Um passo de cada vez
1 único
É quase certeza que você provavelmente não verá mais seus amigos de infância quando crescer, mas esse não foi o meu caso. Apenas morávamos na mesma vizinhança, mas Deku esteve ao meu lado no primário e no fundamental, além na UA. Possivelmente ele estará nos restos dos meus dias, porque nada me tira da minha cabeça que esse idiota não vai parar de me seguir, assim como ele marchava a alguns passos atrás dos meus quando íamos caçar cigarras. Minha individualidade ainda nem havia sido revelada nesse tempo, e eu não precisava abaixar o olhar para ver o que estava por baixo, porque seus olhos verdes cheios de admiração por mim ainda estavam na mesma altura dos meus sem perversões.
Pensando agora, eu acho que tínhamos uma ligação muito forte por termos um amor descomunal pelo All Might, os outros colegas não se empolgavam tanto e olhando pro passado, eu penso que já fui um nerd fudido só por causa de você! O tanto que nós dois falamos sobre All Might, me deixa embaraçoso hoje.
Isso também me faz lembrar que Deku foi o primeiro que quis superar, eu não admitia que ele amasse All Might mais do que eu. Quando soube que ele era um sem individualidade, a primeira coisa que pensei é que estaria mais perto de All Might e eu só precisaria passar no exame da UA, a escola que ele se formou. Nesse tempo eu precisava olhar pra baixo para encontrar os olhos inseguros de Deku, seu corpo tremia muito e sua pele vivia oleosa. Minhas mãos agarravam sua camisa do uniforme e nos meus olhos existia perversão. Ele nunca me superaria, ele nunca superaria All Might. Quem o superaria seria eu.
Por isso meu mundo caiu quando o vi usando sua individualidade na nossa primeira atividade física na UA, ele continuaria marchando atrás de mim e eu faria de tudo para apressar meus passos, tudo para que ele não me alcançasse. Mas Deku mudou muito e, por incrível que pareça, eu também.
Havia um tempo que eu já não olhava pra baixo, eu olhava pra cima para poder encará-lo e ver o quanto ele estava diferente. De repente eu não era mais aquela criança prodígio que todos paparicavam, na verdade, me sentia um lixo. Deku era nobre aos meus olhos, eu senti raiva, mas também o amei.
Precisei levar muita porrada na cara para compreender e admitir o que sentia por ele. Uma vez Deku me disse que me admirava muito e por isso queria me superar, acredito que sentia algo parecido. A mão estendida com o olhar preocupado perguntando se me machuquei, ele estava muito legal naquele momento e eu não admitia isso.
As pessoas diziam para mim que era explosivo, fui até capturado por vilões que diziam que meu lugar era ao lado deles. Mas eu lembrava do gesto de Deku e eu desejava ser aquele tipo de pessoa. Aquilo não me fez cair totalmente nas trevas, foi a chama que esclarecia minha mente.
E eu percebi que esse tonto precisava de um companheiro para ajudá-lo, alguém precisava cuidar dele quando ele mesmo não cuidava de si. Eu me responsabilizei por tomar essa tarefa.
Hoje compreendo que marchamos com nossas redes para capturar cigarras não um na frente do outro, simplesmente andamos um do lado do outro.
Deku, obrigado por ter me salvado.
Espero termos um futuro com um mundo melhor, quero passar mais uma fase da minha vida ao seu lado. Aposto que você também, não é mesmo meu amigo de infância?
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