Um namorado para o meu pai
1 Capítulo 1: #sugardaddy
Notas iniciais
Claire Novak tinha um problema, um grande problema.
Mas não um como os que você vê em filmes de adolescentes, onde a popularidade almejada transforma a mocinha em uma víbora; nem aqueles em que a garota excluída se apaixona pelo capitão do time de futebol e se torna alvo de uma aposta, que acaba a fazendo passar por uma transformação e, tchan, ela se torna super gostosa só de tirar os óculos. Nenhum problema nesse nível de futilidade.
Também não era nenhum problema sério, sejamos sinceros. Ela não sofria com os colegas de turma, nem com agressões em casa; não tinha depressão, nenhum transtorno alimentar ou pensamentos suicidas.
Sua vida era, a bem da realidade, entediantemente comum; como a de muitos adolescentes de dezessete anos. Ela tinha seu grupo de amigos, com quem saía aos fins de semana para curtir; gostava de beijar na boca, ouvir música, comer besteira e de viver intensamente seus sentimentos intensos. Tinha dificuldades em algumas matérias, eram medianamente boa em outras e ainda não sabia o que faria depois de sair do colegial. Suas únicas certezas no momento eram: 1) ela tinha um problema e 2) a boca de Alex Jones era definitivamente a boca mais bonita daquela escola e ela mal podia esperar para finalmente conquistar a morena, que lhe sorria timidamente enquanto o professor falava qualquer coisa sobre algum evento que ela não fazia ideia de qual. Seu problema também não era a nota de História, apesar de tudo.
Então, qual era o problema?
— Srta. Novak , Srta. Jones, espero não estar atrapalhando essa troca de olhares e sorrisos com minha história entediante sobre como a Alemanha perdeu a Segunda Guerra. — A voz grave do professor chamou a atenção da loira, que tirou o lápis da boca e parou de sorrir na mesma hora em que se virou para olhá-lo. O professor sorriu.
Ele era problema.
— Na verdade, está sim — respondeu sorrindo de volta, o homem rodou os olhos e não se incomodou em rebater a fala da garota, acostumado demais com a personalidade dela para sequer dar atenção.
Claire gostava do professor, ele era um homem bacana e ela sabia que ele havia sofrido muito durante sua vida. Era viúvo havia sete anos, perderá a única mulher que foi capaz de amar em um acidente de carro e teve que cuidar da filha deles sozinho; e não vamos entrar em detalhes sobre sua infância, mas digamos que seus pais têm muita sorte dele ainda visitá-los em Illinois depois de tudo o que fizeram. Mas além de homem sofrido que deu a volta por cima, ele também era um ótimo conselheiro, sabia ser amigo dos alunos e tinha um coração de ouro (como muitas senhoras gostavam de dizer).
Então, porque ele era um problema para sua aluna?
— Espero que saibam que não dou nota de graça para ninguém, mesmo que essas pessoas sejam minha bela filha e minha querida futura nora. — Sorriu, fazendo o resto da sala rir enquanto Alex corava e Claire batia a cabeça na mesa, grunhido.
Espero que isso tenha respondido sua questão.
***
As mãos de Claire subiam vagarosamente pela cintura de Alex, amassando a camisa roxa que ela usava, enquanto as da morena a puxava pela nuca para ficarem o mais próximas possível. Os corpos adolescente se esfregavam no ritmo lento de Crazy, que ecoava alto suficiente pelo quarto da Novak e abafava o som do mundo exterior, deixando-as imersas na presença uma da outra. Claire segurou o lábio inferior de Alex entre os dentes com suavidade, fazendo a garota rir antes de voltarem a se beijar.
— Claire, espera. — A morena a segurou pelo ombro, impedido-a de seguir com o que queria: tirar a camisa amarrotada que estava entre elas. — Você tem certeza que seu pai não está em casa?
— Ele disse que ficaria na escola pra corrigir alguns trabalhos, ou algo do tipo — respondeu com um suspiro, Alex a olhou sem muita confiança a fazendo se sentar na cama. — Alex, podemos ficar preocupadas com meu pai ou nos preocuparmos mais em conhecer sobre anatomia, teremos prova semana que vem — brincou, um sorriso faceiro se esticando no rosto dela.
A Jones pareceu incerta por alguns segundos, como se pensasse se valia o risco ou não; Claire retirou a própria camisa, incentivando a outra a seguirem de onde pararam. Alex passou a língua pela boca enquanto a encarava, para logo em seguida imitá-la. Voltaram a se beijar com intensidade, barriga e seios se tocando, aumentando a temperatura dos corpos. O dedo indicador de Claire brincava na borda do sutiã de Alex, pronto para passar por baixo dele quando a porta do quarto se abriu abruptamente.
— Claire, você viu minha pasta preta? — A voz de Castiel chegou antes dele, fazendo as garotas pularem para longe uma da outra. Alex foi parar do outro lado do quarto, com a camisa em mãos já a meio caminho de ser vestida. — Opa, desculpa — pediu assim que entendeu a situação, coisa que não levou nem um segundo.
— Boa tarde, Sr. Novak. — Alex cumprimentou cabisbaixa, as bochechas vermelhas cobertas pelos cabelos escuros. — Nos vemos amanhã, Claire, tchau.
E sem dar tempo da loira gritar uma resposta, a garota saiu do quarto com a rapidez de quem lembrou que deixou algo no fogo. Castiel ergueu as sobrancelhas, parado contra a porta, e então olhou para a filha, ainda sem camisa e emburrada. Ele se aproximou, pegou a peça de roupa que estava no chão e entregou para a garota, que a vestiu enquanto bufava; quando terminou, o homem se sentou ao seu lado e fez um som estalado com a boca, deu algumas batidinhas no joelho para então abrir a boca.
— Nem começa. — Claire pediu cobrindo o rosto com as mãos.
— Claire, você sabe que pode conversar comigo sobre essas coisas. — Castiel falou quase como se tivesse que se defender, a garota soltou um som exasperado.
— Sim, eu sei. Ainda tenho fresco, na minha cabeça, o dia que você falou comigo sobre masturbação — disse, sentia calafrio só de lembrar do constrangimento que sentiu.
— É uma prática saudável que deveria ser incentivada, ainda mais entre garotas. É importante que conheçam seus corpos — explicou usando o tom didático de professor. — Além disso, eu já fui adolescente.
— Então você sabe como é vergonhoso falar disso com os pais — rebateu, a voz ainda abafada pelas mãos.
— Não sei, pois você sabe que meus pais nunca foram abertos para nenhum assunto. E acredite, Claire, é muito importante ter esse tipo de abertura com os pais. — Tocou-a no ombro e então continuou: — Me avise da próxima vez que estiver com alguma menina, assim eu vou saber que não devo chegar perto do seu quarto — brincou.
Claire se jogou na cama, abafando um grito de vergonha. Castiel riu, deu dois tapinhas na perna da filha e saiu do quarto. Sozinha e após pedir a alguém lá em cima — qualquer um — a acertar com um raio, se pôs a pensar o que ela fez para merecer esse tipo de coisa; não que ela não gostasse do jeito do pai ou preferisse que ele fosse do tipo rígido, na verdade ela sabia que em relação a outras pessoa, ela dera muita sorte em ter o pai que tinha. No entanto, às vezes se perguntava se todos aqueles anos estudando a história da humanidade não acabaram afetando o psicológico dele.
***
Sinceramente, Claire não era uma garota ingênua, porém ela gostava de manter as esperanças altas em algumas situações. Por isso, quando a noite chegou, ela imaginou que já havia atingindo a cota de situações constrangedoras que um pai poderia fazer sua filha adolescente passar e estava certa que nada mais aconteceria. Logo, estava tranquila assistindo a um filme de suspense que passava em algum canal que ela não fazia ideia de qual, deitada no sofá e com um balde de pipoca em mãos. Pura paz e satisfação enquanto via Hugh Jackman desconfigurando um rapaz, em busca de respostas sobre o desaparecimento da filha.
— Claire, o que você acha dessa foto? — Um arrepio de preocupação subiu pela espinha da garota quando a voz do pai chegou a seus ouvido, o homem veio da cozinha com o celular em mãos e entregou o aparelho a ela, enquanto se sentava ao seu lado.
— Interessante — respondeu após ver a imagem de seu pai de costas, mexendo com algumas panelas. — Como você conseguiu tirar essas fotos? — perguntou franzindo o cenho para as próximas imagens da galeria, todas do homem fazendo alguma coisa na cozinha.
— Eu programei a camêra — respondeu pegando o celular de volta, falando as hashtag que usaria enquanto digitava.
— Ok, alguém precisa criar uma lei para a quantidade de hashtag permitidas em uma foto. — Ela disse tomando o objeto da mão do pai, que soltou um “ei” em protesto. — Hashtag sugardaddy? Você ao menos sabe o que isso significa?! — questionou, a voz ficando mais fina pela indignação ao mesmo tempo que contraia a face, tentando não rir.
— Algo bom, não? Alguém comentou em uma das minhas fotos uma vez, achei que era um elogio. — Castiel olhou para filha de uma forma que a fez perder a compostura, gargalhando da expressão de filhote confuso.
— De certa forma, é — disse secando as lágrimas que escapavam pelo canto do olho. — Mas, acredite, você não quer ser um desses homens. — Entregou o celular de volta ao homem, com a legenda da foto devidamente editada, e se levantou para ir a cozinha.
— E o que isso significa? — Castiel a seguiu, ainda olhando para o telefone, confuso.
— São homens mais velhos que saem com pessoas mais novas e meio que “investem” financeiramente nessas pessoas — explicou sem olhar para o homem, ocupada demais em ver o que havia nas panelas, pois estava com fome e pipoca não era refeição.
— Bom, o único investimento que posso ter é você. — Riu e então acrescentou: — Mas quanto mais novos? — Claire se virou para ele rapidamente, apenas para vê-lo se debruçar na ilha enquanto sorria provocativo, a fazendo grunhir e voltar a atenção às panelas.
— Cadê o instafood que você fez? — questionou tornando a olhá-lo, Castiel abriu uma das gavetas da ilha e estendeu um papel colorido para ela, que o pegou desconfiada.
— Queijo, por favor. — O celular vibrou na mão dele. — Olha só, já tenho cinco curtidas e três comentários.
Claire viu o pai sair da cozinha, rindo para o próprio celular enquanto provavelmente respondia aos comentário citados; abaixou o olhar para o papel que tinha em mãos e suspirou ao ver o cardápio de uma pizzaria. Era oficial, seu pai estava louco e com muito tempo de sobra, ao ponto de fingir estar fazendo comida apenas para postar fotos na internet. Pelo amor de deus, ela era a adolescente da casa, ela deveria estar fazendo esse tipo coisa, não um homem de trinta e tantos anos!
As coisas não podiam continuar desse jeito, ela tinha que fazer algo para que Castiel parasse de ocupar seu tempo atrapalhando sua vida amorosa ou sendo famosinho na internet. Mas o que poderia fazer? O que tomaria todo o tempo livre de seu pai e o manteria suficientemente afastado? Claire pegou o celular que estava no bolso do moletom que usava, talvez pesquisar a ajudasse a ter ideias.
No entanto, assim que desbloqueou a tela, uma mensagem não vista de Alex saltou em suas vistas e logo uma ideia brilhante apareceu. Era disso que seu pai precisava! De alguém que mandasse mensagens perguntando como ele estava e o que fazia, alguém que o convidasse para ir ao cinema e, o melhor, alguém que o mantivesse intimamente ocupado. Claire estava decidida, iria fazer algo por seu pai, pelo bem da relação deles.
Ela conseguiria um namorado para ele.
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