grécia antiga era um pedido de casamento, sabia?

– É, eu sabia. Por esse motivo nós estamos noivos desde os doze anos. Agora coma essa maça.

– Deuses! Você está igualzinha à minha mãe!

– Obrigada. Aceito o elogio. Agora coma pra você não desmaiar lá na praia, Percy.

– Tecnicamente falando, se eu desmaiasse, era só jogar um pouco de água em mim que eu voltava a ficar bem.

Olhei brava pra ele. Ele passou o braço por sobre meus ombros e mordeu a maça.

– Feliz?

– Muito. Vamos?

Saímos e fomos para o carro. Vinte pras seis nós chegamos na praia. Percy desceu e veio abrir a porta pra mim.

– Nós precisávamos vir tão cedo mesmo? Não tem ninguém aqui – ele disse bocejando.

– Precisávamos, Percy. Quer ajuda com as coisas?

– Não precisa. Pode ir indo. Te alcanço em um minuto.

Fui em direção a areia. Tirei meus chinelos antes de sair do calçadão. Fui me abaixar para pegar, mas Percy se adiantou e pegou pra mim.

– Que foi? Você não pode ficar fazendo exercícios físicos, lembra?

Bufei e continuei andando. Percy, desde minha última consulta na semana passada em que a doutora havia dito para eu não fazer muitos exercícios, havia virado minha babá. Sim, parece ser bom, mas depois de um tempo fica chato. Ele não deixava que eu limpasse ou pegasse alguma coisa nesses dias e isso estava me irritando.

Enquanto ele arrumava as cadeiras e o guarda-sol (para mais tarde), fui em direção a água. Deuses, como eu sentia falta da praia. Fazia tempo, desde que saímos do acampamento, que eu não via sequer a praia. Meu curso estava exigindo bastante do meu tempo e a faculdade de Percy também estava exigindo bastante dele. Nesses tempos finais, pra poder manter a oferta de emprego em pé, ele tinha que se esforçar muito. Claro, na prática eu sabia que ele seria brilhante, mas na teoria ele tinha que estudar e muito. Esta semana ele teria prova todos os dias e teria que estudar. Ás vezes eu conseguia ajuda-lo, mas biologia marinha era um assunto do qual eu não sabia muito. Sempre preferi as exatas as humanas, mesmo indo bem nas duas (filha de Athena), mas só gostava um pouco de história por causa de meu pai.

Em determinado momento, senti a água subir até a minha canela e se fechar, como em um pote. Olhei para baixo e vi que meus pés estavam “presos” pela água. Olhei para trás e vi Percy movimentando a mão. Sorri. Ele veio em minha direção e me abraçou por traz e colocou a cabeça em meu pescoço e as mãos em minha barriga.

Ficamos ali por um tempo até que vimos a água começar a se mover ao longe. De início pensei ser Percy movendo a água de novo, mas ele estava com a mesma expressão confusa que eu.

– Percy, eu tenho a impressão de que não é você quem está fazendo aquilo, certo?

– Não. E supondo que você não possui poderes com a água, gostaria de saber o que é aquilo?

A água continuava a se mexer e, num passe de mágica, nosso querido Poseidon estava bem diante de nossos olhos, sorrindo para nós.

– Bom dia, crianças. Como vão?

– Pai? O que faz aqui?

– Percy! – ás vezes ele nãos e dava conta de como era grosso.

– Bom, eu moro aqui filho. Deus do mar tem dessas coisas.

– Lorde Poseidon, me desculpe pela grosseria de seu filho. Quer se juntar a nós?

– Não precisa me chamar de lorde, Annie. E eu adoraria me juntar a vocês e ... – ele parou de falar e focou seu olhar num ponto atrás de nós. Olhei para Percy e depois, juntos, olhamos para trás.

E, surpreendentemente, quem estava lá era minha mãe. Com uma roupa de praia de uma mortal e tudo.

– Mãe?

– Bom dia, Annie. Percy, Poseidon.

– Mãe, o que a senhora faz aqui?

– Annie! – Percy me repreendeu ironicamente.

– Faço o mesmo que Poseidon. Vim dar uma benção a minha neta.

– Ah – fiquei sem reação. Havia esquecido disso. – E eu preciso fazer alguma coisa ou ...

Ela se aproximou de mim ao mesmo tempo que Poseidon. Os dois colocaram a mão em minha barriga e começaram a recitar em grego antigo. Consegui entender algumas partes como “que ela tenha sabedoria para fazer as escolhas certas”, “que tenha coragem”, “que tenha força”, “que tenha um bom senso de humor, porque se puxar ao humor do lado feminino da família, ferrou”. Esse último foi de Poseidon e eu achei meio ofensivo.

No final, convidei minha mãe a se juntar a nós. Ela, milagrosamente, aceitou, mesmo dizendo que tinha algumas coisas pra fazer e foi, ao que pensei, se sentar em uma das cadeiras que Percy havia posto, mas ela criou/fez/conjurou, não sei, só sei que uma cadeira nova apareceu ali. Duas na verdade.

Segui ela e me sentei em uma das cadeiras. Percy veio e pegou sua prancha e Poseidon fez surgir uma para ele mesmo. Os dois correram para a água e de lá não saíram por um bom tempo. Enquanto isso, eu já havia tirado a roupa e ficado só com o biquíni pra tomar o sol mais leve da manhã. Minha mãe seguiu meu exemplo e me fez várias perguntas sobre a casa nova, se eu já tinha local, projeto, essas coisas.

– O lugar nós já conseguimos, mãe. Pode ficar feliz em saber que nós conseguimos achar um bom terreno perto da minha empresa e da faculdade de Percy. Falamos com o dono e, se Percy conseguir o emprego no final do ano, nós poderemos comprar já.

– Mas filha, com a construção da casa, móveis, tudo, vocês ainda vão conseguir se sustentar? E a bebê?

– Eu já planejei tudo, mãe. Logo no começo do ano, a construção da casa já vai começar. Como a Zoe vai nascer no final de março, segundo a doutora, eu vou deixar uma brecha de um mês e meio para a casa já estar pronta. Quanto ao dinheiro, minha empresa está subindo, sabia? Você fundou ela no começo do ano e ela já cresceu em quarenta por cento do que era. Semana passada uma das funcionárias me disse que uma senhora veio e fez uma oferta ótima para que nós restaurássemos sua antiga casa e o valor que ela estava pedindo era muito superior ao que eu cobraria, mas ela se recusou a pagar menos por razões sentimentais. Enfim, o que eu quero dizer é que, desde a notícia de que fiquei grávida, Percy e eu guardamos algum dinheiro, caso fosse necessário. E tem também o dinheiro do casamento, que a maioria dos convidados nos deu ao invés de presentes. Sem contar que o emprego ao qual Percy está concorrendo é ótimo.

– Parece que vocês já tem tudo pronto pra começar uma vida, certo?

– É, acho que sim – olhei para minha mãe. Ela não olhava para mim, mas sorria e eu sabia o porquê. Era a primeira vez, eu acho, que ela tinha uma conversa desse tipo com uma filha, a primeira vez em milênios que ela tirou o dia pra só ficar na praia relaxando e conversando sobre coisas alheias. – Mãe, eu tenho um convite pra lhe fazer.

– Que seria?

– Se a senhora não estiver muito ocupada no dia, gostaria de ir fazer as compras da Zoe? De roupas, fraudas, essas coisas?

O cinza normal de seus olhos ganhou um brilho inexplicável quando ela escutou isso.

– É sério isso, Annie?

– É claro que sim, mãe.

Então ela se recompôs.

– Bom, contanto que eu não esteja ocupada com, você sabe, afazeres de uma deusa, acho que poderei ir sim.

Então Percy e Poseidon vieram em nossa direção. Eu não devia dizer isso, mas, para um senhor com mais de, sei lá, milênios, Poseidon estava em forma e minha mãe pareceu reparar nisso. Percy era uma cópia um pouco mais baixa e igualmente musculosa de seu pai, basicamente.

– Cansaram?

– Eu tô com fome, Annie.

– Ah, agora você tá com fome? Eu mandei você comer àquela hora, Cabeça de Alga.

– Vamos, Annie. Já são quase nove horas e o sol vai começar a ficar forte. Podemos ir embora ou vocês duas, três, ainda não tomaram sol o suficiente?

– Tá bom, Percy. Nós podemos ir – me virei para nossos pais. – Se sintam convidados a ir junto.

– Agora eu realmente tenho coisas pra fazer, Annie. Mas, no dia em que vocês forem fazer essas comprar, me avise por mensagem de Íris, ok?

– Pode deixar, mãe.

– Bom, eu já vou indo. Você vem? – ela perguntou para Poseidon.

– É claro, mas por que não vamos pelo caminho mais longo que seria caminhar algumas quadras até o Empire?

Ela olhou em volta.

– Tem realmente bastante gente aqui ... Pode ser. Adeus.

Nos curvamos e ele se foram. Eles foram caminhando como mortais comuns e, por um tempo, quase esqueci que eles eram deuses. Ajudei Percy a arrumar as coisas, mesmo com ele dizendo o tempo todo que eu não devia fazer exercícios físicos.

– Percy, levantar uma cadeira não vai fazer mal nenhum a mim ou a Zoe.

– Você não sabe ...

– Sim, eu sei. A médica me disse para não fazer exercícios, ou seja, treinar, lutar ou praticar esportes. Isso não se enquadra em nenhuma das categorias.

– Eu só estou preocupado.

– Percy ...

– Eu só quero que vocês duas fiquem bem!

Nessa hora já estávamos colocando as coisas no carro e por sorte ninguém ouviu. Mas eu tinha que entender o lado dele. Ele só estava preocupado, mesmo que demais. Passei a mão por seu rosto e me aproximei dele.

– Nós vamos ficar bem, ok? E se alguma coisa acontecer, nós duas vamos ter o salvador do Olimpo e do mundo bem ao nosso lado.

Aquilo pareceu anima-lo.

– Ok, talvez eu esteja sendo um pouquinho preocupado demais, mas por favor Annie ...

– Tudo bem, Percy. Pode levar as coisas, tá? De agora em diante até a Zoe nascer, você será meu escravo particular.

Ele sorriu e me deu um beijo na bochecha.

– De acordo, milady – ele fechou o porta-malas. – Queira entrar no carro, por favor?

– Obrigada.

Entramos no carro e fomos para casa, ou melhor, apartamento.

Notas finais
Gostaram cupcakes? Até o próximo capítulo. Beijinhos. - A