Um novo começo.

2 Lutar contra meu destino.


Notas iniciais
Narrado pela Tris ou a consciência dela. É o primeiro capítulo, sendo que do ponto de vista da Tris. (Sim, ela ainda está viva ou pelo menos acha que está AHUHAU) Espero que gostem, e comentem o que acharam :3

TRIS

A escuridão tinha dominado tudo ao meu redor. Depois de concluir a missão no departamento com a terrível dor dos tiros que David havia disparado, eu vi a minha mãe. Ela vestia as mesmas roupas que usou enquanto morria, mas agora não sangrava mais. Ela sorria para mim, e me ajudava a levantar.

– Mãe? Eu estou morta? – Perguntei enquanto me levantava. Meu corpo não doía mais. O sangue também havia parado de escorrer.

– Talvez sim, minha querida. – Ela sorria e logo atrás dela meu pai apareceu.

– Nossa garotinha, você nos deu tanto orgulho. – Ele falou se juntando a minha mãe.

– Acabou? Eu consegui? – Eles assentiram. — Mas e Tobias? E Caleb? E meus amigos? – Eu sentia a minha voz trêmula e as lágrimas nos meus olhos.

– Eles ficarão bem, meu amor. – Minha mãe me abraçou. – Cuidarão uns dos outros.

– Mas eu não queria deixá-los. – Comecei a chorar.

– Você fez a coisa certa, querida. – Meu pai falou me abraçando também.

Eu passei minha vida toda tentando ser altruísta. Pensei que morrer por uma causa maior fosse o verdadeiro ato de altruísmo. Era o que os meus pais haviam feito. Era o que eu tentava fazer. Sinto que agora consegui de verdade ser altruísta. Eu não podia deixar que Caleb morresse, apesar de sua traição. Ele era meu irmão, e eu o amava. Quando me vi na oportunidade de ser altruísta de verdade, eu não a deixei escapar. Não fui altruísta somente por Caleb. Eu pensei em todos eles. Tobias, Christina, Caleb... Todos eles. Faria tudo novamente, sem pensar duas vezes.

Porém não conseguia lidar com a ideia de deixar Tobias. Eu sabia que ele estava sofrendo agora. A minha morte estava doendo nele. Claro que estava! Ele me amava, e eu o amava também, e sequer tivemos a chance de nos despedir. Um último abraço, uma última palavra, um último beijo. Tobias lutou por mim. Ele se arriscou toda nossa trajetória para me proteger. Ele me prometeu que Jeanine não me mataria. Ele cumpriu a promessa.

Olhei para meus pais e tentei imaginar se me perdoariam por lutar contra o destino. Eles me perdoariam. Tinham que me perdoar. Comecei a me afastar deles e apagá-los da minha memória. Lutava para voltar para meu corpo que estava caído e ensanguentado. Lutava para voltar para a minha parte viva. À medida que eu me afastava dos meus pais, a imagem deles ia se apagando, e antes de partirem pude ouvir a voz da minha mãe.

“Essa é a minha garota.” A voz ecoou na minha mente.

Comecei a sentir a dor pelo meu corpo, e minha vista estava embaçada. O ar entrou nos meus pulmões e comecei a respirar com dificuldade. Ao menos respirava. E bem, se eu respirava, eu estava viva.

David estava caído no chão e Caleb entrou correndo na sala. Ele se ajoelhou e pôs meu peso sobre ele.

– Oh, pelo céus, Beatrice! – ele analisava meus ferimentos e tentava manter o foco em me tirar dali. – Preciso levar você para enfermaria rápido. – Ele falava em meio ao desespero.

O peso de lutar contra a morte doía, mas estar ali, nos braços do meu irmão, era uma sensação reconfortante. Eu não conseguia falar e meus olhos estavam se fechando. Sentia meu corpo pesado e sendo invadido pela dor.

Caleb corria comigo nos braços entre os corredores gritando por ajuda.

– Seja forte só dessa vez, Tris – ele sussurrou pra mim. – Por favor. Eu te amo.

Queria dizer que o amava também. E que estava lutando contra o destino. Que não queria deixá-los. Que eu era forte. Que seria forte. Porém a escuridão invadiu, e a única coisa que eu consegui fazer foi me render.

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– Seja forte mais uma vez, Tris. – Uma voz sussurrava em meu ouvido. – Por favor, por mim.

Era a voz dele. Ainda que eu estivesse morta, reconheceria aquela voz. Estava doce e repleta de mansidão e esperança. Tobias estava comigo.

Lutei desesperadamente para abrir meus olhos, mas eles estavam pesados e vencê-los seria impossível. Queria poder dizer a Tobias que estava tentando. Que estava sendo forte. Que, por ele, eu havia lutado contra minha própria morte. Queria poder segurar sua mão e dizer que tudo ficaria bem. Mas não conseguia. Não conseguia abrir os olhos e sequer sentir meu corpo. Mas eu ouvi sua voz. Eu ainda estava viva. E viveria por ele; por causa dele.

Tobias se calou e eu imagino que tenha saído de onde quer que nós estejamos.

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Ele não falou mais. Não sabia quanto tempo havia se passado desde que ele havia pedido para ser forte. Tentei me manter consciente por muito tempo, e até eu mesma estava surpresa com o tanto que aguentara. Não ouvi mais sua voz, e com isso, me permiti descansar. O nada me acolheu.

Notas finais
E AÍ??? Estou correndo demais nos acontecimentos?? Saibam que toda crítica -seja ela positiva ou negativa- é necessário para o escritor. Vocês me deixariam mais animada e até me ajudariam a melhorar ou aperfeiçoar a fic de modo que agrade a todos... Pretendo postar o terceiro capítulo ainda hoje, dependendo dos comentários e visualizações... Obrigada mais uma vez