Um novo olhar

2 Pelas palavras que saem da boca se é condenado


Notas iniciais
Oi! Não se alegrem, nem eu confio que não vou cair no hiato de novo. Desculpa gente, mas é a verdade. Boa leitura!

"Konoha, 8 da manhã de um péssimo dia para estar de folga."

Deixou registrado seu estado de espírito na folha que antes se arriscara a escrever sobre seus sentimentos. Não conseguia sintetizar mais que uma linha, contudo, a singela expressão que pontuava o ânimo de seu eu lhe fazia respirar um mínimo alívio. Sem data para evitar o desgaste de encarar o crescimento de seu tempo de confusão, as frases se separavam por um par de linhas, número bem menor que os dias sem registro da evolução daquela estupidez.

"No que estou pensando? Que porcaria é essa que estou sentindo?" Perguntava-se com frequência, muitas vezes em voz alta. Fora surpreendido algumas, gerando espanto em seus colegas e inquietação em Kurama. Engasgou quando foi questionado por ele sobre o que tanto resmungava. Envergonhou-se. Um nó se apoderou de sua garganta e a covardia o abraçou como protetora e dona de seu ser. Acusou-se novamente. "É assim que se diz irmão dele? Você não merece a amizade dele!"

Kurama pôde sentir os músculos tensionados, os dentes cerrados como se um grito precisasse ser expulso da boca de Naruto. Os sentimentos do garoto eram tão intensos que perturbavam a tranquilidade da raposa quase tomando o espaço dela dentro do corpo dele. Naruto era pura tempestade em seu interior, uma violenta tempestade que tomava proporções de um furacão. Seu barco naufragaria em breve se continuasse a viver com aquelas emoções amarradas ao seu peito.

"Chega!" A voz de Kurama arrebentou a linha de pensamento de Naruto. "Você vai me dizer agora o motivo disso!"

O garoto se sentiu fragilizado. Havia esquecido que não era possível esconder nada de seu companheiro, no entanto, a sensação de ter seu íntimo invadido o tomou de súbito.

"Eu... não consigo falar. Não quero..."

Verbalizar de repente se tornou uma confissão obscura. O veredito de que sua alma havia apodrecido de uma forma irrecuperável. As lágrimas lhe ocorreram, solícitas em socorrê-lo na ausência de palavras, mas também sem qualquer pudor de denunciar a miséria de seu coração.

A decadência explícita aumentou o desprezo que Naruto sentia por si mesmo ao passo que sutilmente lhe abria as portas para proferir o indizível. Seria liberdade o que aquelas palavras trancafiadas lhe prometiam? Ou a derradeira expressão da podridão de seu ser?

Sentou-se, o corpo pesado suportava um jovem sufocado. Respirou tentando prender as gotas que desciam marcando suas bochechas. Abriu os lábios, balbuciou um começo engasgado em que só se ouvia sílabas sem conexão. Beijou sua miséria como se fosse uma velha amiga.

"Eu não sei... se consigo continuar... a ser amigo do Sasuke."

Notas finais
Obrigada! Até a próxima! Bjs!