Um novo Começo
2 Chegada triunfal
Para chegar ao Brasil sem ser notado ele teria que ir a noite e foi como previsto chegou na cidade de São Gonçalo/RJ por volta de 1h da manhã, na praia, para não correr o risco de ser visto e fazer seu pouso sem qualquer perigo..
Andando na praia com seu coturno despojado, seus jeans surrados e sua jaqueta preta. Com o calor que estava fazendo, seria chamado de louco pelo primeiro que o visse, tinha se esquecido de como fazia calor no Brasil.
Tirou a jaqueta, jogou-a na areia e sentou se nela para observar as ondas que se formavam ao longe, o cheiro do mar o acalmava, trazia uma leve sensação de paz, mas logo foi interrompido, ao ouvir um irritante barulho de rasgar de folhas que estava o deixando louco, esperava que fosse um garoto para poder socar-lhe a cara. Pegou a jaqueta, chacoalhou para tirar toda areia e caminhou para o barulho infernal.
Mas para sua surpresa era uma garota, jovem, aproximadamente uns 17 anos supôs, parecia que ela estava desenhando a vista do mar, ela estava completamente concentrada em seu desenho, mas algo parecia não estar dando certo, pois ao seu lado estava cheio de papéis amassados em bolinhas, ela estava encostada em uma pequena rocha, onde estava com a cabeça encostada dava para olhar as estrelas.
Com medo de se aproximar e assusta-la, só observou em pé como se estivesse hipnotizado, quando notou que ela ia olhar achou melhor se aproximar para poder impedir caso gritasse.
Ela olhando assustada segurou seu lápis com força para que pudesse usar como arma.
— Jeito engraçado de se defender! — ele disse olhando para o lápis sorrindo com ironia — Parece estar com sérios problemas ai — Disse apontando para os papéis amassados -Não vou fazer-lhe mal, posso te fazer companhia ?
— Vai de mal a pior. — disse ainda um pouco assustada. — Pode ficar, mas não vou lhe mostrar meus rabiscos.
— Prometo não olhar!- erguendo a mão direita em sinal de promessa.
Em silêncio ele senta ao seu lado, notando seus cabelos e olhos castanhos profundos, sua pele típica de adolescente, suas pupilas estavam dilatadas pela escuridão.
— O que uma garota indefesa faz a essa hora na praia ? — disse curioso.
— Indefesa ? — disse erguendo o lápis simbolizando uma arma mortal.
— Exceto por essa sua arma caça-vampiros.- os dois riram, quebrando o clima de medo que ainda estava presente.
— Vampiros? Não seja tolo, vampiros são para criancinha. — respondeu revirando os olhos.
— Ah, mas é claro. Seus pais não se preocupam em você ficar na rua até tão tarde? — perguntou meio receoso de estar sendo íntimo demais em suas perguntas.
— Bom, eles acham que estou em uma festa com a minha amiga. — mas o que ? eu nem conheço esse cara... e se ele for um sequestrador? Ah, que ótimo, agora ele sabe que meus pais pensam que estou em outro lugar.
— E por que não esta ? — notou o olhar de confusão na garota quando disse a frase anterior.
Ela pensou se deveria contar que estava fugindo de um ex namorado idiota, mas pensou melhor, afinal ela nem o conhecia e ele tinha cara de louco, mas devia admitir que ele era lindo, olhos verdes, cabelos escuros, corpo atlético, de dar inveja em todos os garotos que conhecia, principalmente no seu ex, mas será que dava pra considerar um ex-namorado? Isso foi tão pouco tempo, o rapaz era tão irritante e doente que nem conseguiu suporta-lo por muito tempo.
— Vim para refletir, desenhar...
— E você desenha bem? — Perguntou achando que ela se esquecera da promessa.
— Você prometeu não se interessar, mas não, não desenho bem, só faço alguns rabiscos para distrair. — disse olhando para os papéis que estava pintando.
— Então... seus rabiscos não estão dando certo — disse apontando para as bolinhas de papel espalhadas pela areia.
— É mais ou menos — retribuiu com um sorriso.
Ela olhou no relógio já eram quase 2:00 AM ela não queria ir embora, mas precisava já estava tarde queria chegar em casa, deitar e esquecer o dia que passou, mas a companhia daquele garoto estava bem interessante, melhor que a de muitas outras, mas achou melhor ir.
— Preciso ir já está tarde, até demais. — disse arrumando suas coisas e colocando-as na sua bolsa
— Quer que eu te acompanhe, é tarde para andar só.
— Não moro tão longe, mas obrigada. — respondeu intrigada com tamanha educação e cavalheirismo do rapaz.
Ela se levantou e saiu na direção oposta que deveria ir, com medo de ser perseguida pelo lindo e aparente, psicopata.
— Hey? — ele gritou — Você não me disse seu nome!
— Não interessa! — Ela gritou parada de costas, sem olhar pra trás, arrumou a alça de sua bolsa que chegava até os quadris e prosseguiu seu caminho.
— Legal! — Rindo sozinho, ele se deitou na areia e se pegou olhando o céu estrelado, estava lindo o céu, ele nunca foi de observar as estrelas, mas essa noite algo começava a mudar.
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