Um passo errado
27 Caminhos
Passava das onze da noite e o calor tornava o simples ato de dormir, em algo praticamente impossível. Erick rolou pela cama como se houvessem pregos nela e, depois disso desistiu, levantou-se e foi até a geladeira, tomou um pouco de água e resolveu sair.
Não que ele deixasse de pensar nela por algum instante, mas naquele dia em especial, Alicia dominara sua mente de forma integral, não deixando espaço para mais nada.
Caminhando pelo haras, balançou a cabeça quando se deu conta de para onde estava indo, outra vez para o bendito barranco.
"É Erick Carter...Essa não é a melhor forma de tentar esquecê-la..." —pensou, sabendo que não, ele não estava mesmo fazendo o mínimo esforço para tirar Alicia de seu coração.
Sentou-se então, no cantinho que costumava ser deles, tirou o telefone celular do bolso da calça e passou as olhar as fotos que tinham tirado juntos. Cada declaração, cada promessa feita, tudo atingiu Erick como o impacto de um meteoro.
"Erick, nunca mais vamos ficar separados". —ela afirmara, quando eles se entenderam depois da primeira briga séria que tiveram. Aquilo parecia tão certo e agora, ele acreditava que Alicia estava nos braços de outro alguém.
Quase oito meses e aquela dor não passava, ele sequer havia tentado se envolver com outra pessoa, Erick simplesmente não sabia como fazer para se livrar daquele amor. Antes, quando adormecia tinha momentos de sossego, mas ultimamente, nem isso ele estava conseguindo e, quanto mais tempo acordado, mais Alicia nos pensamentos.
Solidão era seu estado de espírito, começou a chorar. Olhou para o céu, estava tão estrelado, queria tê-la ao seu lado para que juntos esperassem o dia clarear.
Pensou em ligar para ela, mas era muito melhor deixar como estava, se Alicia o destratasse ou mesmo, se dissesse que estava apaixonada por outra pessoa... bem, Erick não sabia como reagiria.
Sem chão, resolveu voltar, se a mãe acordasse e não o visse lá, começaria a se preocupar, ainda mais.
Erick se preparava para outro banho, a caminhada e as emoções afloradas, fizeram-no suar. Acabava de tirar a camiseta quando seu telefone tocou. A música ecoou pelo banheiro fazendo-a parecer mais alta do que realmente era.
Fechou os olhos antes de encarar o identificador. Seria Alicia? Rezou, implorou, fez promessa para que fosse. Isso tudo, em menos de três segundos.
—Alô—atendeu desanimado, assim que viu que tratava de seu advogado.
—Erick, desculpe-me o horário, mas é que eu não podia esperar até amanhã para te dar essa notícia.
O filho de Laura sequer havia se atentado á hora, estava tão perdido dentro de seus próprios fantasmas, que perdera a noção do tempo. Olhou para o relógio em seu pulso, faltavam quinze minutos para uma da manhã.
—Pelo o horário, a notícia deve ser séria. —Erick disse, sentindo uma pontada no peito.
—Pegaram eles —Dr.Siqueira contou sem rodeios. —David e Alisson estão na delegacia.
Erick respirou fundo, aquela informação era bombástica. Depois que descobriu o envolvimento do irmão em todo aquele circo de horrores que se tornou a noite do happy hour, estava evitando até mesmo de sair das imediações do haras, sabia que se o encontrasse não responderia por seus atos.
O advogado vinha afirmando que a polícia já estava á par de tudo, inclusive, Camila dera um depoimento formal á delegacia de Santo Valle, antes de voltar para sua cidade. De qualquer forma, Erick parecia não acreditar que o irmão seria pego, era como se estivesse conformado com o desfecho triste de sua história, mas aquela ligação mudara tudo.
—Quando afirma que os pegaram, se refere a exatamente o quê? — O filho de Laura quis saber.
— Eu ainda não estou cem por cento a par dos fatos, entretanto, ao que me consta seu irmão estava com uma quantia considerável de dinheiro, os policiais interceptaram os dois, no exato momento em que David entregava o montante para Alison, e mais, eles descobriram há dias, que fora David quem comprou a rama do crime.
—Nossa... —Erick arfou, estava atordoado.
—É meu rapaz, agora, sobra-me a missão de comunicar o seu pai—ele reclamou com pesar.
Erick saiu do banheiro, sentou-se na beirada de sua cama e deixou seu olhar se perder em uma das paredes cor-de-rosa. Seria um golpe e tanto para Cássio e, Erick não podia negar, nos últimos tempos o pai e ele estavam muito próximos, claro que não chegava a ser uma relação estreita de pai e filho, mesmo assim estavam aos poucos construindo uma conexão inédita para ambos.
—Aconteceu alguma coisa? —Laura apareceu no quarto do filho, estava escutando sua voz e pensou que ele poderia estar falando com Alicia.
Erick olhou para a mãe e gesticulou com uma das mãos, ainda ouvindo seu advogado do outro lado da linha.
—Tudo bem, estou indo para a delegacia—afirmou já desligando. —Mãe, o David foi preso.
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Um telefone tocando de madrugada assusta qualquer pessoa, normalmente ligações fora de hora costumam vir acompanhadas de más notícias, entretanto, quando se está em completo estado de alerta, a sensação é ainda pior, Cássio que o diga.
—Isso só pode ser um engano. —A voz rouca do dono da rede de supermercados Ruiz, acabou acordando Marcela, que também andava com o sono mais leve do que de um bebê.
—O que houve? —ela quase gritou enquanto acendia a luz do abajur sobre o criado-mudo.
Cássio, acompanhado de uma expressão de terror, encarou a esposa sem saber como reproduzir o que acabava de ouvir naquele telefonema. Sem ao menos se despedir do interlocutor dos fatos, ele pôs-se de pé, sentia o mundo desabando em suas costas.
—Eu só posso estar dentro de um pesadelo... —Ele passou as mãos pelo rosto, o estômago começou a doer.
—Anda homem — Marcela foi para o seu lado—, me diz, o que foi que aconteceu?
— Acabo de receber uma ligação do delegado da cidade. —Ele encarou a esposa que já parecia saber o final da frase. —Nosso filho foi detido.
Marcela desabou no chão, permaneceu prostrada ali, chorando enquanto o marido colocava roupas decentes para poder sair. Ela nada perguntava, sabia muito bem o que tinha acontecido, e sabia também que em pouco tempo estaria ferrada.
David não era nada esperto, ela já tivera provas disso, a polícia arrancaria dele toda a verdade, tão facilmente como tirar o doce de uma criança.
— Não quer saber o que nosso filho fez? —Ele indagou antes de passar pela porta do quarto.
Marcel virou-se para ele, no olhar a raiva fulgia como chamas incandescentes. A ruína da família Ruiz era iminente, quando o dia clareasse e a notícia se espalhasse pela cidade á fora, a imagem de família modelo estaria riscada para sempre. Essa era sua maior preocupação no momento.
—A culpa é toda sua, Cássio! —ela vociferou partindo para cima dele com uma rapidez surpreendente. —Trouxe aquele bastardo para essa cidade e junto, a vagabunda da mãe dele.
—O que você está dizendo, Marcela? —Cássio segurou os dois braços da mulher, que descontrolada desferia socos em seu peito. — Como sabe que tem a ver com o Erick, essa prisão do David?
Ela encarou-o assustada, sabia que estava metendo os pés pelas mãos, Marcela sabia que o descontrole só pioraria as coisas.
—Quem mais? —ela perguntou com a voz branda. —Depois que ele veio para cá, tudo fugiu do controle. Esse rapaz parece querer descontar a escolha que você fez há anos, em nosso filho.
—O que você está dizendo? —Ele balançou a cabeça, inconformado. — Meu filho nunca me reivindicou nada, desde que veio para Santo Valle tem se virado, começou a trabalhar, sequer quis ficar vivendo aqui conosco.
—Ele roubou a namorada do meu filho, fez tudo de caso pensado para desestruturar o David. —Ela justificou já se calçando pra uma futura defesa.
—Você sabia que ele estava envolvido com aquele bandido? —Cássio deu um passo à frente, sua voz estava ameaçadora.
Marcela fechou os olhos, não sabia se deveria dizer a verdade, ou se deixaria para depois. Precisava tomar uma decisão rápida, a respiração ofegante do marido que bufava muito próxima dela, dava o tom de como seriam as coisas dali para á frente.
—Eu... —ela começou sem saber o que exatamente sairia de sua boca. —sou mãe, e defendo minha cria como uma leoa defende seu filhote.
Cássio balançou a cabeça, não queria ouvir mais nada.
—Também sou um leão quando preciso ser, e acho que chegou a hora de uma seleção natural, se precisar escolher um lado, vou optar pelo certo— ele afirmou no ouvido da esposa, depois deu as costas para ela. — hoje estou tendo a prova do que é tomar uma decisão errada.
Sem a presença do marido naquele quarto, Marcela se desesperou. Levou as mãos aos cabelos e gritou. Abriu seu guarda-roupas e pegou a caixa onde guardava suas joias mais preciosas, as mesmas que ela teve de vender dias antes para conseguir dinheiro para que o filho calasse seu cumplice. Restaram-se apenas dois anéis, um fora presente se de seu falecido pai quando se formou em economia, o outro, o de noivado, simples nem valioso era realmente, claro, Cássio não era ninguém antes dela, um pobre coitado que vendia o almoço para comprar o jantar, no entanto, era lindo e tão atraente que ela não mediu esforços para transformá-lo num grande empresário, e assim um marido perfeito para ela.
— Mais uma vez no meu caminho, Laura Carter? —Ela pegou uma revista antiga que ficava no fundo da caixa, nela, uma reportagem da bailarina em seus tempos de glória, na mesma época em que Marcela colocou na cabeça que tiraria Cássio dela.
Decidida, vestiu-se de forma elegante, não desceria do salto nem mesmo naquela hora, se tivesse que pisar na lama, que fosse em cima de uma belo par de Louboutins.
Na delegacia o clima estava pesado, Erick acabava de chegar acompanhado de sua mãe e ambos procuravam por Dr.Siqueira.
— Não precisavam ter vindo. —O advogado foi ao encontro dos dois que acabavam de entrar na sala de esperas do local.
—Acha mesmo que eu ficaria em casa? Ou melhor, que eu conseguiria dormir, depois de saber de uma coisa dessas? —Erick mostrou toda sua ansiedade andando de um lado para o outro, daquele local.
—Então era mesmo verdade? David pagou ao Alison para... —Laura interrompeu-se, era pesada demais aquela acusação, e verbalizá-la era impossível.
O advogado respirou fundo, depois guiou mãe e filho para um canto da delegacia.
—Ouçam, não foi um depoimento formal, mas eu soube que os dois, assim que foram pegos, começaram a trocar acusações e ao que tudo indica, a intenção de David era apenas dar um susto no Erick—ele contou em sussurros.
—Susto? —Laura reclamou inconformada. —Não foi o que pareceu.
—Quando eu penso que esse desgraçado poderia ter machucado a Alicia, sinto vontade de entrar naquela sala e terminar o que comecei—Erick rosnava entre os dentes. —Sem contar o David, se eu coloco minhas mãos em cima dele... não quero nem pensar.
—Por favor, Erick, eu não preciso nem dizer que você está a um passo de ser inocentado, portanto, não me dê mais trabalho do que eu terei daqui para frente.
—Meu pai já sabe? —Erick realmente estava preocupado.
—Sabe, mas não fui eu que contei, e honestamente, sinto-me aliviado, eu estava sem saber como dizer isso a ele.
Laura permanecia atordoada com tantas informações, sem contar que ela sentia-se penalizado, estava tentando imaginar como o ex-namorado estaria e não precisou pensar muito. Cássio acabava de passar pela porta de entrada, os cabelos grisalhes bagunçados e o olhar perdido, denunciavam todo o seu desespero.
Quando avistou primogênito não se conteve, abraçou-o com força, dessa vez os papéis estavam trocados, tudo o que Cássio buscava era amparo. Laura observou-os, a receptividade de Erick trouxe-lhe lágrimas aos olhos.
— Eu espero que tudo isso não passe de um grande mal entendido — Cássio disse afastando-se do filho. —Não consigo imaginar o David fazendo uma coisa dessas...
—É meu caro—Dr. Siqueira tocou o ombro do empresário—, ao que me consta, seu filho caçula perdeu a linha e acabou se perdendo. Ele mesmo confirmou aos policiais todo o plano armado com o rapaz de Nova Olimpia, Alison.
Cássio baixou a cabeça, estava envergonhado e sabia que tinha grande parcela de culpa, a criação de David fora baseada em poucas regras e a mãe sempre o fazendo acreditar que era melhor do que os outros. Deu no que deu.
—Posso falar com ele? —Cássio questionou desejando que sim, precisava ouvir da boca do filho a confissão daquela atrocidade.
—Eu vou falar com o delegado, mas sabe que eu não posso advogar nesse caso, aliás, não na defesa de David—avisou um pouco sem jeito.
—Eu sei, e nada muda. —Cássio olhou para Erick. —Agora, mais do que nunca, espero que se empenhe ao máximo na causa desse filho meu, já o David, ele precisa aprender a arcar com as consequências dos seus atos.
Laura, Erick e o advogado se entreolharam, a postura do pai dos rapazes estava surpreendendo a todos e, quando lhe foi permitido falar com o filho, o semblante de Cássio estampava toda a fúria que sentia.
—Eu não queria estar na pele do David... —Erick sussurrou para si mesmo, depois foi sentar-se em uma das cadeiras desconfortáveis daquela delegacia.
Laura estava de costas pegando um copo de água, embora os ventiladores estivessem ligados, o suor escorria por sua testa, culpa do calor e do nervosismo. O silêncio do ambiente fora quebrado pelo barulho do salto de alguém que acabava de chegar. A mãe de Erick já sabia quem era antes mesmo de virar-se para olhar.
—Eu quero ver meu filho. —Marcela aproximou-se de uma mesa, dirigindo-se a um policial.
—Dona Marcela... —O rapaz de meia idade fardado a conhecia e não escondeu seu desconcerto diante da situação. — O seu marido está lá dentro, conversando com ele.
Ela fechou os olhos, depois cruzou os braços e resolveu encarar os demais ali presentes. Primeiro Erick, depois Laura. Olhou-a dos pés a cabeça e sentiu seu sangue ferver, a bailarina continuava linda, o tempo fora generoso com ela, pensou.
Sabia de sua presença na cidade, mas estava disfarçando bem sua insatisfação, naquela madrugada não. Cara a cara com a oponente, sua vontade era de fazê-los desaparecerem, ela e o filho.
Enquanto se entreolhavam, gritos vindos dos fundos fizeram todos terem suas atenções voltadas para o mesmo lugar. Cássio esbravejava, dava para ouvir a voz de David também. Marcela correu em direção ao corredor, no entanto, teve sua passagem impedida por outro policial.
—Vai devagar, Cássio! — O delegado que também era amigo do empresário, tentava acalmá-lo. —Se não deu palmadas em seu filho na hora certa, não será agora que isso vai resolver.
—Ouviu tudo o que ele disse a mim? —ele bufava como um animal selvagem. — um pirralho como ele é, achar que teria domínio em uma situação dessas... esse idiota por pouco não causa a morte do meu filho e da filha de um grande amigo meu! Eu nem sei como vou encarar o César...
—Cássio, eu quero ver meu filho! — Marcela colocou-se em sua frente.
— Você desceu bem baixo, hein Marcela? Dar dinheiro a ele para comprar o silêncio daquele bandidinho... —Cássio já sentia dificuldades para falar.
Ela arregalou os olhos, o filho acabava de entregá-la. Seria crime o que tinha feito? Ela realmente se preocupou.
Cássio olhou a sua volta, a vida não estava sendo nenhum pouco generosa com ele naquele momento. A esposa em sua frente tentando evitar que seu castelo de cartas desmoronasse, ao fundo, Laura e seu primeiro filho, ambos, o encarando com pena, o pior de tudo era saber que aqueles dois eram para ter sido sua escolha anos atrás. Sentiu o coração doer, não em uma metáfora, era real, a pontada no centro do peito fez seu ar desaparecer.
O braço esquerdo começou a formigar e ele caiu de joelhos no chão.
—O que foi Cássio? —Laura correu até ele. —Você não está se sentindo bem?
—Pai...o que o senhor está sentindo? —Erick abaixou-se de frente para ele e assustou-se com a falta de cor em seu rosto.
— Erick, me desculpe por não ter sido um bom pai...mesmo assim, sinto orgulho do homem que você se tornou —ele com muita dificuldade pôs-se a falar. —E Laura... eu nunca deixei de amá-la, nunca—confessou antes de desmaiar.
Marcela entrou em estado de choque, apenas arregalou os olhos diante de tudo o que acabava de presenciar.
—Chamem uma ambulância! —Erick e mãe gritaram juntos.
—Pai, não me deixe por favor.... —Erick começou a chorar, enquanto colocava a cabeça do homem, em seu colo. —Não agora...
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—Alicia! Você está sentada? — Jéssica quase gritava do outro lado da linha.
—Eu estou no banheiro, estou me aprontando para uma aula—respondeu sem muito entusiasmo.
—Então senta, no chão mesmo, o que eu tenho para te contar, vai fazer suas pernas ficarem mais moles do que depois de...
—Anda Jess, desembucha, está me assustando. —Alicia, mesmo antes de ouvir qual era a notícia, obedeceu a indicação da amiga, voltou para o seu quarto e sentou-me no chão, encostada na cama.
— O David foi preso, o Cássio sofreu um infarto e não vai ter mais julgamento, não, pelo menos por enquanto. — Jéssica despejou todas aquelas informações de uma só vez.
Alicia agradeceu por estar mesmo sentada.
—Espera aí—ela respirou fundo—, uma coisa de cada vez. O Cássio...ele...?
— Não! —Jéssica interveio imediatamente. —Ele está internado e eu ainda não sei direito se ele vai ou não, passar por uma cirurgia, mas ele está vivo.
Alicia sentiu-se aliviada.
—E o Davi, por que foi preso?
—Aí é que vem a pior parte.... —Jéssica usou seu tom mais misterioso.
Contou tudo o que sabia, aliás, tudo o que Santo Valle toda já sabia. Marcela tinha razão, bastou o dia clarear e as notícias correram por toda a cidade.
—Eu sabia...eu tive a impressão de ter visto o David em Santa Olimpia naquelas noites de carnaval, mas achei que fosse bobagem da minha cabeça. —Alicia estava chorando. Sentia um misto de raiva, tristeza e decepção, era difícil aceitar que o ex-namorado tivesse feito aquilo.
Olhou para o canto do quarto, suas malas estavam prontas, faltando dez dias para a data do julgamento, ela já estava até mesmo com a passagem comprada.
— E o Erick...ele deve estar perdido em meio a tudo isso —Alicia não conseguiu deixar de falar dele.
—Eu não o vi, mas posso imaginar que ele deve estar querendo estrangular o irmão.
—Se ele não o fizer, eu juro que eu mesma faço! —Alicia estava com muita furiosa.
—Isso significa que você vem, mesmo com o julgamento tendo sido adiado?
Alicia parou por um minuto e pensou.
—Jess...não fala nada para ninguém, mas se eu conseguir trocar minha passagem, amanhã mesmo estou aí....eu não fico nesse lugar por nem mais um minuto!
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