Um novo começo.
19 "Estamos chegando."
Notas iniciais
TOBIAS
Tris estava de braços cruzados na porta olhando fixamente para mim. Seu olhar estava coberto de raiva, tristeza e confusão. Ela juntou as sobrancelhas e procurei decifrar o que ela estava tentando dizer.
– Saia daqui. – ela pediu calma, voltando-se para Nita.
– Eu não recebo ordens suas. – Nita falou, pegando a bandeja do chão.
Tris a olhou com ódio, mas apenas sorriu. E se dirigiu a mim. E quando eu achava que ela iria me atacar, ela simplesmente sentou em meu colo e me beijou.
De início fiquei surpreso, mas Tris me beijava com tanta paixão e desejo que segundos depois eu já a beijava na mesma medida. Segurei sua cintura e a puxava contra mim, e ela passou seus braços envoltos do meu pescoço.
Com esse beijo, eu já nem lembrava que Nita ainda estava em minha sala.
– Com licença, senhor. – ouvi sua voz um pouco trêmula.
Quando ouvi a porta se fechar, Tris me soltou rapidamente, interrompendo nosso beijo e me deixando a desejar. Ela ficou de pé, frente a mim, e cruzou novamente os braços.
Ficamos em silêncio e de repente sinto um tapa em minha bochecha. Ardeu, e rapidamente levei minha mão ao local atingido. Olhei para Tris e agora seus olhos estavam marejados, e percebi que ela lutava para afastar as lágrimas. Juntei as sobrancelhas e olhei para ela, confuso com sua atitude. Ou talvez não tão confuso, porque eu posso ter merecido.
– Não sei o que dizer. – ela falou contendo o choro, olhando para baixo.
– Tris, não aconteceu nada. – falei, me levantando da cadeira.
– É, mas e se eu não tivesse chegado, Tobias? O que poderia vir depois?
– Nada, Tris. Eu amo você e você sabe disso. Preciso que confie em mim. – me aproximei dela e levantei seu queixo para que pudesse me encarar. – Olha as coisas que já passamos, Tris. Que outra garota teria passado comigo? Como posso pensar em trair você se eu não quero te perder?
Ela respirou fundo, desviou o olhar e suspirou. Depois voltou seu olhar para mim.
– Última chance, Tobias. Faça valer a pena. – ela falou, pondo as mãos no meu peito.
Quando ela disse isso, eu a puxei para mim e a beijei. Ela pôs uma mão na parte da minha nuca e a outra agarrou meu braço. Coloquei ela sobre minha mesa e continuamos a nos beijar, um beijo que antes começara calmo, agora estava feroz e cheio de desejo. Desci dos seus lábios até seu pescoço, e ali depositei beijos. Passeei com minha língua dali até a ponta da sua orelha e Tris suspirava de olhos fechados me pressionando para que eu continuasse. Enquanto eu beijava o pescoço de Tris, desci minha mão que ainda estava em sua cintura e acariciei sua perna.
De repente, ouço três batidas na porta.
Tris se soltou de mim com um sorriso no rosto, e arrumou seu cabelo em um coque mal feito. Eu nem lembro de como eu o baguncei.
– Entre. – falei me sentando na cadeira com Tris ainda em minha mesa.
– Com licença, senhor – Nita entrou e olhou para Tris. Depois, com um olhar triste, se voltou para mim. – Os líderes estão se reunindo no andar de cima. Venha comigo, é importante.
Tris se levantou e segurou minha mão. Caminhamos de mãos dadas e chegamos até a porta, onde Nita me olhava confusa. Imaginei que fosse pela presença de Tris.
– Desculpe senhor, mas é uma reunião particular. – ela disse.
– Além de minha namorada, Tris é membro do Conselho. Se realmente é importante, a presença dela ali será essencial. – falei e ela assentiu.
Nós a acompanhamos. Olhei de relance e Tris sorria torto. Sorri e lembrei que enfatizei bem as palavras “minha namorada” para Nita.
Ótimo. Assim deixei claro para Tris que eu não tinha interesse nela, e esclareci para Nita a quem eu pertenço.
CHRISTINA
Depois de sair da casa de Caleb, fui até Uriah. Tinha planos de passar apenas algumas horas com ele, já que prometi a Caleb que jantaria essa noite em seu apartamento. Cheguei ao condomínio que Uriah morava e entrei. O porteiro já me conhecia. Sorri para ele e ele sorriu de volta.
Cheguei ao seu andar e toquei a campainha. Esperei que Hana viesse abrir, mas assim que a porta se abriu, Uriah sorriu para mim.
– Achei que não viesse mais. – ele falou, me convidando para entrar.
– Eu só me atrasei dez minutos. Sem dramas, Uriah. – sorri para ele. – Onde está sua mãe?
– Saiu com Zeke. Eles foram à quarta cidade.
– E como está o tratamento? – perguntei, segurando sua mão.
– Está bem. Já consigo me lembrar de algumas coisas, e o médico falou que está melhor do que ele esperava.
– Eu fico feliz.
O abracei e ele me envolveu em um beijo. O beijei na mesma medida. Ele pôs as mãos envoltas a minha cintura e me levantou. Enlacei minhas pernas em sua cintura e aprofundei nosso beijo.
Ele me colocou no sofá e finalizou nosso beijo.
– Você está com fome? Quer beber algo? – ele perguntou segurando minha mão.
– Não, está tudo ótimo. – respondi, sorrindo.
– Estamos sozinhos... – ele aproximou seus lábios no meu ouvido – O que quer fazer? – ele sussurrou.
O encarei e olhei para sua boca. Senti meus lábios se abrirem e não consegui falar nada. A boca dele era como um ímã da minha. Éramos tão conectados, pude sentir isso.
Quando me dei conta, nós já estávamos nos beijando. Ele me beijando com paixão e eu o beijando na mesma medida. Quis mantê-lo o mais próximo de mim possível. Estava com saudades dele. Do seu beijo. Do seu toque.
Tinha passado tanto tempo com Caleb que não me dei conta do quanto sentia a falta de Uriah.
Caleb. Pensar nele me deu náusea e um embrulho no estômago. Senti uma pontada de culpa e senti as lágrimas caírem. Uriah também as sentiu, pois ele se afastou, interrompendo nosso beijo, e olhou para mim, preocupado.
– O que está acontecendo, Chris? – ele enxugou as lágrimas que caíam dos meus olhos.
– Eu não quero falar agora, Uriah. – fechei os olhos e suspirei. – Eu só quero aproveitar esse momento com você, pode ser? – acariciei seu rosto.
– Sim, claro. – ele falou me puxando com cuidado e me beijando devagar.
Me colocou em seus braços e me levou para seu quarto. Enlacei minhas mãos em seu pescoço e ele nos guiava, ainda me beijando. Entramos no seu quarto e ele me deitou em sua cama com cuidado, ficando por cima de mim de modo que seu peso não me afetasse.
– Eu sei que tem algo incomodando você. – ele falou fixando seus olhos nos meus. – Por que você não me conta?
– Eu não quero falar agora, Uri. Não é nada importante. – falei.
– Tudo bem. Só quero que confie em mim, Chris. Pode conversar sobre o que você quiser, está bem? – assenti.
– Eu confio em você. – o beijei.
– Acho que amo você. – ele falou, engolindo a saliva.
Senti um arrepio e sorri. Ele começou a me beijar novamente. Puxei sua camisa e analisei seu corpo. Lindo. Seu abdômen negro definido. Seus músculos trabalhados. Típico de pessoas da Audácia possuírem o corpo em forma. Extremamente lindo.
(Início do hentai)
Respirei fundo e fixei meu olhar no de Uriah. Ele sorria torto e deu de ombros, parecendo ler meu pensamento.
O ajudei a tirar minha blusa e ele a jogou no chão. Dessa vez ele quem suspirou. Dei de ombros e nós dois rimos. Fazíamos tudo em silêncio e Uriah me fazia esquecer tudo que estava a minha volta.
De repente nós já estávamos completamente nus e ele beijava todo meu corpo. Primeiro o pescoço. Depois meus seios. Depois minha barriga. Por fim, Uriah para quando está chegando próximo a minha parte íntima.
Ele olha para mim e sorri. Eu sorrio também.
– Você é virgem? – ele me perguntou. Apenas assenti. – Chris, tem certeza que eu sou a pessoa certa para...
– Shh. – pedi, pondo o dedo indicador nos meus lábios. – Eu confio em você. – repeti as palavras.
Ele me deu outro beijo. Dessa vez um beijo feroz e repleto de desejo. Eu conseguia sentir sua ereção. Ele estava por cima de mim, e seu pênis estava bem próximo a minha vagina. Mal conseguia respirar de tanta excitação que eu sentia. E ele sentia o mesmo. Pude notar que Uriah queria isso tanto quanto eu.
– Vai doer um pouco. – ele falou, seus olhos transmitindo um “desculpa”.
Assenti. E então, ele entrou. Senti que estava entrando aos poucos, mas ainda assim a dor era imensa. Apertei os olhos e agarrei suas costas. Afundei o pouco de unha que eu tinha em sua pele, tentando conter a dor. Mordi os lábios com tanta força que senti o gosto de sangue. Gritei. Era terrível. Como quando você se corta e depois jogam álcool em cima de sua ferida.
Extremamente doloroso.
Ele penetrou mais uma vez e eu gritei ainda mais alto.
– Eu não posso parar agora, Chris. Me desculpa. – sua voz tremia e ele se esforçava para manter sua respiração regular. – Abra os olhos, Chris.
Ele tinha um sorriso amarelo nos lábios e um brilho incrível nos olhos. Entrou mais uma vez e eu me inclinei para trás, numa mistura de dor e prazer. Já dava para sentir o prazer. Era uma sensação boa; maravilhosa até. Sorri e ele penetrou mais uma vez.
– Não pare. – falei, arranhando ainda mais suas costas.
Ele entrou de novo em mim. E de novo. E de novo. À medida que o movimento ficou constante, a dor passou a ser apenas um incomodo. Gemíamos tão alto que eu quis tapar minha boca para que ninguém pudesse ouvir.
Senti minhas pernas perderem o pouco equilíbrio que ainda tinham. Senti elas ficarem moles; bambas. Sorri, pois Uriah tinha me concedido um prazer totalmente novo.
E naquele momento eu o amava tanto.
Por fim, senti o líquido de Uriah sobre mim e sorri, porque o meu também já tinha sido depositado nele.
Perdi minha virgindade com Uriah, e nada poderia me deixar mais feliz.
Subitamente, ele me deitou sobre ele.
(Fim do hentai)
Deitei minha cabeça sobre seu peito e ficamos em silêncio. Acariciei seu corpo enquanto ele alisava meu cabelo e tentávamos normalizar a respiração que estava acelerada. Passei minhas mãos em sua cintura e o abracei.
– Sabe Chris, quando eu não me lembrava de você, ainda assim eu me lembrava de você. – senti sua voz cansada.
Olhei para cima confusa, encarando seu olhar. Ele sorriu para mim.
– Sim. Você sempre aparecia para mim nos sonhos. Era você quem me confortava quando eu não conseguia dormir e eu passava a maior parte do tempo dormindo para sonhar com você, ou relembrar os poucos momentos que tivemos juntos. – ele suspirou. – Eu não sou bom com isso, Chris. Depois da morte de Marlene e Lynn eu me vi perdido. – ele suspirou, e pude sentir que aquilo ainda doía nele. — Mas então você me achou. Você é minha base agora. Estou tão apaixonado que estou com medo disso não ser real. – ele fechou os olhos. – Estou com medo de que isso tudo isso seja apenas uma ilusão minha. Uma lembrança que eu modifiquei. Um sonho do qual não consigo acordar. Estou com medo de que isso não passe da minha imaginação, Chris.
Tinha lágrimas nos seus olhos e ele me encarava, implorando por alguma palavra. Meus olhos estavam marejados. Segurei seu rosto e encostei nossos narizes.
– Eu amo você e isso é real. – falei, porque era verdade.
E eu o beijei.
Então pensei em Caleb.
TOBIAS
Fomos para a sala principal do Palácio do governo. Chegando lá, Johanna estava de pé falando com alguns membros do Conselho e os líderes também. Me surpreendi ao ver que Peter também estava lá. Pude ver a surpresa nos olhos de Tris também, mas ela rapidamente a despachou.
Ele olhou para nós e se aproximou.
– Peter. – acenei com a cabeça.
– Olá. Tobias, não é? – ele me perguntou.
Quase esqueci que ele tinha tomado o soro da memória.
– Isso. – ele estendeu sua mão e nos cumprimentamos.
– E você? – ele se voltou para Tris.
Ela o olhou confusa e depois olhou para mim, procurando uma explicação. Lancei-a um olhar e ela entendeu que eu explicaria tudo depois. Minha conexão com Tris era incrível. Passávamos tanto tempo juntos e nos entendíamos tão bem que nossa comunicação já não era apenas através das palavras.
– Tris. – ela falou.
– O que faz aqui, Peter? – perguntei, antes que ele se voltasse para Tris.
– Fui chamado para trabalhar numa das secretarias. Chamaram todos nós, está sabendo de algo? – ele me olhou confuso.
– Sei tanto quanto você. – dei de ombros.
Johanna chamou a atenção de todos para si e então sentamos. Ela começou a falar algo, mas não consegui prestar atenção. Não com Peter olhando o tempo todo para Tris, que estava sentada ao meu lado segurando minha mão. Segurei sua mão com mais força e acariciei. Ela sorriu para mim e voltou sua atenção para Johanna. Decidi fazer a mesma coisa.
– O outro aspecto que eu gostaria de falar sobre vocês é muito mais importante. É sobre os GDs. – ela começou. – Perdão, não devemos mais usar esse termo. Bem, é sobre os rebeldes da Margem. Eles estão em um número muito maior e acreditam que só se conseguirá a paz através de uma guerra. – Sua voz começou a ficar trêmula e ela andava de um lado para o outro, enxugando as mãos em sua saia. Estava muito nervosa e preocupada. – Eles declararam guerra.
O alvoroço na sala começou. Todos os secretários, assistentes, líderes e membros do Conselho começaram a falar. Um barulho imenso se espalhou pela sala e olhei para Tris. Ela me olhava confusa, com a testa franzida e uma expressão preocupada procurando por respostas.
Nos levantamos e nos aproximamos de Johanna, que estava sentada em uma cadeira com uma das mãos na testa e a outra apoiada no joelho. Ela observava todos e sua expressão era cansada. Pedir silêncio ali seria inútil, já que todos estavam discutindo sobre tal assunto. Algumas membros do Conselho eleveram a voz e provaram o quanto estavam apavoradas.
Uma guerra seria ruim agora. Muito ruim. A cidade estava acabando de se reerguer e fazia apenas poucos meses que havíamos saído de uma guerra.
Johanna estava com um papel na mão e olhava para ele com desgosto. Ela se levantou e começou a andar de um lado para o outro. Ela nos viu e parou.
– Eles são muitos e o número só cresce. – ela olhou para mim. – Trouxeram essa mensagem.
Johanna me entregou o papel e eu pude ler.
Estamos chegando.
Tris, que estava ao meu lado, também conseguiu ler. Ela amassou o papel e o jogou.
– Você sabe quando pretendem atacar? – ela perguntou a Johanna.
– Não, mas será em breve. Muito em breve. – ela pausou. – Eles foram às cidades mais próximas daqui, aquelas que ainda são experimentos. Conseguiram apoio de muita gente para a guerra. Nossas chances são baixíssimas.—ela baixou a cabeça.
Eu não conseguia pensar direito. Outra guerra? Eu não suportaria outra guerra. Não se Tris estivesse comigo. Jamais duvidaria de sua força, porém na última guerra eu quase a perdi. Eu não suportaria isso novamente. E dessa vez, também tínhamos Uriah que estava em processo de recuperação, Zeke dedicava a maior parte do tempo para cuidar de Shauna e a outra parte ele trabalhava com George. As poucas pessoas experientes que tínhamos não estavam preparadas para outra guerra. E eu creio que as tropas de George ainda não estejam prontas para lutar.
– Como conseguiram apoio? – Tris insistiu no assunto.
– Eles têm um novo líder agora. Um muito convincente. Não duvido de mais nada agora. – ela suspirou.
– Por que fizeram isso? O que querem? – dessa vez eu perguntei.
Johanna me olhou e suspirou novamente. Respirou fundo e continuou.
– Eles não estão satisfeitos com nossa liderança. Querem o governo. Querem restabelecer Chicago da maneira deles.
Ficamos em silêncio. Olhei para Johanna e ela tinha o cansaço visível em seu rosto. Suas olheiras profundas debaixo dos olhos. As rugas em seu rosto estavam mais fortes. Seu cabelo tinha um volume menor. A única característica que não possuía mudança era sua cicatriz. Ela ainda estava lá. Intacta.
– Escutem, não quero que partilhem essas informações com ninguém daqui. Por enquanto, ainda é sigilo e eu confio em vocês. – ela começou e verificou para ver se alguém escutava nossa conversa. – Temos rebeldes infiltrados aqui, eu posso sentir isso. Eu só não consigo imaginar quem seja. Tomem cuidado e avisem aos outros sobre o ocorrido. Peçam que estejam preparados para qualquer coisa. Tobias, quero que se encarregue do policiamento, junto com George, Amah e Zeke. – abri a boca para falar mais ela me interrompeu. – Eu sei que você não pretende mais lidar com armas, mas acredito que nós não temos escolha. Precisamos de você e de sua habilidade. – ela se voltou para Tris. – E das suas também. Vocês eram da Audácia, podem lidar com isso. Conseguiremos aliados até a guerra, eu acredito. Mas entendam que precisamos estar preparados, pois pode ser a qualquer momento. – ela suspirou. – Me desculpem por pedir isso a vocês, mas são umas das poucas pessoas em que eu confio aqui.
Olhei para Tris e nos comunicamos através do olhar. Tris estava preocupada e eu também. Não queria colocar a vida dela em risco. Não queria arriscar perde-la. Senti um nó no estômago só em pensar em tal coisa.
– Sinto muito, Johanna. Não podemos fazer isso. – falei.
– Podem. – ela disse com firmeza. – O que não podem fazer é simplesmente deixar que um massacre aconteça. Eles estão dispostos a agir sem piedade. E quanto a nossa população? E quanto às pessoas que não podem ou conseguem se defender? Vocês são corajosos. Imaginem em quantas vidas serão tiradas. Lembrem-se do ataque aos inocentes da Abnegação.
Johanna disse as palavras olhando fixamente para Tris, que assim que ela as disse as lágrimas rolaram de seus olhos. Ela segurou minha mão e limpou uma lágrima que caía.
– Quando começamos com o treinamento? – ela perguntou a Johanna.
CALEB
Eu estava preparando o jantar, para Christina e eu. Tomei cuidado com todos os pratos, não exagerando nos temperos ou outra coisa. A vantagem de ter crescido na Abnegação era essa: nós éramos ensinados a preparar a janta. Apesar do cardápio não possuir muita variação, eu tinha me acostumado a fazer aquilo e tinha quase certeza de que Christina iria adorar.
Christina. Eu estava tão apaixonado por ela que me assustava com o sentimento. Tinha medo de que ela não sentisse na mesma intensidade e só estivesse comigo para preencher o espaço que Will e Uriah deixaram nela. Will estava morto e Uriah não se lembrou dela.
Me aproximar de Christina me tornou uma pessoa boa. Mais corajosa e altruísta também. Eu já havia me apaixonado uma vez, por Susan, mas nada é comparado ao que sinto por Christina. É vontade de cuidar e proteger de tudo e todos. Quero envolve-la nos meus braços e deixar que ela fique ali eternamente. Eu a amo e sei disso. Estou assustado.
A campainha do apartamento tocou e eu fui atender a porta.
– Oi. – Chris disse quando eu abri a porta.
– Achei que viria mais cedo. – falei, puxando-a para um beijo.
Nos beijamos, ela entrou e eu fechei a porta.
– Desculpe, eu estava com Uriah. – ela falou de repente. Não contive a surpresa e o ciúme no meu olhar. Ela me encarou. – Estou ajudando-o na recuperação, Caleb. Não me olhe assim.
Sentamos no sofá e eu a abracei. Ela encostou a cabeça em meu peito e suspirou.
– Tenho medo de perder você, Chris. – admiti.
– Você não vai. – ela falou.
Pude sentir tristeza e incerteza em sua voz. Christina estava escondendo algo de mim, eu sabia disso. Também sabia de que ela estava confusa em relação aos sentimentos por mim, como se não tivesse certeza. Isso doía.
– Vai me falar o que está acontecendo? – perguntei.
– Não acho que seja o momento, Caleb. – ela falou e olhou para cima, conseguindo me encarar.
Ela estava preocupada e triste também. Olhei para seus lábios e eles eram me atraíam de uma maneira inexplicável. Não hesitei e quando me dei conta já estávamos nos beijando. Um beijo cheio de necessidade. Quando ela me beijava assim, não havia incerteza ou dúvida. Só havia paixão. Desejo. Amor.
– Eu amo você. – ela sussurrou em meio ao beijo.
Uma lágrima escorreu do seu olho e eu a enxuguei.
– Eu amo você. – sussurrei também. Meus olhos brilhando. Interrompi o beijo e segurei seu queixo. – Eu jamais senti isso por alguém, Chris. Não consigo pensar na possibilidade de perde-la. Meu coração não aguentaria. Você é muito para mim. Sei que não mereço você. Olhe todas as coisas imbecis que eu já fiz. Como poderia merecer você? – senti meus olhos marejados.
– Shhh. – ela pediu, colocando o dedo indicador nos meus lábios. – Você é incrível.
Eu a abracei e ficamos ali.
De repente, alguém tocou a campainha e bateu na porta.
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