Um olhar para o horizonte.
1 Capítulo 1
Notas iniciais
E lá estava eu , de novo , no mesmo lugar .
Olhando para baixo , vendo os carros passarem, a brisa ventava sobre meus cabelos , quando , meu celular tocou. Era minha mãe.
- Você está atrasada!
Desliguei.
Não importava. Talvez , aquele pudesse ser o fim , de uma vez por todas.
Naquele prédio , o mais alto da cidade , lá estava eu , no terraço , apenas , olhando tudo passar , vendo como as pessoas tinham pressa pra tudo, era entristecedor .
Me levantei, estava pronta para saltar.
Já estava na ponta do parapeito , comecei a ficar na ponta dos pés , me lembro que , quando era criança , queria ser uma bailarina promissora e que teria uma casa em Paris!
Que boba fui eu.
Tenho 17 anos , e ao menos penso no meu futuro. Sou apenas um peso que tenho que carregar pra mim mesma todos os dias , mas , aqui estou eu!
Pude ver o carro da polícia chegar , com seus auto-falantes.
- NÃO FAÇA ISSO ! SUA VIDA TEM VALOR !- gritavam em seus auto-falantes.
Será que pelo menos , podiam mudar o pretexto ? É sempre a mesma coisa , e blábláblá.
- DESÇA JASE !! NÃO PRECISA SER ASSIM ! SUA MÃE NOS CHAMOU , QUER QUE VOCÊ ESTEJA BEM!
Olhei pra eles , respirei fundo , tirei o cigarro da minha boca e gritei : — VÃO SE FODER !
Se eu não descesse , eles o fariam por mim, disso tenho certeza. Aqueles policiais já estavam meio que acostumados comigo , já que fazia isso frequentemente. Já estava ficando chato pra nós todos.
Eu desci.
- Me deixem em paz.
- Jase ! Venha conosco — Falou Robert Vinscol , um policial com que fiz amizade , de tantas vezes que ele me impediu de fazer o que queria de lá de cima.
Robert é um homem robusto e forte de 32 anos , tem olhos castanhos , cabelo preto penteado para trás , um bigode estranho que juro que dá pra pentear , e usa óculos escuros estilo vintage , uma graça , com sua voz grossa que as vezes me dá medo . Pelo que sei , ele tem uma filha de 2 anos , sua esposa é loira e gorda.
Ele me levou de carro até casa , aonde minha mãe me esperava.
- JESE ! ENTRE IMEDIATAMENTE !- gritava estérica.
Robert me olhou apreensivo , enquanto entrava em casa , troquei um olhar com ele como se eu falasse "dê um jeito nisso" , ele entendeu.
- Olha , Cristina ... não foi nada , sabe ... er ..
Minha mãe , colocava medo até nos mais fortes policiais.
- Robert ! Não a defenda ! Ela precisa de tra-ta-men-to !! Entendeu ?!
- S-sim , senhora ... eu me vou agora ... se precisar de alg-
- Não precisaremos ! Vou levar ela agora para o centro psiquiátrico , lá eles tem uma ala que vários pacientes com os mesmos problemas que ela vão , eles se ajudam e saem disso.
- Não acho que ....
- Você não tem que achar nada Robert ! Ela é minha filha , dela cuido EU.
- Tudo bem , Cristina . Diga tchau a ela por mim.
- Ah , é claro que vou dizer — Ela falava de um modo sarcástico que eu odeio.
E lá estava eu , debaixo das cobertas , tentando dormir , mas é claro que ela não deixaria.
- Você foi expulsa do outro grupo.
- Eu sei .
- Depois da sua entrada , 4 dos 8 pacientes de lá , realmente se suicidaram , eles estavam , praticamente curados.
- Hm..
- Eu arranjei outro lugar.
- Vai ser o mesmo.
- As vezes me pergunto por que ainda insisto . LEVANTE JÁ !
Eu me levantei , vesti o que vi pela frente : uma blusa larga e longa , umalegging preta e uma bota. Escureci meus olhos com a minha maquiagem que já estava no fim. Meus cabelos roxos , estavam perdendo a tonalidade, tão curtos... logo eu iria tacar uma tinta forte nele de novo. Eu era muito magra para uma garota de 17 anos . Muitas pessoas me achavam anoréxica , mas isso só aumentava meus motivos pra querer ir pro além.
Quando eu era criança , meu pai me tratava como um animal , me xingava e me batia frequentemente , estava sempre roxa , mas minha mãe nunca percebia isso , acho que era o amor que a cegava. Eu perdi a vontade de comer nesse processo , e assim , fiquei bem magra. Aos meus 10 anos , meu pai me bateu tanto que fiquei em coma , sua desculpa para minha mãe era " Ela caiu da escada" . Logo pude ver que , minha mãe não parecia se importar. Aos meus 11 ele fugiu de casa . Na escola , eu sofria o famoso bullyng , e já não tinha amigos , nem com quem conversar. Aos meus 14 anos , me pararam numa esquina , e quando me dei conta , já haviam várias garotas me batendo e puxando meus cabelos loiros. Quando cheguei em casa , estava um trapo . Tive que cortar ele , era bem longo , então decidi pintar ele de roxo. Meus olhos azuis combinaram com meu novo visual. Nos meus "lindos" 15 anos , nem ao menos meus parentes me ligaram , o máximo que aconteceu , foi uma onda de trotes e xingamentos. Nesse dia , comecei a me drogar e tive ótimas sensações , que não tinha faz tempo. Me cortava por prazer , até que minha mãe tirou toda e qualquer lâmina da minha vista e alcance. Já tentei me suicidar de 10 maneiras diferentes e , 105 vezes ... bem , foi o que Robert disse.
E era isso que eu sempre dizia nesses lugares de "ajuda".
- Entendi ... nós podemos te ajudar Jase !
Eu sorri , no meu ato mais falso possível , minha mãe disse para socializar , mas , eu me senti bem sozinha!
Podia ver em volta , ninguém da minha idade , só pessoas com aparências insanas . Aquilo me enojava.
- Será que ...
- Sim ?
- Posso ir no banheiro ?
- Mas é claro Jase ! É virando á direita.
- Obrigada .
Eu não era de falar muito , isso me cansava .
Eu virei a esquerda , pude ver a saída. Peguei meu maço de cigarros , e logo me peguei fumando.
- "O mundo é roxo ... Não há lugar que não tenha dor .. -falava estendendo a mão pra cima , enquanto meu casaco caia , podia ver meus machucados — tudo é uma grande besteira ... quem precisa disso ? " - foi o meu maior sussurro , de palavras para fora.
Geralmente , eu só pensava , era muito pensativa.
Virei meu olhar e pude ver uma garota me olhando. Ela era alta e seus olhos me penetravam fortemente . Seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo , eram loiros e longos . Veio andando em minha direção , pegou o cigarro da minha boca , colocou na dela e deu apenas uma fumada.
- Não é permitido fumar aqui ...
Eu apenas a encarei.
- Eu também estava lá dentro e ... devo dizer .. é um saco !
Dei uma leve risada e a encarei de novo.
- Quer fugir daqui ?
Parecia tentador...
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