Um novo começo.
17 Eu prometo.
Notas iniciais
CHRISTINA
Estávamos Hana, Zeke, Shauna, Uriah e o médico no quarto da ala hospitalar do departamento. Eu tinha passado os últimos dias com Uriah, e finalmente ele recebera alta hoje. O médico estava dando as últimas instruções das medidas que deveríamos tomar para manter a recuperação de Uriah estável.
Nos últimos dias muitas coisas aconteceram. O tempo que eu não estava com Uriah, ajudando a relembrar das coisas e me apaixonando por cada detalhe seu, eu estava com Caleb, me divertindo com suas pesquisas e o vendo enlouquecer com sua curiosidade, também me apaixonando por cada detalhe seu.
Como era possível amar duas pessoas na mesma medida?
Eu estava tão confusa que ainda não tinha contado a Uriah sobre Caleb. Também não contei a Caleb sobre Uriah. Me senti injusta com ambos, mas ainda não havia encontrado a melhor maneira de contar. E eu também não tinha certeza sobre os sentimentos de Uriah.
Talvez tudo não passasse de uma mera ilusão. Talvez ele me enxergasse apenas como uma grande amiga.
Parte de mim queria que fosse verdade. Seria tudo tão mais fácil se fosse. Não teria que contar sobre Caleb. Mas o meu coração ficaria despedaçado se essa hipótese fosse verdadeira, se realmente Uriah me visse como amiga.
Meu coração despedaçou só de imaginar ele confessando tal coisa.
– ... se conseguirem fazer tudo que eu sugeri, Uriah voltará a ser o mesmo de antes. – o médico sorriu para nós. – Estão liberados. Foi um prazer ter ajudado. – Hana apertou sua mão em um cumprimento e Zeke fez o mesmo.
Shauna, na cadeira de rodas, sorriu. Eu sorri também para ele e Uriah o abraçou. Nos despedimos e fomos até o carro. Zeke acompanhando Shauna, Hana segurando a mão de Uriah de um lado e eu do outro.
O departamento estava um caos. Ele estava passando por uma reforma, então havia gente para todos os lados. O baralho das máquinas, as instruções que estavam sendo dadas aos obreiros... Tudo estava alto demais. Me senti feliz por sair dali.
Chegamos ao carro e Zeke ajudou Shauna a entrar. Depois pôs sua cadeira de roda no porta-malas e se dirigiu ao volante. Hana entrou e se sentou no banco do meio. Uriah fez o mesmo e eu entrei por fim.
Fomos em direção ao apartamento deles em silêncio. Eu observava a paisagem pela janela. Às vezes, eu sentia falta de Chicago antiga. De como tudo era organizado. Agora estava tudo fora do lugar, mas ainda assim era reconfortante. Era reconfortante saber que não sou uma pessoa da Franqueza. Ou que sou geneticamente danificada. Aqui eu apenas sou... normal.
Sorri com o pensamento. Notei que Uriah me observava confuso. Ele pôs a mão sobre a minha e entrelaçou os dedos nos meus. Senti minhas bochechas arderem e agradeci mentalmente pela minha cor não deixar transparecer que eu estava corada.
Chegamos ao apartamento e subimos. Hana depositou a pequena bagagem de Uriah na sala e se dirigiu a cozinha. Zeke levou Shauna até o quarto e eles ficaram lá.
– Preciso voltar para casa. – falei, passando as mãos sobre meus jeans.
– Eu acompanho você até lá em baixo. – Uriah falou.
Entramos no elevador e ficamos em silêncio. Ele parecia tenso, e enxugava suas mãos no tecido de sua calça. Estava inquieto e não sustentava seu olhar no meu.
Chegamos ao térreo e olhei para ele, esperando que ele me abraçar, como sempre fazíamos quando nos despedíamos.
– Chris, eu preciso confessar uma coisa. – ele falou, me puxando para se sentar no sofá da recepção do seu prédio.
– Está se sentindo bem? Alguma tontura ou... – perguntei, me preocupando com sua saúde.
– Não, eu estou bem. – ele me interrompeu. – Estou nervoso por que estou com medo do que possa acontecer depois disso.
– Depois disso? – perguntei confusa.
– Eu estou apaixonado por você. – ele encarou meus olhos. – Eu amo você, Chris.
Senti meu coração parar de bater.
Mas ao mesmo tempo, senti os batimentos dele mais fortes; com mais vida.
Ele me amava.
TRIS
Acordei e olhei o relógio e me assustei ao ver o quanto dormi. Olhei para o lado e Tobias não estava mais na cama, provavelmente já fora trabalhar. A ideia de saber que Nita o via todos os dias ainda me dava náuseas, mas Tobias se mostrou profissional. Há algumas semanas atrás, ele conversou com Johanna a respeito de trocar sua secretária, mas fora em vão. Johanna adorava Nita e fazia parte do trato aceita-la como secretária.
Me levantei e tomei um banho rápido. Vesti minhas roupas e fui a cozinha tomar café da manhã. Evelyn estava de costas para mim, lavando a louça.
No começo, a ideia de ter Evelyn morando comigo e Tobias era inaceitável. Mas com o passar dos dias, vi que era algo com o qual eu conseguiria lidar. E afinal, ela não passaria muito tempo conosco. Evelyn e eu não conversávamos muito, apenas falávamos quando Tobias estava presente.
Ela não fazia esforços para gostar de mim e eu também não fazia esforços para gostar dela.
Comecei a tomar café da manhã em silêncio e ela não pareceu notar minha presença. Não me incomodei também.
– Beatrice, você ama meu filho? – ela me perguntou, ainda lavando a louça e mantendo a voz calma.
– Muito, senhora. – nunca tinha me dirigido a ela assim, mas a forma como ela falou me fez pensar que talvez eu devesse respeita-la.
– Ótimo. Lembre-se disso nos dias difíceis. – ela voltou-se para mim, dessa vez mantendo o olhar firme ao meu. – Tobias tem uma personalidade incrível e extremamente forte, e eu me orgulho em tê-lo como filho. Porém, eu sei o quanto ele é frágil. Ele sofreu sua infância toda. Possuiu um pai terrível e uma mãe que o abandonou... – pude ver as lágrimas que se formavam em seus olhos e o quanto ela lutava contra o nó em sua garganta. – Eu me arrependo disso, Beatrice. Me arrependo de ter o abandonado nas mãos de Marcus, mas eu não tive escolha. E eu acabei machucando-o. Isso me trouxe consequências. – ela secou as lágrimas e voltou o olhar para mim. – Então, não importa o que aconteça, Beatrice, me prometa que fará o possível para não magoar meu filho. Eu o amo e não suportaria vê-lo sofrer. E eu sei que ele a ama incondicionalmente e que você é a única capaz de quebra-lo. Por isso eu estou implorando, prometa para mim... – ela suplicou.
Não sei bem o que dizer e sinto meus olhos marejados. Caminhei até Evelyn e senti uma necessidade de abraça-la, mas não o fiz. Era como se eu entendesse a sua dor. Ela amava Tobias e não queria vê-lo sofrer ainda mais. Ela se sentia culpada por ter causado sofrimento a ele, eu podia ver isso em seus olhos. E agora ela estava desabafando comigo, me confiando algo que sei que não confiaria se não tivesse certeza sobre tal pessoa. Ela tinha fé em mim, pude sentir isso.
– Eu tenho fé em você, Beatrice. – ela falou, parecendo ler meus pensamentos. – Você promete?
– Eu prometo. – disse por fim, sabendo o quanto significavam minhas palavras naquele momento.
Por um segundo achei que ela fosse me abraçar, mas ela não o fez. Apenas assentiu e voltou-se para louça. Caminhei, saindo da cozinha. Parei, olhando de relance para trás.
– A propósito, pode me chamar de Tris. – falei, e pude ver um sorriso torto se formar nos lábios de Evelyn.
Por fim saí do apartamento e fui ao Palácio do Governo.
TOBIAS
Estava na minha sala analisando uma papelada que Nita havia me entregado a pedido de Johanna. Eram planos sobre como reconstituir o governo. Comecei a ler os papéis, mas fui interrompido por uma batida na porta.
– Entre. – falei.
Nita entrou com uma bandeija onde havia café e algumas torradas. Ela estava bonita hoje. Com uma saia preta curta que deixava suas coxas a mostra, uma blusa social cor de vinho e seus saltos. Uma maquiagem leve. Estava muito bonita. E dessa vez sem decote, o que era um alívio, já que eles me distraíam na maior parte do tempo.
Ela também tinha se mostrado muito profissional. Não tirou proveito da situação e estava levando a sério seu trabalho como secretária. Passei a enxerga-la não como a mulher que tinha tentado assassinar minha namorada, mas sim como a mulher eficiente que era.
– Eu imaginei que talvez o senhor estivesse com fome. – ela falou, pondo a bandeja sobre a mesa.
– Não se preocupe com isso. E Nita, por favor, sem formalidades. – lembrei-a.
– Desculpe. – ela sorriu, limpando as mãos na sua saia. – Com licença. – ela pediu, caminhando em direção à porta.
– Se importa em comer comigo? – Falei e me arrependi do brilho que causei em seus olhos.
Ela caminhou de volta e se sentou na cadeira a minha frente. Era tarde demais para voltar atrás, então apenas suspirei e lhe ofereci uma torrada. Ela sorriu e aceitou. Comemos em silêncio e depois ela agradeceu e se retirou.
Eu sabia que ela ainda sentia algo por mim, e estava grato por ela estar sendo tão profissional. Não queria arranjar problemas com Tris. Nossa relação estava maravilhosa e eu não queria que Nita fosse o motivo para tal destruição. Agradeci mentalmente por Nita não ter nos atrapalhado.
O dia passou rápido e voltei para casa.
Ao chegar, notei que Tris já estava lá e ela conversava com minha mãe na cozinha. Foi estranho, porque sempre soube que elas não se gostavam. Tentei me aproximar sem fazer barulho para que não me notassem, mas foi em vão. Elas pararam de conversar e minha mãe veio até mim. Me abraçou e depositou um beijo em minha bochecha.
Ela cheirava a tempero.
Ela se afastou de mim e voltou a preparar o jantar. Me aproximei de Tris e ela me deu um beijo rápido. Pus a mão em volta da sua cintura, ficando atrás dela.
– Vejo que você tem algo para me contar. – falei, notando sua ansiedade.
– E tenho, mas você terá que esperar até nos deitarmos. – ela falou sorrindo, com os olhos brilhantes.
Não contive a ansiedade. O que quer que fosse, aquilo era importante para Tris. Ela não conseguia esconder a felicidade.
Tomei um banho e voltei para cozinha. Jantamos e jogamos conversa fora. Tris e minha mãe estavam começando a se dar bem e eu estava feliz com isso. Depois de muita conversa Evelyn foi para seu quarto dormir. Tris e eu fomos nos deitar também.
Tris se deitou virada para mim, com uma mão debaixo de sua bochecha e a outra acariciando meu rosto. Ela era tão angelical. Seus olhos verdes fixos em mim. Tão linda.
– Então...? — perguntei ansioso sobre que ela queria me dizer.
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