Um novo começo.
24 Não me arrependo.
Notas iniciais
CHRISTINA
O beijei apaixonadamente. Conforme os dias se passavam, eu só me via mais apaixonada por Uriah. Me sentia culpada por ainda não ter tido uma conversa séria com Caleb e tentava me manter o mais afastada possível dele. Não queria magoa-lo e não queria que ele sofresse por minha causa. Eu o amava, mas esse amor era apenas proteção. Passei a ama-lo da forma que Tris o amava. E me culpava todos os dias por ainda não ter tido coragem de contar para ele.
Me afastei de Uriah e me virei para correr dele, mas ele me segurou pelo braço e tentou me virar, mas fiquei paralisada. Então o vi me observando. Caleb estava apoiado em um carro qualquer e estava com um buquê de rosas na mão. Rosas lindas e vermelhas. Olhei em seus olhos e a única coisa que havia neles era dor. Dor. Uma dor que eu causei.
Uriah o olhava sem entender coisa alguma. Um silêncio constrangedor se formou e meu coração se fez em pedaços. Havia chegado a hora em que eu mais temi. Tentei me mexer. Ir ao encontro de Caleb e explica-lo toda a situação. Mas não consegui. A única coisa que eu consegui foi ficar ali parada, incapaz de fazer qualquer outra coisa.
– Eu sabia, Chris. – ele começou com a voz trêmula. – Sabia que havia algo entre vocês. Eu sabia, Chris, mas tentei me convencer de que eu estava errado. Tentei me convencer de que você me contaria, de que você seria sincera comigo. Eu fui sincero com você em relação aos meus sentimentos. – ele praticamente cuspiu essas palavras. – Eu fui sincero com você. – repetiu mais calmo.
Eu ouvia atentamente suas palavras e as lágrimas caíam dos meus olhos sem parar. Senti nojo de mim mesma. Senti vergonha. Meus pais haviam me ensinado que devemos ser francos uns com os outros, não importa o que aconteça. A Franqueza me ensinou isso a vida toda. Como consegui mudar em tão pouco tempo? Onde estaria aquela garota que falava a verdade sem se importar se isso machucaria alguém?
– Caleb... – comecei.
– Não. – ele me interrompeu. – Não sinta pena de mim, Christina. Sinta pena de si mesma. Sinta pena do que você conseguiu se tornar. Sinta pena do que você conseguiu fazer. Não sinta pena de mim.
– Do que ele está falando, Chris? – Uriah tentava entender o que se passava.
– Você não consegue ver, não é? Ela mentiu. Ela mentiu para nós dois esse tempo todo. Nos fez de idiotas. Ela brincou não só com meus sentimentos, mas com os seus também. – ele olhou para Uriah e depois para mim. – Já que não perderá mais tempo comigo, você pode explicar a história toda ao seu namoradinho. Seja feliz, Christina.
Conforme as palavras saíam de sua boca mais eu queria encontrar algo que eu pudesse me refugiar. Ele jogou o buquê de flores nos meus pés e saiu, me deixando sozinha com Uriah. Antes de sair, eu vi o seu olhar de decepção. Mágoa. Dor. Sofrimento. Eu causei tudo em Caleb. Na última pessoa que merecia ser ferida por mim.
Me virei para Uriah, a fim de encara-lo. Fixei meus olhos marejados nos dele e ele me olhava com tristeza, dor e confusão. Não consegui me conter e me aproximei para seu abraço, mas ele deu um passo para trás e isso só fez com que eu me sentisse pior.
– É verdade, Chris? – ele me perguntou. Sua voz sendo impedida de sair estável pelo nó que havia se formado em sua garganta.
Não respondi. Estava envergonhada demais para conseguir admitir. Não consegui encarar o olhar duro que ele me deu. Desviei o olhar e olhei para o nada. Não chorei alto, as lágrimas apenas escorriam dos meus olhos.
– Não consigo acreditar no quanto eu fui cego. – ele riu incrédulo. – Há quanto tempo, Christina?
– Não importa. – minha voz quase saiu num sussurro.
– Claro que importa! Você me fez de bobo todo esse tempo! – ele gritou, cuspindo a raiva em todas as suas palavras.
– Uriah...
– Jamais achei que eu diria isso. – ele riu incrédulo de novo. Não diga essas palavras. – Acabou. Acho que é óbvio.
E então ele virou as costas para mim e saiu andando. Caí no chão e me permiti chorar. Chorei esperando que toda minha dor e culpa saíssem nas lágrimas, mas foi tudo em vão. Conforme eu chorava mais eu me sentia culpada.
Eu havia perdido os dois garotos que eu mais amei na vida.
TOBIAS
Não consigo entender Tris. Não consigo entender seus sentimentos. Numa hora ela age como se precisasse de mim e na outra ela age como se me odiasse. Queria conseguir entender o que se passa em sua cabeça. Sei que é impossível. Tris é impossível. Quando consigo quebrar uma muralha dela é como se outras dez se formassem. Não consigo atravessa-la. Quando estávamos juntos, eu achei que tinha conseguido. Só agora vejo o quanto eu me enganei.
Saio do Departamento de Polícia, pois o treinamento já acabou. Estou orgulhoso do que estou fazendo; temos soldados muito capacitados agora. Só quero que essa guerra acabe e possamos viver em paz.
Chego ao Palácio do Governo e me dirijo à sala de Johanna. Ela está sentada atrás de sua mesa e está a minha espera. Sorrio ao entrar, mas ela não me retribui. Seus olhos estão cansados e sua expressão é preocupada.
– Sente-se, Tobias. – ela apontou para cadeira a sua frente.
– Aconteceu algo? – perguntei, analisando seu olhar.
– Sim. – ela suspirou. – Descobrimos onde os rebeldes estão reunidos.
– Mas isso é bom, não é?
– Não sei. Eles estão reunidos ao sul do Centro. Não sei quando pretendem atacar, apenas sei que será em questão de dias. Temos que estar preparados.
– Eu garanto que estaremos.
Johanna me lançou um olhar triste e depois o desviou. Esse era o olhar de quando ela estava me escondendo algo. E além do mais, havia muita preocupação nele.
– Johanna, está me escondendo algo? – perguntei.
– Partiremos para o em uma semana e Tris não poderá nos acompanhar. – ela falou de uma vez.
– Como?! – perguntei surpreso. – Tris é uma ótima soldado e é a mais habilidosa de todos... – comecei.
– Tenho más notícias. – ela me interrompeu e suspirou. – Não quero assustar você, Tobias. Sei o quanto ela significa para você e é por isso que eu o estou alertando. – tentei entender o que ela estava me querendo dizer. – Proteja Tris. De todos, ela é quem mais corre perigo.
Senti minhas pernas fraquejarem e um calafrio percorreu todo meu corpo.
– Desculpe? – falei, pedindo para que ela fosse mais clara.
– Exatamente o que você ouviu. Recebemos mensagens indiretas de um dos líderes dos rebeldes e sinto que ela foi bem clara ao pronunciar as palavras “Beatrice Prior” na gravação.
– Ela? Então o líder é uma garota? – perguntei surpreso.
– Um dos líderes é. – ela me corrigiu. – É uma garota, Tobias. Não apenas uma garota. Ela é inteligente e calculista. Eles têm uma força maior tendo ela na liderança. Sem falar que o outro líder é convincente e não duvido que consigam mais aliados que nós. Eles estão fortes. – ela encolheu os ombros discretamente e suspirou baixinho. – E eu estou com medo. – sua voz quase saiu num sussurro.
– Espere, você já sabe quem são os líderes? – perguntei confuso.
– Sim.
Esperei ela me responder e quando ela estava prestes a atender, o telefone de sua mesa tocou. Ela me fez um gesto para que eu esperasse um momento e atendeu ao telefonema. Não conseguia prestar atenção na ligação dela. Só conseguia pensar em Tris. Na sua segurança. No perigo em que ela agora corria.
– Desculpe, preciso ir agora. – Johanna falou e pôs o telefone em seu gancho. – Podemos conversar numa outra hora?
– Sem problemas. – falei com compreensão.
– Tome cuidado, Tobias. Fique atento a tudo que está a sua volta e, por favor, não falhe. Nem comigo e nem com si mesmo. – ela pegou sua bolsa, pôs por cima do ombro e saiu da sala.
Fiquei ali, encarando a paisagem que havia fora da janela. Pensei em Tris e no que faria para protege-la. Não consigo pensar em nada bom o suficiente. Não posso ficar colado a ela todas as horas do dia e ainda assim conseguir dar conta do trabalho e treinamento, mas eu também não posso cruzar os braços e esperar que algo aconteça a ela.
Então eu tenho uma ideia. E eu sei que depois disso, Tris poderá nunca mais me perdoar. Mas de fato, eu não me importo. O que está em jogo agora é a sua segurança e eu não vou abrir mão disso.
Deixei um recado para Johanna, explicando tudo o que ela deveria fazer. Perdi a tarde toda analisando alguns relatórios que Johanna me pediu. Conforme as horas iam passando, eu não conseguia mais pensar em nada. Não conseguia pensar em nada a não ser no que eu estava prestes a fazer a Tris.
A noite chegou e voltei ao apartamento. Evelyn estava na sala, assistindo a algum programa de TV. A chamei para conversar e pedi para que ela preparasse um jantar apropriado para a ocasião. Contei para ela sobre o nosso ataque dentro de dois dias e no quanto tudo isso era perigoso. Contei tudo que eu pretendia fazer e ela assentiu, apesar de ter uma expressão confusa.
– Filho, tem certeza de que precisa fazer isso? – ela me perguntou com as sobrancelhas juntas.
– Ela é a coisa mais importante do mundo para mim. – suspirei. – E essa é a única maneira de protege-la. Ela estará mais segura lá.
– E quanto a você? Quem irá proteger você? – pude ver em seus olhos os indícios de lágrimas.
– Não querem a mim. Sou capacitado, Evelyn. Vou sair da guerra com vida. Não apenas por mim, mas por você e por ela. – segurei sua mão como forma de consolo.
Ela pareceu ouvir minhas palavras com atenção. Ficamos em silêncio por um tempo até que ela resolve se levantar e ir até a cozinha. Vejo que ela permitiu que uma lágrima caísse. Isso me dói.
Vou ao meu quarto e procuro uma caneta e algo que eu possa escrever. Acho alguns papeis amarelados na gaveta do móvel que fica próximo a cama e começo a escrever nele. Minha mão se move por si mesma e as palavras facilmente vão fluindo em minha mente. Sei que ficará confuso, mas espero que Tris entenda. Espero que quando tudo isso passar, ela acredite em mim e possa me perdoar.
Procuro a caixinha preta por todo meu quarto. Quando estou desistindo, eu a encontro debaixo do meu travesseiro. Eu sempre dormi com ela ali. Desde o dia em que Tris fora embora. Nunca permiti que aquela parte dela fosse também. Segurei a caixinha com uma das mãos e com a outra eu a abri. Retirei a aliança feminina prata que havia ali. Era um anel delicado e eu mesmo o escolhi para a ocasião. Era simples e quando o vi na vitrine da joalheria, só consegui pensar no quanto ele ficaria belo em apenas um lugar. No lugar perfeito para ele.
Ponho a aliança junto com a carta dentro do envelope também amarelado. Suspiro e o fecho. Tomo um banho e me apronto para Tris. Sei que ela chegará. Assim eu espero.
TRIS
O dia hoje fora diferente. Estamos na noite e percebo que eu não estou triste. Pude conversar com Matthew e esclarecemos tudo um para o outro. Eu gostava da minha relação com Matthew por isso. Não haviam mentiras. Sempre éramos francos um com o outro. Ele me falou que no dia do bar eu quem havia pedido. Ele havia me aconselhado de que não seria uma boa ideia, mas eu pedi que o fizesse. Matthew o fez e só provou o quanto é meu amigo. Fui visita-lo e ele ainda possui alguns machucados, mas está feliz. Disse que foi uma experiência engraçada, pois ele nunca havia lutado antes. Muito menos por uma garota. Passei minha tarde com ele e gosto de como o enxergo. Ele é uma família para mim.
Johanna me chamou em seu escritório hoje. Não faz muito tempo. Ela me deu a notícia de que meu projeto fora aprovado. Estou feliz por isso. Mas me disse que terei que deixar o Centro amanhã e voltar para Chicago antiga. O tempo que passarei lá é indeterminado e isso é o que me assusta. E também terei que abrir mão da guerra, para a qual eu tanto treinei. É uma oportunidade incrível para mim, eu sei disso. Só não sei se estou pronta para abrir mão daqui. Voltar para a antiga Chicago sem saber se retornarei para cá. Uma parte de mim quer fazer isso, mas a outra parte, a parte do meu coração, grita para que eu fique. Não somente por ficar. Mas quer que eu fique por Tobias.
O que Johanna me propõe favorece vários pontos. Poderei me desapegar de Tobias. Poderei proporcionar a população de Chicago um parlamento onde todos possam votar. Onde todos possuam esse direito e o direito da liberdade de escolha. A igualdade social também é um ponto em que eu também destaco em meu projeto.
A decisão é difícil e meu prazo é curto. Tenho que dar uma resposta concreta a Johanna amanhã de manhã. Não sei se conseguirei deixar tudo aqui.
Estou caminhando em direção ao apartamento de Tobias. Não sei ao certo o porquê de ter escolhido vir. Johanna me pediu para que eu viesse, pois ele tinha algo importante para me falar. Não queria vê-lo, pois toda vez que o vejo o meu coração se parte em milhares de pedaços.
Chego ao apartamento e toco a campainha de sua casa. Espero ele abrir a porta. Não demora muito para que ele apareça. Ele abre a porta e há um sorriso amarelo em seus lábios. Ele está incrivelmente lindo. Ele usava uma camisa básica azul que entrava em perfeito contraste com a tonalidade de seus olhos. Sua calça era jeans escuro quase preto. Sua colônia era suave e eu não me importaria em me embriagar com seu cheiro. Suspiro e espero que ele não tenha notado que eu o observei.
– Olá, Tris. – ele me cumprimenta.
– Oi. – esqueço o que vim fazer aqui. – Johanna me disse que você queria me ver. É algo importante? – perguntei preocupada.
Apesar de não estarmos mais juntos, meu coração sempre pertenceria a ele e eu jamais deixaria de pensar nele. Não suportaria se algo o acontecesse.
– Entre. – entrei e ele fechou a porta atrás de nós. – Quero parabeniza-la. – fiquei surpresa e ele percebeu. – Estou falando sério, Tris. Lembro-me do quanto você conversava a respeito comigo, do quanto ficava empolgada. Eu estou orgulhoso de você. Acho que não consigo mais esconder. – ele sorriu tímido.
Espero mais alguma reação sua. Ficamos em silêncio e ele passa a ser constrangedor. Quando éramos um casal, o silêncio era bom e através dele podíamos atravessar as barreiras que nós mesmos construímos.
– Tris, sei que você quer manter a distância. Posso respeitar isso. Juro que vou respeitar isso. – ele me encarou sério. – Mas não posso fazer isso hoje. Não essa noite. Se não quiser aceitar, eu entendo, mas eu pedi para Evelyn preparar um jantar para nós dois. Em prol da aprovação do seu projeto. Somente por isso. Então... — ele pausou. – Você aceita jantar comigo essa noite?
O encarei surpresa. Meu coração – se é que eu ainda o tenho – se dividiu ao meio. Aceitar ou não aceitar? Olhei em volta e me dei conta de que o apartamento estava decorado a base de flores e velas. Não havia luz gerada por alguma eletricidade. O local estava decorado a luz de velas. Pude enxergar o quanto aquilo havia sido feito com esforço e não poderia fazer isso com ele.
Sorri torto para ele e disse:
– Posso ficar aqui por algumas horas.
Ele sorriu e ergueu o braço, como um convite para me conduzir. Sorri do seu gesto cavalheiro e o aceitei. Demos poucos passos e ele puxou a cadeira para que eu pudesse me sentar à mesa. O jantar há de tudo. Desde de hambúrguer e bolo até pratos mais sofisticados.
Conforme as horas da noite se passam, Tobias e eu passamos o jantar conversando. Não paramos de falar um segundo sequer e sinto que o espaço entre nós está sendo preenchido. Sinto falta dele e gostaria que ele soubesse disso. Em alguns momentos, ele põe sua mão sobre a minha e a acaricia em um gesto amoroso. Vejo que ele usa um anel prateado em seu dedo anular, onde está gravado o número seis em romano, desta forma: VI. Fico analisando a joia e levo alguns segundos para entender o que ela significa. Tiro minha mão rapidamente quando entendo o significado dela. Evelyn estivera me contando a verdade.
– Então era verdade? – pergunto, interrompendo algo que ele estava falando que não prestei atenção.
– O que era verdade? – ele me perguntava confuso.
– Evelyn me disse outro dia que você iria... – suspiro. – Você me pediria em casamento.
Ele me olha e desvia o olhar. Seu olhar é triste e vejo que ele está se recordando de algo. Tobias fica lindo assim, quando se perde em uma lembrança. Ele fica leve e puro. É bonito de se ver.
– Eu encomendei as alianças no dia em que você acordou, quando ainda estava no hospital do departamento. Sabia que era muito cedo então resolvi guarda-la, até o momento certo chegar. Conforme íamos passando, eu me via mais apaixonado por você e queria logo fazer o pedido, mas tive medo de assusta-la. Eu quase nunca acerto uma com você, Tris. Imaginei que você recusaria tal pedido e que ficaria assustada demais para conviver comigo. Não consegui pedir antes por medo de sua reação. – ele sorriu, mas por trás do seu sorriso havia dor.
– Se tivesse feito, Tobias, eu teria aceitado. – admiti e minha voz saiu baixa. Mas eu sei que ele ouviu. Ele assentiu com a cabeça e voltamos a comer, em silêncio.
Olhei para o relógio e me engasguei com a comida. Já era de madrugada. Havia conversado tanto com Tobias que perdi a noção de tudo, principalmente a do tempo. Me apresso em levantar da cadeira e passo o guardanapo de leve em minha boca.
– Sinto muito, está tão tarde e eu não me dei conta disso. – falei envergonhada.
– Está tudo bem. – Tobias falou gentilmente.
Caminhei até a porta e senti suas mãos segurarem um dos meus braços, me fazendo parar com o toque. Me viro para ele e ele me encara sério.
– Não posso deixa-la sair. Está muito tarde, Tris. Não posso pôr sua vida em risco. Tive notícias dos rebeldes hoje e Johanna nos aconselhou para evitarmos sair dos apartamentos depois das onze. Desculpa, mas acho que você terá que passar a noite aqui. – ele me olha e não consigo contra argumentar. Ele está certo e isso só me deixa mais frustrada.
Fico em silêncio, vou até o sofá e ali me sento. Passo as mãos nos meus cabelos e tento me concentrar. Vou falhar com minha missão em relação a Tobias. Algo dentro de mim diz que ele nunca me faria nada que pudesse me magoar, mas outra parte insiste em trazer as lembranças de Nita. Estou dividida e esse jantar só me fez pensar no quanto eu sou louca por ele. No quanto eu o quero de volta. No quanto sinto sua falta. No quanto o amo.
Não sei se passar mais uma noite aqui será algo sensato. Tenho certeza de que seguirei meu coração e não a razão. E tudo se complicará se dormimos juntos. Não posso me arriscar desse jeito. Se deitarmos na mesma cama tudo estará feito. Todo esse meu esforço terá sido em vão. Não conseguirei negar nada do que ele me pedir por uma única razão: eu não quero negar.
– Onde vou dormir? – perguntei já sabendo da resposta.
– Na nossa cama. – ele falou de repente. – Desculpe. Minha cama. – corrigiu e não pude deixar de sorrir do seu constrangimento. Ele ao me ver sorrir, logo os cantos de sua boca se curvaram para cima.
– E onde você vai dormir? – rebati, enfatizando “você” e apontei para ele.
– Eu consigo dar um jeito. – ele sorriu e eu sorri.
Bocejei e senti o cansaço em mim. Caminhei até o quarto enquanto Tobias apagava as velas. Ele me entregou uma camisa sua que ficou extremamente grande em mim, me servindo um ótimo pijama.
Deitei de lado em sua cama enquanto o via improvisar uma cama de solteiro com apenas alguns edredons e lençóis no chão. Senti uma pontada no peito e me senti culpada, mas permaneci em silêncio. Eu não tinha certeza do que queria.
Fiquei o observando e ele se deitou, procurando uma posição agradável para adormecer. Ele olhou para cima e me viu o encarando. Ele sorriu para mim, como se sussurrasse que estava tudo bem.
– Essa é nossa última noite juntos, não é? – ele me perguntou. – Digo, amanhã você provavelmente estará retornando a cidade natal. Estou orgulhoso, mas sentirei sua falta. – ele falava calmo.
Ao ouvir suas palavras, mais incerteza eu tinha em relação ao aceitar ou não a proposta de Johanna. Era uma oportunidade ótima, consigo enxergar isso, mas sinto como se não estivesse pronta.
Ficamos em silêncio por um tempo e paramos de nos olhar. Eu olhei para o teto e ele fez o mesmo. Eu não tinha parado para pensar que era nossa última noite juntos. Senti uma dor no coração, mas tentei permanecer intacta. Eu havia construído muralhas que não seriam quebradas facilmente. Não posso falhar comigo mesma agora.
– Tris? – ouvi a voz calma de Tobias. – Ainda está acordada?
– Sim. – respondi.
– Posso te pedir uma última coisa? – senti seus olhos em mim. Assenti e ele continuou. – Posso dormir com você uma última vez?
O olhei e em seus olhos haviam esperança e ansiedade. Não sei o que estava passando em sua cabeça e gostaria de saber. Ao pensar no contato do calor de Tobias com meu corpo pensei no que eu faria depois. Não posso pôr tudo a perder.
– Não acho que é uma boa ideia, Tobias. – falei me desculpando.
– Por que não?
– Porque não conseguirei dormir apenas uma última vez com você. – admiti. – Estarei selando nosso fim, Tobias.
– Não é isso que você quer? – seu olhar havia dor e dúvida agora.
– Eu não sei o que quero.
Ele me analisou e esperou um gesto meu. Sei que vou me arrepender do que farei, mas eu não me importo. É nossa última noite juntos e farei o que me parece certo.
Me afasto um pouco da cama, hesitante e ele percebe o que quero dizer. Ele sorri envergonhado e se levanta do chão, vestindo apenas a cueca box. Ele dá a volta na cama e se deita ao meu lado. Estou de costas para ele, então ele se aproxima mais e cola nossos corpos, pousando uma mão em minha cintura e o passa um braço por baixo do meu pescoço. Ele afunda seu rosto em meus cabelos. Sinto sua respiração em minha nuca e suspiro, sentindo o calafrio que percorre meu corpo.
– Nosso amor é para sempre, está bem? – ele começou com a voz rouca. – Tente não se esquecer de mim que eu prometo que me lembrarei de você.
E foi como se todo espaço entre nós tivesse sumido de vez. Havia sinceridade naquelas palavras e eu sei disso.
E quando menos espero, Tobias lentamente afasta meu cabelo e deposita um beijo demorado em meu pescoço. Solto um gemido fraco e suspiro, torcendo para que ele pare. Ele começa a beijar ali e depois desce para meus braços, traçando um caminho de beijos.
– Fale algo, Tris... – ele falava enquanto beijava minhas mãos agora. – Preciso que você me peça para parar... – ele pegou minha mão e a levou gentilmente até sua boca e a ficou contornando com a ponta dos meus dedos. Pude sentir seu hálito quente batendo em minha pele fina.
Ele ficou por cima de mim em questão de segundos e começou a beijar o outro lado do meu pescoço. Eu estava de olhos fechados, me recusando a acreditar que eu estava deixando isso acontecer. Me recusando a acreditar que a maior parte de dentro de mim implorava por aquilo.
Ele percorreu do meu pescoço até a minha bochecha com beijos. Beijou o canto da minha boca e senti a abertura automática dos meus lábios querendo beija-lo.
– Por favor, Tris. Não vou me perdoar por não respeitar seu espaço. Por favor, me peça para parar. – ele me encarava com seus olhos intensos. Nossas testas estavam coladas, nossos narizes encostados e nossas bocas a centímetros de distância.
Eu não quero que ele pare. Não vou me perdoar se eu o pedir para fazer isso. Ponho a mão em seu cabelo e acaricio. Cruzo minhas pernas ao redor de sua cintura e o puxo para mim, para que não haja mais espaço entre nós. Sinto sua respiração no mesmo ritmo que a minha.
– Você me quer? – quase não ouvi sua voz. O desejo gritava em meus ouvidos.
Apenas balancei a cabeça e ele não esperou segundos para me beijar. Me beijou de forma intensa e apaixonadamente. Ele segurou a parte de trás da minha cabeça para ter mais apoio e quanto mais nos beijávamos, mais ele queria aprofunda-lo. Nunca fiquei sem fôlego tão rápido.
(Início do hentai)
Me afastei de sua boca e procurei ar. Tobias me encarava sério. Levantei meus braços e ele tirou a camisa que eu vestia, deixando a mostra meus seios. Ele pareceu gostar do que vê. Ele se senta na cama e me puxa para seu colo. Sinto que ele beija um seio meio enquanto massageia o outro carinhosamente e eu inclino minha cabeça para trás, incapaz de fazer ou falar qualquer coisa. Ele passa a língua por cada bico do meu peito e eu suspiro de prazer. Tento me manter ereta, mas minhas pernas fraquejam a cada toque. Ele me deita na cama e beija toda minha barriga. Sinto calafrios e a única coisa que saem da minha boca são os fracos gemidos.
Ele então põe o rosto entre minhas pernas e beija cada interior da minha coxa. Mordo meu lábio inferior e já posso sentir o quanto estou molhada por ele. Ele arranca minha calcinha com os dentes e começa a trabalhar com sua língua. Primeiro ele lambe devagar, depois ele dá alguns chupões e logo em seguida sua língua está roçando rapidamente com meu clitóris. Não consigo me conter e tento fechar minhas pernas, mas Tobias as pressiona para ficarem abertas. Gemo alto e choramingo, mas ele não para. Minha respiração está acelerada e consigo sentir as contrações em minha barriga, indicando que estou no auge do prazer. Sinto que meu líquido pode jorrar a qualquer momento, mas tento me segurar para que façamos isso juntos.
Quando gemo mais e estou prestes a gozar, Tobias para e volta a me beijar. Ele tira a cueca e entra em mim. É como se estivesse inchado desde a última vez que fizemos, pois sinto que ele está me abrindo mais. Está doendo e tento me acostumar com seu tamanho. Estou gemendo e ele também. Sinto seus gemidos em minha boca e vejo o quanto isso me satisfaz. Ele penetra em mim, com mais e mais força e eu sinto que gozo com ele dentro de mim. Seguro na borda da cama, com seu lábio inferior preso nos meus, enquanto ele penetra e penetra. Ele começa a gemer mais alto e ponho minhas mãos em sua boca. Então sinto seu líquido sendo depositado em mim.
(Fim do hentai)
Ele me encara e sai de dentro de mim. Tentamos controlar nossas respirações e vejo o quanto estou suada. Ele também está. Há varias gotas de suor espalhadas por todo seu corpo. Meu cabelo está grudado ao corpo. Ficamos nos encarando sem falar absolutamente nada.
Não sei o que acabamos de fazer. Não sei se o que fizemos foi certo. A única coisa que sei é que eu não me arrependo.
Pouco antes de adormecer em seu peito, percebo o quanto amo Tobias. E que o aceito de volta. E que não abrirei mão dele por uma simples proposta secular. Não vou deixa-lo e espero que não seja tarde demais para voltar atrás.
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